Charlie Brown Jr.
.Domingo, 09 de novembro de 2003
O jornal International Magazine trouxe uma matéria sobre o Charlie Brown
Jr, acompanhe...
"O acústico do Charlie Brown Jr.
Oscar Vasconcelos
O "Acústico MTV" da banda santista Charlie Brown Jr no mínimo
trouxe à tona o desafio de desplugar um grupo que realmente faz um som
"eletricamente" pesado. O óbvio dentro do conceito, mas que nem
sempre é levado em conta. O programa foi gravado em uma cenográfica
igreja, batizada de "Templo Medieval do Skate", com vitrais mostrando
jovens fazendo coisas usuais - como, por exemplo, bebendo "aquele" refrigerante...
-, e foi muito feliz tanto na escolha ddo repertório como dos convidados.
Abrindo os trabalhos com manobras destrambelhadas de Chorão sobre a pranchinha
no pequeno espaço circulável do palco, e mandando ver com Champignom
em "O Que É Da Casa É Da Casa" ficou evidente que o peso
característico do som não ia ficar fora da festa.
Os convidados, em sua maioria, desconhecidos do grande público, fizeram
bonito. O primeiro da noite, Marcelo Nova, dividiu os vocais de "Hoje",
música do Camisa de Vênus. Virou um hard rock "nervoso".
Antes de começar, Chorão disse que ele formavam "Os Xingalista",
e depois comentou que deve ser filho bastardo do roqueiro baiano.
O RZO, grupo de rap paulista, veio para fazer "A Banca (Ratatá É
Bicho Solto)". Quem se sobressaiu nessa faixa foi Champignon mostrando toda
sua técnica no "beat box" enquanto a galera versava em cima.
Em seguida, "Não É Sério" e Negra Li, tranqüila
com se estivesse em casa, cantando de forma sutil e marcante, sem exageros.
Mesmos com tudo indo muito bem, o grande momento da noite ficou por conta da participação
do carioca Marcelo D2 e Ganja Man em "Samba Makossa" do Chico Science.
A versão carregada de rock ganhou um peso de blues com a gaita de Ganja
passeando pela canção. Onde quer que esteja Chico deve ter gostado
muito.
Quem completou o "time" durante todo o show, foi o produtor, e amigo
da banda, Tadeu Patola que, junto com Marcão, tocou os violões.
Duas músicas novas foram apresentadas, "Vícios e Virtudes"
já veiculada incessantemente nas rádios e, portanto, bem conhecida,
e a "pueril" "Não Uso Sapato", cujo refrão diz
algo próximo a "eu não sei fazer poesia/ mas que se f***".
Entre um sucesso e outro - como "Papo Reto", "Zóio D' Lula",
"Proibida Pra Mim", "O Coro Vai Comê!"... - a única
coisa que não se viu foi Chorão sentado. Ele andava - da metade
para o final descalço - de um lado para o outro ou subia nas caixas de
retorno o tempo todo. Bobagem seria comentar a quantidade de palavrões
que brotam da boca de Chorão durante a apresentação - embora
o ápice seja no final, quando ele, à sua maneira, comemora o fim
da gravação -, assim como as palavras que não há maneira
de entender, pois parecem montadas umas sobre as outras em uma linguagem que provavelmente
funde diletos pouco conhecidos...
O Charlie Brown Jr, depois de dois discos não muito felizes, "Nadando
Com Os Tubarões" e "Abalando A Sua Fábrica", recuperou
o prestígio com o último, "Bocas Ordinárias", e
agora tem tudo para estourar de vez e consolidar seu sucesso."