ESPERO
o
veneno adentra as entranhas
fumaça
que corrói
as
pálpebras quase que cerradas
o
semblante sério e decidido
belo
porém destrói
se
o amanhã não existisse
não
haveria qualquer esperança
o
que seria um instante
apenas
traria uma lembrança
de
que o tempo não é bastante
e
o amor não é constante
mistura
de ódio e devoção
se
houvesse o encontro no céu
estendendo
a mão em direção
reconheceríamos
nas nuvens escuras
uma
tempestade que passou
pelo
relógio que quebrou o coração
e
agora se prostra de joelhos
clamando
de volta o tempo que se foi
há
que ser forte
para
se pertencer
mesmo
que seja diante da tormenta
que
choveu no azul de outrora
e
quando passou
entendemos
que jogamos fora.