Uma Aventura
Estava tudo preparado. No Sábado aproveitando um final de semana prolongado devido ao feriado, Tereza, Roberta, Flávio e Márcia, iriam acampar como sempre faziam.
- Não se esqueçam de levar estórias de terror pra gente ler em volta da fogueira antes de dormirmos! Disse Márcia para os amigos no pátio do condomínio onde moravam. O acampamento seria na Chapada dos Veadeiros.
Enfim, entraram na caminhonete e seguiram viagem num dia ensolarado. Eles sempre ficavam em um acampamento conhecido, mas desta vez resolveram se aventurar e foram parar numa floresta fechada. Seria um acampamento exclusivo.
O lugar era maravilhoso, ficava perto de um riacho que daria para tomarem banho e pescar.
Os quatro adoraram o lugar e resolveram fixar barraca.
- Olha só que lindo! Acho bem melhor ficar aqui. Vou me divertir com minha filmadora. Disse Roberta.
- E eu vou adorar pescar. Gente! Hoje o jantar vai ser peixe assado na fogueira; disse Flávio.
- Eu e Márcia vamos escolher a estória pra noite. Tereza disse. E maravilhados com o dia que iriam ter começaram os seus afazeres de escoteiros...
Flávio estava pescando, quando viu uma sombra na água por de trás dele. Pensou que era Roberta com sua filmadora e falou: - Hoje vamos passar bem, olha para o cesto! E olhou para trás sorrindo constatando que não havia ninguém. Ficou surpreso pois poderia jurar que havia alguém ali. Achou estranho mas passou batido. Deixou pra lá.
Tereza estava dentro da barraca procurando uma revista com estórias quando a sacola virou e espalhou todas as revistas. Alguém atrás dela deu-lhe uma revista por cima de seu ombro. Pensando que era a Márcia, falou: - Será que essa vai ser boa? E quando olhou para trás não havia ninguém. Jogou a revista longe e medrosa do jeito que sempre foi saiu correndo da cabana esbaforida e deu de cara com Márcia que lhe perguntou sorrindo...
- O que houve? Que cara é essa? Parece que viu um fantasma? Tereza respondeu: - Não tem graça nenhuma... você tá querendo o quê? Me assustar?
- Que isso menina, eu não fiz nada, tá maluca? Não saí daqui; tô tentando acender a fogueira e ia te perguntar se não queria me ajudar e dei de cara com você saindo correndo daí de dentro.
Tereza sentou-se na cadeira e ficou ali pensando no que poderia ter acontecido mas não encontrou resposta para o fato.
Às 18:30h Roberta voltou da floresta toda animada...
-Gente que barato ! Aqui tem capivaras, veados, araras azuis... filmei tanta coisa que depois; quando formos jantar, vou colocar a fita na filmadora pra gente ver.
Anoiteceu e todos estavam em volta da fogueira reunidos. Roberta que tinha uma filmadora vom tv falou: - vou colocar a fita. O filme mostrava uma vegetação linda, os veados saltitantes, as araras voando e depois mostra uma trilha onde Roberta começou a seguir as capivaras que íam logo à sua frente. Ela as seguia e bem no fundo da filmagem a floresta começou a se fechar e tudo foi ficando na penumbra.
- Que lugar é esse Roberta? Perguntou Márcia.... - Estranho, parece que está de noite! Roberta concordou; - POis é, eu estava filmando as capivaras e dei nesse lugar super interessante. Mas confesso que me senti amedrontada.
- Volte um pouco a fita, pediu Flávio...E Roberta retrocedeu a fita.
- Olhe! Aí, pare. Que é aquilo?
E todos viram uma sombra, parecendo de um homem muito forte e alto se esconder atrás de uma árvore onde Roberta iria passar. E foi nesse instante que ela parou de filmar.
- Roberta; que loucura, tinha alguém naquele lugar escuro com você. Quem será? Porque se escondeu? Disse Tereza.
- Hoje aconteceu um fato estranho comigo, contou Flávio; eu estava pescando e vi uma sombra atrás de mim, pensei que era você Roberta, comentei a minha pescaria e quando me voltei para trás não havia ninguém.
- E eu; disse Tereza; estava na barraca escolhendo uma revista quando a bolsa caiu derramando todas e alguém atrás de mim me deu uma revista. Eu pensando que era a Márcia, peguei a revista e perguntei-lhe se a estória seria boa e quando me virei não havia ninguém ali comigo. E aí Márcia, você estava do lado de fora da barraca, não viu ninguém? E Márcia deu de ombros: por mim não passou ninguém a não ser você toda apavorada.
- Isso tudo é muito estranho; Flávio falou. Alguém está com a gente aqui.
E todos olharam uns para os outros com olhos de espanto.
Enfim, foram dormir e nem leram estória nenhuma pois ficaram até tarde tentando decifrar o ocorrido.
**
Na manhã seguinte acordaram cedo. O tempo estava chuvoso ainda. Pois havia tido uma tempestade durante à noite.
- Minha nossa! Disse Flávia. Olhem!
E tudo no acampamento estava revirado. A barraca que ficavam os mantimentos estava toda estraçalhada. Os enlatados estavam abertos, comidas esparramadas pelo chão. As roupas rasgadas, a fogueira espalhada. O chão cheio de pegadas. Mas pegadas do tamanho de dois pés de um homem de 1.80cm.
Flávio disse: - Roberta filma tudo isso. A coisa tá esquentando.
- Eu não fico nem mais um minuto aqui. Vou levantar acampamento agora. Tereza pegou todas as suas coisas e Márcia também.
- Pera aí, disse Flávio. Estamos às portas de descobrir algo novo e vocês vão dar o fora sem mais nem menos? Não pensam em descobrir o que está por trás disso tudo?
- O que eu penso; disse Tereza; é que eu não quero transformar o meu feriado num filme de terror. Vou me mandar agora.
E Márcia também acatou a decisão da amiga e começou a arrumar suas coisas também. Roberta também quis ir. E Flávio a muito contra gosto teve também que entrar no carro. Pois só havia um ele, perdido por minoria em votação.
Entraram no carro e rodas para que te quero. O caminho de volta ficou tortuoso por causa da chuva e demoraram bastante para chegarem até à ponte que havia caído. Havia sido levada pela enxurrada da noite passada.
Os quatro pararam o carro olhando pelo pára-brisas com o limpador ligado, sem acreditar.
- E agora? Disse Tereza. Como é que vamos sair daqui?
- No mapa só tem essa ponte que nos liga à estrada de volta; disse Flávio.
- Legal! quer dizer que estamos presos aqui com o bichão...disse Márcia com cara irônica.
- É isso aí galera... o jeito é a gente voltar. E esperar as coisas se acalmarem. Disse Roberta.
Tereza lembrou-se do bote inflável que haviam trazido.
- Flávio, vê se é possível descermos o rio de bote?
Flávio olhou no mapa e disse que a sugestão era viável.
- Então pra quê perdermos tempo? Vamos inflá-lo agora. Disse Márcia.
Saltaram do carro e jogaram o bote no rio que inflou automaticamente. E todos jogando suas mochilas pularam para dentro dele.
Quando estavam descendo rio abaixo, um monstro atravessou à frente deles e começou a bater com a s mão na água esbravejando e urrando.
Todos olharam sem acreditar. As meninas começaram a gritar. A fera queria que eles saltassem do bote; foi o que deu pra entender. Eles tentaram ainda driblá-lo mas não conseguiram. A fera urrava
como quem dizia. "daqui vocês não passam".
O bote virou e todos caíram na água e começaram a descer pela correnteza. Fábio foi parar nas pernas da fera que o agarrou pelo colete salva-vidas e o colocou à margem do rio. Logo depois outras duas feras cabeludas pularam no rio e agarraram as meninas e as colocaram em terra firme. Elas tossindo muiito não conseguiam entender o que estava acontecendo. Começaram a correr e feras e mais feras foram saltando das árvores à sua frente.
Os quatro estavam cercados e rendidos por todos aqueles monstros.
Flávio entendeu que se tratavam dos pés grandes. Animais lendários que muitas pessoas relatam terem visto em uns ou outros lugares do mundo.
Foram aprisionados e levados até sua aldeia pela trilha das capivaras. Lá encontraram um deles deitado em uma das árvores com uma cama de folhas. Tão bem camuflada que só prestando muita atenção é que dava para ver aquele ser ali deitado. Parecia que não estava bem e Flávio, olhando bem de perto agora, constatou que se tratava de uma fêmea.
O ser que o havia tirado das águas do rio estava a sua frente e olhou-o fixamente nos olhos e depois para a fêmea. Ele pareceu a Fábio pedindo ajuda.
Fábio chegou bem perto da fêmea e viu que sua barriga estava volumosa e logo a seguir começou a ter contrações. Mas algo estava errado pois parecia não ter forças para colocar o filhote para fora.
Fábio olhou para o macho e fez sinais indicando que poderia salvar ssua mulher. E a fera pareceu entender.
Fábio pediu que o levasse até o carro pois lá teria as ferramentas que precisaria, assim como a caixa de primeiros socorros pois todos eles eram estudantes de medicina.
A fera pareceu entendê-lo e levou-o até o carro.
Chegando lá novamente, as meninas estavam ajoelhadas em volta da fêmea.
- Fábio, será que podemos fazer uma cesárea aqui sem riscos? Disse Márcia.
- Acho que sim. Se fizermos com todo o cuidado e limpeza não precisaremos nem de antibióticos pois eles já têm anticorpos suficientes. Será como se ela tivesse se ferido.
Mas de repente a fêmea começou a fazer força e a cabecinha do filhote começou a coroar, só que não havia passagem. Fábio fez uma incisão no local após anestesiar e o filhotinho conseguiu sair. Logo ele desenrolou o cordão umbilical que estava envolto ao seu pescocinho e pronto; já estava em seu colo chorando como gente.
Todos se emocionaram e Fábio entregou o bebê para sua mãe que esboçou um sorriso dando-lhe logo o peiito. Todos sorriram e não sabiam agora o que iria acontecer.
A fera maior que os havia abordado, isto é; o pai do filhotinho, veio na direção deles e colocou a mão no ombro de Fábio e juntou-o às meninas. Todas ficaram iguais à estátuas e a fera sorriu para eles apontando para o caminho que levava de volta para o carro.
- Mas como? Disse Tereza. Será que ele quer nos levar para o carro?
- Acho que sim, disse Márcia.
- Então vamos logo, disse Roberta e Fábio as seguiu sorrindo.
Logo chegaram à caminhonete e Fábio fez sinal perguntando: - como vamos atravessar o rio?
E o pai do filhotinho olhou para os outros de sua espécie e todos vieram em sua direção.
A fera sinalizou para as meninas e Fábio entrarem no carro e eles obedeceram.
De repente a caminhonete começou a ser erguida e quando eles olharam para fora, todos os pés grandes estavam carregando-os para o outro lado da margem do rio.
Ao chegarem, colocaram a caminhonete em lugar seguro.
As meninas e Fábio meio assustados olharam para fora para verem onde as feras estavam e não havia mais ninguém por ali.
Saltaram do carro sem entenderem o que havia acontecido. E Roberta começou a sorrir apontando para a capota do carro.
- Olhem!!!
E lá estavam belíssimas flores do campo como se fossem um presente; como uma forma de agradecimento.
- Bem... parece que no Brasil também existem pés grandes... disse Márcia. E todos começaram a rir. Entraram na caminhonete e seguiram viagem para casa.