X-Box - X-Men Legends

FICHA TÉCNICA
Developer: Raven Software
Publisher: Activision
Estilo: Action RPG
Data de Lançamento: 21/09/04

NOTA: 8.4

"Ótima pedida para quem curte RPG mas anda cansado de jogar títulos elaborados demais"

Conhecidíssimos são os talvez mais bem-sucedidos incursores do ramo dos quadrinhos norte-americanos nos videogames. Mas foi-se sua época dourada no que se refere a títulos "não-de-luta", perdida junto ao NES e seu ótimo Wolverine. Os donos de PlayStation ao menos não tem do que reclamar com aquelas dezenas de jogos da Capcom envolvendo não só afetos e desafetos do Professor Xavier como tantos outros Street Fighters e afins. Eis que no X-Box se sucede um lampejo de jogo de aventura de X-Men (opa, essa letra "x" comum aos dois tem algo a ver?), na verdade com pitadinhas de RolePlay que não estavam esperando. Se é o início de uma nova onda, de um novo apogeu para a série ou se é só uma exceção, ninguém sabe. O que se sabe é que, independentemente disso, é bem-vindo.

 XML permite que você tome controle do seu personagem da HQ/desenho/filme favorito desse universo maluco criado por Stan Lee!

STORYLINE

Apesar de ser livre para escolher qualquer componente tradicional do grupo para seu quarteto, podemos dizer que o enredo é focado muito mais num novo personagem – ou melhor: numa nova! Magma é seu nome, aparição da HQ lançada pela Panini aqui no Brasil, Novos Mutantes (ed. 8). Pelo nome dá pra perceber que o negócio da menina é altas temperaturas! Há inicialmente um trabalho em cima da origem de Magma: Wolverine é escalado para a missão de resgatá-la (ainda criança) de membros da Brotherhood of Mutants, Irmandade dos Mutantes, entidade arqui-rival da Escola Xavier e comandada por Magneto (destaque da boxshot). Essa aparente banalidade (pegar a "lavagirl" de mãos malvadas e levá-la para a reabilitação e re-inserção social no Instituto) vai ganhando novos elementos no transcorrer da narrativa e cedo você verá que ao redor dela gira o destino de toda a humanidade!

CONCEITO GERAL & PERSONAGENS

XML é um híbrido de Role Playing Game com Ação que se assemelha bastante à mecânica básica de jogos como Baldur's Gate – Dark Allience e Champions of Norrath, dois bons exemplos para o console. Quando não há menus nem momentos em que pensar não dói nem um pouco (e é até recomendável), o pau rola solto mais ou menos como nos antigões Streets of Rage e Final Fight, não sem algumas inovações. A diferença é que em vez de escolher um entre quatro, como neste último, teremos uma belíssima gama de talentos e quatro poderão ser selecionados: Cyclops, o líder nato; Wolverine, o mais carismático X-Man de todos os tempos; Iceman, aqui conhecido como Homem de Gelo mesmo, integrante da formação original, das HQs da década de 60; Beast, vulgo McCoy, a Fera, tão azul quanto inteligente; Jean Gray, a mais forte da equipe (ao menos no desenho!) e "falsa identidade" da imortal Fênix; Colossus, aquele sujeitinho que vira aço e ajuda os X-Men a capturarem Juggernaut; Emma Frost (sobre cuja pessoa não consta nenhuma informação!); Psylocke, jovenzinha com poderes idênticos aos de Jean Gray mas mais inexperiente; Jubilee, a Jubileu do Brasil, com seus confetes e típicos questionamentos adolescentes; Nightcrawler (não reconhece?), o Noturno, semi-demônio que desaparece no ar; Gambit (tome um ás!); e muitos, muitos outros. A garotinha-vulcão fará aparições eventuais na sua equipe para missões especiais.

JOGABILIDADE, COMBOS & FASES

Os controles são fáceis de pegar: duas teclas para atacar (de preferência use ambas simultaneamente para desencadear combos altamente destrutivos!) é tudo que você precisa saber. Não que os personagens não se locomovam ou façam um bando de outras ações, mas realmente nem merecem comentário de tão simples. Reside nos combos a graça do negócio: há um que eleva os inimigos aos céus, outro que os nocauteia, e até um que deixa os caras tontinhos o resto da luta! Adicionalmente, será aprendido um que é simplesmente mais longo e efetivo que os demais e (se o gamer usar a cabeça para perceber esse pequeno detalhe) será o mais usado. O esquema é simples: o jogador sempre é "atirado" no enemy-field (campo inimigo) e terá (obviamente) de combater todos os maus elementos que aparecerem. Mas não estarás ali para pancadaria puramente sangrenta e irracional: são dados vários objetivos e os lugares onde eles podem ser terminados são marcados no mapa à direita. Se perguntas quais costumam ser essas metas, diz-se que as mais comuns são coletar partes de sentinelas (aqueles robôs gigantescos que caçam mutantes) e resgatar mutantes reféns (já viu isso antes nesse review?). Até chegar nesse fim, batalha atrás de batalha. O bom é que estão intercaladas de modo que dê tempo para o jogador curar seus danos de HP e partir pra outra.

 A Danger Room é uma área de treinamento dentro da moradia do Professor X que lhe permite se aperfeiçoar em uma variedade de cenários. (LEGENDA: "Aquela lava na rua... Eu a fiz aparecer!")

Apesar de serem sempre parecidas, quanto mais avançada for uma missão, mais longa ela tem chances de ser. Algumas necessitam inclusive de horas para serem concluídas, enquanto outras consumirão menos que o tempo de um bocejo (ok, não tanto, mas coisa de 5 minutinhos...). O que tira o RPGista (ou seria actionman?) ou pouco do foco e evita que as coisas se tornem repetitivas é que você assumirá o controle de Magma na mansão. Em suas explorações peculiares, poderá conversar com os X-Men e ficar por dentro dos acontecimentos recentes, e também lhe dá a oportunidade de conferir extras do DVD, como artworks. "É só isso?" Calma! Falando com alguns dos colegas, flashback missions podem acontecer. São isso mesmo que parecem: missões clássicas dos nossos queridos heróis, que ao invés de passarem que nem um filme serão guiadas pelo próprio jogador. Fora o evento descrito na letra em itálico da foto acima, que rende muitos experience points.

APROFUNDAMENTO NO SISTEMA DE JOGO 

Estes últimos (os pontos de experiência) são ganhos (normalmente – e paralelamente à possibilidade anterior) derrotando-se inimigos e completando-se as goals estipuladas pelas fases. Apesar de, como já tanto falamos, ser possível controlar apenas quatro de uma vez, os pontos são repartidos para toda a equipe, e todos os membros e suas habilidades úteis em situações particulares poderão ser aproveitados mais cedo ou mais tarde. Ao mesmo tempo que pode irritar alguns puristas do estilo, é sem dúvida um jeito de evitar aquele "favorecimento" que torna os membros de sua equipe desiguais e pode prejudicá-lo num ponto futuro (alguém fraco demais em relação ao resto). Na verdade até as lutas das missões flashback funcionam para lapidar os stats dos mutantes (como um evento ocorrido no passado pode desencadear conseqüências só anos depois, subitamente?). Subir um nível em Legends significa que já se pode aumentar um ponto ou dois em qualquer um dos quatro números que resumem o poderio de um personagem, Offense, Defense, Health e Energy (algo como mana). Há, claro, pontos para gastar nas técnicas especiais de cada mutante. Cada um tem, também, quatro delas. Gastando pontos aqui, haverá situações de combate em que seus stats serão turbinados temporariamente para execução de golpes mortais; ou, ainda, pode haver uma espécie de "Fatality", com as barras totalmente cheias, combo possível apenas para lv. 15 ou superior. Ademais, são necessários "xtreme icons" para usar o ataque.

O mais comum nas lutas é iniciar com investidas simples e ir progredindo naturalmente para seqüências mais animalescas, sem tentá-las desesperadamente desde o início. Wolverine, por exemplo, começa apenas com rasteiras (que bonzinho!), depois revela suas adamantium claws, desfere garradas isoladas e cruzadas na horizontal, em seguida já estará dando várias seguidas e frontalmente, tentando furar a barriga do adversário. Finalmente, o xtreme move lhe permite pular de oponente em oponente e detonar muito do HP de cada um dos presentes na sala sem o menor esforço de quem está do outro lado da tela!

Não entendeu direito o exemplo com Wolvy? Ciclope vai nessa linha: inicia com disparadas ópticas curtas, depois emite rajadas que englobam raio e distância maiores e, finalmente, dá um "boom" com os olhos nunca visto antes na série, em que aniquila todos ao redor. E a diversão só tende a se multiplicar quando se tem quatro mutantes um tão poderoso quanto o outro para executar esses ataques malucos a sua disposição.

Há mais poderes em que se pode gastar pontos: aumentar o dano mesmo dos já apelões xtreme moves, aumentar a energia máxima permitida, etc., fora um exclusivo do Wolverine (por que sempre ele?), para aumentar a velocidade de sua capacidade de auto-regeneração.

 O multiplayer cooperativo parece uma das maiores sacadas do game a princípio, mas não foi desenvolvido tão bem quanto poderia...

E como diabos se controla quatro carinhas ao mesmo tempo? Simples: você controla um de cada vez, mas com um simples toque no D-Pad pode modificar qual está sob SEU comando e quais são da CPU amiga, que serão sempre "subordinados" seus, sem nunca tomar decisões de grande impacto para o sucesso da missão. Não queria puxar uma sardinha pro homem, mas Logan é o bicho: como seu life vive aumentando mesmo depois de levar a pior porrada (essa é uma de suas capacidades mutantes que sempre existiu, tá – não se trata de nenhuma invenção mirabolante dos criadores do jogo!) e o damage é sempre menor do que seria em outros (alta resistência), então a boa é controlá-lo 90% do tempo!

São tantas "health potions" pelo jogo (e inclusive a barra de life é recarregada nos save points) que podemos dizer que só por esse fato o game é bastante fácil. Não pense que isso mela a festa, porém: a storyline (apresentada acima) se ramifica tanto e envolve de tal maneira os jogadores que consegue manter as mãos grudadas aos joysticks por mais que quem esteja no comando seja um belo caçador de desafios. Você não gostaria de ver quase todos os episódios de uma novela e perder a última semana, né? Péssima metáfora, mas dá pra ter uma noção...

A estimativa da Raven em conjunto com a Activision é de que sejam necessárias em média 20 horas para terminar o jogo. Como sabemos que esse "em média" nunca chega a ser verdadeiro, subtraiamos umas 5 (parece que alguns retardados mentais que levam 25 ou 30 horas elevam muito esse número...), mas vale dizer que esse montante pode ser ainda menor ou maior, visto que as flashback missions são opcionais e vai depender de você passar por elas.

MODO MULTIPLAYER

E quem disse que acaba a aventura quando se chegaa à zeração do modo 1P? Há algumas opções multi-jogador para entretê-lo mais um tempinho. A começar pelo próprio single-player: se você, no meio da ação mesmo, plugar um segundo controle no console (e um terceiro e um quarto!), aí então a orgia vai começar, com todos agindo independentemente um do outro, na mesma tela e contra os mesmos inimigos – ou seja, em busca de um bem comum! E se alguém precisar usar o banheiro por tempo prolongado ou simplesmente desistir da jogatina, é possível desplugar o controle e retornar aquele mutante para o modo "AI".

Conceito lindo... Mas funciona? Bom... Há missões em que nem todos são utilizados e, ainda que sejam, o player 1 precisa, por exemplo, executar um vôo enquanto os outros ficam em terra. Não que eles tenham que adivinhar o que rola lá embaixo, apenas estarão excluídos da ação alguns minutos. Esse "alguns minutos" pode não ser nada para ALGUNS (hehe!) e o fim da noite de muitos outros... Claro que isso não significa que "não presta e ponto". Mesmo sem um modo online ou um gerador aleatório de missões, continua sendo perfeitamente aconselhável tentar esse meio de diversão com seus amigos.

Para quem não quer COOPERAR com o colega e sim MASSACRÁ-LO, sem problemas, há um "versus" também, que incluirá ainda vários mutantes-CPU, caso seja de sua vontade. O mais legal é que os vilões também serão selecionáveis (coisa impossível no modo em que você representava os mocinhos, logicamente): o já mencionado Juggernaut, Havok, Marrow, Mystique, Pyro, Sabretooth (o Dentes-de-Sabre, arqui-inimigo de Wolvy!), sentinelas de vários tipos e uma massa de inimigos soldadinhos (se quiser perder logo, porque são fracos como papel). De novo temos um contra: não é um multiplayer tão profundo e desenvolvido como você esperaria que fosse nesse seu otimismo de consumidor. "It's up to you, though" – é por sua conta amar, adorar, gostar ou evitar, no entanto.

GRÁFICOS

Os personagens, para quem tem olhos atentos e conhecimentos gamísticos, tendo reparado nas imagens, foram feitos na tecnologia cel-shading (espécie de "desenho" de super-alta-definição; ex: Syphon Filter, PS), enquanto os cenários são poligonais. O que isso quer dizer? Basicamente que o contraste entre mutante e fundo, sendo tão "berrante", ajuda o jogador, pois destaca bastante os lutadores e não permite que – mesmo numa "coincidência de cores" – perca-se a vista do boneco na tela, o que é essencial para um game que se propõe a enfiar até quase duas dezenas de doidões trocando uns sopapos simultaneamente! Os arredores são deveras detalhados e podem ser sempre destruídos, de alguma maneira, pelos mais brutos. E os personagens nunca são vistos num zoom muito alto, mantendo certa distância da câmera, o que não atrapalha a visualização (que é excelente, como já dito) e evita falhas gráficas. Até a confecção deste review não havia versões paralelas (GC, PS2), embora já estivessem sendo pré-desenvolvidas. Mas já se adianta aqui, de antemão, que essa versão X-Box é a melhor no visual, fora que (veremos adiante) "soa" melhor (alôu, estamos falando da parte sonora!) e possui load times mais curtos. Quanto à precisão dos comandos, é impossível saber, mas deve ser equivalente no trio.

 Os momentos de diálogos falados são exuberantes, embora raros.

SOM

X-Men Legends tem invejáveis trabalhos de voice acting, pena que não é o suficiente, principalmente num jogo da geração 128, onde sempre se espera tantas falas quanto nos filmes. Longe de ser preguiça: como em várias missões você leva quem quiser, é impossível que a máquina "adivinhe" ou "saiba" o escolhido e ponha a fala no ar. Teoricamente isso é possível, caso os textos fossem gravados por todos, mas consumiria muito do espaço da mídia. Nos momentos de flashback missions, onde o personagem controlável está sempre pré-definido, elas (as falas) estão sempre lá.

Maioria dos efeitos sonoros é nada menos que apropriada. E o fundo musical vai mudando sorrateiramente (sem que o gamer se dê conta, e isso é bom!) conforme o momento exige mais correria, pancada ou ações pensadas.

CONCLUSÃO

Fique sabendo que foi um ótimo trabalho em cima de uma licença respeitadíssima das comics como essa. Só fica aqui uma ressalva: XML apresenta uma das inteligências artificiais mais fracas já vistas na plataforma da Microsoft. Que hábito mais estúpido de ficar bloqueando as portas! Fora isso, tenha certeza de que é uma ótima pedida, principalmente se você curte RPG mas anda cansado de jogar títulos elaborados demais e quer desforrar um pouquinho.

Agradecimentos a Jeff Gerstmann
© 2005 NewGen