O Gigante da Colina
Página sobre o Club de Regatas Vasco da Gama
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História

A soma de todas as cores

 

A Fundação do Club de Regatas Vasco da Gama

Fonte: Revista Grandes Clubes Brasileiros/C. R. Vasco da Gama, Rio Gráfica e Editora S/A, de 1971.

 

A Fundação

Sessenta e dois sócios assinaram a lista de presença na noite de 21 de agosto de 1898, concretizando a fundação do Club de Regatas Vasco da Gama, na sede do Clube Dramático Filhos de Talma, na Rua da Saúde, 293. Os primeiros entendimentos para a criação do clube haviam sido levados a efeito num sobrado da Rua Teófilo Otoni, número 80, prosseguindo depois na sede do Clube Recreativo Estudantino Arcas Comercial, para chegar finalmente à fundação oficial no Filhos de Talma. Os trabalhos tiveram a presidência de Gaspar de Castro, que convidou para secretários Virgílio Carvalho do Amaral e Henrique Teixeira Alegria. Na mesma noite foi eleita a primeira diretoria do clube que ficou assim formada: Presidente - Francisco Gonçalves do Couto Júnior, com 52 votos; Vice-Presidente - Henrique M. Ferreira Monteiro, com 41 votos; Primeiro Secretário - Luiz Antônio Rodrigues, com 52 votos; Segundo Secretário - João Beliani Salgado, com 52 votos; Primeiro Tesoureiro - Antônio Martins Ribeiro, com 44 votos; Segundo Tesoureiro - Henrique Lagden, com 44 votos; Diretor de Regatas - João C. de Freitas, com 29 votos. Para o Conselho Fiscal foram eleitos: José de Souza Rosas, com 62 votos; Alberto Pinto Carvalho de Almeida, com 61 votos; Manuel Ferreira de Souza Júnior, com 52 votos; José Alexandre de Avelar Rodrigues, com 61 votos; e Luiz F. de Carvalho, com 55 votos. O cargo mais disputado foi de Diretor de Regatas, pois o eleito obteve 29 votos e o seu concorrente, José Lopes de Freitas, obteve 25 votos.

O Crescimento

Dois meses depois de fundado, o Club de Regatas Vasco da Gama já tinha ampliado o seu número de sócios para 250 e já possuía instalações para as suas atividades específicas, do remo, na Ilha das Moças. Adquirindo quatro embarcações: a ZOCA, canoa a quatro remos; a VITÓRIA e a VAIDOSA, baleeiras a quatro remos; e a VOLÚVEL, baleeira a seis remos, o Vasco da Gama solicitou logo a sua filiação à União de Regatas Fluminense, que dirigia o esporte náutico, no dia 24 de outubro de 1898. Seu primeiro uniforme foi como ainda o é nos dias de hoje: camisa preta, com faixa branca em diagonal e a cruz em vermelho no peito. Essa cruz, que quase todo o mundo chama de Cruz de Malta, mas que é na realidade a Cruz de Cristo. A primeira vitória do Vasco no seu esporte inicial, o remo, registrou-se a 4 de julho de 1899 com a VOLÚVEL, baleeira a seis remos.

O Futebol

Em 1899 houve uma dissidência no Vasco e um grupo de sócios, liderados pelos irmãos Couto, Francisco, Antônio, Adolfo, Alfredo e José, fundou o Clube de Regatas Guanabara. Em 1900 nova dissidência dentro do Vasco e mais um clube surgiu em conseqüência disso: o Clube Internacional de Regatas. Mas em 1916 chegou a vez do Vasco crescer mais um pouco, unindo-se a um clube de futebol, o Lusitânia, e aderindo ao "association". O Lusitânia havia sido fundado em 1914, somente por elementos da colônia portuguesa e em 1915 tentou filiar-se à Liga Metropolitana mas não foi atendido, devido a essa discriminação do seu estatuto: somente podiam ser sócios os portugueses. Surgiu então a idéia da fusão com o Vasco da Gama, começando os entendimentos a 11 de novembro de 1915 e concretizando-se a 26 do mesmo mês e ano. Foi mantido o nome e o uniforme do Vasco da Gama e em 1916 o quadro de futebol vascaíno fez a sua estréia no campeonato da terceira divisão da Liga Metropolitana, perdendo para o Paladino F. C., no campo do Botafogo, por 10x1. Adão Antônio Brandão, que tinha vindo do Lusitânia, marcou o tento de estréia do Vasco e o quadro formou assim: Antônio Azevedo - Frederico Sinselveker - Álvaro Sampaio - Vitorino Rezende - Antônio Bebiano Barreto - Augusto Azevedo - Adão Brandão - Oscar Guimarães - Mário Morais - Joaquim de Oliveira e Manuel de Oliveira. No mesmo ano de 1916, no dia 29 de outubro, o Vasco obteve a sua primeira vitória no futebol, derrotando por 2x1 a equipe da Associação Atlética River São Bento, no campo do São Cristóvão. A equipe vitoriosa formou assim: Ari Correia - Jaime Guedes - Augusto Azevedo - Vitorino Rezende - João Lamego - Manuel Batista - Adão Brandão - Cândido Almeida - Bernardino Rodrigues - Joaquim de Oliveira e Alberto Costa Júnior. Os gols foram de Cândido Almeida e Alberto Costa Júnior.

Campeão da Cidade

No futebol, o Vasco da Gama teve um crescimento rápido. Disputando o seu primeiro campeonato em 1916, na terceira divisão da Liga Metropolitana, o Vasco em 1917 já estava promovido à segunda divisão. E em 1920 conseguiu o seu primeiro título de campeão, nos segundos quadros, derrotando o Helênico na partida decisiva por 4x2. O quadro campeão foi este: Miguel Cavalier - Ernfni Van Erven - Carlos Pinto - Antônio Borges - Budino Wulbert - Djalma Alves de Souza - Aquiles Pederneiras - Nicodemos Conceição (o Torteroli) - Carlos Gomes - Adão Brandão e Alfredo Godói. Em 1921 foi promovido à série B da primeira divisão da Liga Metropolitana e no ano seguinte, 1922, conseguiu vencer todas as categorias dessa divisão, sendo campeão nos primeiro, segundo e terceiro quadros. Finalmente, em 1923, o Vasco chegou à série A, da primeira divisão, incluindo-se entre os "grandes" e conseguiu nesse mesmo ano levantar o seu primeiro título de campeão da cidade. Foi uma grande conquista com o Vasco sofrendo apenas uma derrota, 3x2 ante o Flamengo, no returno, e tendo dois empates, 1x1 com o Andaraí, no jogo de estréia, e 2x2 com o Bangu, no segundo turno, contra 11 vitórias, assim consignadas: 3x1, Flamengo, no primeiro turno; 3x2, duas vezes, São Cristóvão; 1x0 e 2x1, América; 3x1 e 3x2, Botafogo; 1x0 e 2x1, Fluminense; 3x1, Andaraí, no segundo turno; e 3x1, Bangu, no primeiro turno. Marcou o Vasco 32 gols e sofreu 19, tendo um saldo de 13. O quadro-base, que deu ao Vasco esse primeiro título de campeão da cidade, foi esse: Nélson - Leitão - Cláudio(Mingote) - Nicolino - Claudionor - Artur - Pascoal - Torteroli - Arlindo - Ceci e Negrito. Adão Brandão, que fez parte da equipe que estreou no futebol em 1916, jogou as duas primeiras partidas em 1923, contra o Andaraí e o Botafogo, na posição de half direito. Depois de 1923, o Vasco repetiu o título de campeão em 1924, ainda na Liga Metropolitana, que foi abandonada pelos "grandes".

O Estádio

Em 1927, com Raul Campos na presidência, o Vasco inaugurou, no dia 21 de abril, o seu magnífico estádio de São Januário. Foi o maior do Brasil até 1941, quando São Paulo inaugurou o Pacaembu. E em São Januário, até 1949, ou melhor, até meados de 1950, quando surgiu o Maracanã, foram realizadas as maiores competições nacionais e internacionais de futebol, como as Copas Roca, Rio Branco e Osvaldo Cruz, campeonato sul-americano, e o primeiro torneio Roberto Gomes Pedrosa e as sensacionais finalíssimas RioxSão Paulo, do campeonato brasileiro de seleções. O jogo inaugural do estádio do Vasco reuniu as equipes do Santos, famosíssima então pela força arrasadora do seu ataque, e do clube local. O Santos venceu por 5x3, após um empate de 1x1 no primeiro tempo. Evangelista, dois, Feitiço, Omar e Araken Patusca, marcaram pelos santistas e Negrito, Galego e Pascoal pelos vascaínos. O juiz foi Carlos Martins da Rocha e os quadros formaram assim: Vasco - Nélson; Espanhol e Itália; Nési, Claudionor e Badu; Pascoal, Torteroli, Galego, Russinho e Negrito. Santos - Tufi; Bilu e David; Alfredo, Júlio e Hugo; Omar, Camarão, Feitiço, Araken e Evangelista.

Os Refletores

Um ano depois de inaugurado o seu estádio, o Vasco da Gama acrescentou ao mesmo mais um marco de progresso, inaugurando os seus refletores na noite de 31 de março de 1928, com a realização da sua primeira partida internacional, que foi com o quadro do Wanderers, de Montevidéu. O Vasco venceu por 1x0 com um gol olímpico do ponteiro-esquerdo paranaense Santana, cobrando um córner direto as redes uruguaias. Os quadros foram estes: Vasco - Valdemar; Espanhol e Itália; Brilhante, Nési e Lino; Pascoal, Russinho, Claudionor, Tales e Santana. Wanderers - Cabrera; Tomasini e Tegrese; Labrada, Lobos e Carrica; Godoi, Conti, Ochiusso, Cacanelo e Ferradan. Houve uma preliminar entre as equipes principais do São Cristóvão e do América, que empataram por 1x1.

A Europa

Coube ao Vasco da Gama ser o primeiro clube carioca a excursionar à Europa, o que aconteceu no ano de 1931. O primeiro clube brasileiro a visitar o Velho Mundo foi o C. A. Paulistano, que realizou uma vitoriosa temporada na França, só perdendo um jogo por 1x0 em Cette. O Vasco, reforçando a sua equipe com os jogadores Nilo, Carvalho Leite e Benedito, do Botafogo, e Fernando, do Fluminense, jogou doze partidas, estreando em Barcelona no dia 28 de junho e encerrando em Lisboa, no dia 2 de agosto, tendo conseguido 8 vitórias e um empate, contra 3 derrotas. O Vasco marcou 45 gols e deixou passar 18. O goleador-mor foi Moacir Siqueira de Queiroz, o Russinho, com 12 tentos, seguido de Nilo Murtinho Braga, com 9, Carlos Carvalho Leite com 7, Baianinho com 4, Benedito, Tinoco e Mário Matos com 3, cada, Santana 2, Fernando e Hugo Ghisoni, 1, cada. Jogaram na excursão: Jaguaré, Brilhante, Itália, Tinoco, Fausto, Mola, Baianinho, Carvalho Leite, Russinho, Nilo, Mário Matos, Valdemar (goleiro), Nési, Fernando, Rainha, Benedito, Hugo Ghisoni e Santana.

O Recorde

Todo mundo sabe que o recorde das goleadas no campeonato carioca, pertence ao Botafogo com os seus 24x0 sobre o Mangueira, no ano de 1909. Mas na fase profissionalista o recorde das goleadas é do Vasco da Gama, com o escore de 14x1 imposto ao Canto do Rio, no campeonato oficial de 1947. No primeiro tempo o Vasco marcou 5x0 e chegou aos 7x0 no início do segundo tempo, quando o Canto do Rio fez o seu tento único, por intermédio de Heitor. Depois o Vasco prosseguiu goleando até o final de 14x1. O meia-esquerda Ismael foi o artilheiro principal com 5 gols, cabendo os outros a Maneca, quatro, Dimas, três, Nestor, um e Chico, um. Alberto da Gama Malcher foi o juiz e os quadros formaram assim, em São Januário: Vasco - Barbosa; Augusto e Rafanelli; Eli, Danilo e Jorge; Nestor, Maneca, Dimas, Ismael e Chico. Canto do Rio - Odair(no final Raymundo); Borracha e Lamparina; Carango, Bonifácio e Canelinha; Heitor, Valdemar, Raimundo, Didi e Noronha.

 

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O Gigante da Colina © Carlos André