Marcão
"Solo de guitarra é coisa de velho?
Sérgio Martins
Revista Veja - Edição 1808, 25 de junho de 2003
Dois dos nomes mais reverenciados do instrumento na atualidade são os
americanos Tom Morello, do Audioslave, e John Frusciante, do Red Hot Chili Peppers.
Ambos estão na faixa dos 30 anos e são fãs de Jimi Hendrix,
mas não por seu virtuosismo. Morello aprendeu com Hendrix a encaixar
efeitos de microfonias em sua canções. Frusciante admira o suingue
do ídolo. "Eu passava dias inteiros ouvindo seus discos e tentando
adaptar aquilo às canções do Red Hot", diz ele. Em
vez de hipnotizarem uma platéia com cascatas de solos, os dois guitarristas
tentam criar arranjos e efeitos empolgantes para as músicas de sua bandas.
Alguns jovens músicos brasileiros vão pelo mesmo caminho. Marco Antônio Valentim Brito Júnior, o Marcão do grupo Charlie Brown Jr., é considerado um dos melhores guitarristas do rock nacional. Quando empunhou o instrumento pela primeira vez, sonhava em seu um guitar hero. Depois mudou de idéia. "Música cheia de solo é muito chata. E guitarrista que fica se contorcendo para chamar atenção é deprimente", setencia ele. Por trás dessa atitude, parece esconder-se uma concepção mais pragmática e mesmo romântica do ato de tocar guitarra. O contrário do que pensa um instrumentista à moda antiga como Jimmy Page. "Fazer um bom solo tem algo a ver com fazer sexo. E deve-se tratar a guitarra com carinho", disse ele recentemente a VEJA."