Naturalismo

 
 

 

     Esse termo normalmente refere-se a trabalhos de arte baseados na observação dos objetos que representam e não em estilizações ou conceitos pré-forjados a respeito dos mesmos.

     Em seu sentido mais amplo, seria a aproximação máxima realizada pelo artista entre a obra e a natureza daquilo que pretendia ser representado.

     Entretanto, uma obra em que não pode ser observada uma rígida preocupação em descrever algo com o máximo de detalhes verossímeis, ainda assim, em alguns casos, pode ser considerada naturalística, se apresentar coerência com o aspecto geral.

     Os gregos são os primeiros a receberem a denominação de naturalistas na História da Arte, principalmente devido a sua produção do Período Clássico.

     Apesar da idealização de uma beleza física,   conhecida como padrão de beleza clássico, suas obras são baseadas no estudo e na observação das estruturas do corpo humano. A idealização, portanto, não aparece aqui como antônimo de naturalismo.

     Os renascentistas italianos também são conhecidos pelo naturalismo em suas obras, uma vez que esse era um dos padrões estéticos da arte grega que pretendiam resgatar.

     Além disso, costuma-se usar a expressão arte naturalista em oposição à arte abstrata, ou como sinônimo de realismo (note-se que realismo, quando em letra maiúscula, refere-se a uma escola presente na História da Arte e nesse sentido, não é correto o uso indistinto dos dois termos).

     Pode ainda referir-se a uma escola pictórica determinada. Nesse caso é designada para nomear os caravaggistas, artistas bastante influenciados pelo estilo do italiano Caravaggio, que fazia questão de ressaltar em suas obras a verossimilhança, independente de um resultado final agradável.

CARAVAGGIO (Michelangelo [Miguel Ângelo] AMERIGHI, ou MERISI, dito), pintor italiano (Caravaggio, 1573 - Porto Ercole, 1610). Dramatizou o realismo de sua visão, recorrendo a poderosos contrastes de sombra e de luz. Sua influência foi considerável.

     O crítico de arte e colecionador italiano Giovanni Pietro Bellori (1615 - 1696), conhecido por seus estudos do período barroco, foi o primeiro a utilizar-se desse termo pretendendo designar essa escola.

Fontes: Enciclopédia Digital Master.
            Enciclopédia Koogan-Houaiss.


 
 

Neoclassicismo

 
 

 

De volta ao lirismo
da Grécia antiga

     O ideal romântico de ressuscitar os valores estéticos da antiguidade clássica inspirou o movimento artístico conhecido como neoclassicismo, que dominou a Europa por quase um século.

     Tendência predominante na pintura, na escultura e na arquitetura européias desde as últimas décadas do Século 18 até meados do Século 19, o neoclassicismo surgiu como reação ao barroco e ao rococó, e se inspirava nas formas artísticas e arquitetônicas da Grécia e de Roma.

     Contribuíram para a afirmação do movimento neoclássico a curiosidade pelo passado que se seguiu às escavações de Pompéia e Herculano, e a obra de eruditos como Johann Winckelmann -- autor da célebre Geschichte der Kunst des Altertums (1764; História da arte da antiguidade) -- e outros estudiosos da antiguidade greco-romana.

     Inicialmente, tanto as formas gregas quanto as romanas serviram de modelo aos artistas neoclássicos.

Na pintura, a influência
foi maneirista

     Do Século 19 em diante, a preferência voltou-se para a estética grega. Ressalte-se, entretanto, que a pintura era uma forma artística pouco cultivada na Grécia e em Roma.

      Em verdade, gregos e romanos davam mais atenção à escultura e à arquitetura e, assim, os pintores neoclássicos tomaram como modelo alguns maneiristas, como os Carracci, e principalmente certos renascentistas, como Rafael.

     Como ocorrera no Renascimento, o neoclassicismo preconizava o retorno aos ideais clássicos de beleza, mas o espírito que o plasmou diferia nitidamente do espírito humanista que deu origem ao primeiro.

     Sob os temas heróicos ou mitológicos inspirados na antiguidade clássica e traduzidos num vocabulário formal apenas superficialmente grego ou romano, o que se descobre na arte neoclássica é a busca de reviver uma época tida como origem da beleza e virtude.

Democrático no início,
imperialista no fim

     Embora não tenha tido entre seus adeptos nenhum grande nome, não deve ser menosprezado o cunho democrático do movimento neoclássico, que, de início, buscava reagir contra a pompa e o gosto aristocrático da época de Luís 14.

     Essa característica explica a popularidade e o prestígio de que desfrutou na França e na Europa após a revolução francesa.

     Napoleão pressentiu as potencialidades sociais do estilo neoclássico e submeteu-o ao poder imperial, o que deu origem ao que se convencionou chamar de estilo império.

     Assim, criou-se uma situação paradoxal, em que uma tendência, a princípio democrática, tornou-se o estilo oficial do império napoleônico e, por fim, a bandeira do reacionarismo artístico.

Dominou as academias e
sufocou as artes

    Na verdade, de 1820 a 1850, já em decadência, o neoclassicismo opôs-se ao romantismo e, abrigado nas academias e escolas de belas-artes, confundiu-se com o academicismo e assim reagiu a todas as tendências de vanguarda, a começar pelo impressionismo.

     De modo geral, a pintura neoclássica se caracteriza pelo predomínio do desenho e da forma sobre a cor, o que a distingue da arte romântica.

     Quanto ao conteúdo, é ilustrativa e literária, enquanto a romântica é expressiva e pictórica.

Nomes importantes

     Nomes importantes do neoclassicismo, na França, foram Jacques-Louis David, líder da escola, Jean-Auguste Ingres, François Gérard, Théodore Chassériau, Alexandre Cabanel, Jean-Jacques Henner e Adolphe Willian Bouguereau.

INGRES (Dominique), pintor francês (Montauban, 1780 – Paris, 1867). Aluno de David, distinguiu-se pela pureza de seu desenho. Principais obras: A Capela Sistina, O voto de Luís XIII, A apoteose de Homero, A odalisca, O banho turco.
GÉRARD (François, barão), pintor francês (Roma, 1770 – Paris, 1837), aluno de Louis David. Sua Batalha de Austerlitz celebrizou-o.
CHASSÉRIAU (Théodore), pintor francês (Sainte-Barbe-de-Samana, São Domingos, República Dominicana, 1819 - Paris, 1856). Discípulo de Ingres, conciliou o desenho do mestre com a cor de Delacroix em seus retratos (Lacordaire) e em seus nus (A toalete de Ester).

     Na Inglaterra, destacou-se Sir Lawrence Alma-Tadema; Nos Estados Unidos, Washington Allston.

     Na escultura neoclássica registre-se o italiano Antonio Canova, o dinamarquês Bertel Thorvaldsen e o britânico John Flaxman.

CANOVA (Antonio), escultor italiano (Possagno, 1757 - Veneza, 1822). Principal representante do neoclassicismo, foi o autor, notadamente, das esculturas Amor e Psique e Paulina Borghese.
FLAXMAN (John), escultor inglês (York, 1755 – Londres, 1826). Neoclássico (túmulos e estátuas na catedral de São Paulo, em Londres), forneceu modelos à manufatura de faianças de Wedgwood.

Fonte: Enciclopédia Britânica.
  

 
 

Neo-Impressionismo

 
 

Mais técnico e menos
espontâneo

     O Neo-Impressionismo foi um desenvolvimento do Impressionismo e também uma reação a ele - que buscava fundamentalmente trabalhar com a cor e a luz a partir de conhecimentos científicos, como a ótica e as cores em progresso, baseados em autores como Eugène Chevreul e David Sutter e Charles Henry.

    Nesse ponto, diferencia-se, portanto do Impressionismo, mais baseado na espontaneidade.

     Os principais expoentes desse movimento francês expuseram, junto com os Impressionistas, na Exibição Final deste grupo, em 1886. O primeiro a utilizar-se dessa denominação foi o crítico Félix Fénéon.

O pontilhismo, ou
divisionismo

     O pontilhismo, ou divisionismo, como preferiam nomear uma das técnicas bases do movimento estudava a decomposição de cores naturais nos matizes (nuanças) que as compunham.

PONTILHISMO s.m. Pintura Técnica dos pintores neo-impressionistas, que consiste na decomposição dos tons, justapondo pequenas pinceladas sob a forma de pontos, em vez de fazer a mistura das cores na palheta. O mesmo que divisionismo e neo-impressionismo.

     A partir daí, esses matizes deveriam ser passados para a superfície onde a pintura seria realizada em seu estado mais puro ou primário, como pinceladas mínimas ou simples pontos.

     Deixavam para o observador das obras a função de reconstituir esses matizes, misturando-os visualmente.

     Esses pontos de cores em estado primário, quando observados numa distância calculada, deveriam apresentar o máximo de luminosidade, realidade de cores e brilho.

Rigor formal controla
as emoções

     Suas composições eram altamente formalizadas, com pinceladas calculadas para melhor atingir os efeitos cromáticos pretendidos e poses calculadas.

     Georges Seurat (1859-1891) é considerado o principal nome do movimento, deixando em sua curta vida, obras e princípios que iriam exercer grande influência sobre os movimentos modernistas do século XX. Artistas como Picasso e Braque foram impressionados pelos seus trabalhos.


 
 
Neoplasticismo
 
 

     Neoplasticismo foi a denominação dada pelo artista Piet Mondrian (1872-1944), para um estilo de arte  baseado na abstração geométrica, que acabou se tornando uma de suas principais características.

MONDRIAN ou MONDRIAAN (Piet CORNELIS, dito Piet), pintor holandês (Amersfoort, 1872 - Nova York, 1944). Começou como figurativo influenciado por Van Gogh, passando depois a um cubismo analítico e a uma abstração geométrica. Participou do grupo "De Stjl" e do neo-plasticismo. De 1919 a 1938 viveu em Paris, transferindo-se depois para Nova York, onde seu estilo continuou a evoluir até um extremo rigor. Seu prestígio só cresceu após sua morte, com exposições nos principais museus.

     Nascido do cubismo, defendia uma arte construída somente a partir de elementos abstratos, não naturalista e sem pretensões de representar detalhes de objetos naturais.

     No Neoplasticismo, pois, de acordo com Mondrian, a arte reduziria a versatilidade da natureza à expressão plástica com relações claras.

     A pintura deveria ser realizada a partir de linhas verticais e horizontais e formas retangulares. As cores utilizadas seriam as primárias - o vermelho, o azul e o amarelo - juntas com o branco, o preto e o cinza.

     Com sua teoria artística Mondrian pretendia instaurar uma arte anti-individulista, intuitiva, que representasse as características do cosmos ou da harmonia universal.

     Mondrian foi bastante influenciado pela filosofia do holandês M. H. J. Schoenmaekers e pela teosofia, elementos que podem ter inspirado suas elaborações neoplásticas.

     O livro Do espiritual em arte, em especial popular entre alguns artistas vanguardistas do período, parece ter sido lido por Mondrian na elaboração de suas idéias.

     "Composição em Vermelho, Amarelo e Azul", com seus retângulos formados por linhas horizontais e verticais é um bom exemplo da aplicação de sua teoria.

     Mondrian e Theo van Doesburg eram ainda os principais líderes do movimento modernista holandês De Stijl, uma das futuras influências do Bauhaus.

     Entre os membros do De Stijl, destacam-se os arquitetos Oud, responsável pelo planejamento urbano de Roterdã (1918), Robert Van’t Hoff e Gerrit Thomas.

Fontes: Enciclopédia Digital Master.
              Enciclopédia Koogan-Houais.