Escola de Barbizon
 
 
Integração com a natureza

     Motivados pelo impulso romântico de integração com a natureza, os paisagistas da escola de Barbizon repudiaram no entanto o espírito grandiloqüente da típica pintura romântica, bem como a tradição acadêmica do classicismo, que usava a paisagem como mero pano de fundo para cenas históricas e alegorias.

     Parte inseparável de uma tendência européia que contribuiu para infundir mais realismo ao paisagismo francês, a escola, de meados do Século 19, deve seu nome à aldeia de Barbizon, na orla da floresta de Fontainebleau, perto de Paris, onde seus líderes, Théodore Rousseau e Jean-François Millet, estabeleceram-se, respectivamente, em 1846 e 1849.

Uma idéia que entusiasmou
a muitos

     A prática da pintura de cavalete ao ar livre, em que ambos se engajaram, suscitou a adesão de vários outros artistas, como Charles-François Daubigny, Narcisse-Virgile Diaz de La Peña, Jules Dupré, Charles Jacque e Constant Troyon, que viveram também em Barbizon ou aí passaram temporadas freqüentes.

     Os exemplos de atenta e detalhada observação do real, dados por paisagistas ingleses contemporâneos e por artistas holandeses e franceses do Século 17, parecem ter atuado sobre os pintores de Barbizon, que deram relevo aos aspectos mais simples da natureza, e não a cenas monumentais ou aterradoras.

Artistas que se destacaram

     Théodore Rousseau, tido como o grande mestre da escola, quis exprimir os próprios frêmitos da natureza por meio de poderosas cenas de tempestade e árvores dramáticas que se retorcem no tempo.

     Jean-François Millet, o único do grupo para quem a paisagem pura não tinha tanta importância, pintou camponeses, em telas comoventes como "Angelus" e "O semeador", ambas hoje no Louvre.

     Charles-François Daubigny, que se interessou pelos efeitos da água na composição de suas paisagens, garantiu a ligação dos pioneiros de Barbizon com a linguagem impressionista.

Fonte: Encyclopaedia Britannica do Brasil


IMAGENS

Théodore Rousseau - «Primavera»

Charles-François Daubigny - «Paisagem



 
 

A escola de Bauhaus

 
 
BAUHAUS É UMA FORMA SIMPLIFICADA DE
Staatliches Bauhaus
(Casa estatal de construção ou arquitetura)

"A arquitetura é a meta de toda a atividade criadora. Completá-la e embelezá-la foi, antigamente, a principal tarefa das artes plásticas... Não há diferença fundamental entre o artesão e o artista... Mas todo artista deve necessariamente possuir competência técnica. Aí reside sua verdadeira fonte de inspiração criadora...

Formaremos uma escola sem separação de gêneros que criam barreiras entre o artesão e o artista. Conceberemos uma arquitetura nova, a arquitetura do futuro, em que a pintura, a escultura e a arquitetura formarão um só conjunto."

     Tais palavras, que constam do primeiro manifesto da Bauhaus, redigido em 1919 por Walter Gropius, definem as idéias básicas dessa escola de arte e do movimento desencadeado por ela na Alemanha, entre 1919 e 1933. A Bauhaus congregou importantes criadores de vanguarda, que fixaram algumas diretrizes estéticas que iriam prevalecer em todo o mundo durante o século XX.

Período de Weimar.

     Em 1919, o arquiteto alemão Walter Gropius integrou duas escolas existentes na cidade de Weimar, a Escola de Artes e Ofícios, do belga Henri van de Velde, e a de Belas-Artes, do alemão Hermann Muthesius, e fundou uma nova escola de arquitetura e desenho a que deu o nome de Staatliches Bauhaus (Casa Estatal de Construção), com sede em um edifício construído em 1905 por Van de Velde.

     As origens mais remotas da Bauhaus provêm do movimento Arts and Crafts, do inglês William Morris, que procurou restabelecer a dignidade medieval do artesanato e do artesão. Todavia, o ensino da Bauhaus opunha-se às concepções de Morris, contrárias à revolução tecnológica e à produção em série. Também não agradava a Gropius o estilo art nouveau, devido a seu caráter decorativo e esteticista.

     A ascendência mais próxima da Bauhaus está na associação Deutscher Werkbund, fundada em 1907 por Hermann Muthesius para incentivar as relações entre os artistas modernos, os artesãos qualificados e a indústria. Muthesius desejava criar o que chamava de Maschinenstil (estilo da máquina). Gropius, que foi membro da Werkbund, materializou esse objetivo, em grande parte, na Bauhaus.

     A Bauhaus combatia a arte pela arte e estimulava a livre criação com a finalidade de ressaltar a personalidade do homem. Mais importante que formar um profissional, segundo Gropius, era formar homens ligados aos fenômenos culturais e sociais mais expressivos do mundo moderno. Por isso, entre professores e alunos havia liberdade de criação, mas dentro de convicções filosóficas comuns.

     O ensino era suficientemente elástico, com a participação, na pesquisa conjunta, de artistas, mestres de oficinas e alunos. Para Gropius, a unidade arquitetônica só podia ser obtida pela tarefa coletiva, que incluía os mais diferentes tipos de criação, como a pintura, a música, a dança, a fotografia e o teatro.

     De tal maneira a filosofia da Bauhaus impregnou seus membros que sem demora se definiu um estilo em seus produtos despidos de ornamentos, funcionais e econômicos, cujos protótipos saíam de suas oficinas para a execução em série na indústria. O estilo Bauhaus era fruto do pensamento dos professores, recrutados, sem discriminação de nacionalidade, entre membros dos movimentos abstrato e cubista.

     Ao iniciar a Bauhaus, Gropius apoiou-se principalmente em três mestres: o pintor americano Lyonel Feininger, o escultor e gravador alemão Gerhard Marcks e o pintor suíço Johannes Itten. A eles se juntaram depois artistas da categoria de Oskar Schlemmer, Paul Klee, Wassili Kandinski, László Moholy-Nagy e Ludwig Mies van der Rohe. Em 1925, Josef Albers e Marcel Breuer passaram a fazer parte do grupo.

Mudança para Dessau.

     Ameaçada de dissolução pela forte oposição dos conservadores a suas inovações, a escola mudou-se em 1925 para Dessau, onde ficou até o advento do nazismo. Para abrigá-la, Gropius projetou e construiu um conjunto de prédios que eram, em si mesmos, um manifesto de arquitetura moderna e uma das mais extraordinárias obras da década de 1920.

As atividades da Bauhaus intensificaram-se em Dessau com o lançamento de publicações e a organização de exposições. Uma clara mentalidade racionalista presidia à elaboração dos projetos. Em 1928, Gropius passou o cargo de diretor ao suíço Hannes Meyer, abandonando a escola, já então consolidada, junto com Moholy-Nagy e Breuer.

     A nova direção deu realce ainda maior à arquitetura e assistiu à chegada das influências do construtivismo russo. Em 1930, Meyer, cuja postura esquerdista não era bem vista pelas autoridades, foi substituído pelo arquiteto alemão Mies van der Rohe. Este reorganizou a escola e deu-lhe um novo impulso.

Últimos anos.

     Em 1932, com a chegada dos nazistas ao poder em Dessau, a Bauhaus se transferiu para Berlim, onde continuou a funcionar até seu fechamento definitivo em 1933. As possibilidades da vanguarda alemã, com isso, se fecharam também, mas o ensino inovador da Bauhaus já havia se difundido a essa altura nos principais centros de arte. Tal difusão tornou-se ainda maior quando os grandes mestres da escola, devido às perseguições nazistas, passaram a emigrar, principalmente para os Estados Unidos e a Inglaterra.

     Em 1928, Sandor Bortink fundou em Budapest o Mühely, também chamado Bauhaus de Budapeste, que existiu até 1938.

     Em 1933, Josef Albers instalou um departamento do tipo Bauhaus no Black Mountain College (Carolina do Norte, Estados Unidos) e depois na Universidade de Harvard.

     Em 1937, Moholy-Nagy criou em Chicago a New Bauhaus, mais tarde incorporada ao MIT (Massachusetts Institute of Technology). Gropius passou a lecionar em Harvard e Mies van der Rohe tornou-se um dos principais arquitetos da remodelação de Chicago.

     Em 1950 inaugurou-se em Ulm, na Alemanha, a Hochschule für Gestaltung (Escola Superior da Forma), dirigida por Max Bill, ex-aluno da Bauhaus de Dessau. A essa última instituição, em especial, coube dar seguimento programático às formulações da antiga Bauhaus -- uma escola que se integrou perfeitamente no contexto da civilização do século XX para dar-lhe uma visualidade própria.

Fonte: Encyclopaedia Britannica do Brasil.


Bauhaus - Um centro de agitação criativa

Fonte: Enciclopédia Digital

     A Bauhaus, mais que uma escola de artes e arquitetura, foi um centro de agitação de todas as disposições criativas da época, que assinalou o início de uma nova fase na arquitetura mundial.

     Um de seus principais méritos consiste em ter alterado as relações entre desenho e arte industrial. Além disso, as experiências pedagógicas de Klee e Kandisky acabaram sendo publicadas em verdadeiros tratados sobre arte.

     O embrião da Bauhaus foi a escola de artes aplicadas de Weimar, fundada em 1906 pelo grão-duque de Sax-Weimar. Inicialmente foi dirigida por Henry Van de Velde (1863 - 1957), que, quando deixa a Alemanha, indica Walter Gropius (1883 - 1969) como seu sucessor; assumindo a direção em 1919, este reestruturou a escola e a batizou Bauhaus.

     As idéias de Gropius baseavam-se fundamentalmente na combinação de um ideal morrisiano (William Morris, que acreditava que o artista deveria desenhar e executar seu trabalho) com a idéia da unidade entre o monumental, grandioso e os elementos decorativos. Visava criar uma nova forma de arquitetura moderna.

     O primeiro manifesto, influenciado pelos ideais do impressionismo, bastante em voga na Alemanha pós-guerra, proclamava, em tom entusiasta, a união de artistas e arquitetos na procura da melhor relação entre a forma e o material, forma e função e entre a forma e o modo de produção:

     "A Bauhaus almeja constituir em unidade o conjunto de disciplinas artísticas - escultura, pintura, desenho e artes aplicadas - para incorporá-las a uma arquitetura de novo cunho".

     O método da escola consistia basicamente em introduzir os estudantes aos princípios da forma, instruí-los no trabalho com materiais, cores e texturas, orientá-los no estudo de obras pictóricas e sobretudo procurava estimular a livre criatividade.

     A instituição não estava empenhada na busca de um estilo próprio, pelo contrário, sua postura era independente de qualquer modelo preestabelecido, não se caracterizando como uma academia fechada.

     A partir de 1923, cresce em importância para essa escola a figura do artífice e designer no processo industrial de massa. O estilo Bauhaus, com forte influência de idéias socialistas, apesar de impessoal e severo (bastante geométrico), possuía um elevado refinamento de formas e linhas. Esse refinamento é creditado, de uma certa forma, ao ideal de economia dos materiais, que exigia um profundo conhecimento de suas possibilidades.

     Foi estabelecido um bom inter-relacionamento entre as "pesquisas" e conquistas obtidas na escola e a própria indústria, que acabou por utilizar-se de muitos de seus produtos para a manufaturação em larga escala.

     A escola passa a exercer forte influência sobre a sociedade de Weimar, com suas utopias sociais e idéias avançadas. Isso incomoda os setores conservadores locais que, em 1924, ao vencerem as eleições, forçam a dissolução da escola.

     Em 1926 a Bauhaus se estabelece em Dessau, aonde é construído o novo edifício da escola, projetado por Gropius; um marco da arquitetura do século XX que estabelece um novo princípio estético, com o uso de volumes limpos e definidos. Essa mudança marca o início de uma nova fase, cuja produção se caracteriza pela simplicidade racional e pela preocupação com a viabilização econômica dos projetos.

Nesse mesmo ano Hannes Meyer (1889 - 1954) assume o departamento de arquitetura da instituição planejando intensificar as atividades sociais desta: "As necessidades das pessoas em lugar das necessidades do luxo".

     Em 1928 Gropius renuncia à direção da escola devido às dificuldades políticas que vinha encontrando no cargo e nomeia Meyer como seu sucessor. Porém o crescimento político da direita acaba por forçar a destituição deste em 1930.

     Mies Van der Rohe assume cargo, porém, em 1932, a escola é novamente fechada e dissolvida; durante seis meses ele ainda tenta continuar com a instituição em Berlim, agora como um empresa privada mas esta é definitivamente desativada pelos nazistas em 20 de julho de 1933.

     Esse fechamento da escola, porém, longe de tirar sua força, difundiu ainda mais seus ideais, uma vez que os artistas que lá se reuniam espalharam-se por vários países. Acabaram parando nas principais escolas de arte do Ocidente, fundamentando seu ensino nas conquistas de Bauhaus.

     Um bom exemplo disso é o professor da escola alemã no período de 1923 a 1928, László Moholy-Nagy, que fundou o New Bauhaus, em Chicago (posterior Instituto de Desenho). O exílio forçado de vários membros da Bauhaus propagou seus ideais, influenciando arquitetos por todo o mundo, principalmente nos Estados Unidos, que fatalmente recebeu a maior parte daqueles artistas e arquitetos.

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Escola de Flandres

 
 


Os mestres da arte
flamenga

     De Jan van Eyck a Brueghel e Rubens, os mestres da arte flamenga usaram o óleo em suas pinturas como meio de retratar com vigor e, às vezes, em profusão de detalhes, o mundo que os rodeava.

     Conhecida por sua técnica excepcional e a inspiração profana de seus temas, a arte flamenga é a que foi produzida em Flandres entre o Século 15 e o início do Século 17.

     A pintura flamenga deixa transparecer claramente as mudanças ocorridas no destino de Flandres, país contido numa estreita faixa entre a França, a Alemanha e os Países Baixos.

     De início, havia o domínio pacífico, piedoso e próspero dos duques de Borgonha, no Século 15; a seguir, ocorreu uma longa e confusa sucessão de crises religiosas e guerras civis; finalmente, no Século 17, a imposição do poder autocrático dos reis da França e da Espanha.

Dijon, a capital dos Borgonhas

     Os precursores da escola flamenga situam-se geralmente em Dijon, a primeira capital dos duques de Borgonha.

     Filipe o Audaz, que reinou de 1363 a 1404, estabeleceu a poderosa aliança flamengo-borgonhesa, que durou mais de um século, e deu início à tradição de mecenato artístico que duraria quase o mesmo período.

     Entre os artistas que atraiu a Dijon estavam o escultor Claus Sluter, de Haarlem, e o pintor Melchior Broederlam, de Ypres, em cujas obras de rica textura podem ser vistos os primeiros frutos do apego ao mundo das aparências, tão característico da escola flamenga.

     Filipe o Bom, que reinou de 1419 a 1467, transferiu a capital borgonhesa para Bruges, centro do comércio de lã ao norte, transformando essa cidade de espírito mercantil em pólo artístico.

Jan van Eyck e a
pintura a óleo

     Em 1425, empregou oficialmente Jan van Eyck como "peintre et valet de chambre". As principais obras de Van Eyck -- o "Altar de Gent" (1432), a "Madona do chanceler Rolin" (1432) e o grupo do "Casal Arnolfini" (1434) -- são, surpreendentemente, o começo e o auge da primeira fase da pintura flamenga.

     O historiador da arte Vasari atribui a van Eyck a invenção da pintura a óleo (com o uso de óleo resinoso sobre uma base branca). Nesse caso, o invento já se iniciou com o máximo de apuro técnico, para declinar em seguida, pois não há uma só obra, entre as de seus sucessores, que mantenha o mesmo brilho das cores em superfícies tão vívidas.

     A visão de van Eyck, por mais estática que seja, também manteve sua força, dando a tudo que foi pintado por ele um caráter espiritual, a despeito de seu grande interesse pelas aparências.

Buscando modelos
italianos

     A geração seguinte, embora continuasse voltada para o refinamento da textura e o brilho das cores, não tentou imitar van Eyck, mas procurou aperfeiçoar a estrutura pictórica com base em modelos italianos.

     Em sua obra-prima, a "Descida da cruz" (1435), Rogier van der Weyden centrou-se na dramaticidade da cena, ignorando todos os detalhes supérfluos.

     Petrus Christus explorou a estrutura física subjacente de seus temas humanos, conferindo-lhes uma estranha aparência geométrica.

     Dirck Bouts foi o primeiro pintor flamengo a usar com acerto a perspectiva paralela e a dar a suas figuras proporções correspondentes ao ambiente que as circunda.

     Essas inovações eram, porém, estranhas ao espírito inicial da tradição flamenga, que entrou em inevitável declínio, do mesmo modo que as convicções religiosas e a segurança dos cidadãos flamengos, surpreendidos no final do século XV pela queda da casa de Borgonha e o colapso econômico de Bruges.

     Entre os últimos mestres dessa fase, Hugo van der Goes ficou louco, enquanto Hans Memling e Gerard David produziram pastiches melancólicos e às vezes insípidos de obras anteriores.

Bosch, o precursor do
Expressionismo

     Mais sintonizadas com a crise espiritual que assolou a Europa no fim do século XV mostram-se as bizarras alegorias pintadas por Hieronymus Bosch. Em seu tríptico "O jardim das delícias" (c.1500) a humanidade se dispersa em bloco do paraíso à perversão e ao castigo, em imagens que representam um sem-fim de fantasias de gratificação sensual.

     O Século 16, turbulento em Flandres, não foi propício à criação artística e produziu apenas um grande mestre, Pieter Brueghel.

     O pintor Jan Gossaert cultivou um estilo italianizado, a que Vasari não poupou elogios, e Joachim Patinir tornou-se o primeiro de uma longa série de pintores flamengos de paisagens.

Brueghel e o homem
do campo

     É, porém, nas fortes cenas em que Brueghel retratou a vida camponesa que melhor se reflete a brutalidade da época.

     Influenciado por Bosch e marcado por uma estada de dois anos na Itália, Brueghel desenvolveu um estilo pujante caracterizado pela solidez estrutural, a exuberância rítmica e um modo especial de contemplar o grotesco.

     O pintor deixou dois filhos, Pieter II, dito Brueghel o Moço, ou Brueghel do Inferno, assim chamado pelos temas de danação que pintou, e Jan Brueghel, ou Brueghel de Veludo, que se dedicou a delicadas naturezas-mortas.

     Foi nessa condição que Jan Brueghel participou do florescente ateliê do grande mestre do barroco flamengo, Peter Paul Rubens.

Rubens alcançou o domínio
completo do óleo

     Rubens associou a afabilidade e o tato de diplomata a um domínio sem precedentes da técnica do óleo, criando para os monarcas da França e da Espanha, com os quais manteve estreitas relações, obras luminosas de grande força e energia.

     As primeiras obras de maturidade, como "A elevação da cruz" (1610), contêm evidências de um cuidadoso estudo dos mestres italianos Michelangelo, Tintoretto e Caravaggio, embora tragam sinais de uma vitalidade orgânica autenticamente flamenga.

     O estilo alegórico da fase mais madura de Rubens, exemplificado pelo ciclo de pinturas que relembram a carreira de Maria de Medici, rainha da França (1622-1625), adequou-se com perfeição aos gostos ostentatórios da época barroca.

Os discípulos de Rubens

     No auge da fama, Rubens recebeu mais encomendas do que poderia executar sozinho e seu ateliê se tornou um centro de aprendizagem para muitos pintores flamengos

      Dentre eles, destaca-se Antoon van Dyck, menino-prodígio que ficaria famoso como Sir Anthony van Dyck, retratista da corte na Inglaterra

     Registre-se também a presença de Frans Snyder, especialista em naturezas-mortas David Teniers o Velho e Adriaen Brouwer, ambos conhecidos sobretudo pelas pinturas de camponeses divertindo-se nos momentos de ócio.

Fonte: Encyclopaedia Britannica do Brasil


 
 

Escola de Fontainebleau

 
 

 


A reforma do Castelo

     O estilo decorativo do maneirismo italiano deu origem, na França, à escola de Fontainebleau, cuja influência perdurou até o fim do Século 16.

     A expressão escola de Fontainebleau refere-se a um vasto número de artistas, franceses e de outros países, que trabalharam na corte de Francisco 1º, na cidade francesa de Fontainebleau, perto de Paris, durante a segunda metade do Século 16.

     Francisco 1º decidira fazer reformas em seu castelo medieval, utilizado como albergue de caça, e para isso, desde os primeiros anos da década de 1530, contratou os mais destacados pintores italianos.

     Criou-se assim uma escola de pintura, que ficou conhecida na história da arte como escola de Fontainebleau.

Primeira fase

     A primeira fase, plenamente italiana, contou com os pintores Rosso Fiorentino e Francesco Primaticcio, aos quais se uniu, mais tarde, Niccolò dell'Abbate. Junto a eles trabalharam jovens pintores franceses, que absorveram o estilo então dominante na Itália.

     Difundiu-se na época o emprego de decorações mistas de pintura e estuque, segundo os modelos criados na Itália por Rafael e Giulio Romano. Os quadros alternavam-se com estuques de relevos diversos, compostos com muita fantasia e variedade de formas - guirlandas, entrelaçados, esfinges e nus - que lembravam a escultura de Michelangelo.

     Dentre as decorações palacianas que se conseguiu conservar destacam-se a galeria de Francisco 1º, de Giovanni Battista di Jacopo Rosso (ou Rosso Fiorentino), o gabinete do rei e a câmara da duquesa de Etampes, de Francesco Primaticcio.

     A proliferação de gravuras permitiu que essas decorações fossem conhecidas por toda a França.

     Muitos entalhadores formaram-se em Fontainebleau, como os escultores Jean Goujon e Germain Pilon. A escola foi enriquecida também pelos trabalhos do escultor florentino Benvenuto Cellini, que executou para o rei o célebre saleiro de Francisco 1º e a "Ninfa de Fontainebleau".

Segunda fase

     A segunda escola de Fontainebleau, que floresceu no reinado de Henrique 4º, deu novo impulso à pintura decorativa, após o interregno imposto pelas guerras religiosas.

     Essa fase foi menos original, e de orientação mais flamenga, devido à influência de Ambroise Dubois. Seus principais representantes, Toussaint Dubreuil e Martin Fréminet, desenvolveram um estilo inspirado na obra dos predecessores.

Fonte: Encyclopaedia Britannica do Brasil.


 
 

Escola de Sevilha

 
 


A arte andaluza

     Um naturalismo sóbrio, inspirado no tenebrismo de Caravaggio, e o cuidado com a composição, em que a figura humana sempre esteve em realce, são peculiares à escola de Sevilha, que constituiu em seu conjunto uma das expressões mais originais da mescla de realismo e misticismo tão típica do barroco espanhol.

     Dá-se o nome de escola de Sevilha à pintura espanhola criada nessa cidade da Andaluzia, durante o Século 18, por pintores barrocos.

Primeira fase

     A primeira das três fases da escola iniciou-se com Francisco Pacheco. Seu vigoroso tratamento do claro-escuro, que influenciaria as obras imaturas de Diego Velázquez, contrastam com as composições de Juan de las Roelas, sobrecarregadas de figuras e claramente marcadas, por sua luminosidade e riqueza cromática, pelo naturalismo da escola de Veneza.

     Já Francisco Herrera o Velho introduziu em seus quadros, de colorido terroso e fatura empastada, um realismo agressivo, que se caracteriza sobretudo pelas pinceladas ligeiras.

Segunda fase

     O pintor mais destacado da segunda fase da escola de Sevilha é Francisco de Zurbarán, em cujas obras o claro-escuro e o tenebrismo se conjugam à perfeição. Além de abordar os temas religiosos de praxe, Zurbarán se distinguiu pela beleza realista de suas naturezas-mortas, nas quais recriou em forma e volume a simplicidade dos objetos.

     Entre seus contemporâneos há dois mestres indiscutíveis do barroco espanhol: Diego Velázquez e Alonso Cano.

     Velázquez, preocupado com a luz e o movimento, logo abandonou o tenebrismo de seu período sevilhano para lançar-se à perspectiva meticulosa de suas obras maduras, como o célebre "As meninas".

     Cano, mais conhecido como arquiteto e escultor, aproximou-se em suas telas, de colorido mais claro que o de Zurbarán e Velázquez, de um ideal quase renascentista de beleza.

Terceira fase

     A terceira e última fase da escola de Sevilha produziu duas personalidades interessantes: Bartolomé Esteban Murillo e Juan de Valdés Leal.

     Murillo, influenciado por Rubens, Van Dyck e Zurbarán, deu forma a um novo tipo de religiosidade ao colocar figuras do povo, dotando-as de graça e sentimento, em suas composições de temas religiosos.

     Já Valdés Leal exaltou em suas obras os movimentos passionais do barroco. Nelas aparecem, pela primeira vez, temas como a morte e a fugacidade das glórias mundanas

Fonte: Encyclopaedia Britannica do Brasil


 

 
 

Estética

 
 

 

  O termo estética foi utilizado pela primeira vez na História da Arte pelo filósofo alemão Alexander Gottlieb Baumgarten (1714-1762).

BAUMGARTEN (Alexander), filósofo alemão (Berlim, 1714 - Frankfurt an der Oder, 1762). Discípulo de Leibniz e de Wolf, foi o primeiro a definir a estética.

     Costuma referir-se ao estudo da percepção do belo, tanto conceitualmente quanto a partir das reações provocadas pela criação do artista ou pela natureza.

     O uso dessa palavra já foi bastante criticado, atacado como "bobo e pedante" por publicações como a Encyclopaedia of Architecture, de Gwilt (1842).

      Entretanto, por sua funcionalidade na expressão de temas de natureza tão subjetiva como arte e beleza, é bastante utilizado.

     Ao se referir a estética, entretanto, o observador deve ter um extremo cuidado: primeiro, para não criar erros conceituais; segundo, para não limitar uma obra, um movimento ou uma época.

     Feitas essas ressalvas, o termo é válido, por facilitar a comunicação e a divulgação de idéias relacionadas à arte.

Fonte: Enciclopédia Digital Master
            Enciclopédia Koogan-Houaiss.

 

 
 

Esteticismo

 
 

    

Esteticismo é a denominação geral para várias tendências que exageram a auto-suficiência da arte e sua independência de qualquer outro valor, seja ele moral, religioso, político ou social.

     Em suas manifestações mais fortes, os valores estéticos têm predominância sobre todos os demais aspectos a vida, numa atitude elitista em relação à arte.

     O esteticismo teve especial força no Século 19, expressando-se principalmente através da frase " a arte pela arte " (" art for art’s sake ") que parece ter sido proferida pela primeira vez pelo filósofo francês Victor Cousin (1792-1867).

COUSIN (Victor), filósofo e político francês (Paris, 1792 - Cannes, 1867). Chefe da escola espiritualista eclética. (Acad. Fr.)

     Encontrou terreno fértil para seu desenvolvimento principalmente na Inglaterra do século passado, recebendo várias críticas de importantes pensadores da época, como Thomas de Quincey.

     Por outro lado, era valorizado por outros críticos e ensaístas como Walter Pater (1839-1894).

      Seguidores de movimentos no país como a " Irmandade Pré-Rafaelita ", que dava extremo valor a uma sensibilidade cultuada na apreciação do belo pelo belo, também tinham fortes características esteticistas, encarcerando o artista numa " torre de marfim ", como expressou-se a esse respeito o crítico Sainte-Beuve (1804-1869).

PRÉ-RAFAELITA adj. e s.m. e s.f. Diz-se de, ou grupo de pintores ingleses da era vitoriana que, sob a influência de Ruskin, tomou como modelo ideal as obras dos precursores de Rafael. (O que caracteriza os principais membros da "confraria pré-rafaelita" é uma inspiração literária e simbólica, bíblica ou histórica: Rosetti, Millais, Burne-Jones.)
SAINTE-BEUVE (Charles Augustin), escritor francês (Boulogne-sur-Mer, 1804 - Paris, 1869). Fez parte do cenáculo romântico e publicou coletâneas de versos (Vida, poesias e pensamentos de Joseph Delorme, 1829) e um romance (Volúpia, 1834); depois consagrou-se inteiramente à crítica e à história literárias. Publicou então séries de artigos ou de ensaios que acabou por reunir em volumes: Port-Royal (1840-1859), Retratos literários (1844, 1852), Conversas de segunda-feira (1851-1862), Novas segundas-feiras (1863-1870). Seu método, fundado sobre importante documentação histórica, tende a reconstituir o gênio próprio de cada escritor. (Acad. Fr.)

     Até mesmo em Oscar Wilde podem ser notadas evidências do culto ao esteticismo que marcou principalmente o século passado inglês.

 

WILDE (Oscar Fingal O'Flahertie Wills), escritor irlandês (Dublin, 1854 - Paris, 1900). Adepto do esteticismo (arte pela arte), tornou-se um escritor muito célebre e sofisticado, tanto por sua personalidade (dandismo) como por seus contos (O crime de Lord Arthur Saville), seu teatro (O leque de Lady Windermere), seus ensaios (A alma do homem sob o socialismo) e seu romance (O retrato de Dorian Gray, 1891). Envolvido num escândalo com jovens aristocratas homossexuais, que lhe valeu um processo, passou dois anos na prisão, onde escreveu suas obras mais comoventes (A balada do cárcere de Reading, 1898; De profundis [publicado em 1905]). Ao sair da prisão, retirou-se para Paris, onde morreu esquecido.

     As principais reações a essa tendência surgiram de movimentos como " Arts and Crafts " (Artes e Ofícios), liderados por William Morris e Lethaby, com características sociais e artísticas que buscava revalorizar o artesão, produzir arte para as massas e lutava contra o exagero do culto à estética.

 

MORRIS (William), pintor e crítico de arte inglês (Walthamstow, 1834 - Londres, 1896). Participou do renascimento das artes decorativas.

     Tolstoy, em " O que é Arte ? " também protestou contra o desligamento da arte de valores morais.

 

TOLSTOI (Lev [Leão] Nikolaievitch, conde), escritor russo (Iasnaia Poliana, 1828 - Astapov, 1910). Autor de Guerra e paz (1865-1869), Anna Karenina (1876-1877), Ressurreição (1899), Tolstoi é o grande pintor dos costumes e da alma russa. Idealista e místico, procurou reencontrar a caridade do cristianismo primitivo.

     No Século 20, vemos legados mais brandos do esteticismo, principalmente no que se refere à vida própria dos padrões estéticos.

     Entretanto, uma arte desvinculada do objeto de representação e sem qualquer relação com quaisquer outros motivos da vida do homem não resistiu ao impacto dos movimentos de vanguarda que originaram a arte contemporânea.

Fontes: Enciclopédia Digital Master. -
              Enciclopédia Koogan-Houaiss.


 
 

Expressionismo

 
 

A distorção que traz
a emoção

    O Expressionismo, através da distorção de formas e uso característico de cores e linhas procura imprimir impacto emocional aos trabalhos artísticos.

     De um modo geral, o termo pode designar qualquer trabalho na História da Arte em que o naturalismo  cedeu espaço a essa representação emocional e distorcida do mundo.

Os precursores

     Entretanto, como um movimento, o Expressionismo tem suas origens no final do Século 19 e começo do Século 20, principalmente através de artistas como Van Gogh e Gauguin.

     Mas pode-se destacar, também, como precursores,  James Ensor, com seu isolamento e expressionismo místico. (“Menina com Boneca“ pode exemplificar sua obra); Munch e o grupo parisiense Fauves, liderado por Matisse.

     No desenvolvimento do expressionismo tiveram sua importância os escritos de Worringer propondo a distorção de formas que expressassem um mundo hostil.

     Isso acabou por fornecer justificação teórica para o movimento e o termo «expressionismo».

A influência dos grupos

     Concomitantemente, dois grupos influentes expressionistas foram montados no país: Die Brücke, em Dresden, 1905 e Der Blaue Reiter, em Munique, 1911 - 1912.

     Apesar da formação desses grupos, o expressionismo fundamenta-se basicamente na individualidade e alto grau de subjetividade do artista, expressando, na grande maioria das vezes, naturezas isoladas e místicas.

     Se a arte é individualista, então, a formação dos grupos se deu mais como uma estratégia de melhor divulgação de idéias e concentração mais fácil de meios materiais para a realização de trabalhos.

O grupo «A Ponte»

     Os fundadores do Die Brücke (A Ponte) foram Ernst Ludwig Kirchner (1880-1938) e os arquitetos Fritz Bleyl, Erich Heckel e Karl Schmidt-Rottluff. Juntaram-se a eles Otto Mueller (1874 - 1930), Max Pechstein (1881 - 1955) e Emil Nolde (1867 - 1956), entre outros.

     O grupo era bastante próximo estilisticamente dos Fauves, também influenciados por Gauguin e Van Gogh e bastante habilidosos no trabalho com xilogravuras.

     Nolde, apesar de ter ficado menos de dois anos no grupo, merece destaque especial.

 

NOLDE (Emil HANSEN, dito), pintor alemão (Nolde, 1867 - Seebüll, 1956), um dos representantes do expressionismo germânico.

     A temática religiosa era bastante presente em suas obras, sugerindo proximidade com as cenas fantasiosas e emocionais do pintor Hieronymus Bosch (1410 - 1516). “Santa Maria do Egito entre os Pecadores“ e “O Limoal“ são bons exemplos de seus trabalhos.

     O grupo dissolveu-se em 1913, apesar de seus artistas continuarem fiéis ao expressionismo, porém com o aumento das diferenças estilísticas, em face das exigências do mercado comercial.

«O Cavaleiro Azul»

     Em Munique, desde 1911, outro agrupamento, o Der Blaue Reiter (O Cavalheiro Azul, nome vindo de uma pintura de Kandinsky), formava-se, contando com artistas extremamente importantes para a arte do Século 20, como Wassily Kandinsky, Paul Klee (1879- 1940) e Franz Marc (1880-1916).

 

KANDINSKY (Vassili), pintor francês de origem russa (Moscou, 1866 – Neuilly-sur-Seine, 1944). Um dos iniciadores da pintura abstrata.
KLEE (Paul), pintor suíço de origem alemã (Münchenbuchsee, perto de Berna, 1879 – Muralto, perto de Locarno, 1940). Praticou o surrealismo e depois o abstracionismo.

     Apesar da curta duração - dissolveu-se na Primeira Guerra Mundial - o grupo, que se concentrava bastante na condição espiritual do homem, foi bastante influente.

     Franz Marc concentrava-se principalmente na representação de animais, seguindo as distorções expressionistas. É de se destacar seus estudos de cavalos vermelhos e azuis. O artista morreu na Primeira Guerra Mundial.

     O russo Kandinsky, além de suas obras artísticas, como as pinturas, sem preocupações com a objetividade e sim com a expressividade e espontaneidade, é considerado um dos mais importantes artistas do século.

     Seus escritos sobre arte também exerceram grande influência sobre os artistas contemporâneos.

     O suíço Paul Klee é outro importante nome da arte do século XX que esteve ligado a esse movimento expressionista de Munique a partir de 1912.

     Entretanto, Klee, ao longo da carreira, mostrou-se dono de um estilo próprio e bastante individual, que tornam difícil considerá-lo apenas um artista expressionista.

     Realizou pinturas, desenhos, trabalhos gráficos (como a série de águas-fortes “Invenções“), escreveu teorias sobre arte.

     É difícil optar por qualquer obra representativa de seu trabalho, devido à enorme variedade que existe entre elas. São algumas obras suas: “Cabeças”, de 1913, “Cena de Batalha da Ópera-Cômica Fantástica Simbad, O Marujo“, de 1923 e “La Belle Jardinière“, de 1939.

Conheça obras do Expressionismo

Fonte: Enciclopédia Digital Master.
            Enciclopédia Koogan Houaiss

 

 
 

Expressionismo Abstrato

 
 


Da América para a Europa

     O Expressionismo Abstrato foi um movimento que floresceu em Nova York a partir de 1940 e acabou exercendo forte influência sobre a Europa nas décadas de 50 e 60 desse século

     Foi o primeiro movimento que seguiu o caminho inverso do tradicional: em vez de seguir da Europa para a América, foi da América para a Europa.

     Entretanto, esse termo já era utilizado para alguns trabalhos de Kandinsky, em especial os do começo de sua carreira.

KANDINSKY (Vassili), pintor francês de origem russa (Moscou, 1866 – Neuilly-sur-Seine, 1944). Um dos iniciadores da pintura abstrata.

     Anunciava o surgimento de uma arte "verdadeiramente norte-americana", com forte domínio do subconsciente.

Guiados pelo automatismo

     O automatismo, conceito forte em movimentos como o Surrealismo, aqui também encontra-se presente, principalmente na forma das Action Paintings) e tinha, entre seu principal expoente, Jackson Pollock.

AUTOMATISMO s.m. Caráter do que é automático. / Falta de vontade própria. / Diz-se de uma atividade literária, em que o autor se deixa levar exclusivamente pelo subconsciente.

     As principais características do Expressionismo Abstrato eram a revolta contra a pintura tradicional, a liberdade e a espontaneidade.

     Quanto à espontaneidade, em especial, as Action Paintings de Pollock - outro nome pelo qual é conhecido o Expressionismo Abstrato, ou seja, um método de pintura que privilegiava a rapidez da execução, a espontaneidade "eruptiva" e condenava a premeditação - são bastante bem sucedidas.

     Esse método foi introduzido nos Estados Unidos principalmente pela presença de franceses surrealistas refugiados de guerra, em especial, André Masson que, apesar de surrealista, possuía divergências com o estilo de Breton.

Métodos em nada
acadêmicos

     Jackson Pollock foi um dos artistas americanos mais influenciado por Masson, como atestam obras como "Esforço para Dormir".

     O artista, entretanto, consegue imprimir sua própria leitura e estilo à herança surrealista francesa, como atesta "A Loba" (The She-Wolf).

     Ele também descarta as imagens fantásticas do grupo europeu, priorizando as abstrações. "Retrato e um Sonho", de 1953, é outra obra representativa do artista.

     Morto em acidente em 1956, Pollock é considerado um dos principais nomes da pintura norte-americana.

     Um dos aspectos mais curiosos ligados à sua personalidade era a maneira como realizava suas obras: estendia a tela no chão, utilizando-se de varas, facas, colheres de pedreiros, gotejamento de líquidos e até areia, com a finalidade de tornar-se parte integrante de sua obra e fazer com que "a vida" da pintura "viesse à tona" (daí o conceito de Action Painting).

A expansão do termo

     O termo expressionismo abstrato, entretanto, acabou ainda sendo aplicado à obra de artistas como Willem de Kooning (nascido na Holanda) e Mark Rothko (nascido na Rússia).

     Nem o primeiro possui uma obra considerada totalmente abstrata, nem o segundo uma obra considerada expressionista (é menos agitada que a de seus colegas americanos, sendo chamada de color field painting e não de action painting).

     O Tachismo, ou a marca deixada pelo pincel, baseada na caligrafia oriental (em especial a chinesa), também teve grande influência sobre o Expressionismo Abstrato.

TACHISMO s.m. Uma das tendências da pintura abstrata dos anos 50, caracterizada pela projeção de manchas e formas como que caligráficas, feitas com as bisnagas de tinta diretamente sobre o suporte do quadro (Mathieu, Degottex, Wols etc.).

Fonte: Enciclopédia Digital Master..
            Enciclopédia Koogan-Houaiss.