A DEVOÇÃO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS
(Madre Maria Helena Cavalcanti)
Sempre houve entre os cristãos o culto a pessoa de Nosso
Senhor Jesus Cristo: mas a partir do século XVII esse culto se concentrou mais
no seu Sagrado Coração: Como Ele mesmo disse a Santa Margarida Maria: "A
Devoção ao meu divino coração é o último esforço do meu amor aos
cristãos destes séculos derradeiros. Esta devoção seriamente entendida,
facilitará a salvação de todos excitando-os a se amarem mutuamente entre si,
como eu os amei. Quero reinar por meu divino coração sobre a pobre humanidade
destes tempos e reinarei sem embargo da oposição de satanás e de todos os que
ele instiga contra mim".
No dia 16 de julho comemoramos o tricentenário da mais
importante revelação de Nosso Senhor a Santa Margarida. Ela era uma humilde
religiosa da Ordem da Visitação em Paray-le-Monial, na França, século XVII.
Por três vezes Nosso Senhor lhe fez admiráveis revelações e mandou que
fossem propagadas por todo mundo. Já três séculos antes aparecera a Santa
Gertrudes, monja beneditina, a quem revelou as maravilhas de eu Divino Coração
aos séculos futuros - quando a fé e a caridade tivessem enfraquecido. Na
primeira revelação em 1673 mostrou todo amor que tem por nós e que precisa
ser reconhecido e retribuído por todos.
Na segunda revelação em 1674 pediu que o culto a Seu
Coração fosse em consolo pelo desprezo e frieza que recebeu dos homens e uma
expiação pelos crimes do mundo.
Na terceira revelação pediu que se instituísse a festa do
Sagrado Coração na primeira sexta-feira depois da solenidade de Corpus
Christi, dizendo "Eis o coração que tanto ama os homens e a nada se
poupa para lhes provar seu amor até esgotar-se e consumir-se e, em troca só
recebo na maior parte deles ingratidões, irreverências, sacrilégios e
indiferenças no sacramento do meu amor".
Em favor das pessoas dedicadas a Seu Divino Coração fez
as seguintes promessas:
1. Eu darei aos devotos do meu Coração todas as graças necessárias a seu
estado.
2. Estabelecerei e conservarei a paz em suas famílias.
3. Ser-lhes-ei refúgio seguro na vida e principalmente na hora da morte.
5. Lançarei bênçãos abundantes sobre todos os seus trabalhos e
empreendimentos.
6. Os pecadores encontrarão em meu coração fonte inesgotável de
misericórdia.
7. As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas pela prática dessa devoção.
8. As almas fervorosas subirão em pouco tempo a uma alta perfeição.
9. A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e
venerada a imagem do meu Coração.
10. Darei aos Sacerdotes que praticarem especialmente essa devoção o poder de
tocas os corações endurecidos.
11. As pessoas que propagarem essa devoção terão seus nomes escritos para
sempre em meu Coração.
12. A todos que comungarem nas primeiras sextas-feiras de nove meses
consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna.
O Concílio Vaticano II insiste muito na vocação de
todos os fiéis ao apostolado e preconiza a devoção ao Sagrado Coração de
Jesus.
Lacordaire, o grande pregador dominicano, dizia que se
tivesse de prestar homenagem a alguma parte do corpo não seria a cabeça mas o
coração. Os mais nobres sentimentos, os maiores projetos de generosidade saem
do coração, pois é o coração que vê melhor, que vê mais longe.
O coração é o símbolo do amor e da bondade de que o mundo
necessita. "Só Deus é bom"; por isso "é bom para
mim, aderir a Deus, fazer um só espírito com ele", aplicar-me a ter
seus costumes, esforçar-me por possuir "os mesmos sentimentos de Jesus
Cristo". Devemos, então, estudar Seu Coração, principalmente no
Evangelho. Nosso Senhor possuía todas as virtudes no mais alto grau e quando
quis propor um modelo não o "aprendei de mim, que sou manso e humilde
de coração".
Quando lemos nos Santos Evangelhos o episódio da mulher
adúltera, de Madalela, de Zaqueu, o que mais nos toca é a mansidão e
humildade de Jesus. Como sabia perdoar, como amava os fracos, os doentes e as
crianças...
Esse coração é tão maravilhoso que até hoje tem atraído
tantas pessoas através dos séculos. "Depois que eu for elevado tudo
atrairei a mim".
Neste tempo de tantas guerras, tanta competição,
agressividade, egoísmo, precisamos despertar em nós novamente a consciência
de que o verdadeiro progresso é o do coração. Enquanto não fizermos a
Revolução do Coração as outras guerras de nada adiantarão.
Não é fácil ser bom. Às vezes nos tomam por bobos, ou por
fracos, mas vale a pena acreditar que o homem é feito à Imagem e Semelhança
de Deus, que possui a chama desse Divino Coração e anseia por amor e
felicidade embora se saia tão mal nessa busca, procurando endereços errados.
Vivemos num século em que a técnica e a ciência fizeram
grandes conquistas. A máquina substitui o homem em muitas coisas menos num
gesto de bondade. É atrás desse gesto que todos nos andamos!
Ansiamos por uma bondade sincera, e não só de palavras e
gestos exteriores, freqüentemente sem alma.
No mês de maio de preparo para a festa do Coração de
Jesus, desejamos ser formados pelo Espírito Santo no seio dessa Mãe tão doce
que o Concílio Vaticano II proclama Mãe e Mestra da Igreja.
Que mais uma vez ela nos conduza a Seu Filho, ela cujo
Coração é o mais parecido dom o Divino Coração. Qual Mãe cuidadosa, nos
torne a nós, seus outros filhos um pouco mais parecidos com seu Primogênito
para que realmente o Coração de Jesus seja o "Rei e Centro de todos os
corações" e nós formemos uma Família cristã com "um só
coração e uma só alma".
Devemos ver Deus nos acontecimentos
mesmo dolorosos.
Alguém que já morreu por nós na cruz, tem o direito de não explicar tudo.
Extraído da revista "O Dehonista" número 21 - Junho
de 1975