Revista Transamérica

Chorão na revista Transamérica.

"Vocalista do Charlie Brown Jr. fala do novo trabalho da banda, Tamo Aí Na Atividade, rejeita comparações com outros grupos de sucesso do rock nacional e diz que o ator Paulo Vilhena nunca foi mauricinho.

T - O Charlie Brown é hoje a banda mais popular do Brasil entre os jovens. Tudo isso começou quando você descobriu sua vocação para músico substituindo o vocalista de uma banda, que precisou ir ao banheiro no meio de um show. Conte essa história.

Chorão - Esse episódio realmente aconteceu. Não tenho muita vocação para músico, por isso me tornei um contraventor de todos os moldes estabelecidos. Sou o errado que deu certo. Só Deus explica.

T – O estilo da banda não é um só, por isso é complicado fazer qualquer tipo de comparação com outros grupos. Mas vocês acham que, de uma certa forma, a banda exerce o mesmo poder de sedução na geração de hoje que o Legião Urbana provocava na geração dos anos 80?

Sou um grande fã da Legião Urbana, mas não penso nesse tipo de comparação, aliás nem tenho essa pretensão. Mas gosto do que faço e isso me trás bons resultados.

T – Fale um pouco do novo disco. Qual é a expectativa?

O novo disco Tamo Aí Na Atividade segue à risca a principal característica da banda, a mistura de ritmos, sem perder a vertente principal, que é o rock’n’roll.

T – Há canções fortes, como "Cheirando Cola", "Vivendo nesse absurdo". Fale sobre essas duas músicas.

"Cheirando Cola" é a historia de um menino de rua que enxerga nas vitrines da cidade o mundo das coisas que ele não pode ter, vive um sonho vago de um dia poder pertencer à sociedade. Já "Vivendo Nesse Absurdo" é uma música de amor. Tem uma letra curta que diz muito pra mim. Nem sempre é fácil viver longe de quem você ama, nem sempre é fácil se enquadrar na expectativa que as pessoas têm sobre você, por isso que digo que não busco a perfeição em ninguém e não quero que busquem isso em mim.

T – Vocês voltaram a trabalhar com o Rick Bonadio, produtor dos dois primeiros álbuns do grupo. Por que a volta? O que muda no trabalho do grupo com a presença dele?

É fato que o Rick tem um entendimento muito legal sobre o nosso trabalho. Certas químicas não se explicam. Gostei muito de ter voltado a trabalhar com ele. Temos em comum várias coisas como profissionalismo, musicalidade, objetividade e responsa. Formamos um bom time.

T – Na opinião de vocês, quais são as grandes revelações da musica brasileira?

Kchaça, de Florianópolis e Conexão Baixada, de Santos. Torço por essas bandas.

T – O plano de vocês era gravar a trilha do filme O Magnata, mas o projeto atrasou. Quais são as expectativas para o filme?

O filme já esta em pré-produção. A direção é minha e o roteiro também. Não posso falar muito disso ainda, pois é um acordo que tenho com os produtores do filme. Quanto à trilha, ela está sendo composta por mim e será praticamente um projeto solo.

T – O projeto do filme tem participação do Paulinho Vilhena, um ator da TV Globo. Não é um paradoxo uma banda que ridiculariza os playboys em suas letras manter uma parceria de filme com um ator-mauricinho da Globo? Ou isso é intriga da oposição?

Em primeiro lugar, o cara é de Santos. Pega onda e tira onda também. Até onde eu sei, o Paulinho não é e nunca foi mauricinho. Batalhou muito pra chegar onde está. Aqui, sinceridade e personalidade, às vezes, são confundidas com arrogância e estrelismo. Mesmo porque o cara é um ator, trata-se de um filme. Se ele fizer bem o papel dele, o que acredito que vai fazer, é o que interessa. Não quem ele transa ou em quem ele bate."