O Lobisomem

 

Oi, meu nome é Áyla, tenho 11 anos e minha irmã Thayssa tem 8. Morávamos no Rio de Janeiro mas meus pais vieram morar em Brasília a trabalho. Moramos agora numa linda casa de dois andares, afastada da cidade, com um quintal grande todo arborizado e temos até um balanço em uma das árvores. Temos um casal de gatinhos já adultos; Tigrão e Duquesa e uma cachorrinha basset que se chama Catarina. Temos também dois primos; Thiago de 11 anos e Bruna de 5. E foi essa turma toda, menos papai e mamãe que passou um aperto danado numa noite de sábado para Domingo. Papai e mamãe tinham saído para se divertirem. Estávamos na sala vendo um filme de terror no canal 45 da Tv a cabo. Todos os 8 juntinhos no sofá grande da sala. Eu digo 8, porque Scoth o poodle do Thiago e da Bruna estava também. O filme estava interessante e cada susto que levávamos, ficávamos mais juntos ainda. E as pipocas que comíamos eram jogadas para o alto a cada susto. 

-         Bruna, vai pegar coca-cola pra gente! Disse Thiago...

-         Eu não; vai você. Eu não sou sua empregada.

-         Tá bom, deixa que eu vou... disse Thayssa. Não tô gostando do filme mesmo, acho tudo isso uma palhaçada mentirosa. 

Quando Thayssa chegou à cozinha...deu um grito e voltou com os olhos arregalados. – Tem um lobisomem na cozinha. Thiago começou a rir dizendo: - Você pensa que amedronta a gente?! CRAFT!!! Um barulho de vidros se quebrando e a grade de ferro da janela começou a ser balançada. Thayssa pulou no sofá gritando junto com a Bruna. E todos começaram a gritar e os cachorros a latirem. Os gatos sumiram.

 -         Calma gente; disse eu. Não podemos nos desesperar. Vamos ver se as janelas estão fechadas. Pois tudo aqui tem grade e seja o que for que estiver lá fora não vai conseguir entrar assim tão fácil.

 -         Eu não vou ver se janela ou porta nenhuma está fechada. Eu não sou empregada de vocês!!! Disse Bruna no cantinho do sofá abraçada com a Duquesa.

 -         Vamos, eu vou te ajudar...disse Thiago. Scoth e Catarina, fiquem aqui com a Bruna e a Thayssa. Vamos Áyla.

 Eu corri para todas as portas da sala e da cozinha enquanto Thiago conferia as janelas. Dava para escutar o bicho andando lá fora. De repente o animal ficou de pé à nossa frente na porta de vidro da sala mostrando seus dentes e sua fúria com seus olhos cor de fogo. Era do tamanho de um homem todo peludo. Começou a socar a porta. Começamos a gritar de pavor. Não deu pra agüentarmos. Ele batia, batia na porta mas não conseguia vencer a força da grade. – Venham gente, vamos para o andar de cima para ele não poder nos ver. Quem sabe ele se acalma! Catarina e Scoth começaram a latir e foram de encontro com o lobisomem. Nós os chamamos e ainda bem que Scoth é obediente pois veio logo. Mas Catarina continuou lá e eu tinha que pegá-la senão ela acabaria passando pelo vidro quebrado. Me aproximei da porta com todo pavor do mundo diante daquela criatura horrorosa.

 -         Catarina vem cá sua cachorra doida. E a fera ficou mais enfurecida enfiando as mãos nas grades para nos pegar. Gritei, gritei e consegui pegar Catarina que já enfrentava o lobisomem querendo pular em cima dele. Fui à cozinha peguei o facão de churrasco e tentei cortar os braços do animal. Tentei uma vez, tentei outra  e de repente o feri pois ele tentou agarrar o facão. Ele  urrou de dor. Assim ele se afastou um tempo  que nos deu para subirmos e nos escondermos no 2º andar. Ali nós corremos para fechar as janelas que já estavam fechadas. Bruna estava chorando no colo do Thiago. Thayssa apavorada dizia: - Aquilo é um lobisomem não é?

 -         Acho que sim, pelo aspecto de homem e cachorro...acho que sim. Disse Thiago.

 -         Meu Deus! Disse eu. Como é que pode uma coisa dessas estar acontecendo? Meu pai sempre disse que lobisomem não passava de um folclore, uma lenda, Bem que mamãe nunca deixou de falar que acreditava  que poderia existir.

 -         E agora? Perguntou Thiago. O que vamos fazer? Temos que matar ele! Não é com bala de prata? Com o quê mais? Com água benta? Crucifixo? Estaca de madeira? Sei lá o quê!!!

 -         Pelo que mamãe me falou, só se mata um lobisomem com bala de prata. Mas não temos um revólver...disse Thayssa.

 Pensei, pensei, até que me lembrei que papai tinha uma coleção de flechas e todas elas eram feitas de aço com as pontas em prata, será que serve?

 -         Se serve não sei; disse Thiago; mas eu vou tentar. Antes que esse bicho entre aqui e nos pegue. Onde estão as tais?

 Levei-o ao escritório de papai. Estavam fixadas na parede; eram duas grandes e quatro pequenas.

 -         Onde estão os arcos?

-         Estão ali na escrivaninha.

 E a janela do escritório se quebrou e a fera querendo entrar. Foi quando que diante de nossos olhos aquela mãos peludas começaram a forçar os ferros da grade que começaram a ceder. Thiago pegou as flechas pequenas, empunhou o arco e mirou bem no coração da fera.

 -         Vai Thiago! Anda Atira.

 E Thiago atirou acertando bem no ombro do lobisomem que já estava conseguindo pular a janela. – Vai, vai, atira!!! Eu gritava sem sentir com as duas flechas grandes na mão e um par de pernas tremendo. Thiago acertou outra mas não foi no coração e o animal gritou de dor. A Fera começou a vir em minha direção, eu comecei a andar para trás. Thayssa e Bruna começaram a gritar atrás de mim, a fera não sabia a quem iria pegar primeiro. Os cachorros latiam e tudo ficou fora de controle. Foi quando o bicho foi para cima do Thiago e eu enfiei pelas suas costas uma das flexhas grandes. Aquela horrorosa cara se virou contra mim e veio com toda a disposição e ódio. Eu caí e a flecha ficou para cima, quando Thiago, Thayssa e Bruna empurraram o bicho com toda a força de encontro à flecha. Ele por sua vez veio para me agarrar, mas se cravou bem no coração na flecha que estava levantada. E ficou ali por cima de mim sangrando e gritando, gritando, gritando... até que deu seu último suspiro. Só aí nós paramos de gritar. Ele estava morto.

 Saí debaixo dele, com medo ainda de acordá-lo. E aconteceu uma coisa incrível... que enquanto eu viver não esquecerei. A fera começou a se transformar. Se transformou no homem que entregava o pão e o leite nas vizinhanças.

 Tudo estava acabado. A casa toda revirada.

 De repente começaram a forçar a porta. Quase morremos de susto. E a porta se abriu. Nós todos estávamos no canto com os olhos arregalados. Os cachorros latindo... Eram papai e mamãe. Corremos para abraçá-los e contarmos o nosso filme de terror. 

 

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