A pintura mural difere de todas as outras
formas de arte pictórica por estar profundamente vinculada à arquitetura.
Nessa técnica, o emprego da cor e do desenho e o tratamento temático
podem alterar radicalmente a percepção das proporções espaciais
da construção.
Muralismo é a arte da pintura mural, que engloba o conjunto de obras
pictóricas realizadas sobre parede. A técnica de uso mais generalizado
é a do afresco, que consiste na aplicação de pigmentos de cores
diferentes, diluídos em água, sobre argamassa ainda úmida.
História
A pintura mural tem raízes no instinto primitivo dos povos de decorar
seu ambiente e de usar as superfícies das paredes para expressar
idéias, emoções e crenças.
Entre os povos mesopotâmicos, egípcios e cretenses, os murais eram
empregados para decorar palácios e monumentos funerários.
Também foram cultivados nas civilizações grega e romana, embora
destes tenham restado poucos exemplares, entre os quais se destacam
os encontrados nas ruínas de Pompéia e Herculano.
A técnica de pintura mural também foi muito empregada na Índia,
com brilhantes exemplos como os das cavernas de Ajanta, e na China
da dinastia Ming.
A nitidez da cor e a precisão do traçado dos perfis caracterizou
a pintura mural da Idade Média e, em especial, a das construções
românicas, nas quais costumavam receber afrescos as absides e os
painéis laterais das igrejas, com figuras religiosas em atitude
hierática.
Manifestações importantes da arte mural românica são as das igrejas
de Berzé-en-Ville, na França, de Oberzell e Reichenau, na Alemanha,
e de Tarrasa e Tahull, na Espanha.
No século XIII, os trabalhos de Giotto deram extraordinário impulso
à pintura mural e, a partir de então, surgiram grandes mestres dessa
técnica. No Renascimento, foram criadas algumas obras-primas do
muralismo, como os afrescos da capela Sistina, por Michelangelo,
e a "Última ceia", de Leonardo da Vinci.
Com o interesse progressivo por tapeçarias e vitrais para uso na
decoração de interiores, a pintura mural entrou em decadência no
Ocidente. Excetuados os murais pintados por Rubens, Tiepolo, Delacroix
e Puvis de Chavannes, houve poucas obras importantes após o Renascimento.
No século XX, no entanto, a pintura mural ressurgiu, com todo vigor,
em três fases principais: um gênero mais expressionista e abstrato
que surgiu a partir de grupos cubistas e fauvistas, em Paris, e
se manifestou nos trabalhos de Picasso, Matisse, Léger, Miró e Chagall;
outro que se manifestou a partir do movimento revolucionário mexicano;
e um movimento mural de curta duração, na década de 1930, nos Estados
Unidos.
Muralismo mexicano
A tradição milenar da pintura mural, também praticada por algumas
culturas pré-colombianas, ressurgiu nas primeiras décadas do século
XX no México, coincidente com um movimento revolucionário. Os artistas
da época viram no muralismo o melhor caminho para plasmar suas idéias
sobre uma arte nacional popular e engajada.
Como manifestação genuinamente nacional, o muralismo mexicano conseguiu
produzir profundo impacto no panorama pictórico mundial.
As primeiras obras remontam a 1910, ano em que Gerardo Murillo,
conhecido como Doutor Atl, e vários estudantes da Academia de São
Carlos organizaram uma exposição de arte e se propuseram decorar
com murais o anfiteatro da Escola Preparatória, na Cidade do México.
Ao deflagrar-se a revolução, o projeto foi interrompido, mas as
bases do movimento artístico já tinham sido assentadas.
Trata-se de uma arte monumental e política, elaborada por artistas
combativos, e aberta a todo o povo. Seus cultores pretendiam também
revalorizar a cultura pré-hispânica. Essas idéias foram expostas
num manifesto redigido em 1921 pelo pintor David Alfaro Siqueiros.
Na mesma época regressava ao México Diego Rivera, que tivera contato
direto com a vanguarda artística européia e se impressionara profundamente
com os afrescos renascentistas italianos.
A situação política do México e seu acervo histórico pré-colombiano
e colonial inspiraram a temática da maioria dos murais. Na maior
parte das composições estavam representados indígenas, conquistadores
espanhóis, camponeses, operários, políticos e revolucionários.
Siqueiros e Rivera, junto com José Clemente Orozco, dominaram a
pintura muralista mexicana. Orozco era o mais manifestamente expressionista
dos três e entre seus temas figuram a conquista e a evangelização
do país.
A obra de Rivera, o mais conhecido internacionalmente, tem como
temas mais freqüentes o indigenismo, a industrialização e a história
do México. Siqueiros, o mais revolucionário e inconformista, imprimiu
a sua obra uma exaltação da liberdade e um sentido anti-capitalista.
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