Imagem de História canudos

As Prisioneiras Rebelião de Canudos
(1896 - 1897)

No solitário sertão, cerca de 25 mil nordestinos fugidos da exploração dos latifúndios, da indigência, da fome e do desprezo do estado brasileiro buscaram refúgio em torno da utopia mística proposta pelo fanático religioso Antônio Vicente Mendes Maciel, o Conselheiro (1828-1897). Às margens do rio Vaza-Barris, no nordeste do estado da Bahia, fundaram o arraial de Canudos, onde construíram 5.200 casas e se estabeleceu que a propriedade das terras, do rebanho caprino —que fornecia carne, leite e queijo— e da produção da lavoura (milho, feijão, mandioca e cana) seria coletiva. No entanto, a má–vontade, a fragilidade da república recém fundada e a indiferença para com as reivindicações sociais por justiça, transformaram uma escaramuça entre jagunços injuriados e comerciantes inescrupulosos num conflito anti-republicano. Mesmo assim, foi preciso que quatro expedições do exército brasileiro, com os mais modernos armamentos existentes, fossem enviadas, ao longo de um ano, para exterminar os miseráveis que ali procuravam apenas sobreviver com mais dignidade. Canudos foi arrasado junto com seu ideal tosco de igualdade. Mas as suas seqüelas se espalharam pelo país desde quando a primeira favela foi formada no morro da Providência, na cidade do Rio de Janeiro, pelos ex–combatentes retornados do sertão baiano, sem qualquer glória reconhecida pelo governo republicano que pensavam defender.

Discursus

“Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a História, resistiu até ao esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5 [de agosto de 1897], ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dous homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados” (CUNHA, E. Os Sertões, Últimos dias, VI).



Direito Autoral

Foto: CUNHA, E. As Prisioneiras.

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