Maneirismo

 
 

 

Turbulência na arte

     Após o aparecimento de Leonardo Da Vinci, Rafael e Michelangelo, muitos artistas italianos tentaram buscar uma nova arte, contrária aos princípios da alta renascença.

     Trata-se de uma arte mais turbulenta, em que se buscavam idéias novas, invenções que surpreendessem, insólitas, cheia de significados obscuros e referências à alta cultura.

     Acredita-se que tenha sido influenciada ainda pela contra-reforma católica e pelo clima de inquietação do momento.

Ligação entre a Renascença
e o Barroco

     O estilo artístico que daí decorre recebe o nome de maneirismo e faz a passagem entre a alta renascença e o barroco, apresentando alguns elementos ora mais próximo de uma escola, ora de outra.

     Seu período estende-se de mais ou menos 1520 ao fim do Século 16.

     O termo maneirismo, derivando da palavra italiana maneira (estilo), pode nos dar mais informações sobre esse tipo de arte.

     Ele era utilizado pelo pintor, arquiteto e teórico de história da arte da época, Vassari, no sentido de graça, sofisticação, estabilidade, elegância.

     Por extensão, a denominação prosseguiu para a arte análoga à realizada pelo artista.

De aceitação difícil

     Entretanto esse novo estilo foi visto com desconfiança pelos críticos até o nosso século.

     Eles consideravam-na uma arte menor, uma falha de compreensão por parte dos artistas da época sobre a arte dos grandes mestres, imitações sem alma. O próprio termo maneirismo era relacionado ao mau gosto e excesso.

     Entretanto, mais ou menos no período entre as duas guerras mundiais, os artistas de então passaram a ser melhor compreendidos e admirados pelos críticos.

Artistas que se
destacaram

     Entre as obras de Giorgio Vassari (1511 - 1574), estão os afrescos do grande salão do Palazzo della Cancelleria, em Roma, mostrando a vida do papa Paulo 3º).

     Entretanto, ele é mais conhecido por seu livro "A Vida dos Artistas" - uma das principais fontes de informações sobre a Itália Renascentista e por seus conceitos e opiniões artísticas que acabaram por pautar, durante longo tempo, o trabalho dos críticos e historiadores de arte que o seguiram.

     Dentro do maneirismo, são colocados vários artistas que desenvolveram atividades no período e é grande a diversidade das obras.

     Entretanto, podemos destacar outros nomes importantes que ajudaram na " formação" da escola (que até hoje não se encontra muito clara para os pesquisadores).

     Além de Vassari,, já mencionado, destacam-se Rosso Fiorentino (1494 - 1540) e Jacopo Pontormo (1494 - 1557), na pintura; Benvenuto Cellini (1500 - 1571) e Giovanni da Bologna (1529 - 1608), na escultura; e Giulio Romano (1492 - 1546), na arquitetura.

PONTORMO (Jacopo CARRUCCI, dito o), pintor italiano (Pontormo, 1494 - Florença, c. 1556). Após inspirar-se com brilho em Miguel Ângelo e Dürer, executou composições cada vez mais desordenadas.
CELLINI (Benvenuto), escultor e ourives italiano (Florença, 1500 - id., 1571). Francisco I o atraiu à sua corte. Suas obras-primas são a estátua de Perseu (Florença, Loggia dei Lanzi), a Ninfa de Fontainebleau (baixo-relevo, Louvre) e o célebre saleiro de Francisco I (Museu de Viena, Áustria). Deixou importantes Memórias.
ROMANO (Giulio PIPPI, dito Júlio), arquiteto e pintor italiano (Roma, 1492 ou 1499 - Mântua, 1546). Aluno de Rafael, construiu e decorou o palácio do Te, em Mântua.

A Escola Veneziana

     Mas talvez seja na Escola Veneziana que podemos encontrar o maior mestre do período: o pintor Tintoretto (Jacopo Robustini; 1518 - 1594).

TINTORETO (Jacopo ROBUSTI, dito Il), pintor italiano (Veneza, 1518 - id., 1594). Produziu grande número de obras de temas históricos ou religiosos, notáveis pelo arrebatamento inventivo e vigor do colorido. Suas principais obras estão no Palácio dos Doges e na Scuola di San Rocco, em Veneza.

     Enquanto grande parte dos artistas do período contentavam-se em imitar os mestres, ele utilizou-se de maneira extremamente pessoal e crítica o aprendido com suas maiores influências: Michelângelo e Ticiano.

     Era conhecido por sua grande imaginação, por sua composição assimétrica e por produzir grandes efeitos dramáticos em suas obras.

Para obter os resultados, às vezes, sacrificava até as bases da pintura desenvolvida por seus antecessores (como, por exemplo "a suave beleza" de Giorgione E Ticiano).

     Seu quadro São Jorge e o Dragão, retratando o auge da batalha entre as duas figuras, através de um jogo de luz e tonalidades, produz grande tensão.

     Em alguns países da Europa, principalmente na França, Espanha e Portugal, o maneirismo foi o estilo italiano quinhentista que mais se adaptou à própria cultura desses países, encontrando mais seguidores que a própria arte da alta renascença.

Fonte: Enciclopédia Digital Master..
            Enciclopédia Koogan-Houaiss.


 
 

Minimalismo

 
 

 

Um quadro de 1913 do pintor russo Kasimir Malevitch que mostra um quadrado preto sobre um fundo branco serviu como ponto de partida, meio século depois, para o desenvolvimento do minimalismo na arte.

     Movimento das artes visuais e da música que representa o ápice das tendências reducionistas na arte moderna, o minimalismo surgiu em Nova York no fim da década de 1960. Caracteriza-se pela extrema simplicidade de formas e pela abordagem literal e objetiva dos temas.

     As primeiras manifestações dos escultores e pintores minimalistas nasceram de sua insatisfação com a action painting, ramo do expressionismo abstrato que dominou a arte americana de vanguarda durante grande parte da década de 1950.

     Os minimalistas consideravam a action painting, de traço intuitivo e espontâneo, muito personalista e sem substância. Defendiam que a obra de arte não deveria referir-se a outra coisa a não ser a si própria e, em seus trabalhos, evitaram associações extra-visuais.

     Formas geométricas simples e monumentais feitas de fibra de vidro, plástico ou metal caracterizam a escultura minimalista, entre cujos expoentes estão Donald Judd, Carl Andre, Dan Flavin, Tony Smith, Anthony Caro, Sol LeWitt, John McCracken, Craig Kaufman, Robert Duran e Robert Morris.

     Na pintura, que difere de outras abstrações geométricas por rejeitar composições líricas e matemáticas, consideradas meios de expressão pessoal do artista, destacaram-se Jack Youngerman, Ellsworth Kelly, Frank Stella, Kenneth Noland, Al Held e Gene Davis.

     O movimento minimalista estendeu-se à música, e nessa área quase se poderia dizer que teve como um de seus precursores o compositor alemão Carl Orff, em Carmina burana.

     Numa reação contra a sofisticação intelectual da música moderna, os compositores passaram a adotar um estilo simples e literal, e dessa forma criaram uma música extremamente acessível. Na obra de La Monte Young e Morton Feldman, por exemplo, o tratamento tradicional da forma e da evolução foi substituído pela exploração do timbre e do ritmo, elementos musicais estranhos aos ouvintes ocidentais.

     Outro grupo de compositores -- Phillip Glass, Steve Reich, Cornelius Cardew e Frederic Rzewski -- foi influenciado pela música da Índia, de Bali e da África ocidental

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Muralismo

 
 


     A pintura mural difere de todas as outras formas de arte pictórica por estar profundamente vinculada à arquitetura. Nessa técnica, o emprego da cor e do desenho e o tratamento temático podem alterar radicalmente a percepção das proporções espaciais da construção.

     Muralismo é a arte da pintura mural, que engloba o conjunto de obras pictóricas realizadas sobre parede. A técnica de uso mais generalizado é a do afresco, que consiste na aplicação de pigmentos de cores diferentes, diluídos em água, sobre argamassa ainda úmida.

História

     A pintura mural tem raízes no instinto primitivo dos povos de decorar seu ambiente e de usar as superfícies das paredes para expressar idéias, emoções e crenças.

     Entre os povos mesopotâmicos, egípcios e cretenses, os murais eram empregados para decorar palácios e monumentos funerários.

     Também foram cultivados nas civilizações grega e romana, embora destes tenham restado poucos exemplares, entre os quais se destacam os encontrados nas ruínas de Pompéia e Herculano.

     A técnica de pintura mural também foi muito empregada na Índia, com brilhantes exemplos como os das cavernas de Ajanta, e na China da dinastia Ming.

     A nitidez da cor e a precisão do traçado dos perfis caracterizou a pintura mural da Idade Média e, em especial, a das construções românicas, nas quais costumavam receber afrescos as absides e os painéis laterais das igrejas, com figuras religiosas em atitude hierática.

     Manifestações importantes da arte mural românica são as das igrejas de Berzé-en-Ville, na França, de Oberzell e Reichenau, na Alemanha, e de Tarrasa e Tahull, na Espanha.

     No século XIII, os trabalhos de Giotto deram extraordinário impulso à pintura mural e, a partir de então, surgiram grandes mestres dessa técnica. No Renascimento, foram criadas algumas obras-primas do muralismo, como os afrescos da capela Sistina, por Michelangelo, e a "Última ceia", de Leonardo da Vinci.

     Com o interesse progressivo por tapeçarias e vitrais para uso na decoração de interiores, a pintura mural entrou em decadência no Ocidente. Excetuados os murais pintados por Rubens, Tiepolo, Delacroix e Puvis de Chavannes, houve poucas obras importantes após o Renascimento.

     No século XX, no entanto, a pintura mural ressurgiu, com todo vigor, em três fases principais: um gênero mais expressionista e abstrato que surgiu a partir de grupos cubistas e fauvistas, em Paris, e se manifestou nos trabalhos de Picasso, Matisse, Léger, Miró e Chagall; outro que se manifestou a partir do movimento revolucionário mexicano; e um movimento mural de curta duração, na década de 1930, nos Estados Unidos.

Muralismo mexicano

     A tradição milenar da pintura mural, também praticada por algumas culturas pré-colombianas, ressurgiu nas primeiras décadas do século XX no México, coincidente com um movimento revolucionário. Os artistas da época viram no muralismo o melhor caminho para plasmar suas idéias sobre uma arte nacional popular e engajada.

     Como manifestação genuinamente nacional, o muralismo mexicano conseguiu produzir profundo impacto no panorama pictórico mundial.

     As primeiras obras remontam a 1910, ano em que Gerardo Murillo, conhecido como Doutor Atl, e vários estudantes da Academia de São Carlos organizaram uma exposição de arte e se propuseram decorar com murais o anfiteatro da Escola Preparatória, na Cidade do México. Ao deflagrar-se a revolução, o projeto foi interrompido, mas as bases do movimento artístico já tinham sido assentadas.

     Trata-se de uma arte monumental e política, elaborada por artistas combativos, e aberta a todo o povo. Seus cultores pretendiam também revalorizar a cultura pré-hispânica. Essas idéias foram expostas num manifesto redigido em 1921 pelo pintor David Alfaro Siqueiros.

     Na mesma época regressava ao México Diego Rivera, que tivera contato direto com a vanguarda artística européia e se impressionara profundamente com os afrescos renascentistas italianos.

     A situação política do México e seu acervo histórico pré-colombiano e colonial inspiraram a temática da maioria dos murais. Na maior parte das composições estavam representados indígenas, conquistadores espanhóis, camponeses, operários, políticos e revolucionários.

     Siqueiros e Rivera, junto com José Clemente Orozco, dominaram a pintura muralista mexicana. Orozco era o mais manifestamente expressionista dos três e entre seus temas figuram a conquista e a evangelização do país.

     A obra de Rivera, o mais conhecido internacionalmente, tem como temas mais freqüentes o indigenismo, a industrialização e a história do México. Siqueiros, o mais revolucionário e inconformista, imprimiu a sua obra uma exaltação da liberdade e um sentido anti-capitalista.

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