REGRAS PARA A PIEDADE
Excertos de “The Old Orthodox Prayer Book”
Tradução de Rafael R. Daher
Regras para o Jejum
O jejum é uma santa tradição passada pela Igreja Ortodoxa que vêm desde a época
do Velho Testamento, e um dos seus significados é que por ele recebemos os
frutos do Espírito Santo. Guardando-nos contra a gula e os pensamentos impuros,
palavras e atos, nós ganhamos a graça de Deus e o poder de resistir às tentações
e paixões da carne. Pela abstinência nos tornamos aptos a nos livrar da
dependência das coisas deste mundo e do desejo por posses para nos concentrar na
nossa salvação. Somente quando executamos a verdadeira humildade e
arrependimento, junto com o jejum, lágrimas, orações e confissão, podemos ter
esperança em alcançar o Reino de Deus e a vida eterna com Cristo Nosso Salvador.
Junto com o jejum e a oração, nós também devemos nos esforçar, sempre que
possível (particularmente durante o período de jejum), em dar esmolas, ajudar os
doentes, pobres e oprimidos, além de fazer outras boas ações com um coração puro
e sincero.
Há quatro períodos de jejum por ano, cada um com as suas próprias regras.
Durante todos estes períodos a Igreja Ortodoxa ensina que devemos nos abster de
comer qualquer tipo de carne, laticínios e ovos. A permissão de peixe, vinho e
óleo é administrada conforme a ordem dos serviços da semana, algumas variações
pertinentes a alguns locais são aplicadas, de acordo com as tradições de cada
paróquia.
Os quatro períodos de jejum são:
Grande Quaresma: Peixe é permitido apenas nas festas da Anunciação e no domingo
de Ramos.
Jejum dos Apóstolos (um dia após o domingo de Todos os Santos até o dia de São
Pedro e São Paulo – 29 de Junho até 12 de Julho) Segundas, quartas e sextas são
dias de jejum estrito, nem peixe é permitido.
Jejum da Dormição (1/14 Agosto – 14/27 Agosto): Peixe é permitido apenas na
festa da Transfiguração.
Jejum da Natividade (15/20 Novembro – 24/6 Janeiro): Segunda, quarta e sexta são
dias de jejum estrito, nem peixe é permitido. Após a festa de São Nicolau (6/19
Dezembro) peixe é permitido apenas nos finais de semana, mas de 20 de Dezembro /
2 de Janeiro até a festa da Natividade peixe não é permitido.
Os jejuns de apenas um dia são:
Toda quarta e sexta do ano, exceto durante as semanas livres de jejum. A segunda
também é guardada por monges e freiras.
O dia anterior da festa da Epifania (5/18 de Janeiro)
Decapitação de São João Batista (29 de Agosto/ 11 de Setembro)
Elevação da Santa e Preciosa Cruz
As seguintes semanas são livres de jejum:
Os dias santos de 25 de Dezembro/ 7 de Janeiro até 4/17 Janeiro
Semana do Publicano e do Fariseu.
Semana dos Laticínios (sem carnes, mas peixe, laticínios e ovos são permitidos)
Semana da Renovação
Semana de Pentecostes
Regras para a Santa Comunhão:
A Santa Igreja Ortodoxa coloca algumas regras para nos preparar para a jubilosa
participação no divino Corpo e no preciossímo Sangue de Nosso Senhor e Salvador
Jesus Cristo.
São elas:
A participação nos serviços da Igreja na noite anterior.
A observação das regras do jejum da Igreja durante a semana anterior à Comunhão,
e também uma confissão deve ser feita.
Jejum de toda comida e bebida (inclusive água) a partir meia-noite do dia em que
a Comunhão será recebida.
Leitura dos Salmos marcados, o Cânon e as orações antes da Comunhão, após a
Santa Comunhão a oração pós-comunhão também devem ser feita.
Após participar dos divinos Mistérios do Corpo e Sangue de Cristo, deve-se ficar
em paz com todos.
Uma confissão recente deve ter sido feita antes da comunhão. Membros da fé devem
fazer a confissão sempre que possível, e devemos confessar imediatamente antes
da comunhão se negligenciamos alguma regra da Igreja sobre o jejum, participação
nos serviços da Igreja e outros. Assim, a confissão deve obrigatoriamente
preceder a Comunhão se a pessoa cometeu uma transgressão contra Deus ou a seu
próximo que possa manchar sua participação na Santa Comunhão. Nota: Certos
pecados requerem que o clérigo proíba o fiel de participar da Eucaristia a
partir de quando a pessoa confessa estes pecados. Alguns destes pecados são a
fornicação e o adultério. Além disso, uma pena deve ser dada pelo pai espiritual
para que a pessoa possa mais tarde participar dos Santos Mistérios.
Sobre a oração pelos falecidos:
A morte nos separa apenas fisicamente dos nossos amados, não espiritualmente.
Por causa disso e dos imutáveis laços de fé e amor, os Cristãos Ortodoxos devem
orar fervorosamente pelos que partiram, especialmente no terceiro, nono e
quadragésimo dia após a morte, para que a pessoa receba a salvação que Cristo
concedeu ao ressuscitar no terceiro dia. Segundo São Macário o Grande, do
terceiro até o nono dia, após adorar a Deus, é mostrado à alma a morada do
Paraíso, e ela se lamentará por ter se privado de bênçãos pelo pecado, assim, no
nono dia, a alma é levada a julgamento, é fundamental que oremos neste dia. Do
nono ao quadragésimo dia é mostrado à alma os tormentos do Inferno, e ela ficará
aterrorizada sobre isso que poderá ocorrer, e no quadragésimo dia a alma irá
aparecer pela última vez diante do Senhor, que irá determinar seu local até o
dia da Sua segunda vinda. Assim como Cristo ascendeu no quadragésimo dia após
Sua ressurreição, assim a alma irá para seu local designado.
O quadragésimo dia após a morte é considerado o dia mais importante para a
comemoração. Cristãos Ortodoxos zelosos guardam a memória dos que partiram em
doze comemorações:
1) No terceiro dia
2) No nono Dia
3) No quadragésimo dia
4) No aniversário de meio-ano
5) No aniversário de um ano
6) Na Semana da Carne (Panikhidas pelos ancestrais durante a semana, com uma
Panikhida Universal no Sábado dos Falecidos)
7) No segundo Sábado da Grande Quaresma
8) No terceiro Sábado da Grande Quaresma
9) No quarto Sábado da Grande Quaresma
10) Radonitsa (Terça da 2º semana da Páscoa)
11) No sábado da semana após Pentecostes / Trindade.
12) Na semana anterior à comemoração de São Demétrio (26 Outubro / 8 Novembro)
Sobre a Veneração dos Ícones
Quando veneramos os santos ícones, a Cruz do Senhor, e o Santo Evangelho, não
devemos tocar nossos lábios em suas santas faces pintadas, de preferência, nós
beijamos os pés do Cristo Crucificado ou a abençoada mão do Senhor e seus
santos, ou suas vestes, lembrando-nos da mulher do Evangelho que disse: “Se
tocar, ainda que seja na orla do seu manto, estarei curada”. Nos ícones em que
as mãos e os pés não são pintados, como o Ícone de Cristo “que não foi feito por
mãos”, nós beijamos o cabelo ou o manto, mas nunca a face ou os lábios.
Sobre a Santa Prósfora
O pão que recebemos após a Divina Liturgia, conhecido como Prósfora ou ‘Dora’, é
dado especialmente para os que por alguma razão não conseguiram se preparar para
a Santa Comunhão. Este pão é a resto dos pequenos pedaços da prósfora que foi
levada para a Liturgia para o Santo Cordeiro e outras partículas comemorativas,
então ele recebe uma benção especial, mas não é o Corpo de Cristo. O fiel deve
pegar este pão abençoado com muita piedade, tomando cuidado para não derrubar
nenhuma migalha, e quando for consumi-lo, deve fazer em jejum, e não tratá-lo
como uma comida qualquer. Alguns Cristãos Ortodoxos piedosos guardam um número
de pequenas partículas da Prósfora em casa, e após as orações da manhã comem um
pouco, “no lugar da comunhão”, com esta intenção, a Semana Santa é santificada e
nós continuamos a participar previamente da celebração da Liturgia.
Sobre a Água Benta:
A água abençoada na Igreja durante a Véspera da Epifania com a Grande Benção é
preservada em recipientes limpos nas casas dos fiéis, e são guardados como
importante objeto sagrado. Esta água pode ser usada como uma benção nos tempos
de doença com o consumo de uma pequena parte dela, três vezes, novamente “no
lugar da Comunhão”. Esta água também pode ser usada na limpeza dos Santos Ícones
em nossas casas, segundo o livro russo “Domostroy”. A água é abençoada outras
vezes no ano, como na benção do dia 1 de Agosto (14), é usada de maneira
similar, com a única distinção que é “menos abençoada”. A água benta e os outros
objetos sagrados devem ser tratados com grande respeito e guardados em um local
de honra da casa, perto dos santos ícones. Pois como a Santa Cruz foi batizada
três vezes na água, a água foi abençoada, e assim como a Cruz, é temida pelos
demônios.