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Rio de Janeiro
(desde o séc. XVI)
Tempo houve em que o Estado do Rio de Janeiro abrigava uma cidade considerada maravilhosa por quem a conhecia. A cidade dos contrastes entre a natureza e a urbe, o novo e o velho, o rico e o pobre simbolizava as esperenças de construção de uma civilização capaz de conviver com a diferença sem esquecer a busca da eqüidade. Entretanto, a utopia da tolerância entre as diversas culturas que formaram a população carioca foi minada pela própria indefinição da solução de seus problemas sociais atropelados por um modelo desenvolvimentista, implantado a partir de 1960, preocupado apenas com o crescimento vertiginoso e a transformação da cidade cosmopolita numa metrópole internacional. O Brasil que, em 1940, possuia cerca de 41 milhões de habitantes saltou, em 2000, para 165 milhões. Atualmente, o Estado do Rio concentra cerca de 13 milhões de pessoas que convivem com a devastação da natureza, a demolição de seu patrimônio histórico, a violência generalizada pelo tráfico de drogas e uma política despreparada para atender os anseios da população. As figuras típicas do malandro e do homem cordial tornaram-se folclóricas e perderam seu espaço para o traficante alienado e o burguês medroso, atrás de sua janela gradeada e com vidros à prova de balas.

Deu-se então a minha chegada ao Rio, que me causou uma das mais fortes impressões de minha vida. Fiquei fascinado e, ao mesmo tempo, comovido, pois se me deparou, não só uma das mais magníficas paisagens do mundo, nesta combinação sem igual de mar e montanha, cidade e natureza tropical, mas também uma espécie inteiramente nova de civilização. Aqui havia, inteiramente contra a minha expectativa, um aspecto absolutamente próprio, com ordem e perfeição de arquitetura, e no traçado da cidade, aqui havia arrojo e grandiosidade em todas as coisas novas e, ao mesmo tempo, uma civilização antiga ainda conservada de modo muito feliz, graças à distância. Aqui havia colorido e movimento; os olhos não se cansavam de olhar e, para onde quer que os dirigisse, sentia-se feliz. Apoderava os sentidos, estimulava os nervos, dilatava o coração e, por mais que eu visse, ainda queria ver mais (...)
Que essa cidade conserve tal habilidade! que não seja acometida pelo delírio geométrico das avenidas retas, dos nítidos cruzamentos, da horrenda idéia da excessiva regularidade das modernas cidades grandes, que sacrificam à simetria da linha e à monotonia das formas, precisamente o que sempre é o incompatível de toda cidade: suas surpresa, seus caprichos e sua angulosidade e, sobretudo, seus contrastes esses contrastes entre o velho e o novo, entre a cidade e a natureza, entre o rico e o pobre, entre o trabalhar e o flanar, contrastes que aqui se gozam em sua harmonia sem par! (...)
Quem visita o Brasil não gosta de o deixar. De toda a parte deseja voltar para ele. Beleza é coisa rara e beleza perfeita é quase um sonho. O rio, essa cidade soberba, torna-o realidade nas horas mais tristes. Não há cidade mais encantadora na terra (ZWEIG, St. Brasil, País do Futuro, introdução e Rio de Janeiro).
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Imagem: Mapa rodoviário do Rio de Janeiro . |

