VULCÃO

Ali,a temperatura chega aos 4 mil graus e a pressão ultrapassa 3 milhões de atmosferas - uma atmosfera equivale á pressão exercia por 1 quilo sobre 1 centímetro quadrado. É um mundo infernal, de acesso quase impossível, digno da imaginação de um escritor de ficção científica: a profundidades maiores que algumas poucas dezenas de quilômetros, as altíssimas pressões e temperaturas pulverizariam qualquer sonda por mais resistente que fosse. Mas, afinal , o que existe mesmo lá embaixo? Como é mais fácil subir ao espaço do que descer aos porões do planeta, a ciência tem acumulado muito conhecimento sobre o sistema solar talvez até maior do que sobre suas camadas mais fundas . Esse é o desafio para os cientistas que têm os olhos voltado não para o céu, mas para o chão- ou melhor,para o que existe abaixo dele. Embora compacta, a Terra não é um bloco homogéneo;é possível compras-la a uma imensa cebola, onde diversas camadas se sobrepõem. a pela que a recobre a crosta terrestre, cuja profundidade varia de cerca de 10 quilômetros nas áreas oceânicas até 70 quilômetros nos continentes. Por ser a camada mais superficial, a crosta naturalmente é a mais simples de ser estudada.

Os fragmentos de rochas recolhidos durante as perfurações são uma preciosa fonte de estudos. Depois da crosta vem a zona de transição para a camada seguinte, o mato,que alcança até 2900 quilômetros de de profundidade. Abaixo do manto está o núcleo, a uma profundidade de 5100 quilômetros. Para perfumar os cinco primeiros quilômetros em direção ao interior da terra existem equipamentos apropriados. Daí em diante as coisas se complicam.; É difícil manter a sonda na direção correta, as broacas quebram e qualquer operação para recuperar o material lave muito tempo ; explica o professor Igor Pacca, do Instituto Astronómico e geofísico da Universidade de São Paulo .

Nesse tipo de exploração, o recorde pertence aos soviéticos. desde 1970, eles vêm fazendo perfurações na península de kola, no extremo norte da URSS. Só recentemente chegaram á marca dos 13 quilômetros de profundidade -um simples arranham na casca do planeta. Segundo o geofísico Pacca, o feito importantes dos soviéticos até aqui foi não encontrar na parte interior da crosta uma zona de transição de rochas de granito para rochas de basalto. Até então, os geofísicos acreditavam que essa área existia, tanto que tinha até um nome para ela:

Descontiniudade de Conrad. “Atingida a profundidades que responderia a essa descontinuidade, não se achou basalto”, relata o professor Pacca.

Da mesma forma como os astrônomos astrofísicos querem conhecer melhor o que existe, por exemplo em Marte , o mais ambicioso objetivo dos geofísicos de todo o mundop é conhecer a intimidade do interior da Terra. Po isso, em setembro do ano passado, uma equipe de cientistas iniciou uma perfuração na cidadezinha de Windischeschenbach, no norte da Alemanha Ocidental, que não vai terminar antes do ano 2000. Então, os pesquisadores esperam chegar à meta estabelecida.