São Paulo, paradoxo cultural
Por Mariana Albanese
O maior medo dos navegadores da antigüidade era chegar no fim do mar e cair no abismo onde acabava a terra.
É essa a impressão que tenho ao deixar São Paulo em direção à maioria das cidades do país, pelo menos no que se refere à cultura.

Não venho aqui defender a tese de que civilização só existe em São Paulo, mesmo porque, se fosse assim, estaríamos mal servidos nessa área. A questão é: são poucas as cidades no Brasil onde se pode ter acesso barato ou gratuito à cultura.

São Paulo é um paradoxo nesse ponto. É, talvez, a cidade mais cara do Brasil para se viver. Ao mesmo, tempo, gera oportunidades inacreditáveis, como um festival de filmes brasileiros por míseros dois reais, com direito a meia entrada.

Nesse ponto, destaco também o papel da Prefeitura, facilitando para população em geral o acesso à cultura. Há o dedo dela nos shows gratuitos em unidades do CEU, com grandes nomes da música brasileira, nas sessões populares do Unibanco Arteplex, na revitalização do centro antigo, com seus novos espaços de cultura e, é claro, no programa de Inclusão Digital, que já inaugurou mais de 100 Telecentros de acesso gratuito à Internet nos bairros mais carentes da cidade.

Já em Florianópolis, que é considerada a melhor capital brasielira para se viver, tanto a variedade quanto a qualidade da programação são muirto restritas. Cinema, por exemplo, é predominantemente comercial. Filmes "cults", apenas nos finais de semana, por temporadas reduzidas no Centro Integrado de Cultura .

No meu modo de ver, os pólos de maior efeversência e produção cultural estão centrados em poucos lugares, fora de São Paulo. Na cidade está o dinheiro. Atualmente, São Paulo tem talento de sobra, para importar criatividade alheia.
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