A FÓRMULA DA
SAUDADE
O saudoso poeta Bastos Tigre
(falecido em 1957), na poesia intitulada “Saudade”, incluiu a seguinte e notável
quadra:
A
saudade é calculada
Por algarismo, também:
Distancia multiplicada
Pelo fator querer bem.
Esses
versos permitem ao matemático deduzir facilmente a “formula da saudade”.
Com efeito. Afirma
o poeta (e deve ter motivos para isso) que saudade é igual ao produto de uma
certa “distancia” pelo fator “querer bem”.
Ora sendo D
a distância que nos separa da pessoa amada e Q a quantidade de querer
bem (medidas em unidades de simpatia e afeição) a saudade S será o
produto de D X Q.
E escrevemos:
S
= D X Q (1)
Fórmula que
permite calcular a saudade quando conhecemos a distância D e o querer
bem Q.
Podemos, com os
recursos da álgebra, discutir a fórmula da saudade.
Tirando da fórmula
(1) o valor da variável Q, resulta:
Q
= S
D
Com efeito. S
é o produto; Q é um dos fatores desse produto. Logo Q é igual
ao produto S dividido pelo outro fator D.
Vamos admitir que S
(a saudade) é uma constante, e que o elemento distância D é variável.
Ora quando D
(distância) aumenta, a fração.
S
D
Diminui
e pode até tornar-se nula e isso ocorre quando D for infinitamente
grande.
Conclusão: Quando
a distancia D aumenta o querer bem Q diminui.
E isso é verdade,
pois há um provérbio popular que diz: “Longe dos olhos, longe do coração”.
Se a saudade S
aumentar duas, três, quatro vezes (o D sendo constante) o querer bem Q
aumentará, também, duas, três, quatro vezes. O querer bem (conclui o matemático)
é proporcional à saudade. Quando o namorado é cauteloso procura (de acordo
com a fórmula) reavivar a saudade a fim de assegurar-se do querer bem de sua
amada.
Tudo isso, como
acabamos de mostrar, deduzimos matematicamente da fórmula poética e tão
expressiva de Bastos Tigre.
Vejam o
extraordinário poder da matemática: consegue exprimir, por meio de fórmulas,
os mais delicados anseios da alma humana.