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A Cor do Frio
(Cleiton Profeta e Fábio Cabelo)
Redecorando o clima de anil
Eu sinto a dor do pavor em abril
E canto um blue...
E canto um blue... azul
O aconchego das noites de frio
Um sentimento pra lá de vazio
Cantando um blue...
Cantando um blue... azul
A cor do frio tem pálida visão
A voz do vento no sopro da canção
Eu canto um blue...
Eu canto um blue... azul...
Eu canto um blue ... azul...
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A Dama de Vestal
(Cleiton Profeta - Fábio Cabelo)
Era como a dama de vestal
suntuosa como os amantes e as paixões
Saberás se o encanto é fatal
perigoso como os errantes dos sabás
Acalmar as brumas que irão levar
Acalmar as brumas que irão levar (quem irá levar?)
Despertar as bruxas, enfim
Enfim é o fim (quem irá levar?)
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Ao Tempo
(Cleiton Profeta)
Solto ao tempo
driblando o vento do destino
com os olhos
assombrados de um menino
E qual era a cor
quando a noite escondia
no baú da dor
a mais linda poesia
E como eram mesmo aqueles tempos?
E como eram mesmo aqueles tempos?
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Cânone de um Sonho.
(Fábio Cabelo - Paulinho Dias)
Dorme agora pequenina
pode sonhar;
Uma estrela lá no céu
brilhando pra você sonhar;
"Vou dormir agora
que medo já foi embora"
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Cantos
(Cleiton Profeta - Paulinho Dias)
Canto por todos os cantos
que num triz se resume
em um só cantar
Canto pela boca da noite
até chegar a aurora
e eu poder descansar
Canto por desertos sombrios
que sofrem com o frio
em todo anoitecer
Canto com a força do vento
pra fazê-los jardins
e assim os florecer
Pupilas que fitam desfocadamente
Pupilas que fitam desfocam da mente
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Do brado ao blue
(Cleiton Profeta - Fábio Cabelo)
Silvos, ruídos encobrem vozes
de sons prazeres a se ouvir
e a tela negra esconde a cores
silêncio pro som poder surgir
Ares do poeta
que carrega em sua voz
E nas mãos do tempo calam-se os brados
de sons prazeres a se ouvir
como se o eco fosse o último
a voz audaz a repetir
Ares do poeta
que carrega em sua voz
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E agora
(Cleiton Profeta)
Eu tenho medo de olhar lá fora
A cidade é uma prisão...
E tenho medo de ficar, e agora?
Tanta coisa pra lembrar...
Quem dera eu... ter feito os dias longos
Pudera eu... tê-los passado acordado
Sabe lá... se a lembrança ilumina
Ou deságua a retina
Quando tudo voltar...
Eu tenho medo de contar nos dedos
Quantas noites cantei, mais louco
Num grito mais rouco
Que alguém pode dar...
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Fogo de Chão
(Pingo e Paulinho Dias)
Sopra vento a fumaça
e as chamas do fogo de chão
Sopra sujeira da mente
e purifica o meu coração
Não vêm trazendo da montanha
nem o claro nem a escuridão
Mas sim vêm pelo caminho certo
onde o cego ganha visão
Não se sente em sua casa
esperando o tempo passar
Pois o tempo já está aí dentro
só esperando você procurar
Em tempos, em livros, nos lixos, nos mitos
os tolos tentaram o tempo guardar
Pra jogar na cara das outras pessoas
que de tão cegas se dizem enxergar
Eles acham formatos, eles inventam cores
e dizem que ele ainda está pra chegar
Mas não é um vento é um furacão,
que no coração não consegue entrar
Pois está fechado pensando em dinheiro
e nas tantas coisas que eu mesmo inventei
Preocupado comigo e com a minha importância
o principal amor foi o que eu não cultivei
Mas o vento gelado bate em minhas costas
batendo nas portas em busca de paz
O vento vai assoprando ascendendo meu fogo
me chamam de louco mas eu vou atrás
Como um farol aceso nas noites escuras
em todos os barcos a se orientar
Tentaram acabar com o fogo na cruz
mas ele sopra forte e se chama
Luz, terra, fogo, água e ar
E as respostas pras suas perguntas
olhe a natureza e irá encontrar
Luz, terra, fogo, água e ar...
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Inferno
(Cleiton Profeta)
Zatrar pra ma loh si vou eu noã
(Eu não vou mais olhar pra trás)
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Monólogo do Vento
(Paulinho Dias)
Qual de vocês?
Já parou pra ouvir
o monólogo do vento
a sussurar coisas doces
no ouvido da noite.
Que se cora de estrelas
que se observam no lago
o espelho da lua
sinhá que provoca o mar
que quando calmo
se arrepia com o vento
Que dá carona as nuvens
que se estão tristes choram
e suas lágrimas nutrem
os desejos mais profundos da terra
E suas lágrimas nutrem
os desejos mais profundos da terra,
e como dizia um antigo poeta do Líbano:
“a raiz é uma flor que disprezou a fama”.
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Morada do Amanhã
(Paulinho Dias)
Eu moro logo ali no amanhã
que está no coração do filho esperado
cada passo dessa caminhada que dei
uma semente plantada
no vão das pegadas que deixei
Sou filho de uma mãe artesã
sou parte homem parte fios e bordados
meu pai é artesão das casas
Ah! João-de-barro-homem
dos elementos que tu fazes abrigo
eu fui construído também
Da semente brotada do sal
que rolou do rosto queimado de sol
em solo árido germinou
das mãos furadas de agulha
que poem botão na minha blusa
eu fui construído também
Se faço parte de tantas coisas
quero compartilhar meu canto
Faço parte de tantas coisas
quero compartilhar meu canto
Meu canto arraste
a todo aquele que quer falar
Eu moro logo alí no amanhã
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Nada De Mais
(Fábio Cabelo)
Nada de mais em cantar pela voz
que não se desfaz para contruir meu canto
Ah! Tudo isso está em nós
Ah! Ah! Ah!
Ah! Ah! Ah!
Ah! Ah! Ah!
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O Belo e o Horrendo
(Cleiton Profeta)
O belo e o horrendo.
A representação da música em doutrina, seria o belo?
E em falsa doutrina o horrendo?
E dúbia a sensação dela nas orgias?
Abandonaria suas esperanças para contemplar o sol?
Ou abandonaria o sol para encontrar suas esperanças?
E teria valor o sol quando quem ama perdura as trevas?
Ou as trevas seriam lindas se lá encontrasse a tonalidade do que existe?
Não seria um bem-feitor o assassino que te concede o amor-eterno?
Ou seria o amor-eterno um ingrato aliado do destino que te separa?
O belo no horrendo pois o fogo que queima é o mesmo que aquece o frio.
E eu reconheço por mais incompreensivo que possa parecer,
muitas vezes, o horrendo é belo!
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O Cantador
(Fábio Cabelo)
Corre pela correnteza feito uma presa
fugindo do caçador,
pula feito brincadeira como criança
que faz a gente sonhar,
Canta no meio do povo,
canta de novo que eu quero ouvir tua voz,
cante antes que se tarde
pois o que vale, é fazer a gente sonhar
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O Centauro
(Fábio Cabelo)
Tudo que não pode ser é sonho
tudo que ainda não nasceu é sonho.
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O Ciclo
(Cleiton Profeta)
A lua se esconde nas noites escuras
deixando sozinho e soturno o céu,
passando por onde moram as estrelas,
espelho noturno com o mais negro véu,
que cai no arrebol e clareia a retina
nascido do sol o azul da piscina;
Se esconde nas noites deixando eu sozinho,
passando as estrelas no espelho mais negro,
que cai da retina a gota cristalina;
Se esconde sozinho no espelho
que cai e reflete a menina que chora e termina,
agora acorda, levanta, e sai.
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Se Tudo Andasse Mais Lento
(Cleiton Profeta - Fábio Cabelo)
Ah! Se tudo andasse mais lento
Eu me atirava ao vento
pro tempo não me pegar
Ah! Que coisa doida que é essa
O mundo anda depressa
e o relógio não quer parar
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Solar
(Cleiton Profeta - Fábio Cabelo)
Amanhecer enquanto o sol se põe
e ver a noite amanhecer em paz
e que a virtude esteja sempre em nós
sem que o perdão aceito volte
só pra gente poder errar
Amanhã a gente vai estar aqui
pra fazer as coisas que sempre fez
Amanhã eu vou enquanto o sol se põe
pra poder amanhecer
O sol nasce sempre e sempre é um novo dia
e todas as manhãs do mundo são iguais
Não espero o sol e não espere a lua
nem que o dia traga o que a noite traz
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Simplesmente
(Fábio Cabelo)
Quero um abrigo para estar em paz
quero poder estar feliz demais
pra você entender que o tempo se desfaz
e correr não apressa o que virá
Quero um motivo pra poder cantar
quero saber o que era p`reu falar
pra você entender que o tempo é de fazer
e amar tanto quanto bate o coração
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Tempestade
(Paulinho Dias)
Oh! Oh! Oh!
E num imenso clarão resona e reluz
iluminando por um segundo o céu cinza escuro
E uma fina névoa paira suave
anunciando que vai cair a chuva
Oh! Oh! Oh! Chuva...
Que umedece a raiz que alimenta o ser
e que inunda as cidades com o seu poder
Oh! Oh! Oh! Chuva...
E quando ela se vai cumprindo o seu papel
fica um arco de cores riscando o céu
Oh! Oh! Oh! Arco-íris...
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Tempo Presente
(Cleiton Profeta)
(música incidental: "Na Hora do Almoço" de Belchior)
Será que todo tempo é presente ?
Será que todo riso é vilão ?
Não! O passado se desbota em vão
e a lembrança guarda o tempo em mim
como um roubo sem ladrão.
Não! O presente se despede assim
e o relógio escorre pelas mãos
como um eco sem ter fim.
"Eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza
deixemos de coisas e cuidemos da vida
se não chega a morte ou coisa parecida
e nos arrasta moço sem ter visto a vida
ou coisa parecida, ou coisa parecida..."
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Vago Pensamento
(Paulinho Dias)
Pela janela desse trem
vejo paisagens, montanhas
e penso em alguém
E lá no alto vejo pastos,
harmonia de animais,
cavalos, cogumelos
e muito mais
e o céu com o seu eterno abraço
Óh vento... capaz de ser mais veloz
Muito mais veloz do que esse trem
Faça com que a lua reflita seu rosto
Em seu espelho noturno
Assim como faz com o sol
Em noites de lua cheia
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