Treinamento Esotérico no Período de Transição
O Período de Transição
Um dos resultados da condição mundial atualmente é a aceleração de todas
as vidas atômicas sobre e dentro do planeta. Isto envolve, necessariamente,
o aumento da atividade vibratória do mecanismo humano, com conseqüente
efeito sobre a natureza psíquica, produzindo uma anormal sensibilidade e
percepção psíquica. É importante lembrar aqui que a atual condição da
humanidade não é o resultado de simplesmente um único fator, mas de muitos
- estando todos eles ativos simultaneamente, porque este período marca o
término de uma era e a inauguração da nova.
Os fatores a que me refiro são, principalmente, três:
1. Este é um período de transição entre o término da Era Pisceana, com
sua ênfase sobre a autoridade e a crença, e a entrada da Era Aquariana, com
sua ênfase sobre a compreensão individual e o conhecimento direto. A
atividade dessas forças características dos dois signos produz nos átomos
do corpo humano uma atividade correspondente. Nós estamos à beira de novos
conhecimentos e os átomos do corpo estão sendo sintonizados para
recebê-los. Aqueles átomos que são predominantemente pisceanos estão
começando a diminuir sua atividade, e a ser "ocultamente retirados”, como
se diz, ou abstraídos, enquanto aqueles que respondem às tendências da
Nova Era, estão, por sua vez, sendo estimulados e sua atividade vibratória
aumentada.
2. A guerra mundial marcou um clímax na história da humanidade, e seu
efeito subjetivo foi muito mais potente do que se percebeu até agora.
Através do poder do som prolongado, conduzido como um grande experimento nos
campos de batalha no mundo todo durante um período de quatro anos
(1914-1918), e através da intensa tensão emocional da população de todo o
planeta, a rede de matéria etérica (chamada o “véu do templo”) que
separa os planos físico e astral foi rasgado ou dilacerado, e o espantoso
processo de unificar os dois mundos da vida do plano físico e da
experiência do plano astral foi iniciado e prossegue agora lentamente. É
óbvio, portanto, que isto deverá provocar vastas mudanças e alterações
na consciência humana. Embora isso venha a introduzir a era da compreensão,
da fraternidade e da iluminação, trará também estados de reação e
deixará à solta as forças psíquicas que hoje ameaçam os ignorantes e sem
controle, o que justifica o soar de uma nota de aviso e cautela.
3. Um terceiro fator é o seguinte. Há muito tempo é conhecido, pelos
místicos de todas as religiões mundiais e pelos estudantes esoteristas de
toda parte, que certos membros da Hierarquia planetária estão se
aproximando mais da terra nesta época. Com isto quero que concluam que o
pensamento, ou a atenção mental, do Cristo e de alguns de Seus grandes
discípulos, os Mestres de Sabedoria, está direcionado ou focalizado,
atualmente, para os assuntos humanos, e que alguns Deles preparam-Se para
quebrar Seu longo silêncio e poderão, mais tarde, aparecer entre os homens.
Isto, necessariamente, tem um poderoso efeito, primeiro que tudo sobre Seus
discípulos e aqueles que estão harmonizados e sincronizados com Suas
Mentes; e segundo, é preciso lembrar que a energia que flui através destes
pontos focais da Vontade Divina terá um efeito dual e será destrutiva assim
como construtiva, de acordo com a qualidade dos corpos que reagem a ela.
Diferentes tipos de homens respondem de forma distinta a qualquer influxo de
energia, e uma tremenda estimulação psíquica está se processando nesta
época, com resultados divinamente beneficentes e tristemente destrutivos.
Podemos acrescentar também que certas relações astrológicas entre as
constelações estão liberando novos tipos de força que estão atuando por
meio de nosso sistema solar e sobre o nosso planeta e, desse modo, tornando
possíveis desenvolvimentos até aqui frustrados na sua expressão, e
ocasionando a demonstração de poderes latentes e a manifestação de novos
conhecimentos. Tudo isto precisa ser mantido em mente com o maior cuidado
para que seja corretamente apreciado e sua esplêndida oportunidade
corretamente usada. Achei conveniente escrever algumas palavras a respeito da
condição encontrada hoje no mundo, especialmente no que tange aos grupos
esotéricos, ocultistas e místicos e o movimento espírita.
Todos os verdadeiros pensadores e trabalhadores espirituais estão muito
preocupados atualmente com o crescimento do crime em toda parte, com a
demonstração de poderes psíquicos inferiores, com a aparente
deterioração do corpo físico que se revela na disseminação das doenças,
e pelo extraordinário aumento da insanidade, das condições neuróticas e
do desequilíbrio mental. Tudo isto é o resultado da ruptura da teia
planetária, e ao mesmo tempo, é uma parte do plano evolutivo e o
oferecimento de uma oportunidade por meio da qual a humanidade pode dar o seu
próximo passo à frente. A Hierarquia de Adeptos tem estado dividida em
opinião (se é que uma palavra tão inadequada pode ser aplicada a um grupo
de almas e irmãos que não conhecem o sentido de separatividade, mas apenas
diferem quanto a problemas de “habilidade na ação”) sobre a presente
condição mundial. Alguns acreditam ser ela prematura e, conseqüentemente,
indesejável e causadora de uma situação difícil, enquanto que outros
declaram-Se a favor considerando a bondade básica da humanidade e consideram
a crise atual como inevitável e provocada pelos desenvolvimentos no próprio
homem; Eles consideram a condição como educacional e como constituindo
apenas um problema temporário, o qual - à medida que for resolvido -
conduzirá a humanidade para um futuro ainda mais glorioso. Porém, ao mesmo
tempo, não há como negar o fato de que grandes e freqüentemente
devastadoras forças têm sido desencadeadas sobre a terra, e que o efeito é
uma causa de grande preocupação para todos os Mestres, Seus discípulos e
trabalhadores.
A dificuldade pode, principalmente, remontar à superestimulação e à
excessiva tensão exercida sobre o mecanismo dos corpos, que o mundo das
almas (em encarnação física) têm de empregar enquanto procuram
manifestar-se no plano físico e assim responder ao seu meio ambiente. O
fluxo de energia, jorrando através do plano astral e, em menor grau, do
plano mental inferior, é posto em contato com corpos que, a princípio, não
respondem e mais tarde são super-responsivos; ele flui para as células do
cérebro que, por falta de uso, não estão acostumadas ao poderoso ritmo que
lhes é imposto; e o equipamento do conhecimento da humanidade é tão pobre
que a maioria não tem senso bastante para proceder com cautela e avançar
lentamente. Por isso, logo se encontram em perigo e dificuldade; sua natureza
é, com freqüência, tão impura ou tão egoísta que os novos poderes que
estão começando a fazer sentir sua presença, e assim abrindo novas
avenidas de percepção e contato, são subordinados a fins puramente
egoístas e prostituídos para objetivos mundanos. Os relances concedidos ao
homem daquilo que jaz por trás do véu são mal interpretados e a
informação obtida mal usada e distorcida por motivos errados. Mas se uma
pessoa é a vítima não intencional da força ou se coloca em contato com
ela deliberadamente, ela paga o preço de sua ignorância ou temeridade no
corpo físico, muito embora sua alma possa “continuar a marchar em
frente”.
Não adianta, nesta época, fechar os olhos para o problema imediato ou
tentar pôr a culpa pelos lastimáveis fracassos, pelas ruínas ocultas,
pelos psíquicos semidementes, pelos místicos cheios de ilusões e miragens
e pelas fracas mentes de diletantes no esoterismo à porta de sua própria
estupidez ou sobre os ombros de alguns mestres, grupos ou organizações.
Muita culpa pode ser atribuída aqui e ali, mas faz parte do bom senso
enfrentar os fatos e compreender a causa daquilo que está transpirando por
toda parte e que pode ser exposto como a seguir.
A causa do crescimento do psiquismo inferior e da crescente sensibilidade da
humanidade nesta época, é a súbita afluência de uma nova forma de energia
astral através do véu rasgado, o qual, até bem pouco tempo, protegia a
maioria. Somando-se a isto a inadequabilidade dos veículos da massa humana
para fazer frente à tensão recentemente imposta, poderemos obter alguma
idéia do problema.
Não nos esqueçamos, contudo, que há um outro lado da moeda. A afluência
desta energia trouxe muitas centenas de pessoas a uma nova e mais profunda
realização espiritual; ela abriu uma porta pela qual muitos passarão
dentro em breve e farão sua segunda iniciação, e ela introduziu uma
inundação de luz no mundo - uma luz que aumentará cada vez mais nos
próximos trinta anos, trazendo a certeza da imortalidade e uma nova
revelação das potências divinas no ser humano. Assim está despontando a
Nova Era. O acesso a níveis de inspiração, até agora intocados, foi
facilitado. A estimulação das faculdades superiores (e isto em grande
escala) é agora possível, e a coordenação da personalidade com a alma e o
correto uso da energia podem prosseguir com renovada compreensão e arrojo.
Sempre a corrida é para os fortes, e sempre os muitos são chamados e os
poucos escolhidos. Esta é uma lei oculta.
Estamos agora num período de tremenda potência espiritual e de oportunidade
para todos no caminho probatório e no caminho do discipulado. É a hora do
claro e agudo chamado para o homem mostrar disposição e boa vontade, pois a
libertação está a caminho. Mas é também a hora de perigo e de ameaça
para os incautos e os não preparados, para os ambiciosos, os ignorantes, e
para aqueles que egoisticamente procuram o Caminho e que se recusam a trilhar
o caminho do serviço com motivo puro. Para que esta sublevação e
conseqüente desastre para tantos não lhes pareça injusta, deixem-me
lembrar-lhes que esta uma vida nada mais é do que um segundo do tempo da
mais longa e mais vasta existência da alma, e que aqueles que falham e são
despedaçados pelo impacto das poderosas forças agora inundando nossa terra,
terão, não obstante, sua vibração “elevada” para coisas melhores
juntamente com a massa daqueles que espiritualmente conquistaram, mesmo que
seus veículos físicos sejam destruídos no processo. A destruição do
corpo não é a pior desgraça que pode suceder a um homem.
Não é meu propósito cobrir todo terreno possível em relação à
situação no campo do psiquismo causada pela afluência da energia astral
nesta época. Procuro limitar-me ao efeito deste influxo sobre os aspirantes
e sensitivos. Estas duas palavras - aspirantes e sensitivos - estão
empregadas por mim neste artigo para distinguir entre aquele que, desperto,
busca o controle e o domínio e o tipo inferior de psíquico, que é
controlado e dominado. É necessário lembrar aqui que o chamado psiquismo
pode ser dividido nos dois grupos seguintes:
Psiquismo Superior |
Psiquismo Inferior |
Divino |
Animal |
Controlado |
Sem Controle |
Positivo |
Negativo |
Inteligentemente Aplicado |
Automático |
Mediador |
Mediunidade |
Estas distinções são pouco compreendidas, assim como não se aprecia o
fato de que os dois grupos de qualidades indicam nossa divindade. Todas elas
são expressões de Deus.
Há certos poderes psíquicos que os homens têm em comum com os animais;
esses poderes são inerentes ao corpo animal e são instintivos, porém, na
sua vasta maioria, desceram abaixo do limiar da consciência, não são
percebidos e, portanto, são inúteis. Há, por exemplo, os poderes de
clarividência e clariaudiência astral e o poder de ver cores e fenômenos
similares. A clarividência e clariaudiência são possíveis, também, nos
níveis mentais, e então isso é chamado de telepatia, como também a visão
de símbolos, pois toda visão de formas geométricas é clarividência
mental. Todos esses poderes estão, porém, ligados ao mecanismo humano ou
aparelho de resposta, e servem para pôr o homem em contacto com aspectos do
mundo fenomênico para o que o aparelho de resposta, que nós chamamos de
personalidade, existe. Eles são o produto da atividade da alma divina no
homem, a qual toma a forma daquilo que nós chamamos “a alma animal”, que
realmente corresponde ao aspecto do Espírito Santo na trindade microcósmica
humana. Todos estes poderes têm suas correspondências espirituais
superiores, que se manifestam quando a alma se torna conscientemente ativa e
controla seu mecanismo por meio da mente e do cérebro. Quando a
clarividência e clariaudiência astrais não estão abaixo do limiar da
consciência, mas estão ativamente usadas e funcionando, isso significa que
o centro do plexo solar está aberto e ativo. Quando as faculdades mentais
correspondentes estão presentes na consciência, então isso significa que o
centro da garganta e o centro entre as sobrancelhas estão tornando-se
“despertos” e ativos. Mas, os poderes psíquicos superiores, como a
percepção espiritual com seu conhecimento infalível, a intuição com seu
julgamento sem erros, e a psicometria de espécie superior com seu poder de
revelar o passado e o futuro, são as prerrogativas da alma divina. Estes
poderes superiores entram em ação quando os centros da cabeça e do
coração, assim como o centro da garganta são trazidos à atividade como
resultado da meditação e serviço. Que os estudantes, contudo, se lembrem
de duas coisas:
Que o maior pode sempre incluir o menor, mas o psíquico puramente animal
não inclui o superior.
Que entre o tipo mais inferior de mediunidade negativa e o mais elevado tipo
de mestre inspirado e vidente são encontrados uma vasta diversidade de
graus, e que os centros não estão uniformemente desenvolvidos na
humanidade.
A complexidade do assunto é grande, mas podemos perceber a situação geral,
entender a significância da oportunidade oferecida, e empregar o correto uso
do conhecimento para extrair o bem do presente período crítico, e assim
fomentar e nutrir o crescimento psíquico e espiritual do homem.
Acredito que duas questões devem, atualmente, absorver a atenção dos
trabalhadores no campo do esoterismo e daqueles que se ocupam com o
treinamento de estudantes e aspirantes.
I. Como treinaremos nossos sensitivos e psíquicos de modo que os perigos
possam ser evitados e os homens possam prosseguir, em segurança, para sua
nova e gloriosa herança?
II. Como podem as escolas esotéricas ou “disciplinas”, como são às
vezes chamadas, fazer uso correto da oportunidade?
I – O Treinamento dos Médiuns
A primeira coisa a ter em mente é que o psiquismo e a mediunidade
negativa e não-inteligente reduz o seu intérprete ao nível de um
autómato; é perigosa e desaconselhável porque priva o homem do seu livre
arbítrio e sua positividade, e milita contra sua capacidade de agir como um
ser humano livre e inteligente. O homem não está agindo, nestes casos, como
um canal para a sua própria alma, mas é pouco melhor que um animal
instintivo, se não é, literalmente, uma casca vazia, que uma entidade
obsessora pode ocupar e usar. Ao falar assim, refiro-me ao tipo mais inferior
de mediunidade animal, muito encontrada nestes dias, e que é a causa da
preocupação das melhores mentes em todos os movimentos que fomentam a
mediunidade. Quando se entra na mediunidade com uma atitude focalizada
plenamente consciente e na qual o médium, com conhecimento e
inteligentemente, esvazia seu corpo para a entrada de uma entidade da qual
ele está plenamente consciente e que toma posse com sua permissão
consciente para servir a algum fim espiritual e ajudar seus semelhantes, pode
ser correto e bom. Mas quantas vezes este tipo de mediunidade é visto?
Poucos médiuns conhecem a técnica que governa a entrada e saída de uma
entidade, como também não sabem como conduzir este trabalho de tal maneira
que, nem por um momento, deixem de ter consciência do que eles próprios
estão fazendo e do propósito de sua atividade. Definida e propositalmente
eles emprestam seu corpo, temporariamente, a outra alma para o serviço,
preservando, o tempo todo, sua própria integridade. A mais elevada
expressão deste tipo de atividade foi a do discípulo Jesus ao dar seu corpo
para uso do Cristo. É na palavra serviço que repousam toda a história e a
salvaguarda. Quando esta verdadeira mediunidade for melhor compreendida,
teremos o médium saindo de seu corpo, em plena consciência vigil, através
do orifício no topo de sua cabeça, e não, como é agora na maioria dos
casos, através do plexo solar, sem manter consciência da transação, ou
qualquer lembrança do que transpirou.
Teremos, então, a entrada temporária de um novo morador ao longo da linha
de uma vibração sincronizada através da entrada na cabeça e o
subseqüente uso do instrumento do corpo emprestado para esta ou aquela
espécie de serviço. Porém, este procedimento jamais será seguido com o
intuito de satisfazer a vã curiosidade, ou uma dor igualmente vã, baseada
na solidão pessoal e auto-piedade. Atualmente, muitos dos médiuns do tipo
inferior são explorados pelo público curioso ou infeliz, e aqueles
peculiares seres humanos cuja consciência está centrada inteiramente abaixo
do diafragma e cujo plexo solar é realmente o seu cérebro (como é o
cérebro do animal) são forçados a atuar como médiuns para satisfazer o
amor pela sensação ou o desejo por consolo de seus semelhantes quase que
igualmente sem inteligência.
Ao mesmo tempo, há médiuns de uma ordem muito superior cujas vidas são
oferecidas em serviço a almas avançadas do outro lado do véu e que dão de
si mesmas para que seus semelhantes possam aprender com elas; assim, em ambos
os lados do véu de separação, há almas ajudadas e a quem é dada
oportunidade de ouvir ou servir. Mas estas, também, lucrariam com um
treinamento mais inteligente e uma compreensão mais acurada da técnica de
seu trabalho e da organização de seus corpos. Elas, então, seriam melhores
canais e intermediários mais dignos de confiança.
Acima de tudo, que os psíquicos no mundo hoje, compreendam a necessidade de
controlar e de não ser controlados; que eles compreendam que tudo que eles
fazem pode ser feito por quaisquer discípulos treinado da Sabedoria Antiga,
se a ocasião o pedir e as circunstâncias justificarem tal gasto de força.
Os médiuns são facilmente enganados. Por exemplo, é óbvio que no plano
astral há um pensamento-forma do seu irmão Tibetano. Todos os que têm
recebido as instruções mensais do grau de discípulos, todos os que leram
os livros que eu tenho enviado para o mundo com o auxilio de A.A.B., também
todos os que estão trabalhando no meu grupo pessoal de discípulos têm,
natural e automaticamente, ajudado na construção deste pensamento-forma
astral. Ele não é eu, nem está ligado a mim, nem eu o uso. Eu,
definitivamente, me dissociei dele e não o emprego como meio de contacto com
aqueles a quem eu ensino, pois escolhi trabalhar inteiramente em níveis
mentais, com isso, indubitavelmente, limitando o raio de ação de meus
contactos, mas aumentando a eficácia do meu trabalho. É desnecessário
dizer que este pensamento-forma astral é uma distorção minha e do meu
trabalho, e assemelha-se a uma casca animada e galvanizada.
Porque há nesta forma grande quantidade de substância emocional e também
uma certa quantidade de substância mental, ela pode exercer uma grande
atração e sua validade é tal que, como todas as cascas, por exemplo, que
são contatadas nas sessões espirituais, ela se faz passar por mim, e, onde
a intuição não está desperta, a ilusão é completa e real. Os devotos
podem, assim, sintonizar-se com grande facilidade com esta forma ilusória e
serem completamente enganados. Sua vibração é de ordem relativamente alta.
Seu efeito mental é como uma bela paródia de mim mesmo e serve para colocar
os enganados devotos em contacto com o códice de luz astral, que é o
reflexo dos registros akáshicos. Estes últimos são o códice eterno onde o
plano para o nosso mundo está inscrito e de onde, nós que ensinamos,
retiramos nossos dados e grande parte de nossas informações. Isto a luz
astral distorce e reduz. Porque esta é uma imagem distorcida, e funciona nos
três mundos da forma, e não tem fonte de validade mais elevada do que
aquela da forma, ela tem em si as sementes da separatividade e do desastre.
Dela são enviadas formas de bajulação, idéias de separatividade,
pensamentos que alimentam a ambição e que fomentam o amor do poder, e
aqueles germes do desejo e de ânsias pessoais (que dividem os grupos)
emergem do contacto com ela. Os resultados para aqueles que são assim
enganados são tristes.
Gostaria de indicar, também, que a chamada mediunidade de transe deve,
inevitavelmente, ser suplantada pela mediunidade oferecida pelo homem ou
mulher clarividentes ou clariaudientes no plano astral, e que, portanto, em
plena consciência vigil e com o cérebro físico alerta e ativo, pode
oferecer-se como intermediário entre homens em corpos do plano físico (e
portanto, cegos e surdos nos níveis mais sutis) e aqueles que, tendo
abandonado seus corpos, estão isolados da comunicação física. Este tipo
de médium pode comunicar-se com ambos os grupos e seu valor e utilidade como
médium é incalculável quando ele é unidirecionado, altruísta, puro e
dedicado ao serviço. Mas, no treinamento a que eles se submetem, precisam
evitar os atuais métodos negativos, e em vez de “sentarem-se para
desenvolver”, num silêncio vazio e expectante, devem esforçar-se para
trabalhar positivamente como almas, permanecendo na posse consciente e
inteligente do mecanismo inferior de seus corpos; eles precisam saber qual o
centro de seu corpo que eles usam enquanto trabalham psiquicamente, e
precisam aprender a olhar, como almas, para o mundo de ilusão no qual estão
incumbidos de trabalhar; a partir de sua alta e pura posição, que eles
vejam claramente, ouçam verdadeiramente e relatem acuradamente, e assim
sirvam à sua época e geração, e façam do plano astral um familiar e bem
conhecido lugar de atividade, acostumando a humanidade a um estado de
existência onde são encontrados seus semelhantes, experienciando, vivendo e
seguindo o Caminho.
Não posso escrever aqui a respeito da técnica desse treinamento. O assunto
é por demais vasto para caber num breve artigo. Porém, digo, enfaticamente,
que um treinamento mais cuidadoso e informado é necessário e um uso mais
inteligente do conhecimento que está disponível, se for procurado. Exorto
todos que estão interessados no conhecimento psíquico a estudar, e pensar,
e experimentar, e ensinar e aprender até o momento em que o nível todo dos
fenômenos psíquicos seja erguido de sua atual posição ignorante,
especulativa e negativa para uma de potente segurança, técnica comprovada,
e expressão espiritual. Exorto movimentos como as Sociedades de Pesquisa
Psíquica no mundo e o vasto Movimento Espírita a pôr a ênfase sobre a
divina expressão e não tanto sobre os fenômenos; que esses movimentos
abordem o assunto sob o ângulo do serviço e levem suas pesquisas para o
reino da energia, e parem de tanto alcovitar o público. A oportunidade que
lhes é oferecida é grande, e a necessidade de seu trabalho é vital. O
serviço prestado tem sido real e essencial, mas se estes movimentos quiserem
tirar proveito do próximo influxo de energia espiritual, eles precisam mudar
sua atenção para o reino dos verdadeiros valores. O treinamento do
intelecto, e a apresentação, ao mundo, de um grupo de médiuns
inteligentes, deve ser o objetivo principal; o plano astral será então,
para eles, apenas uma etapa no caminho para aquele mundo onde são
encontrados todos os Guias e Mestres espirituais, e de onde todas as almas
partem para a encarnação e para onde todas as almas retornam quando deixam
o lugar de experiência e de experimentação.
Pode-se perguntar qual o terreno que este treinamento deveria cobrir. Sugiro
que o ensinamento deveria ser dado quanto à natureza do homem e o propósito
e objetivos da alma; poderíamos oferecer treinamento quanto à técnica de
expressão, e dadas cuidadosas instruções quanto ao uso dos centros no
corpo etérico e no desenvolvimento da habilidade para preservar inviolada a
atitude do observador positivo, que é sempre o fator diretivo e controlador.
Terá de haver cuidadosa análise do tipo e caráter do médium, e então, a
aplicação de métodos diferenciados e adequados de modo que ele possa
progredir com o mínimo de transtornos. As escolas e classes que procuram
desenvolver o estudante precisam ser seriadas de acordo com o seu ponto de
evolução, e terão de evitar alimentar a otimista esperança de que, ao
entrar num grupo, algo acontecerá a ele enquanto lá estiver.
A meta para o médium negativo de grau inferior deve ser o treinamento da
mente e o fechamento do plexo solar até o momento em que ele puder funcionar
como um verdadeiro mediador; se isto envolver o cessar temporário de seus
poderes mediúnicos, e conseqüentemente de sua exploração comercial, tanto
melhor para ele - vendo-o como uma alma imortal, com um destino e utilidade
espirituais.
A instrução dada ao médium e sensitivo inteligente deverá levá-lo a uma
total compreensão de si mesmo e de seus poderes; deverá desenvolver esses
poderes sem risco e com cuidado, e ele deverá ser estabilizado na posição
de fator positivo controlador. Seus poderes clarividentes e clariaudientes
devem ser gradualmente aperfeiçoados, e a correta interpretação daquilo
que ele vê e contata no plano da ilusão, o plano astral, deve ser
cultivada.
Assim, encontraremos, gradualmente, emergindo no mundo um grande corpo de
sensitivos treinados cujos poderes são compreendidos e que funcionam no
plano astral com tanta inteligência quanto com a que funcionam no plano
físico, e que se estão preparando para a expressão dos poderes psíquicos
superiores - a percepção espiritual e a telepatia. Estas pessoas
constituirão, eventualmente, um corpo de almas ligadas, mediando entre
aqueles que não podem ver nem ouvir no plano astral porque são os
prisioneiros do corpo físico, e aqueles que são igualmente os prisioneiros
do corpo astral, faltando-lhes o aparelho físico de resposta.
A grande necessidade, portanto, não é deixar de consultar e treinar os
nossos sensitivos e médiuns, mas treiná-los corretamente e resguardá-los
inteligentemente e assim unir, por intermédio deles, os dois mundos do
físico e do astral. (Psicologia Esotérica II Pág. 555-598)
II – Escolas e Disciplinas Esotéricas
Nossa segunda questão relaciona-se ao trabalho das escolas
esotéricas ou “disciplinas”, como são às vezes chamadas, e o
treinamento e salvaguarda dos aspirantes que se encontram trabalhando
nelas.
Primeiramente, gostaria de tornar claro um ponto. O grande impedimento ao
trabalho da maioria das escolas, nesta época, é seu senso de separatividade
e sua intolerância quanto às outras escolas e métodos. Os líderes dessas
escolas precisam absorver o fato que se segue. Todas as escolas que
reconhecem a influência da Loja Trans-Himalaica e aqueles trabalhadores que
estão ligados, consciente ou inconscientemente, com Mestres de Sabedoria
como o Mestre Morya ou o Mestres K. H., formam uma escola e são parte de uma
“disciplina”. Não há, portanto, um conflito de interesses, e no lado
interno - se eles estão, de alguma forma, funcionando eficazmente - as
várias escolas e apresentações são consideradas como uma unidade. Não
há diferença básica no ensinamento, mesmo que a terminologia básica possa
variar, e a técnica de trabalho é fundamentalmente idêntica. Se quisermos
que o trabalho dos Grandes Seres prossiga como desejado nestes dias de
tensão e de necessidade mundial, é imperativo que estes vários grupos
comecem a reconhecer sua real unidade na meta, orientação e técnica, e que
seus líderes compreendam que é o medo de outros líderes e o desejo de que
seu grupo seja numericamente mais importante que leva ao freqüente uso das
palavras, “Esta é uma disciplina diferente”, ou “O trabalho deles não
é igual ao nosso”. É esta atitude que está impedindo o verdadeiro
crescimento da vida espiritual e entendimento entre os muitos estudantes
reunidos em tantas organizações externas. Atualmente, estão contaminados
pela “grande heresia da separatividade”. Os líderes e os membros falam
em termos de “nosso” e “vosso”, desta “disciplina” e daquela, e
deste método sendo correto (geralmente o seu próprio) e do outro método
que pode estar certo, mas é provavelmente duvidoso, se não positivamente
errado. Cada um considera seu próprio grupo como hipotecado especificamente
a ele e ao seu modo de instrução, e ameaça seus membros com desastrosos
resultados se eles cooperarem com os outros grupos. Em vez disso, eles deviam
reconhecer que todos os estudantes em escolas análogas e trabalhando sob os
mesmos impulsos espirituais são membros de uma única escola e estão
ligados e juntos numa unidade subjetiva básica. É preciso que chegue o
tempo quando estes vários (atualmente) corpos esotéricos separatistas
terão de proclamar sua identidade, quando os líderes, trabalhadores e
secretários se reunirão e aprenderão a conhecer e entender uns aos outros.
Um dia, este reconhecimento e entendimento os trará para o ponto onde eles
se esforçarão para suplementar os esforços de cada um, trocarão idéias,
e assim em verdade e de fato, constituirão um único grande colégio de
esoterismo no mundo, com classes e graus variados, mas todos ocupados com o
trabalho de treinar aspirantes e prepará-los para o discipulado, ou
supervisionando o trabalho de discípulos enquanto estes se preparam para
fazer a iniciação. Então, cessarão as atuais tentativas de prejudicar o
trabalho uns dos outros pela comparação de métodos e de técnicas, pela
crítica e difamação, pela ameaça e culto do medo, e a insistência sobre
a exclusividade. São estas atitudes e métodos que, no presente, estão
impedindo a entrada da pura luz da verdade.
Os aspirantes nestas escolas apresentam um problema diferente daquele do
psiquismo e mediunidade comuns. Estes homens e mulheres ofereceram-se para
treinamento intelectual e sujeitaram-se a um processo forçado que tenciona
trazer a plena flor da alma a um desabrochar prematuro, e isto com o fim de
mais rápida e eficazmente, servir à raça, e cooperar com o plano da
Hierarquia. Assim, tais estudantes se expõem a perigos e dificuldades que
teriam sido evitados, se eles tivessem escolhido percorrer o caminho mais
lento e igualmente mais seguro. Este fato deve ser compreendido por todos os
trabalhadores em tais escolas e o problema deveria ser cuidadosamente
explicado ao aspirante que entra, para que ele possa manter-se em guarda e
seguir as regras e instruções com cautela. Não se deveria permitir que o
estudante tivesse medo ou se recusasse a submeter-se a este processo
forçado, porém, ele deveria entrar nele com os olhos abertos e deveria ser
ensinado a valer-se das salvaguardas oferecidas e da experiência de
estudantes mais antigos.
A ênfase em todas as escolas esotéricas recai, necessária e corretamente,
sobre a meditação. Tecnicamente falando, a meditação é o processo pelo
qual o centro da cabeça é despertado, trazido sob controle e usado. Quando
este é o caso, a alma e a personalidade são coordenadas e fundidas, e a
unificação tem lugar, produzindo no aspirante um tremendo influxo de
energia espiritual, galvanizando todo o seu ser para a atividade, e trazendo
à superfície o bem latente e também o mal. Aqui reside grande parte do
problema e do perigo. Daí também a ênfase posta, nas verdadeiras escolas,
sobre a necessidade da pureza e da verdade. Excessiva ênfase tem sido dada
à necessidade da pureza física, mas não suficiente à necessidade de se
evitar todo o fanatismo e intolerância. Estas duas qualidades prejudicam
muito mais do que uma dieta errada, e alimentam os fogos da separatividade
mais do que qualquer outro fator.
A meditação envolve viver sempre e diariamente uma vida unidirecionada.
Isto, forçosamente, exerce uma pressão excessiva sobre as células do
cérebro, uma vez que traz à atividade células inativas e desperta a
consciência cerebral para a luz da alma. Este processo de meditação
ordenada, quando é realizado durante um período de anos, e suplementado por
uma vida meditativa e de serviço unidirecionado, despertará todo o sistema,
e porá o homem inferior sob a influência e controle do homem espiritual;
despertará também os centros de força no corpo etérico e estimulará a
entrar em atividade aquela misteriosa corrente de energia que dorme na base
da coluna vertebral. Quando este processo é desenvolvido com cautela e as
devidas salvaguardas, e sob direção, e quando o processo se estende por um
longo período de tempo há pouco risco de perigo, e o despertar terá lugar
normalmente e sob a lei do próprio ser. Porém, se a sintonização e o
despertar houver sido forçado, ou provocado por exercícios de vários tipos
antes que o estudante esteja pronto e antes que os corpos estejam coordenados
e desenvolvidos, então o aspirante está destinado ao desastre. Exercícios
respiratórios ou treinamento do pranayama jamais devem ser seguidos sem uma
orientação competente e, assim mesmo, só após anos de aplicação
espiritual, devoção e serviço; a concentração sobre os centros no corpo
de força, tendo em vista o seu despertar, deve sempre ser evitada; ela
causará uma superestimulação e a abertura de portas para o plano astral
que os estudantes poderão ter dificuldades em fechar. Torno a repetir
enfaticamente para os aspirantes em todas as escolas de ocultismo que a ioga
para este período de transição é a ioga do intento unidirecionado, do
propósito dirigido, de uma constante prática da presença de Deus e de
meditação, ordenada e regular, realizada sistematicamente durante anos de
esforço.
Quando isto for feito com imparcialidade e acompanhado por uma vida de
serviço amoroso, o despertar dos centros e a elevação do fogo adormecido
de Kundalini prosseguirá em segurança e todo o sistema chegará ao
necessário estágio de “vivacidade”. Nunca será demais prevenir os
estudantes contra processos de intensa meditação por horas seguidas, ou
contra práticas que têm por objetivo despertar os fogos do corpo, acordar
um determinado centro e movimentar o fogo serpentino. A estimulação geral
do mundo é tão grande atualmente e o aspirante comum tão sensível e tão
rapidamente organizado que a meditação excessiva, uma dieta fanática, a
redução de horas de sono e o excessivo interesse em experiências
psíquicas perturbarão o equilíbrio mental e, freqüentemente, farão mal
irreparável.
Que os estudantes nas escolas esotéricas mantenham um trabalho constante,
tranqüilo e não-emocional. Que eles se abstenham de prolongadas horas de
estudo e meditação. Seus corpos não são ainda capazes de suportar a
tensão exigida e assim, eles apenas se prejudicam. Que eles levem vidas
ativas e normais, lembrando-se, na pressão dos deveres diários e serviço,
quem eles são essencialmente e quais são seus objetivos e meta. Que eles
meditem regularmente todas as manhãs, começando com um período de quinze
minutos e jamais excedendo quarenta minutos. Que eles se esqueçam de si
mesmos no serviço, e que não concentrem seus interesses no seu próprio
desenvolvimento psíquico. Que eles treinem suas mentes com uma dose normal
de estudo e aprendam a pensar inteligentemente para que suas mentes possam
equilibrar suas emoções e permitir-lhes interpretar corretamente o que eles
contatam à medida que sua percepção aumenta e sua consciência se
expande.
Os estudantes precisam lembrar-se que a devoção ao Caminho ou ao Mestre
não é bastante. Os Grandes Seres estão procurando por cooperadores e
trabalhadores inteligentes mais do que procuram por devoção às Suas
Personalidades, e um estudante que está caminhando, independentemente, na
luz de sua própria alma é considerado por Eles um instrumento mais digno de
confiança do que um devoto fanático. A luz de sua alma revelará ao
aspirante sincero a unidade subjacente a todos os grupos, e lhe permitirá
eliminar o veneno da intolerância que contamina e atrasa tantos; ela o fará
reconhecer os fundamentos espirituais que guiam os passos da humanidade; ela
os forçará a não se importar com a intolerância, o fanatismo e a
separatividade que caracterizam as mentes estreitas e o iniciante no Caminho,
e o ajudará assim, a amar aqueles que ele começará a ver mais
verdadeiramente e alargará seu horizonte; ela o capacitará a julgar
verdadeiramente o valor esotérico do serviço e o ensinaria acima de tudo, a
praticar aquela inofensividade que é a destacada qualidade de cada filho de
Deus. Uma inofensividade que não pronuncia palavra alguma que possa
prejudicar outra pessoa, que não tem pensamentos que possam envenenar ou
provocar mal-entendidos, e não pratica atos que possam ferir o menor de seus
irmãos - esta é a principal virtude que habilita o estudante esotérico a
percorrer com segurança o difícil caminho do desenvolvimento. Quando a
ênfase recai sobre o serviço ao seu semelhante e a inclinação da força
da vida é para o mundo lá fora, então o aspirante está livre do perigo e
pode, em segurança, meditar e aspirar e trabalhar. Seu motivo é puro, e ele
está procurando descentralizar sua personalidade e transferir o foco de sua
atenção dele próprio para o grupo. Assim, a vida da alma pode fluir
através dele, e expressar-se como amor a todos os seres. Ele se reconhece
como parte de um todo, e a vida desse todo pode fluir através dele
conscientemente, levando-o a uma percepção de fraternidade e de sua
unicidade em relação a todas as vidas manifestadas.