(...) Que folhas de tolerância, tirando alguns milhares de exemplares, ululem e mintam para forçar a tiragem, compreende-se: o mal que fazem é restrito. Mas que o Petit Journal, tirando mais de um milhão de exemplares, dirigindo-se aos humildes, penetrando em toda parte, semeie o erro, desvairie a opinião, eis o que assume excepcional gravidade. Quem tem um tal encargo de almas, quem é pastor de um povo inteiro, deve ser de uma probidade intelectual escrupulosa, sob pena de incorrer em crime cívico.
Aí está, França, o que encontro em primeiro lugar, na demência que te arrebata: as mentiras da imprensa, o regime de contos ineptos, de baixas injúrias, de pervesões morais, em que ela te lança todas as manhãs. Como poderias querer a verdade e a justiça, quando enxovalham a tal ponto todas as tuas virtudes lendárias, a claridade de tua inteligência, a solidez de tua razão? (ZOLA, É. Acuso, Cartas à França, págs. 62-63).