What Makes You Different (Makes You Beautiful)


Escrito por Nina Carter

Estava clareando, o sol vinha nascendo, com a mesma lentidão com que se punha todos os dias. Eram quase 6 e meia da manhã, quando Andréa acordou. Fazia calor naquele dia, já naquele horário, seria um ótimo dia para ir a praia ou dar um passeio. Levantou-se e foi até o banheiro lentamente, pentear os cabelos e escovar os dentes, pegou a escova dentro da gaveta da pia e começou a escová-los delicadamente. Tinha os cabelos muito negros e lisos, e compridos também, o que dava um certo trabalho para penteá-los, sua mãe já havia lhe dito pra que os cortasse, mas ela não queria, de jeito nenhum. Havia um espelho acima da pia, mas não era necessário...

Voltou ao seu quarto e abriu as janelas, para que ventilasse um pouco, na certa, poderia até chover mais tarde, com tamanho calor que fazia. Abriu seu guarda-roupa, e foi tateando a madeira clara, até achar a gaveta das bermudas, depois pegou uma camiseta e sentou-se na cama, tirou sua camisola amarela e colocou uma camiseta branca e, logo depois, a bermuda.

- Filha? Já acordou?_ perguntou sua mãe, batendo na porta.

- Já sim, mamãe, pode entrar! _ Isabel entrou no quarto dela, beijou-a na testa.

- Bom dia! Dormiu bem?

- Sim! E a senhora? Não ficou acordada a noite inteira de novo, né?

- Não, dessa vez eu consegui Ter uma boa noite de sono! E então, está pronta?_ passou a mão em seus cabelos.

- Já. Mãe... _ o sorriso sumiu de seus lábios._ Eu acho que... é melhor eu não ir...

- Por que não? Você estava tão animada ontem! Que aconteceu?_ sentou ao lado dela.

- Nada... mas é que... eu acho que não vai dar certo, eles não vão me aceitar..._ escorreu-lhe uma lágrima. Isabel pôde perceber a angústia de sua filha, o medo de chegar em um lugar novo, cheio de pessoas novas, e que não tinham a mesma "característica" dela, era assim que ela denominava aquilo. Para ela não era um problema, e sim uma característica._ Eu estou com medo... _ segurou firme as mãos dela, apesar de não querer que ela sofresse com os obstáculos, também não queria superprotegê-la, sabia que isso poderia ser o pior para ela.

- Se quiser, não precisa ir hoje...

- Tudo bem se eu fosse só amanhã?_ mantinha a cabeça baixa.

- Claro, querida. Você só vai se quiser._ sorriu.

- Prometo que amanhã eu vou.

- Então, quer dormir mais um pouco?

- Acho que sim... _ Isabel beijou-a no rosto e levantou. Ia saindo do quarto, mas Andréa a chamou._ Mãe!

- Sim?

- Sei lá... a gente poderia ir lá, conhecer... eu estou um tanto curiosa._ sorriu.

- Quer ir agora?

- Podemos?

- É claro! Vamos então!

Ao chegarem no colégio, já não havia muitas pessoas por ali, a maioria já estava em aula. As duas foram andando de mãos dadas pelo corredor. Isabel pediu para que Andréa se sentasse, enquanto conversaria com a diretora. Colocou-a sentada num banco perto da porta da diretoria.

- Preciso acertar umas coisas ainda. Vai se comportar aqui?_ disse brincando.

- Pode ficar tranqüila._ sorriu._ Não arredo o pé daqui de jeito nenhum.

Passaram-se cinco minutos, cinco longos minutos, e Isabel não saía daquela sala. Apesar que Andréa estava muito impaciente também... estava um silêncio mortal naquele corredor, quando ouviu um barulho de repente, era uma porta se abrindo ao longe, ouviu um pouco de gritaria e várias pessoas conversando.

- "Deve ser em alguma sala."_ pensou.

- Vá falar com a diretora, menino! Não quero garotos de brincos na minha aula!_ gritou uma senhora, que parecia estar muito brava.

- Mas eu não fiz nada Sra. Backer!_ disse o garoto, num tom calmo e revoltado ao mesmo tempo.

- Eu já tinha lhe avisado que não queria que usasse essas coisas durante a minha aula, não tinha? Desde o ano passado!

- Mas a senhora...

- Nada de "mas", senhor McLean! Só volte com a autorização da diretora ou do coordenador, ouviu bem?

- Sim senhora..._ murmurou. A professora fechou a porta, deixando-o do lado de fora.

Andréa ouviu passos, e vinham na sua direção, a pessoa vinha bem devagar. Sabia que deveria ser algum aluno, por isso ficou um pouco nervosa, abaixou a cabeça.

- "Que saco, o que aquela mulher me faz passar..."_ resmungava em pensamento. Viu uma garota sentada no banco, ao lado da diretoria, nunca havia a visto lá. Seria uma aluna nova? E por que estaria ali sozinha? Passou por ela e bateu na porta. Notou que tinha gente lá dentro, e resolveu esperar. Sentou-se ao lado dela, que mantinha a cabeça baixa.

Pensou em puxar conversa, mas a garota parecia não estar nem aí pra quem quer que estivesse ali. Passaram-se uns cinco minutos e ele não conseguia mais continuar de boca fechada. Sentou um pouco mais perto dela. Andréa ficou nervosa, sabia que tinha alguém ali, mas não sabia quem.

- Oi! Tudo bem...

- Oi... estou bem...

- Qual é o seu nome?_ pôde perceber que, além de ser bonita, tinha uma voz meiga... muito meiga!

- Andréa.

- O meu é Alexander, mas pode me chamar de Alex se quiser!_ sorriu. Mas percebeu que ela mantinha-se calada e sem nenhuma expressão sequer no rosto, ficou sério também. Por que ela não olhava pra ele?

- Ok..._ por que aquele garoto não ia embora? Suas mãos estavam suando...

- Está esperando alguém?

- A minha mãe, ela está conversando com a diretora...

- Ahn... Você é nova aqui?

- Sim...

- Legal! De que turma você é?

- Eu estou indo para o primeiro. Er... Alex...

- Fala._ pela primeira vez, ela é quem estava puxando assunto! Ele gostou quando o chamou de Alex!

- É que eu... eu não queria conversar agora, eu..._ não sabia o que fazer, quanto mais o que dizer a ele.

- Eu estou atrapalhando?

- Não, você não me atrapalhou, é que...

- É que...

- É que eu... só não estou a fim de conversar...

- Ah, tudo bem... então eu fico quietinho..._ sorriu, ela sorriu também._ Algum problema?

- Ahn? Por quê?

- É que parece que você está rindo escondida de alguma coisa e... er... por que não olha pra cá?_ nesse momento abriram a porta da diretoria, Andréa assustou um pouco, mas deu graças à Deus.

- Pronto querida! Demorei muito?_ colocou a mão em seu ombro.

- Não, só um pouquinho..._ sorriu._ Vamos?_ Alex percebeu que nem pra mãe ela olhava, achou estranho quando ela se levantou, o jeito dela... mas achou melhor não perguntar.

- Tchau, Andréa!_ despediu-se com um aceno de mão.

- Er... tchau Alex..._ não olhou muito para trás, mas deu um aceno com a mão para trás.

- Filha, quem era o menino na porta da diretoria?_ perguntou Isabel, ao chegarem em casa.

- Eu não sei, mãe... ele estava ali só havia uns dez minutos..._ sentou-se na mesa do café._ Pode me passar a torrada?_ Isabel sentou ao lado dela para tomarem café, eram quase 7 horas, mas nenhuma das duas estava com sono. Isabel colocou a torrada e o requeijão perto de Andréa, ela queria fazer tudo sozinha, ela fazia tudo sozinha, e sabia cuidar de si mesma quando às vezes ficava sozinha em casa. Havia nascido com este problema, e convivia com aquilo desde então, há 16 anos. Isabel achou melhor colocá-la numa escola normal, após mais de dez anos em escolas especiais e uma convivência pouco comum com jovens da sua idade, mas que não tinham aquilo. Andréa concordou em tentar, "tentar", essa era a palavra mágica, e sempre que ela tentava, conseguia, sua mãe não sabia de onde ela tirava tanta força e determinação, mas sentia-se orgulhosa dela. Agora iria encarar 30 alunos, que, pelo menos a maioria, nunca tinha visto um deficiente visual na vida.

- Será que alguém poderia abrir a porta pra mim! Não respeitam nem mais os idosos?_ disse o avô de Andréa se fazendo de rabugento, bom... na verdade ele era, principalmente com quem não gostava, mas Andréa sempre soube dobrá-lo. Assim que ela ouviu sua voz, saiu correndo para abrir a porta, não se preocupava se tropeçaria em algum objeto, pois Isabel mantinha sempre a casa limpa e "descongestionada". Afonso abraçou sua neta favorita, e que era a caçula, ela tinha outros primos também._ Mas não é a minha neta favorita?!

- Claro, eu sou a única neta, os outros sào netos, vô!_ sorriu.

- Que seja... são todos mal-educados e nem se importam com seu avô..._ disse em tom alto, abraçado a ela.

- Bom dia seu Afonso! Já tão cedo?_ perguntou Isabel._ Quer tomar café conosco?

- Eu aceitaria se você não fosse a ex-mulher de meu filho. Por falar nisso, você tem visto aquele sem-vergonha?

- Seu Afonso!_ Isabel levantou-se da mesa, ficou irritada, pois não queria que Andréa escutasse as reclamações de seu avô para com seu pai. Roger perdera seu emprego há dois anos, quando acabava se se divorciar dela. Agora estava morando de favor na casa de sua tia, irmã de Afonso, que ficou furioso quando soube.

- Mas Isabel, queria que eu falasse o quê??_ disse revoltado._ Minha neta já esta careca de saber! Não é mesmo?

- Bem... eu..._ Andréa ficou sem jeito e deu um meio sorriso.

- Não precisa responder, pois nós sabemos o que você pensa!_ disse Afonso._ Eu e minha neta somos os únicos ajuizados nessa família de malucos!_ dizia convicto e como se estivesse discursando.

- Olhe como fala, seu Afonso!_ olhou-o, reprovando suas atitudes._ Bom, me dêem licença que eu ainda tenho que ir trabalhar... Depois de terminarem o café guardem o que tiver de guardar na geladeira! Juízo vocês dois._ pegou sua bolsa e saiu fechando a porta.

- E então, que tal se fôssemos passear no parque?_ sugeriu seu avô.

- Tá legal! Vou no banheiro primeiro!

- Quer que eu a leve até lá?

- Não, não precisa, eu sei o caminho sozinha._ sorriu.

- Então vou comer alguma coisa enquanto isso..._ disse já sentado na mesa colocando salâme dentro do pão de fôrma. Ele era responsável por ela todas as Segundas, Terças e Sábados, sua tia Hercília ficava com ela todas as Quartas, Quintas e Sextas. Domingo sua mãe não trabalhava, então passava o dia com ela.

Já no parque, Afonso a empurrava no balanço, ela adorava ir até lá. Todos os dias que seu avô cuidava dela, sempre iam no parque se divertir um pouco, já D.Hercília era mais preocupada, tinha receio de que Andréa se machucasse se ficasse andando por aí, então ficavam em casa ouvindo música ou contando histórias para ela. Enquanto seu avô a empurrava, o vento passava pelo seu rosto, era uma sensação maravilhosa, parecia estar voando. Riam muito juntos, ela era o xodó dele, ele não gostava muito de seus outros netos, dizia que não eram como Andréa, mas óbvio que não eram, por isso não gostava, tinha 3 netos mais velhos, Albert, 23, Jerry, 21, e Andrew 18. Todos filhos de sua outra filha, Ana, era um amor de pessoa, descobriu que tinha câncer há alguns anos atrás, faleceu fazia uns dois anos...

- Por que não foi pra escola hoje? Já está com preguiça?_ perguntou enquanto a empurrava.

- Não._ sorriu._ É que eu não tive muita "coragem" hoje...

- Por que não? Eu sei que muitos jovens hoje em dia são estúpidos e ignorantes, não sabem nem respeitar os mais velhos, são todos vândalos e violentos, só querem...

- Vô!_ riu._ Tudo bem, eu já entendi!

- Mas você é a excessão de todos eles! Por isso que é a minha única neta!

- Não fala assim vô... O Albert, o Jerry e o Andrew também são seus netos!

- Pra mim, não mais, minha querida, pra mim não mais..._ depois de um certo tempo Andréa então pediu para que parasse de empurrá-la.

- Vô, o senhor sabe que eles não têm culpa... _ Afonso se sentou no balanço ao lado dela, ela sentiu a presença dele ao seu lado.

- Eu quero acreditar que não, minha filha.... mas no fundo eles têm uma parcela de culpa sim!

- Vô...

- Quer tomar um sorvete?_ assim que ele perguntou isso, ela parou de falar no assunto e aceitou...

Silêncio na sala de aula, agora estavam fazendo um teste...

- "Preciso ir ao banheiro..." Todos vocês!_ chamou a atenção dos alunos, que olharam para o professor._ Preciso resolver uma coisa, não se atrevam a colar ou conversar! Eu já volto..._ saiu. De repente pois a cabeça pra dentro da sala de novo._ Eu já volto!

- Professor maluco..._ Jason pensou alto, e Alex pôde ouvir o murmúrio dele.

- O quê?

- Ah, nada não... estou falando desse substituto... ele é muito esquisito...

- Ah, sim..._ estava distante. Continuou a assinalar as respostas das questões do teste..._ Jay... você conhece uma garota chamada Andréa?

- Conheço.

- Conhece??

- Claro, tem umas três lá na minha rua!

- Não... digo, uma que vai estudar aqui!

- Aqui? Sei não... por quê?

- Er... por nada não...

- Ei, vocês dois!_ Jason e Alex olharam, era Michelle, que sentava atrás de Jason._ Eu estou tentando responder essas questões, será que não dá para os dois calarem a boca?

- Ah, Chelle, infelizmente não dá... _ disse Jason, sarcástico._ Que pena, né...

- Pena vai ser quando mandarem os dois pra direção mais uma vez!_ sorriu ironicamente.

- Isso não vai acontecer, nem que você quisesse._ respondeu Alex. O professor retornou à sala bem na hora em que bateu o sinal da saída.

Arrumaram suas coisas e Jason ainda completou:

- Nem mesmo se você desse pro coordenador!_ saíram da classe os dois rindo, enquanto Michelle ficou parada com cara de "Eu não acredito que ele disse isso!"

- Hahaha! Jason, agora, eu acho que você foi um pouco longe demais!_ continuava rindo Alex.

- Ah, que nada! Ela é uma galinha, merece ser tratada como tal!

- Tá, isso eu concordo... sem dúvida!_ soltou uma gargalhada.

- E aí? Quer zoar um pouco mais tarde lá no parque?

- Não vai dar. Tenho que ir com minha mãe na casa de uma conhecida dela.

- Por quê? Ela não pode ir sozinha?

- É que ela quer que eu aprenda o significado de "filantropia"._ sorriu ao lembrar de como a mãe disse aquilo.

- Tudo bem então. Quem sabe amanhã? Tenho que ir, tchau!

- Tchau!

Ao chegar em casa, Alex deparou-se com a mãe já saindo de casa com o carro.

- Querido, aonde esteve? Venha, estamos superatrasados!!

- Espera, mom, eu ainda tenho q mudar de roupa!

- Não precisa, está bem assim. Vamos!_ ele entrou no carro rapidamente. No caminho foram conversando._ Como foi a aula hoje?

- Normal... Teve um cara muito esquisito que foi substituir o Sr. Peteman, era muito engraçado!

- O que aconteceu com Sr. Peterman?

- Não sei ao certo. Parece que pegou uma pneumonia ou algo assim... Mãe, por que é que eu tenho de ir com a senhora? A senhora não poderia ir sozinha?

- Por que, Alexander? Não está gostando de ser meu ajudante?

- Você sabe que não é isso._ sorriu._ É que hoje eu queria sair com o Jason, hoje que eu ia ter o dia livre!

- Filho, mas eu lhe garanto que vai gostar desse nosso passeio!_ sorriu.

Pararam em frente a um edifício muito bonito, pintado de um tom rosa bem claro, quase branco, o edifício tinha três andares e muitas janelas.

- Boa tarde, Sra. McLean!_ cumprimentou uma mulher, que trabalhava ali como assistente social.

- Boa tarde! Por favor, me chame apenas por Denise. Esse é meu filho, Alexander!

- Como vai?_ apertou a mão dele. Parecia ser familiar, mas não tinha certeza._ Venham por aqui, vou mostrar todo o lugar!_ estavam em uma instituição de caridade, que cuidava principalmente de deficientes visuais e auditivos. Um dos "anjos" daquele lugar era Isabel Golveia, que foi uma grande incentivadora desse projeto, pois tinha experiência em como ensinar e cuidar dessas pessoas.

- É lindo esse lugar!_ comentou D.Denise._ Olha só, filho, aquele jardim.

- É, é bonito._ falou, meio desanimado, mas tentando não aborrecer a mãe.

- Venham por aqui._ disse Isabel.

Entraram numa sala de recreação, onde haviam vários livros. Alex olhou alguns livros na prateleira e achou um que muito lhe interessou.

- Shakespeare! Vocês têm Shakespeare?

- Temos, claro!_ Isabel sorriu._ Temos todos os tipos de livros que você pode imaginar!

- Mas..._ folheou algumas páginas._ O que é isso?

Isabel riu.

- Como "o que é isso?" São livros feitos para deficientes visuais! Isto está mais para uma biblioteca, mas mais lá para o fundo temos alguns brinquedos também.

- Mãe, o que viemos, exatamente, fazer aqui?_ disse virando-se para D.Denise, que ficou sem graça diante da atitude de Alexander pra com Isabel.

- Tudo bem, eu explico pra ele. Sua mãe se ofereceu a nos ajudar aqui. Pelo menos três vezes por semana ela virá para ficar com nossos pacientes, juntamente com outras pessoas, que também se ofereceram a ajudar.

- Ah tá..._ respondeu sem graça.

- Mas... mudando de assunto, eu já não o conheço?

- A mim? Não lembro... Acho que sim..._ reconheceu a mulher como mãe da garota na porta da diretoria, era a mãe de Andréa! Mas como é que podia ser? Era muita coincidência!

- Você é o menino com quem minha filha conversava, não é? O..._ tentava se lembrar de seu nome.

- Alex. Alexander. Você é a mãe da Andréa?

- Eu mesma. Minha nossa, como esse mundo é pequeno!_ sorriu.

- Será que alguém pode me explicar? Pois eu estou perdida!_ disse Denise.

- Não é nada, mom, essa moça é mãe da Andréa, que me disse que vai estudar lá no mesmo colégio que eu! Eu a conheci lá na porta da diretoria.

- É mesmo?_ disse surpresa._ E o que foi que o senhor foi fazer na diretoria?_ perguntou desconfiada.

- Ah, mãe, eu... bom... você sabe como é a Sra.Backer, não sabe? Ela faz o maior "auê" por qualquer coisinha!

- E que "coisinha" é essa, senhor Alexander James?

- Já disse... não é nada! A senhora nem vai se surpreender, nem nada!

- Oras, então me conte!

- Ok, ok! É que ela cismou com os meus brincos! É isso!

- De novo, Alex!? Mas eu já não lhe disse para não usar essas coisas? Principalmente no colégio!

- Eu sei, mom... mas eu gosto de usá-las!

- Ai, Isabel, desculpe por estar interrompendo seu trabalho, seria melhor que eu voltasse amanhã! E dessa vez SOZINHA!_ disse, dando ênfase à essa última palavra para chamar atenção de AJ.

- Er... desculpa aí também...

- Não faz mal!_ sorriu_ Não estão me atrapalhando! Denise, eu achei seu filho uma simpatia de pessoa!

- Não precisa fingir, eu...

- Não, não, eu estou sendo sincera com a senhora! Simpatizei com ele!

- Pôxa, dona, assim a senhora me deixa sem graça..._ disse brincando, as duas riram. Denise pediu licença e foi até o banheiro.

- Sabe, eu estava pensando em uma coisa agora... Alexander, será que você não poderia...

- Alex. Pode me chamar de Alex!

- Sim. Alex... Eu estive pensando, e, se você concordasse, de poder mostrar o colégio a Andréa. Eu ficaria muito agradecida!

- Mostrar o colégio a ela?

- Sim. Isso se você concordar.

- Não, vai ser um prazer! A Andréa parece ser legal._ sorriu._ Mas... por que eu? A senhora poderia pedir para um representante de classe... eu não sou!

- Eu pensei nisso também. Mas hoje cedo eu pude ver que você parece ser um ótimo rapaz! Quem mais ficaria tão à vontade com uma garota como minha filha?

- Como assim, uma garota como a sua filha?

- Ué, você sabe, não sabe? Não que isso faça Andréa ser diferente dos outros! Deus me livre se algum dia eu disser isso!

- O que é que ela tem de diferente? Não estou entendendo.

- Ela não pode enxergar!_ disse sem rodeios, sem pensar nas conseqüências.

- N-não pode... o quê?_ ficou meio abobalhado.

- Me desculpe, eu pensei que soubesse... ela sempre faz isso... até hoje não sei como é que ela consegue..._ disse falando com si mesma._ Mas tudo bem, eu vou entender se você não quiser aceitar, Alex! Eu acho que fui direta demais, sinto muito.

- Não! Que isso! Eu... eu só estou um tanto... surpreso! É, surpreso! Eu nem imaginava que ela...

- Sim, eu sei, ela disfarça bem isso..._ sorriu discretamente.

- Quer dizer, então, que ela... ela é cega?

- Sim.

- Mas... por quê? Foi algum acidente, ou...

- Não, não foi acidente. Ela nasceu com isso. Mas o que eu queria saber, é se você vai ou não querer ser um tipo de "guia" para ela.

- Bem, eu... eu nunca conheci ninguém que fosse... eu... tudo bem, eu aceito!

- Olha, não precisa fazer isso se não quiser.

- Sem problema, dona! "Acho que era por isso que ela ficava tão quietinha, enquanto eu tentava puxar conversa com ela lá na diretoria..."_ sorriu ao lembrar-se._ Eu vou fazer isso porque eu quero. Vou ter o maior prazer de acompanhá-la nas aulas!

- Que bom!_ sorriu feliz._ Te agradeço, e muito!_ o abraçou. D.Denise voltou, e chamou AJ para irem embora, despediu-se de Isabel e foram embora.

Deitou-se no banco de trás do carro, enquanto sua mãe dirigia, e ficou pensando naquilo. Estava rodando na sua cabeça. Como é que podia saber que ela era cega? Era tão bonita, tinha uma voz linda,e, pelo que pôde ver, tinha um rosto angelical. Mas não olhara em seus olhos, não tivera a chance. Ainda...

 

Continua...
Fim do Fanfic.
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