Há
no espaço milhões de estrelas carinhosas, Ao
alcance de teu olhar....mas conjeturas Aquelas
que não vês, ígneas e ignotas
rosas Viçando
na mais longe altura das alturas Há
na terra milhões de mulheres formosas Ao
alcance de teu desejo.... Mas procuras As
que não vivem, sonho e afeto que não gozas Nem
gozarás, visões passadas ou futuras Assim,
numa abstração de números e imagens, Vives.
Olhas com tédio o planeta esmo e triste, E
achas deserta e escura a abóbada celeste E
morrerás, sozinho, entre duas miragens: As
estrelas sem nome - a luz que nunca viste E
as mulheres sem corpo - o amor que não tiveste.
(Olavo
Bilac ) |