Nasci sobre um colchão de palha,
daqueles que eram feitos com sacos mal costurados
e cheios de palha de milho seco.
O meu pai conseguiu ser dominado pelo vício da bebida
e tornou-se apenas em um pobre alcoólatra.
A minha mãe, lavadeira, daquelas que precisavam carregar
baldes de água na cabeça ( por não ter água encanada)
para lavar roupas das, então, patroas.
Na minha infância conheci a fome, o frio, a miséria.
Tive a sorte de receber das pessoas bondosas comida,
roupas usadas e algum carinho, especialmente de
minha saudosa madrinha, que me ensinou
o caminho da escola.
Fui bóia-fria, cortando cana, apanhando café,
catando algodão, colhendo laranjas.
Depois trabalhei na cantina da escola,
fui "enfermeira" e por último, bancária.
Desde criança sempre fui muito sensível
e percebi que havia ganho de Deus dois
grandes presentes: a saúde e a inteligência.
Com estas duas armas cheguei até aqui escrevendo
versos desde os meus 11 anos de idade.
Apesar de tudo consegui ser feliz !
- Cida Alfieri -