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Está
mais do que claro: o crime organizado está cada vez mais organizado!
Hoje, pode-se falar que virou o negócio de verdadeiras empresas
(criminal business), com dimensões assustadoras, resultantes de
uma série de fatores como: falhas do sistema jurídico, impotência
policial, incompetência política e, principalmente, a falta
de interesse do legislativo.
Convivemos com novas modalidades criminosas, porém dentro dos mesmos
aspectos: roubos, extorsões, furtos, seqüestros e muitos outros,
mudando apenas as formas de atuação, ou seja, o modus
operandi. A cada operação criminosa realizada com
êxito, outras quadrilhas seguem os mesmos estratagemas e em seqüências
rápidas, até que a máquina policial e da segurança
privada crie antídotos e sistemas preventivos de contenção.
Porém, até que modalidades criminosas tornem-se impraticáveis
ou de risco para os criminosos, vários casos já aconteceram
e outras modalidades vão sendo criadas sucessivamente.
Estamos sempre num lance retardado em relação ao inimigo
(como num jogo de xadrez). Muitas vezes isso é resultado do comodismo
já que, muitas vezes, esperamos acontecer para poder combater o
mal. A falta de um sistema de inteligência organizado e atuante
proporciona a falta de informações, que gera a falta de
medidas de prevenção, tanto por parte dos sistemas policiais
como da segurança privada.
Já dizia Sun Tzu: Quem tem a informação detém
o poder!. Se não temos informações, devemos
prever o acontecimento e suas respostas imediatas, através da simples
pergunta: e se acontecer?....
O Brasil está em 4o lugar no ranking mundial de seqüestros,
perdendo apenas para países como Colômbia, México
e ex-União Soviética, porém esses não possuem
qualquer conotação terrorista, política ou religiosa,
são apenas atos criminosos ou seja, praticados com a intenção
de extorquir a vítima. Os seqüestros são desde amadores
(conhecidos como relâmpagos) até os praticados por grandes
organizações (trafico de drogas), com ramificações
internacionais.
A
velha escusa dos que não fazem nada é que a condição
social leva ao crime. Isso, com certeza, ajuda na propagação,
mas quem se apóia a esse tipo de afirmação se
esquece de dizer que aqueles que comandam e lucram com o crime são
abastados e tiveram boa educação e, por outro lado,
muitos pobres de verdade chegaram até a presidência
da república com um passado de luta e honestidade. Mas não
cabe a nós analisar as causas e sim combater os efeitos, pois
somos homens de segurança e não assistentes sociais.
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O
grande e repetitivo ciclo das formas de atuação criminosa
vai girando naturalmente, ou seja, época de roubos a bancos, períodos
de seqüestros, roubos a carros -fortes, roubos de cargas... Enfim,
atuações por temporada e seus rescaldos vão acontecendo
no dia-a-dia.
Na década de 70, o maior problema no mundo era o terrorismo, principalmente
com o inicio da guerra fria, onde atentados políticos, assassinatos
seletivos, uso de bombas e seqüestros, por conotações
políticas, religiosas extremistas e ideológicas, intensificaram-se.
No Brasil, é claro, grupos criminosos que se camuflavam de guerrilheiros,
por ser esta nomenclatura mais bonita, declararam a temporada de terror
no país e realizaram vários atos criminosos, seqüestrando
pessoas e roubando bancos com a justificativa de manter os cofres das
organizações pseudo-guerrilheiras abastecidos. Importaram
táticas vagabundas haja visto que para seqüestrar e
fazer mal é fácil e não exige técnicas
e, quando presos, disseminaram estes conhecimentos aos demais criminosos,
que achando tão bonito, criaram a falange vermelha, depois o comando
vermelho, em São Paulo o PCC e assim por diante.

Táticas
de guerra e contra espionagem são
comuns em cursos de reciclagem de seguranças
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A
verdade é que estes grupos estão realmente organizados
e o pior, com cérebros pensantes lá em cima, que têm
dinheiro para manipular e financiar ações criminosas,
obtêm informações mais precisas e rápidas
que nós, e vêem nisto um grande e lucrativo negócio,
impune, sem leis, sem detenção de suas ações
e tudo isso causa-lhe a sensação de poder, que é
realmente aquela que os leva a rumos sem limites. Analisando toda
a história não seria de se estranhar se, em breve, estas
ações de seqüestros e roubos voltarem à
tona, com força total, bem informada, armada e estruturada.
Portanto, precisamos estar preparados para desarticular suas ações
ou responder imediatamente de forma tática e técnica.
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Se uma ou duas ações criminosas lograrem êxito, teremos
um derrame de atos em todo o país, porém se frustrarmos
suas perspectivas ou estancarmos suas tentativas, logo se voltarão
a outras alternativas, pois é assim que funciona. Escolhe-se o
alvo seja ele físico (para seqüestro) ou patrimonial (para
roubo), obtém-se informações e os vigiam, se for
fácil e os riscos forem pequenos eles vão em frente, se
encontrarem dificuldades e estruturas de segurança que aumente
o risco da operação desejada, aí então abortam
o processo e passam para outro alvo, provavelmente um bem mais fácil
e sem riscos.
Hoje, a falta de um sistema de informações eficaz é
tão grave que empresas de médio e grande porte, nacionais,
estrangeiras e até mesmo governamentais, estão funcionando
com espiões a bordo nas áreas técnicas, mercadológicas,
administrativas e outras.
Toda a comunidade de informações tem conhecimento e apenas
suas diretorias não têm ou não querem ter conhecimento.
Estudos e informações mostram tendências e previsões
dos grupos criminosos em relação a seqüestros e roubos.
Fica aqui o aviso aos profissionais da área de segurança
para que não esperem acontecer e tudo o que fizerem para evitar
esses acontecimentos, com certeza não será suficiente.
Outra frase de Sun Tzu diz: Se você conhecer o inimigo e a
si próprio, não precisará temer o resultado de cem
batalhas. Se você se conhece, mas não ao inimigo, para cada
vitória também sofrerá uma derrota. Se você
não conhece nem ao inimigo e nem a sí próprio, sucumbirá
em todas as batalhas.
Como
funciona a estrutura de uma organização criminosa
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Vale salientar que neste organograma, muitas vezes um grupo não
conhece o outro e apenas conhece quem os contratou, não tendo conhecimento
de quem está acima, muito menos de seus verdadeiros contratantes,
isso para a própria segurança da operação
e dos demais.
Intelectuais = planejamento, financiamento e Comando geral (empresários
do crime).
Gerentes = são homens de confiança absoluta dos intelectuais.
Estrutura contratações operações.
Coordenadores = homens de confiança e operacionalidade já
provada e conhecida do gerente, podendo em alguns casos, existir mais
de um e sem conhecer jamais o intelectual ou o outro coordenador. Neste
caso ficam responsáveis por atividades divididas.
Informações e vigilância = grupo ou indivíduos
isolados, responsáveis por levantar todas as informações
sobre o alvo, sua vida financeira e também sobre seus hábitos,
costumes, horários,enfim sua vida cotidiana.
Bloqueio e captura = é um dos grupos mais importantes, podendo
ser da própria estrutura ou contratado para a operação.
Este é o grupo operacional, fica sob sua responsabilidade o bloqueio
e captura do alvo até que chegue em local determinado, como o cativeiro.
Bem armados e muitas vezes treinados, ficam com uma boa porcentagem do
resgate pago após a negociação ou, quando contratados,
recebem sua soma pedida logo após a captura da vitima.
Cativeiro = o grupo de cativeiro também é um grupo importante,
pois tem a responsabilidade sobre a vítima, como por exemplo, seu
bem-estar, cuidados, discrição para que não sejam
notados pela vizinhança.
Negociador = este normalmente pode ser alguém de muita confiança
dos intelectuais ou eles próprios.
Para que
as empresas e os responsáveis pela segurança possam lograr
êxito em suas missões, são necessários alguns
fatores indispensáveis, como por exemplo: equipamentos, informações,
organização da equipe de proteção, planejamento
e treinamento constantes.
Agente de segurança não pode ser bibelô
de executivo, apenas marcando presença para inibir ou intimidar,
deve estar pronto para tomar atitudes e principalmente efetuar respostas
táticas rápidas, seguras e eficientes em situações
de crise.

Para
combater o crime organizado empresas
investem pesado em treinamento
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O
homem de proteção deve estar exaustivamente treinado,
tanto em habilidades táticas especiais como nas simulações
de eventos que possam ocorrer em qualquer lugar ou terreno. Alguns
empresários acham que não há necessidade de se
investir nos treinamentos ou equipamentos para esses grupos, pois
em seu errôneo modo de pensar, é um grupo que não
atua todos os dias, ou seja, não produz. Mas, é justamente
isso que demonstra que a estrutura está funcionando, pois o
fato de não acontecer é devido à prevenção,
haja visto que muitas vezes já possa ter sido alvo de criminosos
e dada a estrutura de segurança, não ocorreu o fato.
Deve-se pensar que, quando estes homens entrarem em confronto real,
serão segundos, |
minutos talvez
que decidirão a situação, dando um desfecho favorável
ou não, por vezes serão fatais para um lado ou para o outro.
É necessário que os profissionais de segurança estejam
prontos, treinando e simulando situações, pois o VIP está
sempre em locais e terrenos diferentes, cidades, bairros, casas de campo,
praias, etc. Basta lembrar que na Colômbia, um grupo de seqüestradores
na dificuldade de capturar sua vitima na cidade, resolveu capturá-la
quando estava a caminho da casa de campo. Tal tentativa resultou em confronto,
mas graças aos conhecimentos de sobrevivência na selva de
um de seus guarda-costas que com ele adentrou e fugiu pela vegetação
fechada, permanecendo ali por três dias, conseguiram frustrar o
seqüestro e sobreviver.
Veja abaixo
um conceito básico de treinamento e habilidades para um homem de
proteção pessoal:
- Técnicas em defesa pessoal e combates corporais letais, como:
jiu jitsu, krav maga, hapki-do, muai thay, etc...
- Condicionamento físico
- Comunicações
- Socorros emergenciais
- Armamento leve: revólver pistola carabinas
espingardas calibre 12
- Tiro tático técnicas e táticas
- Tiro de combate simulações de combate de situações
reais e em várias situações e terrenos (cenários)
não menos que mil tiros reais para uma formação
básica
- Direção defensiva agressiva e evasiva associada
a contra-vigilância e tiro de combate embarcado em veículos
- Técnicas de proteção e escolta a pé e comboio
motorizado
- Contra-atentados contra-bloqueio - contra-emboscada - anti-bombas
contra-sabotagem
- Combates com armas não convencionais: facas-bastões-balestras
- Combates com armas improvisadas - cartões de crédito
cintos canetas náilon
- Conhecimento básico de explosivos e artefatos improvisados para
sabotagem defensiva
- Técnicas de rapel e operações em altura
- Técnicas de entradas táticas e CQB (Combate em Locais
Fechados) e resgate do VIP em locais confinados
- Sobrevivência e operações na selva
- E mais do que qualquer outra técnica, treinar todas as formas
prováveis e improváveis de retirada e salvo conduto do VIP
em qualquer tipo de local ou terreno.
Vale a pena
salientar o treinamento também com armas de paint ball em equipes
para se aproximar o máximo possível de situações
reais, não esquecendo de fotografar e filmar as ações
para posterior analise.
E, com certeza, reciclar sempre que possível, adquirir outras técnicas
e táticas especiais e simular vários tipos de situações,
para que na hora do evento indesejável não se surpreendam
com as circunstâncias e situações de crise, podendo
oferecer maior proteção à integridade física
de seus VIPs.
A administração de segurança não pode ignorar
nenhum fator em relação à sua estrutura, detendo
conhecimentos e equilíbrio entre técnicas, táticas,
estratégias e operacionalidade competente e não vacilante
no que tange o patrimônio, inteligência empresarial e ações
táticas na proteção VIP, estendendo também
os treinamentos, equipamentos e ações operacionais na segurança
patrimonial da empresa, como por exemplo, treinamento in loco,
simulações de eventos indesejáveis que venham a ocorrer
em situações esperadas ou não, planejamento e treinamento.
Uma boa base de gerenciamento e administração de um departamento
de segurança empresarial, seja ela de pequeno ou grande porte,
pode ter uma satisfatória organização e distribuição
abrangente, trazendo assim um feed back mais positivo e eficiente.
Não existem sistemas perfeitos e sólidos, aliás,
quanto mais forte o sistema, mais fortes serão as incursões
contra ele.
Porém, quanto mais preparados e atentos estivermos, menos oportunidades
criaremos para sermos surpreendidos, neutralizando possibilidades de ocorrências
indesejáveis ou minimizando seus efeitos. Uma última frase
do mestre Sun Tzu: O RESGUARDAR-NOS DA DERROTA ESTÁ EM NOSSAS
MÃOS, MAS A OPORTUNIDADE PARA DERROTAR O INIMIGO É FORNECIDA
POR ELE PRÓPRIO.
FARES
ALBERTO ABDALLA é Consultor em Segurança Empresarial e Proteção
de Dignitários, Master Instrutor em Treinamentos Táticos
Especiais pela STAIS Security Training Agency & Intelligence
service para unidades policiais de elite e profissionais de segurança,
especialista em operações anti-seqüestro e contra-terrorismo
e perito em intelligence operations.
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