sócrates

Sócrates

(Atenas, c. 470 - 399 a.C.)

Pensador heleno. Discípulo de Anaxágoras e mestre de Platão. Provavelmente não escrevia textos em prosa, embora atribua–se a ele autoria de alguns poemas. Suas idéias são conhecidas, hoje, apenas por causa dos diálogos deixados por seus amigos – Platão e Xenofonte – e seu crítico Aristófanes.

“(...) Não é evidente ser esse conhecimento de si mesmo fonte de infinidade de bens, enquanto milhares de males acarreta a visão zarolha das próprias possibilidades? Os que se conhecem a si mesmos sabem o que lhes é útil e distinguem o que podem do que não podem fazer. Realizando o que está em seu poder, obtêm o necessário e vivem felizes. abstendo–se do que vai além de suas forças não resvalam no erro e esquivam o insucesso. Enfim, estando em melhores condições de julgar os homens, podem, empregando–os proveitosamente, angariar grandes bens e poupar grandes males. Ao contrário, os que não se conhecem a si mesmos e ignoram o próprio valor não julgam melhor os homens que as coisas humanas. Não sabem nem o que lhes cumpre fazer, nem como fazem. A respeito de tudo iludidos, deixam escapar a felicidade e esbarrondam–se na ruína. Os que obram com conhecimento de causa atingem o fim colimado e granjeiam honra e consideração. Seus iguais comprazem–se de sua sociedade. Nos reveses procuram seus conselhos, entregam–se–lhes as mãos, neles fundam suas esperanças de bom êxito por tudo isso os estimam mais que a ninguém. Já os que vivem às cegas metem–se a fazer o que não deviam, malogram em todos os empreendimentos e, sobre castigados pelo mau sucesso, tornam–se em objeto de desprezo e ridículo, vivendo escarnecidos e desconsiderados. Podes ver igualmente que dentre as cidades que, ignorando as próprias forças, movem guerras a Estados mais poderosos, umas são destruídas, outras trocam a liberdade pela escravidão” (ARISTÓFANES. Memoráveis, liv. IV, cap. II).

Imagem: Busto de Sócrates do Museu Nacional de Nápoles.

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