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O Grito Expressionismo
(1905-1930)

As artes, de um modo geral, e os movimentos artísticos, em especial, são excelentes indicadores do grau de interação entre o indivíduo e a sociedade. O movimento Expressionista, que teve no pintor norueguês Edvard Munch (1863-1944) um de seus principais representantes, marcou, no início do século XX, a atmosfera tensa na qual todos europeus estavam envolvidos. Não por acaso, ele surgiu na Alemanha, ao mesmo tempo que o movimento Fauve (Fera), do francês Henri Matisse (1869-1954), com a formação de dois grupos chamados Die Brücke (A Ponte, 1905/13) e Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul, 1912/14) que reuniam artistas politizados e expressavam com cores fortes e contraste claro/escuro o estado da alma das pessoas, numa cultura ameaçadora. Todo cinema alemão, independente das diretrizes estatais, foi influenciado pelo expressionismo desde O Estudante de Praga (1913), do diretor Stellan Rye, até Querelle (1982), de Rainer Werner Fassbinder (1946-1982). A fragmentação da arte, a sua mercantilização, alienação política e o uso crescente de material reciclado e perecível, refletem o estágio atual de uma civilização mundial onde não há mais espaço para o indivíduo, entulhado por objetos de consumo, expressar sua própria personalidade, senão a de consumidor. Nesse sentido, o Expressionismo foi o último grito do humanismo, em arte.

Discursus

“Se nos voltamos para a qualidade, para o valor da sensação, os expressionistas não estão muito longe dos fauves: é ainda a sensação que define a condição existencial, o ser-no-mundo do homem moderno. Mas aquilo que nos fauves é uma espécie de exaltação pânica, uma apropriação total da realidade, para os expressionistas (...) é a irrupção de profundos e convulsivos complexos: aquela visão deformada, aquela sensação exasperada e furiosa, aquele juízo severo sobre as coisas do mundo são o produto de antigos terrores, de culpas longínquas e obscuras repressões. Podemos dizer (...) que a formação dos fauves é objetiva, enquanto a dos expressionistas é subjetiva. Os fauves não têm preocupações racionais, na própria composição do grupo já encontramos em germe o internacionalismo da Escola de Paris. Nos expressionistas (...), há um ‘germanismo’ que quer sublimar-se, tornar-se europeu. Por isso a obra dos expressionistas, que recoloca a questão de uma experiência romântica não resolvida, é repleta de ansiedade: de um lado, o problema da visão, que os teóricos da visibilidade colocam em termos rigorosos, de outro o problema religiosos e social, a questão do velho artesanato e da arte popular, do primitivo e do moderno (...)” (ARGAN, G. C. As Fontes da Arte Moderna).

Direito Autoral

Imagem: MUNCH, O Grito; Museu Munch, Oslo.


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