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Médico gamemaníaco

DivulgaçãoTodos nós conhececemos a expressão "brincando com a vida", pois é exatamente isso que alguns médicos estão fazendo nos Estados Unidos. Calma, não é o que você está pensando, não precisa enviar nenhuma denúncia para o Conselho Regional de Medicina. A "brincadeira" é realmente uma brincadeira (perdoem a repetição do termo), mas que pode resolver e/ou prevenir um sério problema da profissão moldada pelo juramento de Hipócrates - o erro médico - usando de um artifício muito popular: o videogame,

Seria natural pensar que uma fonte de lazer como a dos games possa servir para aliviar o stress (baixando a probabilidade de algum erro clínico) de uma profissão desgastante na medida que percorre diariamente a tênue linha entre a vida e a morte. Contudo, uma outra abordagem desenvolvida pelo Instituto de Medicina Avançada em Israel nos EUA, aponta para a capacidade dos jogos eletrônicos em desenvolver as habilidades motoras das pessoas, capacidades estas, que são natas à prática cirúrgica e essenciais na formação de um bom médico-cirurgião.

Em matéria veiculada no programa G4Brasil, o diretor do Instituto de Medicina Avançada, Butch Rossel, explica que sua busca pela implementação de tecnologia na medicina o levou a criar o software "Top Gun", um programa que simula o ambiente de uma cirurgia, testando a habilidade dos médicos com o auxilio de manoplas (joysticks) que substituem as mãos reais. A grande descoberta de Rossel foi que os melhores resultados no simulador partiam de pessoas que eram afeiçoadas ao universo dos games.

Interessados com o inusitado resultado, tanto Rossel quanto o diretor de pesquisa do Instituto de Medicina Avançada, Paul Lynch, iniciaram uma pesquisa para descobrir a profundidade da relação videogame-habilidade motora, chegando a conclusão que o gamer têm uma sensibilidade maior, fruto dos exercícios diários com os jogos. Como comentou o cirurgião James "Açougueiro" Rosser na revista "EGMBrasil" nº28 (junho de 2004): "Para abrir um corpo e juntar dois pedaços de intestino, eu preciso do mesmo tipo de habilidade que você usa para jogar Super Monkey Ball".

Para a pesquisa foram selecionados três jogos: "Super Monkey Ball", feito pela Sega (Game Cube), "Silent Scope Complete" da Konami (X-Box) e "Star Wars Racer" da Lucas Arts (PlayStation 2). Cada um desses jogos foram selecionados por serem simples, agradavam a ambos os sexos e mostravam de forma direta qual habilidade era necessária e desenvolvida. Em "Super Monkey Ball" é necessário equilibrar um macaco dentro de uma bola, num cenário totalmente em movimento, enquanto se recolhe as bananas espalhadas pela fase. O resultado era um aumento na precisão dos movimentos, que tinham que ser meticulosamente planejado e executado, ampliando a capacidade de antecipação dos movimentos. Já em "Silent Scope", um jogo de tiro em primeira pessoa, a precisão e a pontaria eram essenciais para o jogo (e para o desenrolar de uma boa carreira médica). Em "Star Wars Racer", um jogo de corrida, a ação era considerada tão frenética que simulava o ambiente dos orgãos em movimento no corpo humano.

O resultado mais importante do Instituto de Medicina Avançada foi a constatação científica de que se um médico jogar videogame três vezes por semana, acabaria 27% mais rápido e erraria 37% menos. Portanto, não se assuste se na próxima consulta o médico estiver ocupado jogando, afinal, se o game melhora a capacidade motora, por que não ser atendido durante uma partida disputada de "Star Wars Racer"? Depois é só torcer para ele não achar que você também têm as mesmas vidas infinitas do jogo...

Carlos Campos e Leandro Arouca

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