Nas populações ribeinhas do norte do Brasil é comum
ouvir à boca pequena, uma históia que para muitos pode parecer
fantasia, mas para outros tem muito de verdade.
É noite de lua cheia, o io limpo, tranquilo, reflete em suas
águas, o reflexo do luar, lá longe ouve-se a moda de viola,
moças bonitas rapazes perfumados, é noite de festa.
Todos
dançam encantados sob o fascínio da noite, vozes altas, cantoria
bebedeira, sorrisos alegres, mas, eis que de repente, surge na porta do
salão aquele moço bonito, todo de branco, de chapéu
(Que faz questão de não tirar) ,
seus cabelos são
negros, negros como céu sem estrelas, e seu olhar, ah!
o seu olhar é de encantamento, de promessa de amor e fidelidade
eternas.
Sem muitas palavras, tira a moça mais bonita para dançar
e sem receber um não como resposta, ou sequer um protesto por parte
dos rapazes, ele dança a noite inteira, encanta, e acaba levando
a moça para as margens do rio.
Promessas de amor, de fidelidade e de novos encantamentos, a noite passa,
e de repente a moça acorda com o calor dos raios do sol batendo
em seu corpo, ao seu lado, somente o chapéu como lembrança
e uma gravidez indesejada.
Quando uma moça tem um filho e não se sabe quem é
o pai, todos dizem: "Foi o boto". Essa lenda é comum em todo o norte
do Brasil, o boto tem sempre a mesma imagem: um rapaz de terno branco com
chapéu que não tira porque precisa esconder o furinho que
tem em sua cabeça, que sempre aparece nas noites de lua cheia para
encantar as moças. Não se sabe se é mentira ou se
é verdade, mas, a lenda permanece.