Dance sem sair do lugar
Você já deve ter
visto um bando de "malucos" se arrebentando em cima
de máquinas "estranhas", dançando num tablado metálico
cheio de ícones, onde sozinho ou em dupla, coreografias
bizarras são ensaiadas para delírio de todos os participantes.
Pois saiba que "aquilo" é uma das novidades que virou febre
entre quem gosta de música e jogo eletrônico: os simuladores de dança.
A partir de agora nada mais de salões lotados e gente se esbarrando. A onda musical do momento são as máquinas Arcade e/ou jogos de videogame que conseguem transmitir as mesmas sensações de se estar dançando, com a ajuda das mais avançadas tecnologias em entretenimento. A coisa funciona assim: em cima de um tapete especialmente preparado os movimentos da dança são transferidos para a tela do jogo, onde estão as instruções passo-a-passo da coreografia a ser efetuada de acordo com o ritmo da música selecionada (que vai de sucessos à músicas nunca antes ouvidas). Para progredir no game os passos devem ser sincronizados com as indicações da máquina.
Quanto mais o jogador avança mais rápidos são os movimentos que devem ser efetuados e se torna mais complicado conseguir a sincronia adequada. A coreografia do jogo permite ao jogador uma amplitude de movimentos que podem ser personalizados, ao gosto do freguês, mas os novatos em dança não precisam se assustar, os japoneses inventaram esse tipo de simulador por serem muito tímidos, os comandos não são tão difíceis, a acessibilidade é ampla e costuma agradar pessoas de todos os sexos e idades.
Para quem acha que simulador de música é novidade, saiba que a história já é velha e vem lá do século passado, com o lançamento de "Quest for Fame" para PC (em 1993), produzido pela Virtual Music Entertainment, onde o controle simulava palhetas que representavam os sons de guitarra ou baixo. De lá para cá, novas experiências musicais passaram a misturar, também, movimentos corporais, que em jogos mais avançados, como os da série "Dance Dance Revolution" da Konami, formam representações quase perfeitas da dança, incluindo o esforço físico necessário para executar os movimentos, numa bela malhação que deve enxugar a "barriguinha" dos mais "fofinhos".
De "Bust a Move" da Enix em 1998, passando por "Beat Mania" da Konami (a mesma fabricante de "Dance Dance Revolution") e "Pop'n Music" de 1999 até "Space Channel" da Sega, muitos hits emplacaram a festa dos jogadores dançarinos, atraindo um público estranho ao universo dos games: o público feminino.. Segundo informações da "Planeta Games", uma loja de jogos eletrônicos localizada em São José dos Campos, o acessório mais procurado pelas mulheres são os tapetes de dança. Enquanto o público masculino ainda prefere se divertir com jogos de futebol, tiro e corrida - se possível criando a barriga - as jogadoras partem para atividades mais físicas, não (é lógico) antes de tomar as precauções necessárias.
Quem explica mais sobre esses cuidados é o médico Denis Aparecido Campos, ex-tenente do exército e gamer assíduo. Ele explica que os simuladores de dança podem trazer os mesmos benefícios da prática dessa atividade física, como ajudar a corrigir desvios de coluna, "pé chato", ampliar a capacidade cardiovascular, além de benefícios psicológicos como a melhoria da auto-estima e o combate ao stress. Porém, feito sem a autorização médica (como exige qualquer exercício físico) pode acarretar sérios problemas, desde tendinites até infarto, portanto, não jogue antes de checar sua saúde. Mas não se aflija, videogame e atividade física podem caminhar juntos.