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Um jogo dos infernos?

DivulgaçãoA cidade: Ouro Preto, Minas Gerais; a vítima, uma jovem; o assassino, preso. O culpado pelo crime, um vampiro. A aterradora verdade é que o condenado não era gente, nem monstro: era um jogo, o RPG "Vampiro: A Máscara".

A história, segundo a policia, teria acontecido da seguinte forma: a estudante Aline Silveira Soares, de 18 anos, jogava o já citado RPG e em determinado momento do jogo, seu "personagem" (ou ela mesmo?) acabou sendo punida e sentenciada a morte. Levada para o cemitério da cidade, a moça teria sido morta para "pagar" a dívida contraída durante a jogatina, em um ritual macabro (o corpo de Aline foi encontrado ao lado de uma lápide violada).

Não demorou para a mídia descobrir o caso e da reportagem do Jornal da Globo para o mundo foi um passo. E as manchetes alardeavam o "jogo que mata", mas ficou o engodo... Quem foi que matou Aline, o jogo ou o assassino conhecido como "Anjo da Morte"? Tais dúvidas, ainda não respondidas, correspondem com os casos de violência ocorridos em novembro de 2000 na cidade de Teresópolis no estado do Rio de Janeiro. Duas jovens, Fernanda Venâncio, de 17 anos, e Iara dos Santos, de 14 anos, foram brutalmente violentadas, torturadas e assassinadas. Dois crimes ocorridos com seis dias de diferença e com as mesmas características (ambas, até, freqüentavam a mesma escola). O que levou a polícia a encontrar o possível responsável pelo crime, "O Vampiro", jogador e líder de uma seita no RPG "Vampiro - A Máscara", o mesmo jogo que teria "matado" Aline...

Com um título de RPG - com um nome que envolve "Vampiro" - envolto a casos de violência, fica no ar a pergunta, seria o jogo "satânico" o responsável pelos atos ilícitos de seus jogadores ou os assassinos teriam encontrado nessa "brincadeira" uma maneira de angariar potenciais vítimas? Para Luiz Eduardo Ricon, que trabalha na área, a co-relação de RPG e violência é errônea, pois para ele o jogo não excita a violência: "Pessoalmente, como jogador, mestre e autor, com mais de 12 anos de trabalho com o RPG, posso atestar que no meu entender o RPG faz exatamente o contrário, isto é, ajuda os jogadores a serem mais tolerantes, equilibrados, sociáveis. Não elimino a possibilidade de um caso aberrante, mas a violência faz parte da nossa vida, da sociedade em que vivemos, dizer que ela é culpa do RPG ou dos desenhos animados me parece uma simplificação meio estúpida", afirma.

Se Ricon inocenta o Jogo, para muitos o RPG deveria ser queimado em praça pública. Sonia Ramos, mãe de Fernanda, uma das vítimas do caso em Teresópoles, não pestaneja ao apontar o "Role Playing Game" como o responsável pela morte da filha. Ela chegou a escrever um artigo muito polêmico para o site Observatório da Imprensa - veja aqui - onde deixa clara sua indignação. A caça as bruxas também é fartamente corroborada pela família de Aline, que não só indicia o jogo "criminoso" como planeja iniciar uma campanha contra o RPG "vampirístico".

Pessoas vestidas de preto, falando em mortes, rituais, seitas... Quem não está atento pode realmente imaginar que é coisa do "demo". Ou será que aquela turma de amigos, dispostos sossegadamente na mesa da sala, ansiosamente esperando para se aventurar em uma partida de "Vampiro - A Máscara", comendo miojo, poderia se transformar num antro de perigosos algozes, espreitando pelo próximo crime hediondo? Para saber a resposta, jogue seu dado de vinte lados e espere a resposta do Dungeons Master...

Carlos Campos e Leandro Arouca

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