ESTUDOS DE MICROBIOLOGIA
Doença Inflamatória Pélvica (DIP)
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma infecção grave usualmente originada pela Gonorreia, Clamídia ou outra batéria.
Transmissão:
DST. A bactéria é transmitida durante sexo vaginal e infectar progressivamente todo o aparelho reprodutor feminino. Pode originar infecções, lesões e dor. É a principal causa de infertilidade nas mulheres.
O estágio mais grave da DIP é quando há uma infecção das trompas uterinas, que é denominada Salpingite. A Salpingite pode resultar em fibrose, sendo essa bloqueadora da passagem do óvulo do ovário ao útero, causa esta a infertilidade.
Transmissão:
A bactéria é transmitida do homem para a mulher durante sexo vaginal. O homem pode estar infectado mas não o saber pois pode não ter sintomas (corrimento ou ardor ao urinar). A mulher pode estar infectada durante muitos meses e até anos sem ter sintomas.
Sintomatologia:
A mulher pode ter alguns dos seguintes sintomas: dores abdominais durante o sexo. Dor suave ou intensa na parte inferior do abdômen. Sangramento incomum ou corrimento na vagina. Dor na parte inferior das costas. Febre, arrepios e vômitos. Também é possível não ter nenhuns sintomas.´
A DIP é um problema sério, após estar infectada na vagina a bactéria pode subir para o útero, trompas e ovários originando vários problemas em longo prazo como :
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Lesões e bloqueamento das trompas (impossibilidade de engravidar naturalmente); | |
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Lesões em vários pontos do aparelho reprodutor (o sexo vaginal pode ser doloroso); | |
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Gravidez ectópica, ou seja numa das trompas em vez do útero. Se isto acontecer é necessária uma intervenção cirúrgica de emergência e pode ser necessário remover a trompa afectada; | |
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Cada vez que ocorre um caso do DIP as probabilidades das mulheres terem uma gravidez normal diminuem de 15 a 30%. |
Tratamentos:
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Utilizando antibióticos para eliminar as bactérias em causa dependendo da gravidade da situação; | |
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Pode ser necessário internamento hospitalar e em casos muito graves intervenção cirúrgica; | |
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Garantir a presença em todas as consultas marcadas para garantir o completo tratamento da infecção; | |
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Não ter relações durante pelo menos 15 dias para permitir a cicratização e evitar a propagação da infecção no corpo; | |
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Evitar exercícios violentos por 15 dias; | |
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Cumprir a medicação durante todo o período indicado pelo seu médico mesmo após sentir-se melhor; | |
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Os seus parceiros sexuais devem ser consultados e tratados para evitar reinfecções; |
Prevenção:
1. Faça um teste a DST se teve relações sexuais sem preservativo. De preferência este teste deve ser feito antes do seu período menstrual pois existem indícios que a infecção se propaga mais facilmente nessa altura;
2. Use preservativos sempre que tiver sexo vaginal, mesmo quando toma a pílula anticoncepcional. A pílula não a protege de DSTs;
3. Tipos de planeamento familiar através de barramento como esponja, presenvativos (feminio e masculino), diafragma podem evitar o contágio pois não permitem que o semen e as bactérias cheguem á entrada do útero;
4. Fale sobre as DSTs com o seu novo parceiro sexual e as suas intenções de ter sexo protegido (preservativo masculino ou feminino);
Diagnóstico Laboratorial:
O uso do laparoscópio é o método diagnóstico mais confiável para a DIP. A laparoscopia exige anestesia geral e internação hospitalar. Uma microcâmera é introduzida na cavidade abdominal-ligada a um sistema de fibras óticas- através de uma incisão de 1 cm na curvatura interna do umbigo. Permite completa e detalhada visão e inspeção de órgãos internos femininos como útero, ovário e órgãos vizinhos com uma riqueza de informação impossível de se obter a olho nu. Na videolaparoscopia cirúrgica é possível introduzir pinças especiais através de duas pequenas incisões na virilha de 0,5 cm aproximadamente para a retirada de cistos, ovários, histerectomia (retirada do útero). Sua vantagem é fazer estes tipo de cirurgia com mais segurança.
Exame indicado para:
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Anormalidades pélvicas em mulheres de idade fértil | |
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Quadro doloroso abdominal sem melhora clínica | |
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Dúvida diagnóstica entre abdômen agudo vascular ou séptico | |
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Diagnóstico topográfio etiológico de peritonite aguda com possibilidade de tratamento laparoscópico | |
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Retirada de cistos ovarianos ou histerectomia | |
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Entre outros |
Abaixo segue o prontuário cedido pelo Dr. Escobar do Hospital do Servidor Público de uma paciente com DIP que estava internada por esta causa no Hospital referido:
Prontuário Médico
Patologia: DIP (doença Inflamatória Pélvica)
Paciente: R. A. S.
REG.: 1119423-0
Idade: 32 anos
Profissão: Servente de escola
Naturalidade: Natural e procedente de São Paulo
Religião: Católica
Primeiros sintomas: Dores abdominais súbitas de curta intensidade na região periumbilical, febre, náuseas, 01 episódio de vômito.
Exames:
Toque retal: sem alterações.
Toque vaginal: secreção esbranquiçada e inspeção. Dor, mobilização do colo do útero.
OBS: Suspeita de DIP
Conduta:
RX de abdômen
Urina I
Avaliação do especialista
Segunda vez: Dor na região hipogástrica, não se sabe caracteriza-la, não está urinando. Abdome flácido, difusamente doloroso.
Exame:
Toque: colofibroelástico, útero doloroso à movimentação.
Adendo de internação.
Terceira vez: Dor abdominal mais ou menos 12 horas.
A paciente refere que há mais ou menos 12 horas que começou a apresentar dor abdominal em região hipogástrica, tipo cólica, de forte intensidade, que piora com a micção.
Relatada também febre (não se sabe aferir a temperatura) e 01 episódio de vômito. Refere ter sido a outro serviço antes, não sendo possível o toque vaginal devido à dor intensa. Nega corrimento vaginal. Dia: 01/04/01
AP: Nega hipertensão, diabetes, cardiopatia, cirurgias prévias.
AF: nada
AG: menstruou aos 14 anos. Ciclos menstruais regulares até antes da colocação do DIU. Dia: 01/04/01. Nega TPM, menorréia, método contraceptivo. DIU (usou durante 10 anos tendo retirado em janeiro de 2001). Refere-se que complicou com infecção renal 1 semana após a retirada do DIU. Nega método contraceptivo atualmente. Sexo aos 21 anos, 1 parceiro sexual/mês. Padrão menstrual de 8-10 dias, com intervalo variável de 26-35 dias.
A . Obstetrícia: G. P. AO . 1 cesária (fora de trabalho) não sabe relatar a indicação. Idade na gravidez: 22 anos. Nega intercorrências durante a gestação.
Último exame pré-cirúrgico:
Abdome flácido pouco doloroso
Conteúdo vaginal esbranquiçado e grumoso
O EFT com muco claro e colo epitelizado.
Exame:
Toque:
Colo pouco doloroso à mobilização
Abalamento em fundo de saco posterior
Ùtero retrovertido
Conduta:
-Discutida com especialista
-Trocar antibiótico
-Após o uso, se coleção intra cavitária, tratamento drenagem cirúrgica por via laparoscópica, ou por via vaginal.
-jejum após 22 horas
-pré-operatório
Prescrição Médica:
1) Dieta leve
2) S.G.S.1 – 500 ml (rápido)
3) Complexo B – 1 amp (rápido) , Vitamina C 1 amp (rápido)
4) S/o 9 + 1500 ml (EV) em 12 horas
5) Penicilina 4/4 horas
6) Metonidazol 1 frasco
7) Dipirona 2 ml (EV) 6/6 horas de Tax > 38 ºC
8) Voltarem 75 mg 1 amp 21/21 horas
9) Reavaliar em 24 horas a possibilidade de videolaparoscopia
10) CCGG
11) Internar no 5o. andar
A cirurgia durou aproximadamente 2 horas
Drenagem do abcesso pélvico + cisto retro-uterino
1) Paciente em posição de histerectomia sob anestesia geral
2) Realizado o toque constatando abaulamento de fundo de saco posterior e massa em anexo esquerdo
3) Colocado o paciente em DD4
4) Feitas anti-sepsia e assepsia
5) Incisão mediana na pele e abertura da cavidade por planos
6) Ao abrir o peritônio, constatou-se líquido peritonial amarelado enviado para cultura
7) Exploração da cavidade constatando o espessamento de omento, presença de massa em anexo esquerdo, trompa esquerda aderida à alça e presença de cisto com conteúdo seroso esverdeado em região retro uterina.
8) Colocado compressão para proteção da cavidade colocado o afastador de gosset.
9) Defeitos, aderências das alças em processo de infecção e colocada a compressão para o afastamento das mesmas.
10) Retirado ovário esquerdo e trompa homolateral onde se constatou a presença de material suculento enviado para cultura.
11) Feita ligadura com cromado e reforço com algodão
12) Esvaziamento de cisto retro uterino e retirada da cápsula (presença de material gelatinoso – abcesso organizado)
13) Feita lavagem da cavidade com soro morno, revisto hemostasia.
14) Colocado dreno de pentose em fundo de saco.
15) Retirada de compressas e afastador
16) Fechamento por planos
17) Fixação do dreno
18) Curativo compressivo
Na figura a seguir pode-se visualizar a fotografia feita através de um laparoscópio que mostra uma trompa uterina direita agudamente inflamada e fímbrias e ovários inflamados e edemaciados. A trompa esquerda foi apenas levemente inflamada. Na paciente descrita anteriormente, obteve uma imagem idêntica através da laparoscopia, porém a trompa uterina esquerda é que foi afetada e não a direta como demonstra a figura.

Fotografia feita através de um laparoscópio que mostra uma trompa uterina direita inflamada
Atualizada em 11/03/2002