Abstracionismo

 
 

Mais antigo do
que se pensa

     A rigor, pode ser chamada de arte abstrata ou abstracionismo toda aquela que não se prende a uma representação fiel da natureza. Esse tipo de arte, portanto, existiu desde os primórdios da civilização, encontrando alguns momentos de maior ou menor aceitação.

     Entretanto, o termo hoje é mais utilizado para designar a produção artística do Século 20, com seus movimentos de ruptura com a arte européia tradicional, que se baseava ainda, em grande medida, nas idéias renascentistas.

     A maioria dos movimentos desse século valorizava a subjetividade na arte, permitindo distorções de formas que se chocavam, por exemplo, aos ideais do grande crítico renascentista Giorgio Vasari e sua crença no valor do artista intimamente ligado à própria capacidade de representar a natureza com o máximo de precisão possível.

VASARI (Giorgio), pintor, arquiteto e historiador de arte italiano (Arezzo, 1511 - Florença, 1574), autor da preciosa coletânea Vidas dos mais excelentes pintores, escultores e arquitetos italianos (1550, 2.ª ed. 1568), fundamental para a história da arte italiana da Renascença

Vertentes do
Abstracionismo

     Apesar de ter havido uma série de movimentos de ruptura com o conceito tradicional de pintura   no Século 20, desenvolvendo a arte abstrata, houve três tendências básicas:

  • A exemplificada pelo trabalho de Brancusi, que consiste na supremacia das formas simplificadas, reduzindo as naturais até chegar nesse tipo de forma;

BRANCUSI (Constantin), escultor romeno da escola de Paris (Pestissani Gorj., Valáquia, 1876 - Paris, 1957). Reduziu suas obras a puros efeitos de matéria, de volumes, de ritmos.

  • A presente nas esculturas em relevo de Ben Nicholson. A partir de formas básicas que não se referem ou representam nenhum aspecto reconhecível, são construídos os objetos artísticos.

  • O princípio existente, por exemplo, no surrealismo, em que se valoriza um estilo livre e espontâneo de criação.

Luz e cor

     Na arte abstrata o uso da luz, das diferentes texturas e contornos das linhas, do espaço e das cores ganham nova expressividade.

     A partir de 1930, o abstracionismo pode ser considerado como um dos principais pontos de caracterização da arte do século atual.

     Entretanto, ele vem ganhando espaço bem antes disso. Kandisky, já em 1910, fez a primeira pintura utilizando-se de formas não reconhecíveis.

KANDINSKY (Vassili), pintor francês de origem russa (Moscou, 1866 – Neuilly-sur-Seine, 1944). Um dos iniciadores da pintura abstrata.

Do cubismo para a
arte abstrata

     Muitos adeptos do cubismo terminaram por desenvolver o uso de formas abstratas depois do fim do movimento.

     O Suprematismo de Malevich e o grupo Stijl de Mondrian são outros importantes pontos de desenvolvimento da arte abstrata na década de 10 do nosso século.

MALEVITCH ou MALIEVITCH (Kazimir), pintor russo (Kiev, 1878 - Leningrado, 1935). Precursor da arte abstrata, expôs, já em 1918, seu quadro intitulado Quadrado branco sobre fundo branco.

MONDRIAN ou MONDRIAAN (Pieter CORNELIS, dito Piet), pintor holandês (Amersfoort, 1872 - Nova York, 1944). Começou como figurativo influenciado por Van Gogh, passando depois a um cubismo analítico e a uma abstração geométrica. Participou do grupo "De Stjl" e do neo-plasticismo. De 1919 a 1938 viveu em Paris, transferindo-se depois para Nova York, onde seu estilo continuou a evoluir até um extremo rigor. Seu prestígio só cresceu após sua morte, com exposições nos principais museus.

Fontes: Enciclopédia Digital Master;
              Enciclopédia Koogan-Hoaiss.



 
 

Academicismo-Arte Acadêmica

 
 

 

Entende-se como arte acadêmica a pintura e escultura produzidas sob a influência das academias européias do Século 19, nas quais muitos dos artistas recebiam seu treinamento formal.

     A arte acadêmica tem como características básicas o rigor do estilo, o uso de temas históricos ou mitológicos e um tom moralista.

     Não é uma escola ou um movimento específico. O neoclacissismo, por exemplo, está associado a essas academias, podendo ser considerado uma arte acadêmica.

     Todavia, o termo «Arte Acadêmica» está associado muito particularmente à Academia Francesa e à influência desta nos Salões do Século 19.

     Seu estilo está referenciado em artistas como Burguereau e Jean-León Gerôme.

Fonte: Artcyclopedia


 
 

Afrescos

 
 

 

fresco é uma técnica de pintura que deve o nome ao fato de que precisa ser realizada nas paredes ou tetos  enquanto o esboço ainda estava úmido (ou fresco). Preferencialmente, é feito de nata de cal, gesso ou outro material apropriado.

     Na sua utilização, as tintas ou pigmentos em geral, devem ser granulados, reduzidos ao pó e depois misturados à água. Dessa forma, as cores podem penetrar nas superfícies úmidas como parte integrantes delas.

     Por ter ótima durabilidade em países onde o clima é seco, foi particularmente aplicada nesses lugares, como o norte da Europa e a Itália (com exceção de Veneza).

     O fato de os afrescos secarem rapidamente, obrigava o pintor a vencer o tempo de secagem, ser ainda mais rápido, ter traços firmes e propósito claro. Outro fator limitante era a enorme dificuldade de se realizar correções posteriores.

     Provavelmente utilizada desde a antiguidade, especula-se que eram afrescos as paredes pintadas na ilha de Creta antiga (principalmente no período de 2.500 a.c a 1100 a.c) ou na antiga Grécia.

     Seu uso era universal, podendo ser   encontrado ainda fora da Europa, nas pinturas chineses e hindus.

     Porém Giotto é seu primeiro grande mestre, sendo após dele largamente usada na Renascença Italiana (os artistas da época pensavam que somente pigmentos naturais eram ideais em afrescos).

GIOTTO DI BONDONE, pintor e arquiteto italiano (Colle di Vespignano, 1266 – Florença, 1337). É o autor dos três grandes ciclos de afrescos sobre a Vida de São Francisco, em Assis e em Santa Croce de Florença, e de Cenas da vida de Cristo, na capela da Arena, em Pádua. Pela amplitude de sua visão do mundo, pelas suas pesquisas de volume e espaço, Giotto pode ser considerado um dos criadores da pintura moderna. Começou a construção do campanário de Florença.

     Pintores como Masaccio, Rafael e Michelangelo são alguns exemplos dos que utilizaram a técnica em suas obras.

     A partir do Século 18, seu uso começa a ser cada vez mais escasso. Tiepolo é o último dos grandes nomes da pintura italiana a pintar afrescos.

TIEPOLO (Giambattista), pintor e gravador italiano (Veneza, 1696 - Madri, 1770). Sua inventiva é brilhante, e o colorido, claro e alegre.

     Porém, nos séculos seguintes ela encontra novos momentos de valorização, como entre os pintores alemães do Século 19, Nazarenes e Cornelius e, no século atual, entre os muralistas mexicanos, Riviera, Orozco e Siqueiros.

CORNELIUS (Peter von), pintor alemão (Düsseldorf, 1783 - Berlim, 1867). Pertenceu ao grupo dos "nazarenos".

OROZCO (José Clemente), pintor mexicano (Ciudad Guzmán, 1883 - México, 1949). Inspirando-se nos artistas pré-colombianos, executou grandes pinturas murais, freqüentemente satíricas (A verdadeira e a falsa justiça, na Corte Suprema do México), ou de inspiração e temática revolucionárias.

SIQUEIROS (David Alfaro), pintor mexicano (Chihuahua, 1896 - Cuernavaca, 1974), autor de vastas composições murais que se caracterizam por um lirismo trágico.

Fontes: Enciclopédia Digital Master.e Enciclopédia Koogan-Houaiss.

 


 
 

Art Déco

 
 

 

A expressão, francesa, deriva do nome da Exposition Internationale des Arts Décoratifs et Industriels Modernes, realizada em Paris em 1925, e aplica-se a um estilo que, iniciado por volta de 1918-20, no imediato após-guerra, só atingiria seu pleno desenvolvimento cerca de dez anos mais tarde.

     Muito embora eminentemente decorativo, e como tal de presença marcante na decoração de interiores, o Art Déco repercutiu também nas chamadas artes maiores, e grandes escultores, como Archipenko, Laurens e Lipchitz, entre outros, sofreram-lhe o impacto, do mesmo modo que pintores do porte de Marcoussis, Jean-Louis Boussingault, Sonia Delaunay, Natalia Gontcharova, Tamara de Lempicka e mesmo Amedeo Modigliani e Kees Van Dongen.

     No Brasil o Art Déco surge em começos da década de 1920, com a contribuição de pintores como John Graz, decoradores como Regina Gomide Graz e escultores como Victor Brecheret.

     Entre outros pintores que com maior ou menor intensidade refletem, em sua produção da década, o embate do Art Déco, devem ser mencionados Di Cavalcanti, Zina Aita, Ismael Nery, Antônio Gomide, Lula Cardoso Aires e Henrique Cavalleiro.

Fonte: CD-Rom "500 Anos da Pintura Brasileira"


TEXTO 2

     Os desenhos simples, definidos por linhas sempre muito precisas, e os ornatos geométricos, ou em representação estilizada de padrões naturais, são os aspectos característicos do art déco.

     Em seus produtos variados, tornou-se norma o emprego de materiais inventados pelo homem -- das resinas sintéticas, em especial a baquelita, ao cimento armado -- em acréscimo a materiais naturais como o jade, o marfim, a prata e os cristais de rocha.

     Tendência que surgiu na década de 1920, logo após a voga do art nouveau, e se espelhou sobretudo nas artes decorativas, o art déco se generalizou como estilo, durante a década seguinte, pela Europa ocidental e os Estados Unidos.

     Seu nome derivou da Exposition Internationale des Arts Décoratifs et Industriels Modernes, realizada em Paris em 1925 e na qual o estilo foi pela primeira vez exibido.

     Influências capitais na formação do art déco procederam da própria evolução do art nouveau, da Bauhaus, do cubismo, dos Ballets Russes de Diaghilev. Um espírito de síntese eclética, conjugado a desejos de sofisticação e originalidade, levou ao aproveitamento de idéias decorativas oriundas de culturas indígenas e de velhas fontes do primitivismo clássico.

    Parte substancial da produção do art déco relacionou-se à moda (vestuário e adereços) e à criação de cenários, figurinos e cartazes para teatro, projetando nomes como os de Erté e Paul Poiret, ambos ativos em Paris.

     Na pintura, um reflexo particular do estilo manifestou-se na obra do pernambucano Vicente do Rego Monteiro, que desde 1911 viveu entre o Brasil e a França. Em sua fase mais original, Rego Monteiro fez uso de motivos marajoaras e de figuras compostas pelos padrões tradicionais do hieratismo egípcio.

    Na arquitetura, as mais significativas expressões do art déco foram dadas pelos arranha-céus americanos da época, como o Empire State Building, de Shreve, Lamb e Harmon, concluído em Nova York em 1931.

Fontes: Enciclopédia Britânica - Artcyclopedia


 
 

Arte

 
 

 

O conceito de arte é extremamente subjetivo e varia de acordo com a cultura a ser analisada, período histórico ou até mesmo indivíduo em questão.

     Não se trata de um conceito simples e vários artistas e pensadores já se debruçaram sobre ele.

     O Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa (Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, segunda edição), em duas de suas definições da palavra arte assim se expressa:

 

«atividade que supõe a criação de sensações ou de estados de espírito, de caráter estético, carregados de vivência pessoal e profunda, podendo suscitar em outrem o desejo de prolongamento ou renovação»...; «a capacidade criadora do artista de expressar ou transmitir tais sensações ou sentimentos ....»

     Independente da dificuldade de definição do que seja a arte, o fato é que ela está sempre presente na história humana, sendo inclusive um dos fatores que a diferenciam dos demais seres vivos.

     Além disso, a produção artística pode ser de grande ajuda para o estudo de um período ou de uma cultura particular, por revelar valores do meio em que é produzida.

     Duas grandes tendências se alternam na história da arte:

  • NATURALISMO, que parte da representação do mundo visível.

  • ABSTRACIONISMO, que não nos remete a objetos ou figuras conhecidas, preferindo as linhas, cores e planos.

     Uma prova das oscilações dessas tendências pode ser dada pelo fato, por exemplo, de a arte abstrata estar presente tanto nas manifestações vanguardistas do Século 20, quanto entre as produções de homens primitivos.

     A arte pode se utilizar de vários meios para sua manifestação. Nas artes visuais os mais conhecidos são a pintura, a escultura, o desenho, as artes gráficas (gravura, tipografia e demais técnicas de impressão, inclusive a fotografia) e a arquitetura.

Fonte: Enciclopédia Digital Master.


Como o «Aurélio» define a arte

 

arte1  [Do lat. arte.]S. f.
1.    Capacidade que tem o ser humano de pôr em prática uma idéia, valendo-se da faculdade de dominar a matéria: A arte de usar o fogo surgiu nos primórdios da civilização.
2.    A utilização de tal capacidade, com vistas a um resultado que pode ser obtido por meios diferentes: a arte da medicina; a arte da caça; a arte militar; a arte de cozinhar; Liceu de Artes e Ofícios.
3.    Atividade que supõe a criação de sensações ou de estados de espírito de caráter estético, carregados de vivência pessoal e profunda, podendo suscitar em outrem o desejo de prolongamento ou renovação: uma obra de arte; as artes visuais; arte religiosa; arte popular; a arte da poesia; a arte musical.
4.    A capacidade criadora do artista de expressar ou transmitir tais sensações ou sentimentos: A arte do Aleijadinho é considerada a maior manifestação do barroco brasileiro.

5.    Restr. As artes plásticas: crítica de arte; mercado de arte; uma história da arte.
6.    O conjunto das obras de arte de uma época, de um país, de uma escola: a arte pré-histórica; a arte moderna; a arte italiana; a arte impressionista.
7.    Os preceitos necessários à execução de qualquer arte: a arte da marinharia; a arte de falar corretamente uma língua.
8.    Livro, tratado ou obra que contém tais preceitos: a Arte Poética de Boileau; a Arte da Fuga de Bach.
9.    Capacidade natural ou adquirida de pôr em prática os meios necessários para obter um resultado: a arte de viver; a arte de calar; a arte de ganhar dinheiro; escrever sem arte.
10.    Dom, habilidade, jeito: Tem a arte de comunicar-se; Esse cachorrinho tem a arte de me irritar.
11.    Ofício, profissão (nas artes manuais, especialmente): Naquela família a arte de entalhador é uma tradição.
12.    Artifício, artimanha, engenho: Não sei que artes usou para convencê-la.
13.    Maneira, modo, meio, forma: De tal arte envolveu o chefe que logo se tornou seu secretário; "A podenga negra, essa sumiu-se por tal arte, que ninguém no castelo lhe tornou a pôr a vista em cima." (Alexandre Herculano, Lendas e Narrativas, II, pp. 14-15).

Fonte: Dicionário Aurélio - Século XXI.

 

 
 

A Arte Africana

 
 

Nomadismo restringe
a arte africana

     O continente africano, por sua vasta extensão, apresenta inúmeros povos diferentes, com costumes e arte característicos. De uma maneira geral, a atividade migratória é grande dentro dessas tribos.

     Os pigmeus, por exemplo, povos caçadores, devido à freqüência de migrações que costumam realizar, constroem suas casas de maneira simples, com galhos e folhas, dando pouco espaço para o desenvolvimento da arquitetura ou das artes plásticas de uma maneira geral.

     Entretanto, a maioria desses povos têm no pastoreio - que também exige constantes mudanças em busca de terras melhores - sua principal atividade.

     As artes plásticas, nessas condições, ficam seriamente restritas aos trabalhos como decorações no corpo e aos vasos onde, por exemplo, armazenam leite.

Pedras decoradas
do Sahara

     A pintura parece ser atividade bastante apreciada por essas tribos, realizadas em superfícies como pedras.

     O melhor exemplo desse tipo de prática pode ser dado pelas pedras decoradas do Sahara, pintadas durante interrompidos períodos de tempo.

     Essas pinturas eram realizadas por nômades pastores que por ali passavam e, muito provavelmente, faziam parte de seus ritos de iniciação para a vida adulta, tema freqüente da arte primitiva.

Escultura e arquitetura

     Entretanto, têm sido de povos agricultores os mais conhecidos exemplos da arte africana, como esculturas, a princípio colecionadas por arqueólogos e etnografistas do Século 19.

     A arquitetura também pôde desenvolver-se nessas áreas. Entre os povos migratórios, a escultura só pode ser realizada em pequena escala.

     Os Ife, cuja cultura floresceu entre o ano 1000 e 1500 da Era Cristã, na região da Nigéria, eram conhecidos pelo seu estilo de esculturas em bronze mais naturalistas (principalmente nas representações da cabeça, uma vez que o restante do corpo não possuía aproximação com as proporções reais).

     É bastante variado os tipos de trabalhos encontrados desse povo, sobretudo pela enorme quantidade de artistas que os realizavam.

Criando uma noção
de conjunto

     Entre os Séculos 12 e 14, pode ser notada, entretanto, uma diretriz comum fornecida pela religião e uma maior homogeneização das obras.

     Materiais de diversas naturezas passam a ser utilizados em conjunto, como por exemplo as obras entalhadas em madeira e recobertas com latão (tribo Bakota, no Gabão).

     As máscaras surgem como novos objetos artísticos, tratando-se de representações antropomórficas das forças sobre-humanas ou divindades que estes povos cultivavam em seu imaginário religioso.

     O povo Benin - também na Nigéria e também influenciado pela cultura Ife - do Século 14 ao 19, manteve boa produção de esculturas em bronze, que foram caminhando ao longo do tempo, de um certo naturalismo para uma estilização cada vez maior.

BENIM, cid. da Nigéria, sede da região Centro-Oeste; 121.700 hab.

     São especialmente famosas suas representações complexas e cheias de vida de seus reis e líderes, como a cabeça de uma princesa que pode ser observada no Museu de Londres.

Evolução na representação
de animais

     Pinturas de animais também foram freqüentes na arte africana, representando inclusive animais já extintos, como é freqüente nos desenhos em pedra do Sahara.

     Representações de leões, elefantes, antílopes e humanos armados para caçá-los foram encontradas por europeus do Século 13 ao 19.

     As figuras de animais encontradas no Sahara costumam estar divididas em quatro fases.

  • Bubalus Antiquus é a primeira delas, em que são representados animais selvagens (como o extinto búfalo) normalmente em larga escala e com preocupações naturalísticas, como a riqueza de detalhes. Reflete um estilo de vida caçador.

  • Período Pastoralista, que apresenta menor preocupação com o naturalismo e com os detalhes, representações em menor escala e figuras humanas armadas com ossos (no período anterior, quando os homens apareciam, costumavam estar armados com objetos como pedaços de pau).

  • Período do Cavalo é o próximo, em que os animais domésticos vão ganhando espaço, a estilização aumenta, o tamanho das representações diminui e as armas se incrementam. Cavalos, primeiramente puxados por carroças e posteriormente guiados diretamente pelos homens também são freqüentes.

  • Período do Camelo é o último, em que esse animal é bastante mostrado, sendo ainda hoje o animal doméstico mais utilizado no Sahara.

Fontes: Enciclopédia Digital Master.;
               Enciclopédia Koogan-Houaiss.


 

 
 

Arte Bizantina

 
 


Preservando a cultura clássica

     A arte bizantina consistiu numa mistura de influências helênicas, romanas, persas, armênias e de várias outras fontes orientais, cabendo-lhe, durante mais de um milênio, preservar e transmitir a cultura clássica grega.

     Com fases alternadas de crise e esplendor, a arte bizantina se desenvolveu do Século 5º, com o desaparecimento do Império Romano do Ocidente enquanto unidade política, até 1453, quando Constantinopla, capital do Império Romano do Oriente, instituída sobre a antiga cidade grega de Bizâncio, foi ocupada pelos exércitos otomanos.

     Justamente nessa ocasião, a arte bizantina encontrava-se em vias de uma terceira idade áurea.

Arte e religião juntas

     Seu caráter inconfundível decorre sobretudo da combinação de elementos tão diferentes como o grego, o persa e o romano, diversidade que prevaleceu sobre fatores de ordem técnica.

     Quase sempre estreitamente vinculada à religião cristã, teve como objetivo principal exprimir o primado do espiritual sobre o material, da essência sobre a forma, e a elevação mística decorrente dessa proposição.

     O aspecto grandioso das figuras frontais, vigente nas primeiras obras da arte bizantina, deu lugar a formas que, embora ainda solenes e majestosas, mostravam-se mais vivazes e variadas.

A história da arte bizantina pode ser dividida em cinco períodos, que coincidem aproximadamente com as dinastias que se sucederam no poder do império.

Período constantiniano

      A formação da arte bizantina deu-se no período constantiniano, quando vários elementos se combinaram para dar forma a um estilo bizantino, mais presente nas criações arquitetônicas, já que pouco resta da pintura, da escultura e dos mosaicos da época.

Período justiniano

     A primeira idade áurea bizantina foi o período justiniano.

     Das poucas obras de arte que restam do período, a mais notável é a cathedra de Maximiano, em Ravenna (546-556), recoberta de placas de marfim com cenas da vida de Cristo e dos santos. Ainda basicamente helenísticos são o "marfim Barberini" (Museu do Louvre) e o díptico do arcanjo Miguel (Museu Britânico).

     Uma das características deste período se apresenta na decoração, com formas naturalísticas em ornatos sempre mais elaborados.

     Igual tendência manifesta-se nos tecidos de seda, como os conservados no Museu de Cluny, em Paris, de inspiração nitidamente persa.

     Da produção artística que medeia entre a morte de Justiniano I e o início da fase iconoclasta, destaca-se o artesanato em metais.

     O culto às imagens e às relíquias, por ser considerado idolatria de feição pagã, foi combatido pelos imperadores ditos iconoclastas, nos Séculos 7º e 8º, quando foram destruídos quase todos os conjuntos decorativos e as raras esculturas da primeira idade áurea, principalmente em Constantinopla.

     Após Justiniano, as artes somente voltaram a florescer durante a dinastia macedoniana, depois de superada a crise iconoclasta.

Período macedoniano

     Também chamado segunda fase áurea bizantina, o período macedoniano inicia-se com Basílio I (867-886) e atinge o apogeu no reinado de Constantino VII Porfirogênito (945-959).

     Por volta do século X, a decoração das igrejas obedeceu a um esquema hierárquico: cúpulas, absides e partes superiores foram destinadas às figuras celestes (Cristo, a Virgem Maria, os santos etc.),

     Já as partes intermediárias, como áreas de sustentação, às cenas da vida de Cristo; e as partes inferiores, à evocação de patriarcas, profetas, apóstolos e mártires.

     A disposição, colorido e apresentação das diferentes cenas variavam de modo sutil, para criar a ilusão de espaço e transformar em tensão dinâmica a superfície achatada e estática das figuras.

     Destacam-se, desse período, a escultura em marfim, de que existiram dois centros principais de produção, conhecidos como grupos romano e nicéforo.

     Há, ainda, o esmalte e o artesanato em metais, que atestam o gosto bizantino pelos materiais belos e ricos.

Período comneniano

      A arte comneniana, marcada por uma independência cada vez maior da tradição, evolui para um formalismo de emoção puramente religiosa.

     Esta arte, nos séculos seguintes, servirá de modelo à arte bizantina dos Balcãs e da Rússia, que tem nos ícones e na pintura mural suas expressões mais elevadas.

Período paleologuiano

     Durante a dinastia dos Paleólogos torna-se evidente o empobrecimento dos materiais, o que determina o predomínio da pintura mural, de técnica mais barata, sobre o mosaico.

     Podem-se distinguir duas grandes escolas sendo a primeira delas, a de Salonica, que continua a tradição macedoniana e pouco ou nada inova.

     A outra, mais cheia de vitalidade e originalidade, é a de Constantinopla, iniciada por volta de 1300, como se pode verificar pelos mosaicos e afrescos da igreja do Salvador.

Estilo ítalo-bizantino

     Partes da Itália foram ocupadas pelos bizantinos entre os Séculos 6º e 11º, o que produziu o chamado estilo ítalo-bizantino, desenvolvido em Veneza, Siena, Pisa, Roma e na Itália meridional.

     A partir do ícone, pintores de gênio, como Duccio e Giotto, lançaram os fundamentos da pintura italiana.

     A influência bizantina repercutiu ainda em meados do Século 14, sobretudo na obra dos primeiros expoentes da pintura veneziana.

Fontes: 1) Enciclopédia Britânica - 2) Artcyclopedia.


 

 
 

Arte Grega

 
 


A Grécia antiga e a
cultura moderna

     O que conhecemos como a arte do mundo ocidental, principalmente a européia, muito deve ao mundo grego e a sua cultura.

     Os gregos influenciaram a arte romana e outros períodos da História da Arte, como o Renascimento. De uma certa forma, muitos valores que tiveram sua origem na arte grega exerceram influência fundamental sobre o gosto estético predominante até o Século 20.

     A mitologia grega, suas conquistas filosóficas e científicas, sua capacidade de concisão e simplicidade expressiva, foram legados importantíssimos para as épocas posteriores.

Uma arte intelectualizada

     Uma característica da arte grega é a presença forte do intelecto.

     Foi a primeira expressão artística que valorizou o homem e suas possibilidades. O uso de desenhos e linhas, a proporcionalidade, o equilíbrio e a expressividade atingida foram conquistas surpreendentes.

     A civilização minóica, em particular a Ilha de Creta, parece ter sido a origem de uma arte que acabou sendo incorporada ao continente grego, principalmente através de Micenas.

MINOICO
Adj. -  Referente ao período cretense que se estende do terceiro milênio a.C. a cerca de 1580 a.C.
S. m. - O natural ou habitante da antiga Creta. Língua da antiga civilização cretense.

     Posteriormente, uma onda de invasões de povos como os dóricos e os jônios acabaram por formar o povo grego.

Os gregos ofuscaram
outras civilizações

     Essa onda de invasões teve impacto profundo sobre os povos da região.

     Não se sabe ao certo o que aconteceu com as civilizações que a ocupavam anteriormente (como a micênica), mas a arte produzida até então foi abafada nesse momento, apesar de se poder avistar influências dela na futura arte grega.

MICÊNICO
Adj. - De, relativo ou pertencente a Micenas, antiga cidade do Peloponeso (Grécia). Relativo à civilização que se irradiou, a partir de Micenas, pelo Peloponeso, Ática e Beócia (c. 1950 a 1100 a.C.). Diz-se do micênico (5).
S. m. - O natural ou habitante de Micenas. - Gloss. Dialeto grego antigo descoberto em tábulas de argila (v. linear b).

     O resultado dessa época turbulenta foi o não aparecimento de formas artísticas de destaque desde as invasões dóricas, cerca de aproximadamente 1200 a.C. até o ano 800 a.C.

DÓRICO
Adj. - Dório (2). Relativo a dórico (3).
S. m. Gloss. Grupo de dialetos falados no N.O. da Grécia antiga, no Peloponeso, na costa meridional da Ásia Menor, nas ilhas de Creta e Rodes e na Magna Grécia. É a língua de Píndaro (v. pindárico), Teócrito (c. 310-250 a.C.) e de toda a poesia bucólica e coral.

Uma integração conflituosa

     Presume-se que os dóricos não trouxeram em sua bagagem uma arte já desenvolvida, forte, sendo a arte grega que acaba por despontar o resultado da intersecção conflituosa das culturas dos invasores com a dos habitantes da região.

     A arte grega costuma ser dividida em quatro períodos: a arte grega geométrica (aproximadamente 900 a 700 a.C.), a arte grega arcaica (700 a 480 a.C.), o período clássico (480 a 323 a.C.) e o período helenístico (323 a.C. a 146 a.C.).

     Além disso, costuma-se incluir um período de transição entre a arte arcaica e a arte clássica, como uma época diferenciada.

Fontes: Enciclopédia Digital Master.
              Dicionário Aurélio Século 21.

 
 

Arte japonesa

 
 

As bases da arte japonesa

     Uma série de princípios estéticos como o do miyabi (elegância refinada), mono no aware (pathos da natureza), wabi (prazer da tranqüilidade) e sabi (simplicidade elegante), às vezes de difícil compreensão no Ocidente, constituem as bases da arte japonesa, cuja característica essencial, desde os tempos mais remotos, é configurar um mundo de perfeita harmonia e serenidade.

Período pré-budista

     Não se dispõem de muitas informações sobre a primitiva história cultural do Japão, mas os raros exemplos de arte pré-budista (ou seja, anteriores ao Século 6º) já exibem certas características especificamente nipônicas, expressadas na haniwa, figuras fúnebres de argila, e nos dotaku, sinos de bronze cobertos de inscrições.

     O período pré-budista costuma ser dividido em três culturas distintas: a Jomon, de 2.500 a.C. até o Século 3º a.C.; a Yayoi, do Século 3º a.C. ao Século 3º da era cristã; e a Tumular ou Kofun, que medeia aproximadamente do ano 250 ao 500.

     A cultura Jomon atingiu praticamente todo o arquipélago japonês. Os objetos artísticos eram principalmente peças cerâmicas (vasos e pequenas figuras), com decorações estriadas (jomon).

     A cerâmica Yayoi é avermelhada e mais fina que a Jomon. Junto com a cerâmica, foram encontrados também dotaku e espelhos, armas, objetos de vidro e jade.

     Como a nação japonesa se formou mediante sucessivas vagas de imigração oriundas da Indochina, Indonésia, ilhas do Pacífico e, a partir da era cristã, da Coréia, entre os Séculos 3º e 6º da era cristã estabeleceu-se a cultura eneolítica coreano-japonesa e nos dois países acham-se idênticos objetos de bronze (espadas, punhais, espelhos circulares etc.).

     Na época Tumular ou Kofun, construíram-se grandes túmulos para nobres e príncipes, como a tumba de Nintoku Teano, com 2.718m de diâmetro e 21m de altura, que data provavelmente do ano 399 e tem as paredes cobertas de pinturas policrômicas rudimentares que representam sóis, triângulos e espirais. Várias haniwa foram encontradas perto de túmulos das cercanias de Yamoto.

Período Asuka (552-710)

     A introdução do budismo no Japão, a partir do Século 6º, durante o chamado período Asuka (em que esta cidade foi a capital do país), deu grande impulso à arte em geral.

     A escultura foi influenciada pelas artes chinesas Wei, Sui e Tang; no final do período, porém, tornou-se mais sensível e graciosa, adquirindo peculiaridades próprias.

Período Nara (710-794)

     No Século 8º, a capital foi transferida para Nara, que se tornou o maior centro cultural, tão magnífico quanto Changan, a capital chinesa cujo modelo seguira.

     A escultura floresceu, e a decoração dos principais edifícios foi feita em tons nuançados (ungen). As estátuas de meados do Século 8º, imponentes e agradáveis à vista, dão a sensação de movimento real.

     Os materiais mais empregados são madeira pintada, laca, papier mâché, bronze e argila. Estátuas realistas e máscaras grotescas, usadas nas danças cômicas do gigaku, completam a produção escultórica.

Período Heian (794-1185)

     Heianjo ou Hioto, cidade já construída sob a influência da família Fujiwara, tornou-se a capital a partir de 794.

     O estilo japonês começou a libertar-se da influência chinesa, à medida que, na China, a dinastia Tang se enfraquecia.

     Também a seita shigon inspirou importantes obras de arte, quase todas destruídas séculos depois.

     A partir de 897 a família Fujiwara impôs ao país seu domínio e, paralelamente, um modelo estético que marcou todas as obras de arte: estas ganharam mais leveza e elegância, a policromia prevalece e as figuras humanas mostram-se de uma finura aristocrática, de linhas predominantemente femininas.

     O maior pintor do Século 9º foi Kose Kanaoka, criador do estilo Kose. A ilustração de poemas e contos tornou-se então um gênero artístico muito apreciado. Esse tipo de pintura, em rolos de papel que se desdobravam, criava a sensação de movimento no espaço e sucessão no tempo.

     Sob a hegemonia dos Fujiwaras, as artes floresceram. A planta em T do pavilhão do Fênix no templo Byodoin, entre Quioto e Nara, reproduz os palácios místicos do céu e ostenta um Amida de Jocho, escultor do Século 9º cuja concepção do Buda marcou a escultura religiosa do século XIX.

     A prática de incrustar os olhos das estátuas começou no Século 12. As cores intensas da pintura Fujiwara são realçadas por folhas de ouro recortadas (kirikane).

     Com a escola de Kasuga, começou a yamoto-e, pintura narrativa puramente japonesa que, segundo a tradição, foi inventada pelo pintor Tosa.

Período Kamakura (1192-1333)

     Com a derrubada da família Fujiwara, Minamoto Yoritomo estabeleceu o xogunato e fixou-se em Kamakura.

     O espírito vigoroso dessas gerações de guerreiros, que governaram o Japão nos 700 anos seguintes, traduziu-se no modo simples e desafetado de observar e expressar a natureza, o que transparece nas esculturas de Unkei (Os patriarcas da seita Hosso,

     Os 12 acólitos de Fudo, A trovoada e o vento) e seus seguidores, nas pinturas em rolo (embaki), ainda próximas da arte chinesa do período Sung, e nas máscaras do bugaku, dança que veio substituir o gigaku.

     O reatamento das relações com a China e a introdução do zen-budismo reforçaram então a influência chinesa (sobretudo Sung e Yüan), especialmente na pintura monocrômica de paisagens.

     As maiores obras-primas da pintura narrativa -- Ban-Dainagon, Shigizan-engi, Taemamandara no engi --, foram produzidas em rolos de cerca de cinqüenta centímetros por 9 a 12m, de efeito quase fotográfico.

     O Yamoto-e, do Século 13, superou mesmo os rolos chineses e narra acontecimentos históricos, biográficos e religiosos. Também a arte do retrato espelhou o novo realismo.

Período Muromachi (1338-1573)

     Sob a hegemonia da família guerreira Ashikaga, Quioto, que fica no distrito de Muromachi, voltou a ser a capital do país.

     A simplicidade do modo de vida dos samurais caiu em desuso, embora aumentasse o prestígio do zen-budismo, a cuja sombra as artes muito se desenvolveram.

     A porcelana experimentou rápida evolução, em correlação com a cerimônia do chá (cha-no-yu). As porcelanas Imari e Satsuma, cujas formas se destinavam a ser apreciadas com os olhos e as mãos, denotam a influência chinesa.

     Por essa época surgiu o Suiboku, estilo de pintura intimamente ligado ao zen-budismo e que apreciava as aguadas de nanquim em preto e branco.

     O primeiro grande pintor dessa técnica foi Shubun. Destacou-se também Sesshu, "o pintor da chapada de tinta", que desenvolveu estilo mais pessoal.

     A escola Kano de pintura surgiu pelas mãos de Kano Motonobu, no final de um período marcado pelo esvaziamento da pintura budista, e deu sabor japonês a um estilo essencialmente chinês.

Período Momoyama (1574- 1603)

     A arte deste período, extraordinariamente vívida e brilhante, foi uma reação à severidade do estilo Ashikaga.

     Os artistas da segunda e terceira geração da escola Kano inventaram os painéis desdobráveis de sete faces (conhecidos no Ocidente como biombos), que representavam cenas populares, mulheres, samurais e paisagens. Destinavam-se a ornamentar palácios e castelos, como o de Momoyama, que deu nome à fase.

     O cristianismo, levado no Século 16 pelos portugueses, teve repercussões profundas na arte nacional. Os temas cristãos, copiados por artistas japoneses ocidentalizados, começaram a aparecer na pintura.

     Embora a maior parte das obras desse período tenha sido destruída com a perseguição iniciada em 1638, dois exemplos do Século 17 sobreviveram: o Retrato de São Francisco Xavier (Museu de Kobe) e Os 15 mistérios do rosário (coleção Azuma). Tais obras, ao lado de cenas em estilo europeu, foram chamadas pinturas namban, ou seja, "dos bárbaros sulinos".

     Entre os pintores japoneses impermeáveis à influência ocidental figuram os muralistas Eitoku, Chockuan, Sanraku e outros.

     Honami Koetsu, pintor, gravador, calígrafo insuperável, ceramista e poeta, fundou com Sotatsu uma escola essencialmente nipônica.

     A influência da escola Tosa fez-se sentir no tipo de pintura que ilustrou o começo do teatro profano (tagasode).

Período Edo (Ukiyo-e)
(1603 a 1868)

     O período Edo foi dominado pela família guerreira dos Tokugawas, que escolheu a cidade de Edo (mais tarde Tóquio) como capital e impôs seu jugo ao país por mais de 250 anos.

     No início da década de 1630, os cristãos foram perseguidos e expulsos, e o Japão cerrou as portas a todos os estrangeiros. Esse isolacionismo empobreceu as artes.

     Ainda assim, os pintores Ogata Korin e Ogata Kenzan procuraram revitalizar a pintura Yamato-e e sobretudo Ike Yosa Buson, Uragami Gyokudo Taiga foram os melhores representantes da escola sulina Nanga.

     Ike Yosa Buson, Uragami Gyokudo Taiga e Rosetsu, pintores das escolas Maruyama, conhecida também como Shijo, pregaram o estudo da natureza.

     Os artistas da quarta geração Kano, com ateliês em Quioto, e os Tosa, em Sakai, aproximaram seus estilos. O mestre da época foi Tosa Mitsuoki, que se inspirou em lembranças da Idade Média e assuntos chineses.

     A mais importante manifestação artística do período, porém, foi o estilo Ukiyo-e, cujo nome tem origem num provérbio japonês do Século 18 ("o mundo inspira desgosto").

     Criado por Iwasa Matabei no final do Século 17 e imortalizado sobretudo através da estampa, o Ukiyo-e tornou-se muito popular no Ocidente e teve profunda influência sobre os impressionistas franceses.

     O Ukiyo-e não foi uma escola como Tosa ou Kano, mas um movimento artístico que veio da época Momoyama e representou para a nova burguesia festas, cenas galantes e do teatro profano. Seu tema principal, porém, é a bijin-ga (mulher bonita).

     Inicialmente limitada ao contraste entre preto e branco, a técnica foi aperfeiçoada e recebeu, a princípio, uma tonalidade alaranjada (tan-e), depois efeitos de vermelho, laranja, amarelo e púrpura (urushi-e).

     Mais tarde, desenvolveram-se os processos benizuri-e (vermelho e verde) e nishiki-e (dez e mais tonalidades).

     Entre os maiores artistas no gênero sobressaíram Kyionobu, Suzuki Harunobu, Koriyusai, Kiyonaga, Sunsho e Sharaku (os dois últimos famosos por seus relatos de atores), Kitagawa Utamaro (figuras femininas), Katsushika Hokusai e Ando Hiroshige (paisagens) e Igusa Kuniyoshi (figuras humanas).

Período Meiji (1868-1912)

     A partir da dinastia Meiji, o Japão abriu suas portas ao Ocidente e passou a assimilar outras culturas contemporâneas, em processo contínuo que gerou uma simbiose muito particular entre tradição e modernidade.

     No começo do período Meiji houve até mesmo repressão às artes tradicionais: a ação de Ernest Fenollosa, erudito americano, e os esforços do crítico de arte Okakura Kakuzo (ou Tenshin), conseguiram que governo e artistas tomassem providências para revitalizar o espírito da criação e preservar o patrimônio cultural do país.

     Já no Século 20, sob a liderança de Yamamoto Kanae, um grupo de jovens gravadores treinados no Ocidente revigorou as artes gráficas japonesas.

     O abstracionismo informal de Kosaka Gajin influenciou decisivamente a pintura ocidental, através dos Estados Unidos.

     Entre os primeiros grandes inovadores, que neste século deram a pinturas japonesas fama internacional, estão artistas como Yukey Tejima e Yuchi Inuie. Artistas japoneses obtiveram prêmios internacionais, como Maeda, Yoshisighe Saito e Tadamaro Nogami.

Outras artes

     A cerâmica, que já existia desde a época de Nara, teve seu apogeu entre os séculos 17 e 19.

     Quanto aos metais, no fim do período Muromachi, já havia bules de ferro do ateliê Ashiya para a cerimônia do chá. No Século 17, foram criadas peças rebuscadas de bronze dourado ou esmaltado para os palácios Momoyama e para os mausoléus dos Tokugawa.

     O uso da laca foi estritamente subordinado à utilidade do objeto. Do período Muromachi existem caixas de remédio em lacre preto e ouro fosco. As máscaras de laca para o teatro nô, muito populares no início do Século 15, praticamente desapareceram.

Fonte: Encyclopaedia Britannica do Brasil.


Periodo Edo (Ukiyo-e)
(1600-circa a 1867)

     Ukiyo-e (pronuncia-se «ukioei») foi um estilo popular de arte no Japão durante o período Edo, barata e trazendo cenas da vida cotidiana (Edo, a nova capital do Japão, mais tarde passou a chamar-se Tóquio).

     Esse nome (Ukiyo-e) pode ser traduzido como «mundo flutuante», um nome irônico dado ao planeta terra, que os budistas chamavam de «mundo do desgosto».

     Ukiyo, em verdade, era o nome dado ao estilo de vida japonês nos centros urbanos, com seus figurinos, a alta sociedade e os prazeres da carte. O Ukiyo-e documenta essa era.

     A arte Ukiyo-e é especialmente conhecida por impressões em blocos de madeira. Na medida em que o Japão começou a se abrir para o ocidente, após 1867, essas gravuras passaram a ser conhecidas, exercendo sua influência na arte européia, especialmente na França.

     A essa releitura da arte japonesa, deu-se o nome de «japonismo». Entre os pintores influenciados pelo japonismo, pode-se citar Toulouse-Lautrec, Edgar Degas, Vincent van Gogh, James McNeill Whistler, bem como os artistas gráficos conhecidos por «Les Nabis».

     Considera-se como formador da escola Ukiyo-e o artista do Século 17 Hishikawa Moronobu. Entre outros nomes que se tornaram famosos, pode-se citar Hiroshige, Hokusai, Utamaro e Sharaku.

Fonte: Artcyclopedia.


 

 

 
 

Arte Romana

 
 


Como a arte grega
chega a Roma

    Roma, após libertar-se dos etruscos, iniciou uma expansão extraordinária.

ETRUSCO
Adj. - Da, ou pertencente ou relativo à Etrúria ou Tirrênia (Itália antiga); tirreno, tirrênio. ~ V. alfabeto --.
S. m. - O natural ou habitante da Etrúria; tirreno, tirrênio. Gloss. A língua dos etruscos.

     A partir do século III foi ganhando o controle das cidades gregas do sul da Itália, grande parte da Espanha, a própria Grécia e a Macedônia, regiões da Ásia Menor, Gaules, Síria e Egito.

A importância de Roma na
preservação da cultura

     Os romanos ajudaram a preservar aspectos que, não fosse sua entrada em cena, poderiam estar perdidos para sempre na História.

     Era costume desse povo assimilar e adaptar a cultura dos povos conquistados, talvez até numa prova de orgulho, devido à superioridade militar.

     Apesar de os romanos terem sido influenciados pelas culturas dos mais diferentes povos que passaram a compor seu Império, há uma nítida supremacia da influência grega, em especial os períodos clássicos e helenísticos.

CLÁSSICO
Adj. - Relativo à arte, à literatura ou à cultura dos antigos gregos e romanos. Que segue, em matéria de artes, letras, cultura, o padrão desses povos.
HELENÍSTICO
Adj.
Referente ao helenismo (2). Diz-se do período histórico que vai desde a conquista do Oriente por Alexandre até a conquista da Grécia pelos romanos.

     Muito provavelmente, essa valorização da cultura grega foi tomada dos etruscos, povo que a apreciava muito.

Artistas gregos
em Roma

     Artistas gregos foram morar na capital romana e a arte de seu país de origem era extremamente apreciada pelas classes mais abastadas da cidade. Recebiam inúmeros pedidos de cópias das obras gregas, preservando assim trabalhos da Grécia antiga que estariam irremediavelmente perdidos.

     Na engenharia civil, devemos grandes modelos aos romanos. Suas estradas, aquedutos e edifícios grandiosos até hoje pautam nossas construções.

     O desenvolvimento do concreto romano foi uma técnica e grande ajuda. Costumava ser trabalhado com materiais como o mármore, tijolos ou pedras em geral para apresentar uma aparência mais finalizada.

     O uso de arcos e abóbadas alcançou grandes avanços na engenharia romana, que costumava misturar suas próprias estruturas às formas gregas.

Como a arte romana sofreu
transformações

     Para efeito de estudo, dividiremos a arte romana:

  • da República e começo do Império.

  • do auge do Império Romano.

  • do declínio do Império Romano.

     Como construções dessa primeira época romana podemos citar o "Templo da Fortuna Virilis", em Roma. Construído no Século 1º a.C., é fortemente influenciado pela arquitetura etrusca (por exemplo, sua realização em cima de pequenas bases) e lembra, por suas colunas e capitéis, um templo jônico.

     Os templos circulares, influências gregas, como o "Templo de Vesta", em Tivoli, também são bastante freqüentes na Roma Republicana.

     Um exemplo de construção bastante freqüente em épocas posteriores já aparece nessa época, exemplificado pelo monumental "Santuário da Fortuna Primigênia", na Palestina, com seus arcos orlados por colunas.

     Essa obra é um complexo, em vários níveis, construído num vale, bastante facilitado pelo concreto. Rampas e escadas permitem o acesso aos planos mais altos da construção. Era utilizado para um culto pré-românico.

Os últimos dias
de Pompéia

     A descoberta dos sítios arqueológicos de Pompéia e Herculano, no Século 18, destruída pelas cinzas do Vesúvio, facilitaram o estudo da arte desse primeiro período da vida romana. As lavas do vulcão atingiram as pessoas desprevenidas, preservando cenas exatas da vida romana.

     Apesar de a catástrofe ter acontecido já no começo do Império, a maioria dos artefatos, tanto como o modelo das cidades, remonta ao período republicano.

     Pompéia, principalmente por ser uma cidade mais rica, forneceu-nos os melhores exemplos arquitetônicos, como o templo pré-romano de Apolo, o templo de Júpiter e o mercado (Macellum), em seu centro. Banhos, teatros e anfiteatros também foram encontrados nas escavações.

     Além disso, conforme já foi mencionado ao falarmos de arte helenística, foram encontradas na cidade inúmeras obras, desde as mais vulgares a obras de real valor artístico nos interiores das casas.

Como era a vida nas
antigas cidades

    Tais trabalhos nos mostram um pouco da arte apreciada pelos habitantes do Império: especialmente a arte grega clássica e a helenística, uma e outra representadas normalmente por cópias.

     Na Vila dos Mistérios, arredores de Pompéia, foram encontradas elegantes pinturas em paredes (frisos), representando a iniciação aos cultos dionísicos, em tamanho quase natural e poses helenísticas. Especula-se que as mulheres do local eram adeptas desses cultos perdidos.

     Além disso, foram encontradas pinturas de paisagens, cenas mitológicas e bucólicas, naturezas-mortas e arquitetura fantásticas.

     Essas obras causaram grande impressão no Século 18, quando foram descobertas, influenciando a arte do período.

Fonte: Enciclopédia Digital Master.;
            Dicionário Aurélio Século 21

 
 

Art Nouveau

 
 

 


Art Nouveau (geral)

     Estilo artístico desenvolvido na Europa a partir do final do século XIX.

     O estilo Art Nouveau é caracterizado pela sua ruptura com as tradições que até então persistiam excessivamente na arte e na arquitetura. Tratou-se de um estilo novo voltado para a originalidade da forma, de modo que era destituído de quaisquer preocupações ideológicas e independente de quaisquer tradições estéticas.

     Pretendendo-se como nova arte, o estilo procura ainda rejeitar as formas meramente funcionais envolvidas em todos os objetos decorativos provenientes da produção em massa e adere às formas sinuosas, curvilíneas.

     Portanto tal estilo teve principal influência sobre a arte decorativa do início do século e ainda sobre a arte arquitetônica, na qual grandes nomes da arquitetura moderna se utilizaram deste estilo, como por exemplo o arquiteto espanhol Gaudi.

     Também na pintura, o estilo esteve relativamente presente nas obras de personalidades artísticas como Vasili Kandinsky e Franz Marc. O estilo teve seu período de sucesso entre as duas últimas décadas do século XIX e as duas primeiras do século XX, em que é substituído paulatinamente pelo estilo Art Deco e definitivamente abandonado por ser considerado um estilo já ultrapassado.


Art Nouveau (arquitetura)

     Também conhecido como estilo 1900 ou o estilo Liberty, o Art Nouveau se apresenta como tendência arquitetônica inovadora do fim do século XIX; um estilo floreado, onde se destacam a linha curva e as formas orgânicas inspiradas em folhagens, flores, cisnes, labaredas e outros elementos.

     O movimento teve início na Inglaterra em 1880 com William Morris (1834 - 1896) e Arthur Heygate Mackmurdo (1852 - 1942), artistas que atuavam na produção tipográfica e de têxteis. Nessa época acreditava-se que o século XIX demonstrava pouca ou nenhuma importância estética.Tentando reverter esse panorama, Morris, pintor, poeta e artesão, clamava por uma unificação de todas as artes com o propósito de mudar a estética vigente que era a simples reprodução dos estilos do passado. Os ideais de Morris influenciaram aquela geração de artistas e arquitetos a enfatizarem o propósito social do desenho, na tentativa de integrar a arte à vida cotidiana.

     Dez anos mais tarde, o estilo tem sua estréia na Arquitetura, com Victor Horta (1861 - 1947) e seu projeto para a residência Tassel (1892 / 93) em Bruxelas; apresentando como características, além do uso de elementos orgânicos, as aberturas com formas irregulares, a exploração de elementos de textura e cor nos revestimentos, o uso de ferro fundido e vidro, o desenvolvimento de novos materiais e novas formas de expressão apropriadas.

     O Art Nouveau pode ser interpretado como um movimento burguês de cunho revolucionário, na medida que afronta a máquina (Revolução Industrial) e sugere a renovação do contato com a natureza, pregando o uso da ferramenta de trabalho como prolongamento do corpo do artista (A arte contra a técnica).

Fonte: Enciclopédia Digital Master.


 

 

 

 
 

Automatismo

 
 

 

Trata-se de um método de produção artística que prioriza a atividade subconsciente sobre a consciente. Baseia-se na crença dos potenciais criativos liberados quando o subconsciente controla a expressão, tentando suprimir-se a possível censura realizada pela mente consciente.

     Esse método foi bastante desenvolvido no século XX, com as vanguardas artísticas, principalmente através dos Surrealistas, Expressionistas Abstratos e Pintores Ativos.

     Jackson Pollock, por exemplo, membro deste último grupo, acreditava que o automatismo deveria ser regra fundamental de todo o processo criativo, a grande diretriz de qualquer composição. Nesse ponto, é interessante contrastar com a metodologia surrealista, em que o automatismo alcança grande desenvolvimento.

     Apesar dos artistas surrealistas realmente utilizarem-se do automatismo como instrumento de criação, processo que liberaria imagens, posteriormente costumavam-se debruçar-se sobre o que foi criado dessa maneira, procurando aumentar seu potencial artístico, utilizando-se de expedientes típicos da mente consciente. Ou seja, o inconsciente poderia trazer à tona a inspiração, mas esta posteriormente seria trabalhada para atingir uma forma mais adequada.

     Atribui-se o pioneirismo, no uso desse método, ao artista russo estabelecido na Inglaterra, Alexandre Cozens (1717- 86). Em seu tratado "Um Novo Método para Auxiliar na Invenção nas Composições de Desenhos Originais de Paisagens", defende o uso de rabiscos ou manchas incidentais no estímulo imaginativo, que daria origem posterior às formas de paisagem.

     O artista renascentista sugere que ao olhar para uma parede suja, por exemplo, ou a indefinida aparência de uma pedra, pode-se descobrir vários desenhos. Dentro da confusa massa de objetos, a mente seria alimentada abundantemente com desenhos e assuntos totalmente originais.

Fonte: Enciclopédia Digital Master.