Data: Ter Dez 9, 2003 3:43 pm
Assunto: De agonia, glória e oportunidades
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As duas últimas semanas não foram nada fáceis para a torcida ramalhina. Passamos da euforia da classificação quase certa à desconfiança, à agonia e finalmente de volta à euforia. Foi uma maratona emocional capaz de derrubar qualquer um. E eu admito que balancei perigosamente, mas continuo de pé, mesmo à custa de reforço nas doses de medicações anti-estresse que já tomo normalmente.
Na verdade, poderíamos não ter passado por tudo isso. O Ramalhão teve tudo para garantir antecipadamente o título e o acesso, mas deixou escapar as oportunidades que teve. Conseguiu na bacia das almas o acesso à Série B, mas teve o castigo de ver o Ituano levar a taça de campeão.
Mas a Série C já faz parte do passado. Daqui por diante serão novas e grandes dificuldades, mas também novos desafios e horizontes mais amplos. Podemos fazer uma comparação e dizer que a Série C é o concurso público, que seleciona os candidatos mais bem preparados a ingressar na elite, e a Série B é a etapa de treinamento, que vai mostrar quem são os aptos a "tomar posse".
O Ramalhão precisa consolidar uma estrutura capaz de sustentá-lo na Segundona e possibilitar, ainda que em médio prazo, um salto seguro para a série A. Creio que isso exigirá uma revisão da atual forma de gestão. Está evidente a inação da Santo André Empreendimentos no que se refere ao marketing, a "vender" a imagem do time. Não se viu nenhuma forma de promoção eficaz dos jogos finais no Brunão, além das faixas do patrocinador e do caminhão de som de um candidato a prefeito; a torcida teve que se mobilizar para imprimir tabelas e fazer divulgação por conta própria; as camisas oficiais do time esgotaram no comércio, sem que houvesse produtos alternativos para suprir a demanda. O E.C. Santo André poderia ter faturado uma fortuna se houvesse uma loja no centro da cidade vendendo produtos licenciados com a marca Ramalhão: bonés, camisetas, agasalhos, "pins", etc. (Se minha profissão não me proibisse de exercer o comércio, até eu já teria ido atrás dessa concessão: uma mina de ouro está sendo desperdiçada. Mas nunca é tarde para alguém pensar nisso...)
Poderíamos citar outros exemplos da aparente inatividade da empresa criada para gerir o futebol profissional do clube, mas paro por aqui.
Espero que a diretoria tome agora as providências que lhe cabem para preparar o caminho para o futuro, pois este é o momento adequado.
Como diz a sabedoria chinesa, a oportunidade tem cabelos longos na frente e é calva atrás: pode-se agarrá-la pelos cabelos quando ela está chegando, mas depois que ela passa é impossível segurá-la.
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