Minha Vida Pelo Teu Amor
Autora: Thieza Graziella
Araújo Da Silva Góes De Melo
Em meio à uma louca perseguição os dois, à galope, entraram
de um lado da floresta e cortaram caminhos, despistando todos os soldados e a
cavalaria do Rei.
Aí então o Alexander parou o cavalo e falou:
-
Vamos. Desça-te.
-
Não, Alexander, por favor! Eu
imploro-te, não me deixes!
-
Alida, eu não posso...
agora...
-
Então promete-mes! Irás
voltar-te e fazer-me a mulher mais feliz do mundo?! Por Cristo! Promete-me!
-
Prometo-te! Agora, vá-te! Esconda-te!
Não te deixes ser vencida pelo cansaço! Encontraremo-nos amanhã.
-
Onde amor de minha vida,
onde?
-
No rio! Agora vá-te!
Alida desceu do cavalo de seu amado e o olhou mais uma vez. Seus
olhos imploravam pela volta dele. E como se lesse o que o que os olhos dela
expressavam ele completou:
-
Prometo-te! – ai então ele
saiu à galope.
Ela então tentou achar uma saída daquela
densa floresta, a qual ela desconhecia.
-
Cristo, ajuda-me! – ela murmurou
desvencilhando-se de alguns galhos.
Pouquíssimos
instantes depois capturaram-na.
-
Princesa... vossa Majestade
não esperava que fosse tão fácil achá-la.
-
Largue-me soldado! Eu o
ordeno! Meu pai saberá de sua impertinência!
-
Ele está sob meu comando! –
falou o Rei, Luís VII.
-
Pai... – seus olhos se
encheram de terror.
-
Deixe-nos sós! – ele ordenou
ao soldado – Responda-me apenas uma coisa e dir-te-ei se mereces que te chames
da “minha filha”!...
-
Pergunte-me.
-
Consumaste o casamento?
-
... sim...
-
Não és minha filha! Casou-se
com um bárbaro, desonraste teu nome, consumaste casamento... Não és minha
filha! Prendam-na!- Luís VII, Rei de França ordenou aos seus soldados – Ela é
apenas uma simples prisioneira! – ele concluiu, observando toda a movimentação.
-
Pois casei-me sim! E com o
homem que amo! Por meio de Raoul Glaber, o monge de Cluny, casei-me! E mesmo
vossa Majestade não sendo à favor, eu fiz tudo isso e não arrependo-me!
Aí, então, Luís VII deu-lhe um tapa em sua face.
-
O Bispo Adalberon de Laon te
absorverá de todos os seus pecados, amanhã pela manhã, antes de seres decapitada,
insolente! – o Rei retirou-se para sua Carruagem Real, que o levaria até o seu
castelo, onde seu filho esperava notícias.
Os soldados arrastaram-na até próximo do castelo, onde seu
filho esperava notícias.
-
Já que... és uma simples
prisioneira... – o chefe da guarda aproximou-se da cela e a abriu.
-
Que queres?
-
Continuas insolente, mesmo sabendo
que seu fim aproximasse rapidamente?!
-
Não importa-me que pensas! Importa-me
saber que queres! – ela ergueu-se.
-
Irei tratar-te-a como uma
simples prisioneira! – ele puxou-lhe os lisos cabelos negros – tendes um belo
corpo.
-
Que queres dizer?
-
Que irei estuprar-te, se não
cooperar-te.
-
Com quê cooperaria?
-
Não se negando.
-
Então... não cooperarei! –
ela cuspiu-lhe a face.
-
Então serás estuprada! E não
só por mim, mas, também, por metade de meu batalhão!
Ela manteve-se em silêncio.
-
Não pedirás piedade?
-
Tenho dignidade e orgulho o
bastante para não humilhar-me à ti!
Enquanto isso Alexander tinha encontrado pelo caminho alguns
soldados, dos quais deu conta.
-
Se tivesse, nesse momento,
minha esposa poderia consumar o meu casamento e quem sabe até chegar a ser pai
daqui à alguns meses. Mas amanhã terei em meus braços minha amada. Conseguirei,
enfim, ser feliz, ao seu lado, pro resto de nossas vidas. – ele cerrou os olhos
pensativo – porém se não cuidar-me desse ferimento, morrerei antes que penso!
Ele referia-se à um ferimento de bala, em seu ombro
direito.
No Castelo, Luís VII disse ao seu filho todo o ocorrido e
completou-lhe:
-
Pois será morta amanhã, às
10:30 horas em ponto! Por esse motivo, Felipe Augusto, exijo que trajes com
honras e pompa, amanhã. Para ver-te tua irmã ser decapitada. Ela não irá à guilhotina.
Pois não agüentaria de tanta ansiedade e mandaria que logo se soltasse a lâmina!
-
Serdes exageradamente impiedoso,
meu pai. – Felipe Augusto retirou-se do aposento com um – Com sua licença.
Ao primeiro raio de sol do dia seguinte, Alexander foi à
galope até o rio. Lá sentou-se e esperou algumas horas. Decidiu então pensar no
pior e ir à galope até a cidade.
Às 10:15 horas o chefe da guarda foi retirar Alida de
sua cela.
-
Verdes, como não sou tão maléfico...
foram apenas mais doze homens afora eu. – ele abriu a cela.
-
Que sejas amaldiçoado, você
e todas as suas gerações! – ela murmurou com ódio no coração e nas palavras
proferidas. E logo após lembrou-se – Alexander! Deve está esperando-me à beira
do rio!
-
O que dizes?
-
Não interessa-te! – ela proferiu
alto, já que antes apenas murmurava.
-
Andas! Irás trocar esses
trapos para seres executada!
-
Para quê trocar-me a roupa
se as marcas estão dentro de meu ser? Recuso-me. Sei que tenho esse direito!
Seu vestido, antes branco de matrimônio estava ensangüentado,
de sangue das feridas causadas pelos maus tratos dos soldados e pelo sangue de
sua virgindade.
Alguns guardas levaram-na até o local de sua execução. O
povo gritava revoltado contra o Rei.
Ao chegar sobre o palco, onde já a esperava um carrasco
com um machado, ela pediu para falar.
-
Fale! Mas não se demore por
demais! – autorizou o Rei.
-
Posso até Ter errado... mas
com certeza errei apenas aos olhos alheios. Pois se amar é um erro, um pecado,
todos aqui, somos pecadores. Sinto muito, Bispo, mas recuso o teu perdão de
meus pecados! Meu único grande pecado foi Ter obedecido o meu amado e
desobedecido o meu coração. Ele pediu-me para descer do cavalo e fugir, meu
coração pedia-me que ficasse e lutasse junto à ele. Onde estará ele agora? Em qualquer
lugar que ele esteja, o mais próximo ou distante, ele está dentro de mim. Ele sabe
que o amo. E eu sinto muito não temos tido tempo de consumar o nosso matrimônio,
mas agora é tarde... – ela ajoelhou-se e pôs a cabeça sob a mira do machado.
Alexander chegou à galope e fazendo barulho por onde
passava, chegou em frente ao Castelo, ao lado do palco onde Alida seria
executada.
Alida o olhou e sorriu, mas seu meio sorriso foi
apagado pela lâmina do machado que cortara o seu fio de vida, apagara sua luz,
matara sua esperança.
-
NÃO!!!!! ALIDA!!!!! – o Alexander
gritou pulando do cavalo e indo na direção do palco.
Empurrou de lá o carrasco e tirou uma arma de sua
vestimenta, mas não teve tempo de atirar, pois antes disso atiraram em sua
cabeça.
-
Belíssimo, seu espetáculo, Majestade! –
Felipe Augusto aplaudiu cínico ao pai – Primeiro injustiçou a própria filha,
por ela amar quem amava. Depois matou-a. Filha! Teu Sangue! E agora mataste o
amado da tua filha, com um tiro saído de sua própria arma e atirada pela sua própria
mão. Belíssimo espetáculo! Mas nem com tudo isso irás conseguir separar os dois!
Porque o amor deles era verdadeiro! Eu fui testemunha de seu amor e matrimônio,
eu fui padrinho. Mas não pude impedir a sua morte! Agora, Luís VII, vossa Majestade,
irás comandar um povo com ira! – ele falou com um tom irônico e saiu do salão
batendo as portas.
Alguns minutos depois Felipe Augusto voltou e disse:
-
Sabes qual era o maior
desejo de tua filha? Era de ter um filho e pôr o nome dele de Luís VIII. Ela daria
o teu nome ao filho do amor dela. E o destino que destes à ela foi o fruto do
teu ódio, do teu orgulho! – ele saiu e não voltou mais.
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