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Mostra "O Bom do Brasil" começa com críticas ao modelo de distribuição dos filmes nacionais

DivulgaçãoNo primeiro dia de exibições da mostra “O bom do Brasil”, promovida pelo SESC São José dos Campos em parceria com a Câmara Municipal da cidade, os críticos do jornal Folha de São Paulo, Sérgio Rizzo e Cássio Starling Carlos, participaram de um debate sobre o atual cenário do cinema brasileiro. O papo aconteceu depois da exibição do longa “O Céu de Suely”, co-produção de Brasil, França, Alemanha e Portugal, nesta quarta-feira, dia 19.

Para um público de aproximadamente 100 espectadores, Sérgio e Cássio criticaram com veemência a política de distribuição do Governo Federal para as produções nacionais. Segundo os críticos, apesar de existir uma ordem crescente de produções há cerca de 10 anos no país, estes filmes não chegam ao grande público devido à ausência de uma política consistente de distribuição.

Sérgio Rizzo defendeu que sejam repensadas as políticas de incentivo à produção audiovisual caso a questão da distribuição não seja resolvida.

“Se traçarmos uma linha cronológica desde o lançamento de ‘Maria Joaquina’, em meados dos anos 90, teremos aí um salto relevante no número de produções cinematográficas nacionais. Entretanto, desse número, a porcentagem de filmes que chegam a ser exibidos no circuito nacional é inexpressiva. Considerando que estas produções são realizadas com verba pública e quase ninguém assiste, eu deixo a pergunta: para quê produzi-los, já que ninguém irá vê-los?”, ratificou Sérgio durante o debate.

Cássio Starling, entretanto, fez questão de mencionar o salto de qualidade das produções e a chamada "retomada do cinema nacional".

“O filme brasileiro deixou para trás aquele estereótipo de que é mal filmado, tem más atuações ou que não dá para ouvir as falas. Hoje, devido ao fomento à produção audiovisual, contamos com filmes muito mais profissionais. O triste é saber que a exibição fica restrita aos festivais, que, não por coincidência, estão sempre lotados de espectadores”, comentou Starling.

Para o animador cultural do SESC, Sérgio Seabra, além de dar espaço para a exibição destas produções, o objetivo da mostra é fomentar o debate a respeito dos diferentes estilos dos diretores da nova geração.

“Nosso objetivo com esta mostra é ‘dar tela’ aos filmes brasileiros que não tiveram tanto espaço aqui na cidade. Além disso, a idéia é discutir a questão estética de filmes produzidos por uma nova geração de diretores do cinema nacional, como Phillippe Barcinski e Heitor Dhalia. Sendo assim, esperamos que as nossas expectativas otimistas sejam confirmadas e o público marque sua presença durante as sessões”, afirmou.

A Mostra - Os filmes serão exibidos até domingo, dia 22, sempre em espaços cedidos pela Câmara Municipal. A programação contará com filmes (produzidos recentemente no Brasil) no estilo longa e curta-metragem.

João Pedro Teles

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