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ECOS
 

 

   
 
POEMAS

GARÇAS  NEGRAS

 

Quer voar

Voar no céu e no mar
Aprender
O segredo das asas
E partir...
Ah... Garças negras são raras
São gaivotas
Araras
Solitários meninos
Quer amar
Amar um outro e um olhar
Viver
Os segredos da vida
E morrer...
Ah.. Garças negras são raras
São gaivotas
Araras
Solitárias meninas
Quer partir...
Partir as asas dos Homens...
Dos Homens negros da África
Quer morrer...
Morrer a vida dos Pássaros...
Dos Pássaros negros da África
Ah... Garças negras são raras
São gaivotas
Araras
São as únicas que cantam
Nas trincheiras da África

 

Élsio Américo Soares

 

 

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IMAGINÁRIO   FIM

 

Meu sangue coagula...
Vou me perdendo na imensidão do além...
Uma voz vem beijar-me os tímpanos
E o escuro é a tez do último momento...
Há ainda uma estrela
perdida no meu medo...
Há ainda uma carícia,
derradeira saudade de quem diz amém...
Há em mim o fervor
para abrilhantar a partida
neste imaginário...
Imaginário fim...

Élsio Américo Soares

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INSÔNIA

 

Cinzas dormidas no patamar noturno das brisas

Esmaga-se ao passo felino,
Calmo tal luar febril das chamas.
Esvoaça pela noite garrida
Das nuas vidas da insônia,
D’onde o mel ultraja a ferida
No vértice dos ventos
E no suor esquálido das chuvas.
Suga o amanhecer da minha morte bendita
E faze de mim um cinzeiro mortal
De tuas cinzas,
Que ao calar o refúgio
Se faz fechar o bocejo irônico da vida.
Dorme e sonha junto às ninfas,
Ó cigarro curador de minha insônia!
Mata-me ao desejo
Nesta cama de esfumaço...
Mata-me, ó insônia,
Até que eu mereça dormir
Na sombra vil do cansaço!...

 

Élsio Américo Soares

 

 

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LABIRINTOS

 

Cores pardas

Palavras mudas

(Zumbidos)!!...

Gotas repicando na poça de sangue,
Gritos ardidos que vão se entregando
no escuro léu da alma humana.

Que música t

e
m
e
s
t
e   labirinto quadrangular?

Que significa esse ameno sol?

 

Não espelha-me adentro nem um só fio

De lágrima!

Que ao menos livre veleje em cores,
Os sabores desses corredores:

Pardos

E mudos!

Élsio Américo Soares

 

 

 

MINHAS  IRMÃS

 

Revejo

Num sonho:
Uma alameda,
Um folheto...
E um orvalho
A choramingar nas letras...

Passado
O tempo das ruas

Meninas

Fotos nuas
De duas mentes
Rebrilham
Na valsa dos vagalumes

E as luas
Minguantes e cheias
Trilham vazias
Como as meninas

(Irmãs minhas!)

Tão perdidas
Tão bem achadas!

Élsio Américo Soares

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MIOPIA

 

Círculos míopes

atravessam no varal das pálpebras...
vejo dos sílios
minhas lentes estilhaçadas
e o sangue escorrer-me a narina.
Vejo a solidão
dos ócu..los
abraçar-me os ouvidos;
canso de olhar o léu
e vê estrelas incolores
fu... gin... do...

Como círculos míopes
que atravessam as sombras
marginais de minha poesia...

 

Élsio Américo Soares

 

 

MISTÉRIO

 

Nesta rua dessecou-se uma alma...
Atou-se no zíper do corpo,
Zarpou-se no profundo mar de plasma
E trilhou secreta com a noite flácida!
Ardeu-me a víscera do inconsciente
Pela lâmina

Ab

S
trata
Cravada no seio de um mortal adúltero!
Ardeu-me a alçada .
.
.
Sustento dos passos êfemeros.
Ardeu-me o aço das portas
Ra
N
gindo...

Esta rua dessecou-se a alma

lúcida para entender o rancor do mistério!

 

Élsio Américo Soares

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MULHER – MENINA

 

Vulcaniza-me

No interior do teu seio
E faça-me jorrar-te pelas entranhas
A escaldante lava
Abri-me tua flama
Que entorpece-me em delírios
Esvoaçantes
Mostra-me o ruir
Do sentimento
Para demolí-lo rasamente
Expluda em jatos
Sua crota negra aos meus primeiros espasmos
Depois –
Morra na febre virgem
De menina –
De mulher!

 

Élsio Américo Soares


NINHO  DOS  SOLITÁRIOS

 

Minha alma

v  o  a
rente teu leito,
no espaço vago do penha
s
c
o
(Arde frio a dor do pouso...)

Eis que teu corpo também pássaro

foge da solidão,
onde minhas asas
amassadas ora afagam!!...

 

Élsio Américo Soares

 

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NOS TRIGAIS

“Na vida de um artista a morte talvez não seja a coisa mais díficil”.

Van Gogh

No refúgio das lágrimas

contorcendo na dor impiedosa
arrancada no íntimo,
sentida no ranger do grito
ao encontro melancólico do eco.
Na pele sangrada
Vês o túmulo constituir morada;
E vês que vem ao entardecer da áurea:
Os corvos (em plano sinistro)
E ao fim dos trigais,
(“A miséria não...”)
Suplicava
A última alma.

 

Élsio Américo Soares

 

O  DESPERTAR  DA  ALMA

 

O caminho adormece

No lacrimejo

Que o noturno põe nos meus olhos insônios

Olho a tez do universo
Com seus pêlos brilhantes.
Procuro-te na sombra
Da folha
Adormecida na chuva...
Teu sono
Vaga nas galáxias do infinito,
Observo de longe teu corpo despido,
Sei que teus seios pulsam
E que a pele de seda te desabraça.
Abro as asas das minhas íris – sonolentas
E em arribo alcanço o teto onde aninhas...
Daí abro-te o zipper
Para tua alma fluir...

Simplesmente acorda,
Como quem não dormiu...
Como quem não sonhou...

 

Élsio Américo Soares

 

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O MUNDO SOLITÁRIO DE JOÃO WASTERGAT

 

“Até que ponto um homem pode se isolar da sociedade e criar um mundo só seu?”

 

Meu mundo mui povoado de fantasmas

Recriou a passagem além do ermo.
E neste breu que tanto vivi, a plaga
Concedeu-me esse destino eterno!

Solitário então emborquei-me na choça
Onde o lôdo crônico verteu-me a vida;
Na irracional porta que me abraça
Hoje minha voz sucinta enlouquecida!

Sabei todos que a eremitez não é dolor
E que há tanto neste mundo trucidado
Eu, sozinho vivi na paz de um sonhador!

Não tenhai-vos culpa dos meus tristes passos
Pois minha solidão sente acompanhada
Dos fantasmas que habitam que habitam nos meus ossos!

 

Élsio Américo Soares

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O  SONO  DAS  ALMAS

 

Todos mortalizados pela noite

Camuflam no suícidio dos corpos.
Nenhum espírito desampara as carnes
Sai solitário, senta-se no madrugal e embriaga-se!
Nenhuma alma
Está solta na estrada
Seguindo as setas,
Sem pernas... Sem olhos!
Enlouqueço no meu Karma!
Separo meus lados:
Corpo esquálido
Esquálida alma.
Ele imobilizado
Atenta-se ao fluido da irmã
Solitária
Prestes a adormecer no espaço...
Enlouqueço no meu Karma!
Tomo o corpo nos braços da minha própria alma
E adormeço!

 

Élsio Américo Soares

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SOLIDÕES

Fito uma estrela
a fazer acrobacias...
Sinto meus cabelos
Acariciarem o teto azul
e minha mão
tão insolente
a ofuscar um belo arco-íris...

Imagino uma brisa a me tocar
com suas canções
e sons do luar...
Perco-me na volúpia virgem
de sonhar...

E sonho:

Com sóis
aquecendo-me as noites tão frias
neste cárcere;
onde adormeço minhas solidões

Solidões de erros...
Solidões de desprezos...
Solidões de presos...

Fito uma estrela

a fazer acrobacias

num canto
sonhado
desta cela...

 

Élsio Américo Soares

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SOLITÁRIA  GOTA

 

Pense

na sublime gota,
que ao velejar teus olhos
escorre d’alma
impregna a face...

Pense

no passo solitário,
refletindo fosco o brilho
ao tropeço da noite...

Pense

em ti,
que veio de uma gota...
Solitária gota!

Pense

até desfazer-te
na solidão dos esgotos!

 

Élsio Américo Soares

 

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SOLUÇÃO  DO  NADA

 

Dou-te a boca

Para sugar minha força
Até alimentar tua fraqueza!
Dou-te o gênio
Para segurar a incerteza
Até sentir fiel com tua própria cabeça!
Dou-te a solução do nada...
O esquema vácuo das tuas entranhas
Para saber que o orgasmo
É uma poesia amada
E o poeta é um feto
De todas incertezas geradas!
Dou-te dois frutos esquálidos
E toda arquitetura semi-Deusa
Para que morra
No semblante do teu próprio aborto!...

 

Élsio Américo Soares

 

 

SOMBRAS,  SAUDADES  E  SOLIDÕES

A noite oferece-me
fases ocultas,
transbordadas em fechos
cristalinos,
sombreados de neon...

A noite oferece-me
fases ocultas,
cravejadas em nuas
lágrimas
reverenciando partida...

A noite oferece-me
fases ocultas,
sôfregas de ilusões
...
míseras prisões...

A noite oferece-me
fases ocultas,
de uma sombra saudosa
desenhenhando a solidão
...
morte...

A noite oferece-me
uma morte doce...

Sem sombras

Sem saudades

Sem solidões!...

Élsio Américo Soares

 

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