Blindagem de carros populares atinge classe

média e expande mercado


A blindagem de veículos “populares”, que possibilitou o acesso da classe média a esse tipo de segurança pessoal, foi a principal responsável pelo crescimento do setor no Brasil. Hoje, com cerca de 15 mil veículos blindados, o país é um dos principais líderes em vendas no mundo. A procura é tanta que algumas montadoras passaram a oferecer carros blindados direto da fábrica. A Fiat foi uma das primeiras a fornecer essa modalidade de segurança nos modelos Brava e Marea. Recentemente a Ford também entrou na disputa pelo mercado popular e lançou o Ka Black com pré-disposição para blindagens na versão 1.6. O padrão de proteção oferecido pelas empresas é a blindagem de nível médio, que suporta armas de baixa velocidade (revólver, pistolas) ou curtas (9 mm, 357 Magnum, 44 Magnum) e o custo chega a igualar-se ao valor pago pelo carro. Para ganhar clientes, muitos empresários chegaram a oferecer consórcio de blindagem, mas a proposta não decolou.
O número de empresas que oferecem blindagem em veículos de passeio também cresceu vertiginosamente, passando de 16, em 1999, para mais de 30, atualmente. Mesmo com o carro blindado, é bom lembrar que de nada adianta esse tipo de proteção se o usuário não estiver atento às medidas básicas de segurança.


Nos EUA a carreira policial está em crise

Os menores índices de violência registrados desde a década de 60 e salários mensais, que variam de US$ 2,1 mil a US$ 3,5 mil, dependendo do estado, além de benefícios como plano de saúde, assistência previdenciária e aposentadoria com salário integral após 20 anos de serviços, não estão sendo suficientes para atrair o interesse de policiais norte-americanos que passaram a recusar as promoções para cargos de chefia. Muitos deles também não se sentem estimulados a continuar trabalhando no patrulhamento e estão procurando outras profissões. Segundo os especialistas, esse desestímulo está diretamente relacionado ao questionamento que muitos policiais fazem em relação à profissão e as inúmeras críticas que recebem da população e da mídia sobre a brutalidade da polícia e seu perfil racial. Outra explicação para essa recente crise policial está relacionada aos altos salários pagos no setor privado, depois do surto de crescimento econômico que durou uma década. Não há estatísticas nacionais sobre o assunto, mas o número de candidatos inscritos para disputar uma vaga na polícia, em muitas cidades, vem sofrendo uma constante queda. Em Nova York, por exemplo, mais 1,7 mil policiais (um terço a mais do que no ano passado), num quadro de 41 mil integrantes, já deixaram seus postos por meio de aposentadorias ou pedidos de demissão .


Passaporte pode ser substituído pela identificação digital

Durante este semestre, a empresa EyeTicket Corporation irá testar um sistema que promete solucionar o problema da fila da imigração no Aeroporto Heathrow, em Londres. Bastará ao passageiro olhar na direção de uma câmera de vídeo para ser identificado e ter a entrada na cidade liberada. O novo sistema é baseado na leitura da íris. Inicialmente, o programa piloto vai envolver dois mil passageiros norte-americanos e canadenses de vôos feitos pela British Airways e pela Virgin Atlantic Airways mas, no futuro, servirá para identificar todos os passageiros que desembarcarem no Aeroporto. Os participantes do programa terão suas íris scanneadas em alguma das agências dessas companhias e ajudarão a testar a eficiência desse novo produto de identificação que promete desburocratizar a chegada de viajantes a países estrangeiros. Na próxima vez que estes passageiros retornarem a Londres irão direto para uma fila especial da imigração e serão identificados de forma digital. Uma máquina vai tirar outra imagem da íris, convertê-la em um código e fazer uma comparação com as informações armazenadas no banco de dados do Aeroporto. Com isso, esses passageiros não precisarão mais apresentar passaporte para entrar na capital londrina. Se a experiência der certo, a expectativa da empresa é levar o novo sistema de identificação digital para aeroportos de cidades vizinhas.


Segurança consome 10,5% do PIB brasileiro

O Brasil gasta nada menos do que R$ 105 bilhões, por ano, para tentar controlar a violência urbana, o equivalente a 10,5% do Produto Interno Bruto (PIB), mais do que toda a riqueza produzida em países como o Chile, por exemplo. Esse foi o resultado de uma pesquisa realizada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no final do ano passado. Foram analisados os gastos com a segurança pública e privada. Para chegar a esse valor, os técnicos do BID se basearam nas informações dos últimos anos da década de 90, relativas a gastos com tratamento médico, prejuízos materiais e horas de trabalho perdidas das vítimas. Só com a segurança privada, o Brasil gasta cerca de R$ 18 bilhões anuais e, oficialmente o setor já emprega, aproximadamente, 700 mil homens. Fora outros 800 mil que trabalham de forma clandestina. No total, a segurança privada ultrapassa em quase cinco vezes o efetivo de Exército, Marinha e Aeronáutica que, juntos, somam 323 mil militares. De acordo com o Banco Mundial, a violência brasileira é uma das principais barreiras para investimentos estrangeiros no país. Um documento do banco mostra que roubos e assaltos crescem 15% ao ano em São Paulo. A taxa de homicídios é 6,4 maior do que as registradas em cidades como Nova York ou Lisboa. O documento se baseou na análise da empresa de consultoria norte-americana Control Risk Group. O caminho mais curto para conseguir diminuir a violência no Brasil, segundo o BID, é o crescimento econômico. Na década de 90, o PIB americano cresceu cerca de 7% ao ano. No mesmo período, a taxa de criminalidade caiu 12%.