Entrevista para rádio Jovem Pam FM
Setembro de 2003

Quem pode imaginar o Chorão cantando sentado em um banquinho dentro de uma igreja?

Não, não é delírio! Isso realmente aconteceu e não foi por acaso. Acontece que o Charlie Brown Jr. é a nova banda brasileira a gravar o tão aclamado "Acústico MTV". O cenário escolhido para as gravações, que rolaram nos dias 5 e 6 de agosto em São Paulo, foi uma igreja de mentira, mas o vocal explica que tudo foi adaptado ao estilo dos santistas.

No especial desplugado, a banda tocou seus maiores sucessos e a música inédita "Vício e Virtudes", além da canção "Samba Makossa" em homenagem a Chico Science. Como não poderia faltar, alguns convidados ilustres marcaram presença no palco: Marcelo D2, Negra Li, Marcelo Nova e RZO.

Enquanto você espera para conferir o "Acústico MTV", veja a entrevista exclusiva com o Chorão, que esteve nos estúdios da Pan e contou tudo sobre o novo trabalho!

Como foi feita a escolha do cenário para as gravações do "Acústico MTV"?

Eu deixei na mão do pessoal da MTV mesmo... Eles sugeriram um projeto legal de um tipo de galpão com vitrais de igreja e cenas de cotidiano urbano. Na verdade, não está ligado à imagem de santo, está ligado mais à ilustrações urbanas, ao cotidiano de pessoas comuns. Ficou bem legal, tem a ver com a gente.

Que tipo de preparação a banda teve para as gravações?

Muita água gelada, sereno, Coca-Cola, cerveja, muita bituca de cigarro (rs). Bom, a preparação foi o seguinte, a gente pegou os cinco discos que a gente já tinha lançado e fez uma pesquisa no nosso próprio trabalho, vimos o que era mais legal e depois a gente viu o que soava melhor dentro desse repertório que a gente separou. Tem algumas músicas que são importantes no nosso trabalho, que a gente tem o maior orgulho, como "O Coro Vai Comê", "Zóio de Lula", "Não é Sério", "Papo Reto" e que se a gente não tocasse, os fãs iam ficar chateados. E a gente procurou também dar uma atenção pro lado B dos discos, pegar algumas músicas que a galera gosta, mas que não tocam na rádio e que não foram trabalhadas de uma certa forma.

Como foi a escolha dos covers do disco?

Eu queria fazer uma homenagem ao Chico (Science) e ao (Marcelo) D2 é um cara que eu queria que participasse, então eu uni essas duas coisas. Eu consegui fazer uma homenagem ao Chico com "Samba Makossa", que a gente usou a letra, mas criou uma base nossa, e chamamos o D2 para cantar junto. Ele já tinha gravado essa música e ele gosta muito do Chico. A gente também chamou um gaitista de Santos chamado Uruca e o Daniel Ganjaman, que é um produtor, multinstrumentista, maestro conhecido da galera, que fez um teclado. O Marcelo Nova a gente chamou para compor uma música nova com ele, mas não deu tempo, então a gente preferiu fazer uma música que está no inconsciente de todo mundo que curtiu o punk rock dos anos 80. Foi muito legal trabalhar com o cara, que compôs a trilha sonora de uma parte da minha adolescência. Então foi uma grande homenagem que eu fiz a mim mesmo e a ele. Foi um dia de glória. O RZO, meu amigos, caras que eu admiro, gosto e respeito o trabalho deles. E a Negra Lee, que já tinha cantado o "Não É Sério" com a gente. Ela canta muito bem e tem muito talento, então a gente fez questão que ela participasse dessa vez.

Teve alguma música que você gostaria de ter cantado no especial, mas acabou não entrando?

Várias! Tem algumas músicas que eram num formato mais punk rock e que num violão de repente não ficaram tão legais como a gente até pensou que ficaria. Mas tem uma música chamada "Hoje de Noite", que a gente toca, que é bem legal e não entrou. É que tinha tanta música, que a gente deixou ela meio de stand by e acabou não gravando porque terminou o HD.
Qual música vocês tocaram no "Acústico", mas não entrou porque não ficou como vocês queriam?
Tiveram duas. "O Protesto" não ficou como eu queria e teve uma vinheta também que quando eu fui gravar, eu já tinha gravado muito e estava meio sem voz e eu dei uma bolas na trave. Aí eu falei "melhor nem rolar, não curti".

Qual é a maior dificuldade em fazer um disco acústico?

A maior modificação de um show normal para um acústico é sonora, óbvio. Porém, tocar pra galera sentado foi anomalia, foi o que chocou, principalmente no primeiro dia. No segundo dia a gente já estava um pouco mais acostumado. Ao mesmo tempo que é entusiasmante porque é uma coisa nova, é meio difícil porque você está habituado a ver a galera pulando, então ver uma galera mais comportada foi o mais difícil de lidar com todo mundo. Tinha neguinho que você via que também estava muito a fim de levantar. Acredito que os shows vão ser diferentes, a galera de pé, não vai ter esse negócio de mesa.

Você gostou do resultado?

Gostei muito. Entusiasmado é pouco!

O que você acha que esse trabalho representa na carreira do Charlie Brown Jr.?

Pô, a gente é a primeira banda da nossa geração que faz um "Acústico". É, de uma certa forma, uma grande responsabilidade, mas é também o que a gente se propõe desde o início, que é quebrar barreiras, fazer coisas novas, lidar com a liberdade de expressar em voz, violão, tudo que a gente gosta e acha que soa bem. A preocupação em agradar é com a gente mesmo e em conseqüência disso a gente agrada todo mundo que se identifica com o nosso trabalho.
Qual "Acústico" de outro artista ou banda você gostou mais?
O do Jorge Benjor é demais, o do Cidade Negra ficou legal e o do Charlie Brown é o melhor de todos (rs)!

Qual artista ou banda você gostaria de ver gravando um "Acústico"?

Ah, quero um monte, agora vai virar moda! Eu queria ver um do Sepultura. O próprio D2 ia ser legal, o Rappa é legal, porque o Falcão manda muito bem. Eu também queria ver um acústico rap, que nem lá fora tem vários.