Escrito por "Aprendiz"
Taguatinga uma cidade
satélite situada em
Brasília, um cénario diferente para histórias desse
tipo, bem não tenho certeza se é uma história, pois foi
contada para mim como um fato.
Uma lugar até que bom para se morar, não é
tranqüilo, principalmente onde o Carlos morava,
realmente havia muito malandro, Carlos nunca foi um,
mas, sempre conheceu muitos da sua área. Ele nunca foi
um ótimo aluno era normal todo ano mudava de série na
escola, sempre trabalhou pois sua familia era pobre e
precisava do dinheiro. Podia ser denominada uma vida
difícil para muitos , pra ele?, um sofrimento. Ele era
bom, sempre foi a missa e nunca entrou na malandragem,
sempre acreditou em Deus, quase sempre teve fé para
superar os seus problemas, mas nunca conseguiu entender
porque ainda estava nessa vida, como rezou para poder
melhorar, nunca adiantou muito, sua fé estava la
embaixo,até que um dia ele passou por uma rua e reparou
que os mendigos que sempre estavam por ali e sempre
estavam rezando, nunca mudavam de vida:
-Porque Deus faz isso com a gente, sempre foi bom para
minha família, não entendo o porque disso, chega disso
não agüento mais!!
No dia seguinte, sua mãe recebeu uma carta de
despejo, tinha que pagar o aluguel ou sair dali no
período de 48h, ele estava na escola e não sabia da
notícia, e quando chegou:
-Mãe, tô morrendo de fome cadê a comida? preciso comer
rápido, tô atrasado para o trabalho. -Mãe?
Sua mãe Eva estava sentada na cadeira da sala,
na mesa, uma carta aberta e as lagrimas dela borrando o
papel.
-O que houve mãe?- Perguntou Carlos
Eva não conseguia falar e jogou a carta nas mãos
de seu filho. Depois de ler , ele não acreditou a
mensalidade estava quatro meses atrasada, sabia que
nunca havia de conseguir aquele dinheiro.
-Mãe, eu vou ver se consigo o dinheiro emprestado com
algue....
-Não, não deixa , vamos nos mudar para uma casinha
menorzinha mesmo, vai sair mais barato mesmo.
-Porque tudo de ruim acontece conosco mãe? só queria
saber porque?
Essa decisão mudou a sua vida, ele e sua mãe se
mudaram depois de três dias. Carlos ficou mas frio,
ficou mais sério, nervoso. Sua reza que fazia toda
noite, deixou de fazer agora ele era mais um apenas ,
no mundo de bilhões de pobres e sem esperança ele se
considerava perdido e sozinho!.
Ele teve que ser transferido de escola, pois a
sua estava longe demais, se ficasse lá teria que ir de
ônibus, e agora mais que nunca precisaria que
economizar, passou para uma escola perto, ia todos os
dias sozinho para a escola. Sempre passava em frente a
uma livraria que no caminho havia, era grande ocupava
quatro lojas, mas, tinha aspectos de velho, um aspecto
de mistério.
Todos os dias ele ficava imprecionado com um
velho que ficava na porta da loja, com certeza era o
dono, pois estava todos os dias lá, e todos os dias
Carlos reparava nele, no olhar que sempre encarava ele,
era um velho com um jeito diferente, sempre de terno
preto, tinha o cabelo grisalho, e um olhar
estranho,olhar bem direto. E isso foi se repetindo dia
apos dia, os dois se encaravam, mas Carlos não sabia o
motivo, só encarava para demonstrar coragem e nunca
temor, foi como seu finado pai falava: "- jamais se
curvar perante ao inimigo, medo nunca trago comigo".
Um certo dia esse velho estava na rua em frente à
loja e parou em frente dele, Carlos levou um susto
enorme,ele ficou encarando mas, com medo, não sabia de
que:
-Sim o que quer senhor?. Perguntou Carlos, mas, não
havia resposta do velho só o olhar. Decidiu perguntar de
novo.
-O que foi? pode falar?
-Precisa de ajuda, Carlos?
O jovem ficou paralisado; - como o velho sabe
meu nome!. Pensou ele.
-Quem o santo não ajuda, a mim procura!
Ele continuava paralisado, olhando o sorriso
sacástico do velho. Logo decidiu andar e sair dali:
-Preciso ir pra aula , me dá licença!!
Carlos ficou à noite toda pensando no que o
velho disse; -só deve ser louco; pensou , mas ele foi
tão frio, tão estranho:
-Eu não quero nem saber, amanhã vou seguir o meu
caminho,como sempre faço!
Assim ele seguiu como falou, foi pelo mesmo
caminho, sem nem uma preocupação, apenas temor. Quando
chegou perto da loja viu o velho, que quando olhou,
parecia estar falando algo para ele, tentou olhar mais
para os lábios dele e conseguiu lê-los.
-Quem o santo não ajuda, a mim procura!!
Começou a apressar o passo , pois naquele
momento entendeu o que o velho queria dizer. Na escola
não parava de pensar no velho e aquele olhar tenebroso
dele. Decidiu parar de seguir aquele caminho iria pelo
outro lado da rua , daria uma volta maior, mas, era
melhor.
Alguns dias depois recebeu um telefonema:
-Alô
-Com quem eu falo?
-Carlos! com quem gost.....- logo foi interrompido
-É com você mesmo que quero falar.
-Quem é?
-Sou eu, Antonio! - Antonio era o chefe de Carlos
-Preciso lhe falar, você vai ser demitido, pois, estou
passando com problemas financeiros e estou dispensando
todos os estagiários da empresa, espero que não fique
com raiva de mim , pois não é pessoal!
-Puxa!! mais logo agora espera mais um pouco eu preciso
ficar aí! preciso do dinheiro!
-Desculpe-me Carlos mas não posso fazer nada!
-Ok!, quando preciso ir aí para acertamos tudo?
- Não precisa vir , pode deixar que envio para você ,
sem nenhum erro eu garanto!
-Tá tudo bem então, tchau
-Tchau Carlos,espero que arrume um novo emprego fácil,
você consegue!
Quando desligou, Carlos não agüentou: -Que
merda!!!.Logo sua mãe chegou:
-O que foi meu filho? quem era no telefone?
Ele ficou com medo de decepcionar sua
mãe,poderia magoá-la ou pior poderia tirar suas últimas
esperanças que tinha:
-Nada não mãe, era um amigo meu.
-O que ele queria, pois pelo visto você ficou com raiva!
-Era, era ..... é porque eu tirei uma nota ruim na prova
e foi ele que me falou!
-Toma cuidado filho não vá reprovar hem!
-Tudo bem , eu me garanto
E agora, o que ele poderia fazer, bem essa é uma
solução para se pensar, e pensar uma noite toda. Uma
noite que seria de pesadelo, e sempre pensando na mesma
questão: Porque?
No outro dia, quando foi para ir à aula olhou em
frente à loja do velho , e havia um cartaz lá, com
letras grandes:
-Precisa-se de estagiário
Viu que ali estava sua oportunidade de ouro,
mas, e o vellho? Então que era melhor ficar com o emprego
desse, do que sua mãe saber sobre sua demissão, então
entrou na loja:
-Olá, tem alguém aí?
-Sabia que viria!
-Queria saber sobre o emprego, precisa fazer teste?
-Para você não, Carlos , certo?
-É sim, como ,sabe meu nome?
-Meu sócio me falou de você , disse que precisava de
ajuda.
-É , estou passando por umas dificuldades .
-Ótimo, o emprego é seu!
-Como? quer dizer que!
-Exato, é seu pode, começar amanhã
-Tudo bem !
-Então pode voltar amanhã
-Tá , tchau!
Carlos ficou surpreso, nunca foi tão fácil, as
explicações do velho sobre como sabia seu nome, pareceu
até conviscente.:
-É, acho que minha sorte está mudando!- o jovem pensando
alto.
-Tudo bem senhor estou aqui, no horário marcado.
-Ótimo, Carlos
-Mas esqueci de perguntar , qual é o seu nome mesmo?
-Meu nome? me chamo Agarpa White, mas, você pode me
chamar de Agarp
-Agarp !!, um nome diferente.
Carlos ficou alegre de novo, uma nova esperança,
fazia parte de uma empresa com várias filiais, e era uma
livraria com um forte nome, com certeza havia uma em
cada estado, pra quê melhor. Ele foi aprendendo muito
com o seus colegas de serviço , ficou sabendo de várias
coisas de seu chefe, era difícil vê-lo por ali, ele vivia
viajando, ou trancado em sua sala, nos fundos da loja.
Ele aprendeu muito, já fazia seis meses que
estava lá, mas, chegou um dia que o dinheiro não estava
dando para as despesas de sua casa, estava precisando de
um aumento, então: toc, toc ,toc
-Posso entrar senhor?
-Claro Carlos, mas não me chame de senhor você não
precisa.
-Tudo bem ,Agarp
-Então o que deseja?
-Bem senhor eu estou passando por dificuldades, vim até o
senhor para pedir um .....
-Sim Carlos, já sei o que deseja, finalmente chegou o
grande dia. Sabia que você não iria me
decepcionar.
-Como?
-Gostaria de ser como eu Carlos, rico e ter fortunas?
Sabe eu era como você um garoto humilde, sempre fiz o
meu papel perente Deus, mas hoje , não é bem assim. Você
acredita em Deus ,Carlos, você tem fé nele?
-Bem, já passei por tanta dificuldade, e ele nunca me
deu uma força, parece errado mas, sei lá , hoje não
tenho esperanças nele.
-Venha Carlos , venha comigo, quero lhe mostrar algo
especial.
Agarp abriu uma porta onde ficava os seus livros
mais ilustres, os mais raros, verdadeiras relíquias.
-Veja isto Carlos, eu já li todos estes livros , um por
um, eu descobri o que tinha neles, até que achei em um
deles a saída para as minhas noites em claro preocupado
como iria pagar minhas dívidas, como iria ajudar minha
mãe, achei a solução perfeita e agora que você ache o
mesmo cominho que o meu, para que um dia venha a tomar o
meu lugar!
O velho subiu em uma pequena escada para poder
alcançar a última prateleira, e pegou uma caixa , estava
trancada e com um pouco de poeira encima dela, com
certeza fazia tempo que não limpavam aquele lugar. Abriu
a caixa pegou um livro :
-Tome quero que leia isso, neste livro está a solução
para os seus problemas. Vamos pegue!
Carlos meio, assustado com todos aqueles
acontecimentos, demorou um pouco mas pegou o livro das
mãos do velho.
-Que livro é este, parece não ter titulo?
-Já falei este livro é a porta para sair de seus
problemas.
O livro era velho , com capa grossa, folhas bem
castigadas pelo tempo.
-Obrigado, vou ler senhor, ôpa desculpe, Agarp.
-Sim eu sei que vai ler. Quando chegar a hora venha me
procurar.
Ele chegou em casa, Carlos estava surpreso o
chefe demonstrou confiança, com certeza ele estava
empolgado e o seu papel era pelo menos retribuir ao seu
chefe. Então quando chegou em casa , deitou em sua cama
e abriu a primeira página do livro.
Com a primeira página do livro, já despertou um
interesse, o livro tinha sido escrito em 1538, este
livro com certeza era muito valioso, mas, ele tinha
dúvidas se o livro era verdadeiro, como foi tão bem
conservado?. Não havia índice, muito menos nome do
autor, foi escrito a mão,era um livro basicamente
simples no aspecto e extraordinário no conteúdo.
O livro era constituído de várias histórias, de
pessoas com uma ideologia tão forte que conquistaram o
que sempre desejaram, não foi comentado como
conseguiram, mas tinham certeza de uma coisa, não o
fizeram sozinhos, sempre tinham a ajuda de algo, também
não relatavam se era do bem ou do mal. Haviam vários
trechos interessantes , Carlos no momento estava lendo
este:
"...agora com essa ajuda consegui o meu
objetivo, consegui o que nunca poderia sozinho, ou com a
ajuda do "grande". A partir daqui irei seguir o meu
verdadeiro destino, o destino que estava
reservado para mim, sou o Rei da Inglaterra e só
serei quando estiver rodeado de terra, e devo tudo
isto , aquele que agora é meu mestre, não vou
decepcioná-lo e vou dar continuidade a seus
ensinamentos. Confirmo o presente de 1620 relatado aqui
para meu mestre.
Ass.: Rei Carlos I"
-Ele tem o mesmo nome que eu!!
O nosso Carlos estava impressionado, precisava
tirar a prova isso se era verdade ou não.
- Como o rei supostamente governou na Inglaterra, isso
deve ter ficado na história, nos livros e como foi 1620
só deve ser mais ou menos no século XVII. Preciso ver
agora se é verdade!
Foi isso mesmo que ele fez, e estava certo
estava lá, achou nos livros de história , ocorreu na
Revolução Inglesa , ele se tornou realmente Rei, Carlos I
foi verdade ou uma mentira muito bem feita. Mas o Rei
não conseguiu tudo que queria:
"...o Rei Carlos I, tentou invadir o parlamento,
e as tropas da oposição liderada por Oliver Cromwell,
lutou bravamente e o retirou do poder. Carlos I foi
preso e condenando à morte, sendo decapitado em 30 de
janeiro de 1649."
É, há outros livros que contam o final deste
acontecimento, estava lá, foi morto. Ele se empolgou,
com suas descobertas, iria terminar no outro dia,
precisava dormir para ir para o emprego.
No seu emprego estava tudo normal, que pena que
seu chefe não estava lá, poderia tirar algumas dúvidas a
respeito do livro. No final do expediente foi para casa ou
melhor para o quarto terminar de ler o seu livro. Ele se
empolgava a cada página que passava, os relatos mais
impressionantes não estavam marcados nos livros de
história. Foi lendo , até que chegou na metade de um
relato, que o fez pensar e retomar a leitura calmamente:
"...isso mesmo sempre aconteceu tudo de ruim
comigo, principalmente quando meus pais morreram, sempre
fui tratado diferente, afinal quem iria ajudar alguém
que vivia em uma casa abandonada, que não tinha amigos
só os seus livros. Quem poderia me ajudar naquele
momento "Deus"? Não, ele não ligou para mim, então
o "Deus maior" me encontrou, me ensinou tudo que sabia ,
me deu uma escolha e pra mim fiz a escolha certa. Agora
sou milionário, isso mesmo tenho muito dinheiro, e agora
vou abrir minhas asas e flutuar com os ventos que
chegaram perto de mim, porque antes estava num buraco
onde o vento não passava.Confirmo o que escrevi agora e
sempre.
Ass.: Agarp White
Era o seu chefe, tinha deixado sua marca , onde
poucos tiveram o previlégio de colocar, sua vida estava
escrita, sua suposta vitória contra o destino de
pobreza ou sua suposta derrota no mundo de Deus.
Não teve como não ficar assustado com isso que
leu.
- Por isso ele é rico hoje!-disse Carlos
Esta era a última página escrita do livro, como
se o livro estivesse esperando que outros deixassem sua
história de mudança, esse foi o último relato que leu.
Mas não deveria ter acabado de ler, pois o mundo dos
sonhos iria atormentá-lo como nunca tinha acontecido
antes. E então sonhando :
-Onde vc estava, são horas de chegar! -disse Dona Eva,
mãe de Carlos, para o seu marido José.
-Estava por aí com meus amigos!- Respondeu José.
-Tô vendo esse bafo de pinga, já estava gastanto o
dinheiro né?
-O dinheiro é meu fasso o que eu quero!!
-Mas você tem uma família para sustentar, e agora que
estou grávida!
-Esse bebê de merda, não quero nem saber!
E assim havendo uma séria discussão, os dois não
chegaram a um acordo, Eva sempre tentando ter a razão ,
estava deixando seu marido com raiva:
-Que droga mulher não me irrita!!
-Mas olha...- Logo foi interrompida com um tapa, de seu
marido.
-Eu avisei!!- disse o José.
-Seu covarde- retrucou a mulher falando baixinho.
-É assim é!
O marido não teve dó, tirou o cinto de sua
calça, virou a parte da fivela , e começou a bater na
mulher :
-Não!! pára- gritava a mulher, chorando, suas lágrimas
escorriam pelo rosto
-Pára por favor, estou grávida,
pára...pára....por ...favor!!!- chorando
A mulher só procurava defender a barriga ,
enquanto isso o marido batia em suas costas.Batia e
batia tão forte que sangrava!
Derrepente, parou a imagem , agora estava vendo
muito depois, na mesma casa, e uma mesma cena de
violência:
-Cadê a minha bebida?- disse o marido, com o olhar de
raiva e completamente embriagado.
-Escondi para você não beber mais!
Com raiva no olhar e os pensamentos fora da
cabeça, o marido foi até à dispensa , pegou a vassoura:
-Então você escondeu foi!!!- aproveitando que sua mulher
estava de costas, ele levantou o cabo da vassoura e o
quebrou na cabeça da mulher.
-É pra você aprender! - pegando do chão os dois pedaços
do cabo e começou a bater nela .
Ela já no chão, só chorando, ele parou e deitou-
se no sofá. A mulher se arrastou até à cozinha , pegou
uma faca e seguiu em direção ao marido. Com a cabeça
coberta de sangue, em um olho só enxergava vermelho , no
outro só ódio, e na mão o instrumento de sua vingança.
Sua mão se movimentou apenas quatro vezes em quatro
cortes certeiros. O primeiro na garganta deixando que
seu sangue espalhasse pelo seu peito; o segundo e o
terceiro foi direto em sua mão, para que nunca mais, nem
aqui nem em outro mundo pudesse fazer a que fizera com
ela em outra pessoa; o quarto e último corte, foi o da
certeza, a da confirmação de que nunca mais iria ver o
sol nascer, foi direto no coração , cravando-lhe tão
fundo que quase entrou a ponta do cabo dentro do peito.
Eva deu um fim no corpo, mas não deu um fim em
suas dívidas, o marido que sustentava a casa, então teve
que arrumar um emprego, ganhava pouco mais pelo menos
era algo para família.
No sonho ficou tudo preto, e passou a contar a
realidade , de uma família pobre que eram e que nunca
poderiam sair daquele estado que se encontravam se não
fosse por um caminho. A imagem preta voltou , mas, agora
tinha uma luz no meio, o futuro , lá estava ele, sua mãe
que sempre o protegeu e mais no fundo o Agarp. Todos
felizes sorrindo, com uma vista de uma bela casa.
derrepente, como se o Agarp pudesse saber de seu sonho, o
olhou nos olhos do sonho, focalizando aquele rosto velho
com um sorriso medonho:
-Quem o santo não ajuda...... a mim procura!
Acordou rapidamente, não suando, nem nervoso, e
sim pensativo se aquilo que sonhou era uma solução para
sua vida , voltou a dormir.
Estava confuso entender aquilo que estava
ocorrendo em sua vida, fazia dois dias que tinha sonhado
e também fazia dois dias que não via seu chefe,
precisava acreditar no que para ele era inacreditavel e
o único capaz de lhe dar respostas era , Agarp.
Chegou no serviço, limpou uns livros, varreu o
chão e sempre de olho na porta esperando seu chefe
chegar. Não demorou muito e ele chegou como sempre
sério, foi direto para sua sala particular,mas, quando
parou na porta:
-Queria falar alguma coisa comigo Carlos!
-É que.... bem ... esatva precisando sim!
-Depois venha a minha sala!- disse sem ao menos se virar
em direção a seu empregado.
Não demorou muito e o jovem limpou varreu os
resto do chão que estava faltando e foi em direção a
sala, bateu na porta e entrou sem esperar qualquer
resposta:
-Então o que queria me falar?... leu o livro que te
indiquei?- falou o velho.
-Era sobre isso mesmo que queria conversar é que...
-Quer dizer que leu o livro!- sem deixar que ele
completasse a frase.
-Queria tirar minhas dúvidas em relação ao livro. E que
eu não entendo se aquelas histórias eram verdadeiras!
-São mais que histórias verdadeiras, são um verdadeiro
relato dos autores.
-Você então confirma a sua historia aqui escrita?
-Pelo visto leu mesmo o livro. Com certeza afirmo foi eu
mesmo quem escreveu - falou o velho com um sorriso.
-Mas os relatos não contavam direito como todas essas
pessoas mudaram de vida!
-Quer mesmo saber?
-Quero - disse o jovem sem exitar.
-Então siga-me!
Agarp se dirigiu à porta de sua biblioteca
particular, entrou e pediu que Carlos fizesse o mesmo. Os
dois se sentaram, cada um de lados opostos da mesa:
-Quer saber o que fez realmente eu mudar de vida?- disse
o velho agora olhando para os olhos de Carlos.
-Quero.
-Você tem medo do escuro? - disse o velho
-Como?
-Você tem medo do escuro?
-não
Quando ele respondeu, como se fosse uma mágica a
sala tinha encolhido e ficado tudo escuro, e uma porta
se abriu mostrando a luz, e essa luz que tomou toda a sala
imediatamente acabou com a escuridão. Dessa porta saiu um
homem aparentemente velho, cabelos castanhos, olhos
pretos, rosto castigado pela velhice, vestido com roupas
simples.
O misterioso homem andou e parou na frente de
Carlos, estendeu-lhe a mão:
-Precisa de ajuda amigo?
Carlos ficou surpreso, com todos aqueles
acontecimentos, mas, aquele homem o parecia tão amigável,
então não temeu ao responder:
-Sim, estou precisando muito.
-Eu já sei toda a história, você faria tudo para obter a
ajuda?
-Acho sim!- disse o jovem.
-Então venha comigo!
O velho segurou na mão de Carlos e o levou até a
porta de onde ele havia saído. Atravessaram uma espécie
de túnel.
-Abra os olhos- disse o velho.
Estavam em uma floresta com várias árvores, vários
animais voando encima dele. Mas não pararam por lá ,
seguiram até uma cachoeira, estavam bem encima dela, era
uma água escura aparentando ser fundo , bem fundo, de
cima podiam ver os tubarões que lá habitavam.
-Era o que esperava - perguntou o velho.
-Não sei nem o que eu esperava !
-Me fale o que deseja!
-Pode ser qualquer coisa?- perguntou Carlos.
-Qualquer coisa! vamos pode pedir, mulheres ,
presidências, poder , dinheiro...
-Qual a consequência desse meu pedido, quer dizer como
vou pagar, pois sei que vou ter que pagar... ou não?
-Tudo tem seu preço Carlos, a única coisa que peço é que
você, passe esta experiência para pelo menos mais
uma pessoa, mas, quanto mais melhor
-Apenas isso!?eu achava que precisava pagar alguma coisa
em outra vida , sabe , após à morte!
-tem uma coisinha também, quando morrer você vai ser
como eu, mostrará o caminho pra pessoas que estão
precisando de ajuda, você ganhará um livro e todos
aqueles que você ajudou vão ter que escrever lá, até
preencher todas as páginas. Ganhará o livro quando sair
daqui e vai continuar após à morte.
-O que vai acontecer se eu preencher todas as páginas?
-Você volta a nascer na terra, obtendo toda riqueza com
a qual você morreu!
Carlos pensou, não era tão ruim assim, aliás era
jovem, viveria muito ainda , poderia desfrutar de sua
riqueza ao máximo até a sua morte, e preencher um livro
que poderia ser um pouco difícil. Então perguntou:
-Como eu consigo preencher o livro , quer dizer como eu
vou conseguir que quando morto eu preencha o livro?
-É simples, quanto mais discípulos você conseguir em
vida , melhor , pois enquanto eles estiverem
vivos e você morto , eles vão recorrer a você para
conceder os pedidos deles. Como o Agarp fez com você,
estava precisando de ajuda me chamou, quando ele morrer
e você estiver vivo, você vai pedir ajuda a ele.Mas
lembre-se que só pode chamar as pessoas que você tiver
certeza que vão aceitar o acordo , pois se negarem, terá
que dar um fim nelas .
Outra coisa para se pensar melhor, ele iria
matar pessoas , mas só se cometesse um erro.Era uma
decisão só dele agora sabia que tinha que aceitar ou
agora que sabia poderia morrer:
-Aceito, quero ter muito dinheiro, muito mesmo quero ser
o mais rico da América do Sul.
-Sabia que não negaria uma oportunidade dessas, se é
esse o seu desejo assim será! - falou o velho.
-Então o que preciso fazer?
-Está vendo aquele lago de baixo da cachoeira, basta
pular lá vai voltar aonde estava e com seu livro é claro!
Carlos olhou o lago, com certeza era uma grande
queda, iria demorar muito caindo:
-Mas está cheio de tubarões lá, como vou pular!
-Não se preocupe!, eu pulo com você.
Chegou até a ponta do lago, e se preparou para
pular, estava certo que era aquilo que queria. Os dois
pularam ao mesmo tempo , e quando estavam no ar o velho
falou:
-Esqueci de dizer, quando você morrer pela segunda vez
você irá para o inferno.
-Nãããooo!!!- gritou Carlos.
-O inferno é a repetição, repetição da dor!!!
Quando o velho terminou de falar afundou direto
na água, e logo sumindo. Carlos não fez o mesmo, caiu na
água e os tubarões o morderam todo, arrancando-lhe todos
os membros, os braços , as pernas....Era uma dor
incrivelmente insuportavel, não consiguia gritar de
baixo da água, foi então afundando e sangrando, até que
mais um tubarão chegou pela frente abriu a boca, com
seus dentes afiados e longos mordeu metade de seu corpo
deixando sua cabeça perto do estômago do tubarão.
Suando todo, ele realmente voltou para sala de
Agarp, estava lá vivo, tinha finalmente saído daquele
doloroso rio, mas, havia sangue na perna, era um formato
de mordida, que já estava cicatrizando, era a marca pela
escolha.
Não demorou muito Carlos ganhou várias vezes na
loteria, adquiriu uma bela fortuna, desfrutou de tudo
que conseguiu com o dinheiro, mulheres, carros e casas.
Deu de tudo para sua mãe era tratada como rainha, mas,
nunca lhe falou um "a" sobre sua sorte repentina.
Mas não consiguiu segurar toda sua riqueza até a
velhice, mas, tinha muito ainda o bastante para abrir
uma rede de livrarias no Brasil todo, com o nome de
Siciliano, sua loja vendeu muito.
Com quarenta e um anos, ele já havia conseguido
preencher metade do livro, tinha vários pupilos, chegou
até a escrever um livro que não teve muita venda,o livro
mostrava para diversas pessoas como mudar de vida sem
esforço, no final do livro colocava o seu e-mail para
que todos que se interessassem no assunto corresponder
com ele , era mais fácil de conseguir novos pupilos
assim. Como era o nome do livro dele?
Agarp - pragA
Branca
Se essa história é fato ou lenda , não sei te
dizer, mas nunca deseje o que possa acontecer.