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Um guia para iniciantes no Esperanto

Para o doutor que a inventou, ela era a chave para a paz mundial; ainda para Stalin ela era perigosa, para Hitler, um sinal da rastejante dominação Judaica, e o exército americano considerava-a "a língua do agressor". Há então alguém que ainda fale Esperanto? David Newnham viaja para um salão de igreja em Ipswich para descobrir...

Saturday July 12, 2003
The Guardian

Baa Baa Black Sheep
'Ba, ba, safo! Cxu vi havas lanon?'
'Jes, tri sakojn: prenu en la manon!
Unu por la mastro, unu por mastrin',
Kaj unu por la eta knabo cxe la strata fin' '

Traduzido para o Esperanto por MC Butler

No salão de uma igreja Batista na periferia de Ipswich, vinte pessoas estão tendo um encontro. Dentre eles estão um inspetor de quantidades e um cineasta aposentado, um estudante do nível A e um ex-professor de 95 anos de idade. Juntos, eles tem alguns negócios de rotina a discutir; sociedade, contas, esse tipo de coisa. Então, depois de uma sopa feita em casa e petiscos vegetarianos, há uma disputa de conhecimentos gerais, elaborada por Roy Threadgold. Threadgold é um produtor de laticínios de Essex, cujo queijo de leite de ovelha ganha prêmios, e com seu rosto jovial e suas longas costeletas, ele [looks the part]. Então quando ele se levanta e anuncia a primeira questão, é surpreendente, e quase chocante, ouvir as suas palavras. Será que eles são Húngaros? Portugueses? Uma variedade de Eslovenos? Algumas palavras parecem familiares, mas não é francês nem alemão, e com certeza não é de Essex. Uma coisa é clara. Seja qual for a língua que Threadgold esteja usando, a sua audiência o entende. Ele mal começa o questionário e eles já o estão importunando atrás de pistas ou pressionando-o para esclarecimentos, e tudo na mesma exuberante língua, com seus sons de "o" e "oi", e suas pistas de línguas conhecidas. Alguém vindo de fora assumiria quase com certeza que são um bando de expatriados, reunidos para dividir preciosas lembranças de uma terra natal distante. Somente mais tarde a verdade pode despontar - de que é a língua que eles dividem, e não alguma origem comum, o que os une. Porque, exceto por Dominique, um francês administrador de bancos de dados que por acaso veio fazer negócios em Anglia do Leste, todo mundo aqui é britânico como o dia é molhado. Eles por acaso falam esperanto.

Não que alguém fale esperanto "por acaso", porque esta língua não tem território para chamar de seu. Planejada para ser usada como uma segunda língua universal - uma língua auxiliar pela qual todas as pessoas, não importa sua origem, podem se comunicar livremente - ela é uma coisa construída, uma invenção deliberada que deve ser deliberadamente aprendida.

O fato de que, 116 anos depois do nascimento do Esperanto, poucas pessoas lendo esse artigo saberão uma só palavra dele - talvez até não saibam da sua existência - é uma indicação do quão relutante o mundo tem sido para tomar esse óbvio próximo passo. Em 1965, William Shatner estrelou em Incubus, o primeiro filme a ser feito nessa língua. Conrad Hall, o cinegrafista deste projeto, foi adiante para filmar Beleza Americana. Mas o que foi feito do Esperanto? Nem as nações unidas, nem a união européia adotaram-no como língua de trabalho, e nem uma só multinacional corporativa ou de caridade a emprega nos seus negócios do dia-a-dia. Mesmo assim ninguém nessa igreja parece desnecessariamente desanimado, o que não quer dizer que eles não se sentem ocasionalmente um pouco indignados.

Ouçamos Roy Simmons. Um [headteacher]-assistente de 53 anos de idade em uma escola superior a oeste de Londres, ele veio para Ipswich porque, no seu tempo vago, ele é presidente da Federação Oriental de Esperanto, e esse é o seu encontro. Simmons fica feliz em dizer que, até 1994, quando ele por acaso viu um livro sobre o assunto, ele nunca tinha ouvido falar sobre o Esperanto. Mas foi o seu amor à primeira vista. "Eu fui capturado pela língua", lembra ele, e prontamente entrou em um curso. Mesmo assim, suas tentativas de passar adiante seu entusiasmo quase sempre caíram em ouvidos surdos. E não ouvidos somente surdos, mas ouvidos que estão realmente fechados. "O que eu acho estranho," diz Simmons, "é que, quando se menciona o Esperanto, as pessoas nunca o ignoram. Elas são violentamente contra ele, até nas escolas. Se disser que vai ensinar Russo, as pessoas podem dizer "Ah! Isso é uma perda de tempo", e logo esquecerão, mas [go on at you for ages] sobre porque não se deve ensinar Esperanto. Além de tudo mais, Esperanto é uma ótima base para aprender outras línguas. Isso também acontece com o Latim, mas o Latim leva um grande tempo para aprender, enquanto esperanto não. Eu tornei-me fluente em dois anos. Não esqueça, ele o criou para trabalhadores do campo não educados que tinham dez minutos por dia."

Ele? Ah, esse deve ser Ludovic L Zamenhof.

A Bialystok dos anos 1860 não era lugar para se crescer. Uma cidade no nordeste do que é agora a Polônia, ela estava ao mesmo tempo sob regência Russa. Violência étnica entre poloneses, russos, alemães e judeus era lugar comum, e toda semana trazia notícias frescas de barbarismo e crueldade entre essas comunidades isoladas e mutuamente intolerantes.

Foi lá, onde a falta de entendimento traduzia-se prontamente em ódio racial, e o ódio racial gerava violência, que, em 1859, Ludovic Zamenhof nasceu de uma professora de línguas e um marido lingüista. No meio da sua adolescência, o jovem Ludovik já havia visto o suficiente da desumanidade do homem para se convencer da necessidade de uma língua comum que facilitaria o entendimento entre as pessoas. Tendo sido levado a falar polonês, alemão, russo, iídiche e hebreu, e tendo um bom conhecimento de inglês e francês, Zamenhof sabia que nenhuma língua existente daria conta do recado, por um motivo, o fato de que elas eram associadas a um país, raça ou cultura particulares significava que faltava nelas a neutralidade que qualquer língua internacional precisaria para ser aceita. Além disso, havia o fato de que elas estavam carregadas de copiosas regras, e ainda ao mesmo tempo eram esburacadas por falhas de lógica e exceções, significando que nelas faltava outra característica essencial de uma segunda língua universal: facilidade de aprendizado por pessoas comuns. Esse fator de dificuldade também existia no latim e no grego clássico. Tudo isso deixou Zamenhof com somente uma opção: inventar sua própria língua.

Mas inventar línguas não paga as contas, então Zamenhof estudou medicina e se tornou um oculista. Durante o dia ele consertava olhos, e ao entardecer ele lutava com problemas que fariam um poeta chorar. O quão rígido ele deveria ser na sua perseguição à simplicidade? Seria possível para Shakespeare traduzido soar como Shakespeare? Em que ponto ele deveria parar de escutar a sua cabeça e começar a ouvir seu coração?

Ele não estava sozinho na travessia dessa difícil etapa. Pascal, Descartes e Leibniz todos brincaram com línguas construídas, e John Schleyer, um clérigo Alemão, ainda estava trabalhando na sua própria criação, o volapuque. Mas enquanto a língua de Schleyer era considerada alienígena e feia quando apareceu em 1880, Zamenhof estava para criar uma língua que muitos olharam como um exemplo de beleza. Além disso, enquanto o volapuque era quase tão difícil de aprender quanto o latim, a língua de Zamenhof teria somente dezesseis regras básicas e nenhuma exceção. Ela é provavelmente a única língua que não tem verbos irregulares (o francês tem 2.238, o espanhol e o alemão por volta de 700 cada), e com somente seis desinências verbais para dominar, avalia-se que a maioria dos novatos podem começar a falá-la depois de uma hora.

Ao invés de criar um vasto léxico de palavras, e esperar que as pessoas aprendessem todas elas, Zamenhof decidiu-se por um sistema de palavras-raiz e afixos que alteram seus significados ("mal-" converte uma palavra em seu antônimo, por exemplo). E como os finais das palavras denotam partes da oração (substantivos terminam em "-o", adjetivos em "-a", etc.), a ordem das palavras é irrelevante. Mesmo que o Esperanto moderno tenha por volta de 9.000 palavras-raiz, a maioria dos significados podem ser expressados a partir de mais ou menos 500, simplesmente combinando-as - um processo criativo que é visto pelos esperantistas como aceitável e até admirável.

Três quartos das palavras -raiz são emprestadas das línguas românticas, e o resto de línguas germânicas e eslavas e do grego. Isso significa que mais ou menos a metade da população do mundo já é familiar à maioria do vocabulário. Para um falante de inglês, calcula-se que o Esperanto é cinco vezes mais fácil de aprender do que o francês ou espanhol, dez vazes mais fácil que o russo, e vinte vezes mais fácil que o árabe ou o chinês.

Enquanto as críticas agarram-se ao óbvio inconveniente do eurocentrismo - especialmente porque coloca os falantes de outras línguas em desvantagem - os esperantistas argumentam que a regularidade e a simplicidade do esquema de Zamenhof rapidamente sobrepujam qualquer falta de familiaridade com as palavras-raiz, e apontam para a popularidade do esperanto na Hungria, Estônia, Finlândia, Japão, China e Vietnam como prova do pudim de Zamenhof.

Além da sua construção lógica, o Esperanto tem outra característica apelativa: é fonético e ortográfico, isto é, cada letra representa somente um som, e cada som é representado por somente uma letra.

Em 1887, com 28 anos, Zamenhof estava pronto para ir ao público. Sua primeira brochura sobre a língua, com somente quarenta páginas, mas alinhavando toda a estrutura, foi publicada sob o pseudônimo "Doktoro Esperanto" - "Doktoro" significando "doutor" na nova língua e “Esperanto" significando "aquele que tem esperança". Enquanto o livreto corria pelo mundo, cartas começaram a chegar, muitas escritas em uma língua que as pessoas estavam chamando "A Língua Internacional do Dr. Esperanto" - Um nome que foi logo abreviado para "Esperanto".

Depois de doze meses, Zamenhof publicou os nomes e endereços de 1.000 apoiadores, dentre eles o secretário da Sociedade Americana de Filologia. Na Alemanha, membros do Clube Mundial da Linguagem imprimiram uma revista em Esperanto, e em meados de 1905 já era tempo de reunir tudo e convocar o primeiro Universala Kongreso, ou Congresso Universal. Aproximadamente 700 Esperantistas de vinte países juntaram-se em Bolonha para conversar na nova língua, e assim o volapuque de Schleyer caiu no esquecimento.

Mas como o século a frente tornava-se mais sanguinolento, a esperança de Zamenhof de que esta nova forma de comunicação poderia elevar a condição humana deveria ser tentada imediatamente. Junto com seu trabalho médico, o doutor desenvolveu suas idéias por correspondência com entusiastas ao redor do globo. Mas em meados de 1917 ele estava exausto. Ele morreu com 57 anos, enquanto o pior conflito humano que o mundo jamais tinha visto formava-se à sua volta. E o pior estava por vir. Se ele houvesse vivido outros vinte anos, ele teria visto esperantistas serem cercados e baleados. Mesmo as esperanças de Zamenhof poderias não ter sobrevivido a tal golpe.

Na 253a edição do Orienta Stelo, o jornal da Federação Oriental de Esperanto, há um item lembrando o triste falecimento de Phyllis Strapps. "Strappo", como ela era conhecida, nasceu na cidade Fenlandeza de Ely em 1905 - o mesmo ano daquele primeiro congresso em Bolonha. Aos seu vinte anos, tendo se mudado para se para trabalhar como professora, ela descobriu o Esperanto, e por mais de 70 anos ela permaneceu leal à filosofia de Zamenhof, ensinando a língua para todos que quisessem aprendê-la, e viajando pelo mundo para encontrar companheiros esperantistas.

A sua vida era um sem-fim de aulas noturnas - de diplomas, eventos sociais e fins-de-semana Esperantista no seu chalé de praia em Felixstowe. Na sua janela da frente havia uma placa dizendo "Esperanto parolata" - Esperanto falado aqui - e no seu quarto de hóspedes uma cama estava sempre arrumada para hóspedes esperantistas. Mas se tudo isso sugere pouco mais que um entusiasmo inofensivo, essa e só a metade da história, porque os anos da vida de Strappo atravessou o mais duro dos tempos pela língua que ela amava.

Depois de alguns anos da primeira brochura de Zamenhof, a Rússia tzarista baniu todas as publicações em esperanto. Grupos de esperantistas revolucionários estavam pipocando pela Europa, e as elites dominantes do mundo estavam alarmadas. Logo Stalin chamaria o esperanto de "aquela língua perigosa" e Hitler a descreveria como uma ferramenta judia para dominar o mundo. Quando o Irã propôs que o Esperanto fosse adotado pela liga das nações, a França bloqueou o movimento e prontamente baniu a língua das escolas. Enquanto isso, governos de toda a Europa central ativamente desencorajavam o Esperanto, sem dúvida temendo o que aconteceria se os trabalhadores do mundo pudessem dividir suas experiências e aspirações.

Em meados de 1930, a Alemanha e a União Soviética tornaram as organizações esperantistas fora-da-lei. Os nazistas exterminavas os falantes que cruzavam seu caminho nos territórios ocupados, enquanto Stalin, que falava da "língua dos espiões", deportava ou baleava os esperantistas (o governo soviético manteve esse controle até os anos 80).

No Japão dos anos 30, os falantes de Esperanto eram similarmente perseguidos, e até mortos. Eles eram notavelmente descritos nesses tempos como sendo "como melancias - verdes por fora mas vermelhos por dentro" (o verde foi adotado muito antes como a cor do Esperanto). Nesses voltas que a história dá, que deixam nossa cabeça girando, radicais da direita nos EUA usavam um jargão idêntico contra os ambientalistas décadas depois.

A suspeita de que o esperanto era um arranjo comunista o fez igualmente impopular na Espanha de Franco, e muitos esperantistas haviam de fato lutado do lado Republicano durante a guerra civil. Mas enquanto o governo nominalmente comunista da China de tempos em tempos encorajado o seu uso para fins oficiais, o uso privado do Esperanto foi desaconselhado durante a Revolução Cultural. E a perseguição continua. Aos mulás do Irã desgostava o Esperanto, e Saddam Hussein deportou um professor da língua. Em anos recentes, dois falantes de Esperanto suecos foram severamente espancados pela polícia tanzaniana por tentar ensinar a língua.

Como qualquer movimento, o Esperanto também encarou dissensões internas, notadamente de um grupo separatista que desenvolveram uma versão "melhorada", chamada Ido. Os Idistas estavam frustrados com a recusa do crescente movimento esperantista em modificar qualquer das regras de Zamenhof. Mas enquanto os "Fundamentos" de Zamenhof são de fato sacrossantos (os esperantistas dão grande importância à estabilidade estrutural), o Doktoro sempre insistia que o esperanto não era sua propriedade. Ao contrário, ele via a propriedade coletiva e a criação de uma comunidade lingüística como essencial para sobrevivência e crescimento; uma política que, anos depois, receberia defesa do quarteirão mais inesperadamente imaginável.

Foi durante os anos 60, sob o peso da guerra fria, que o exército dos EUA, ocupadamente planejando sempre cenários de treinamento mais e mais realistas, decidiu criar uma nação fictícia para servir de oponente durante os exercícios de inteligência. Essas forças "agressoras" (o céu nos proteja se os EUA alguma vez levantaria um dedo se não fosse em autodefesa:) eram equipados com uniformes verdes completos com uma insígnia de uma aparência estranhamente soviética. E como parte de sua identidade fabricada, a elas foi dada uma língua.

E assim foi que, em 1962, apareceu um manual de treinamento bizarramente intitulado "Esperanto: A Linguagem do Agressor". Mesmo que os esperantistas fiquem mortificados por sua língua ser pichada com o pincel da agressão, e sejam rápidos em apontar que o livreto continha diversos erros, quase ficam embevecidos com a breve descrição que aparecia na sua introdução.

A "interlíngua neutra" de Zamenhof, dizia o manual, foi escolhida por "não ser identificável com qualquer aliança ou ideologia" e por ser "de longe mais fácil de aprender do que qualquer língua nacional". E com palavras que, enquanto [betraying] um [grasp] menos que perfeito do inglês, de qualquer maneira aqueceria o coração do bom Doktoro, continuava: "Esperanto não é uma língua artificial ou morta. É um meio vivo e corrente [sic] de comunicação internacional oral e escrita. Sua regras básicas de gramática são tais que ela continuará uma língua viva, porque ela pode assimilar novas palavras que são constantemente desenvolvidas em línguas existentes no mundo."

Eles talvez não estejam achando o questionário de Roy Threadgold particularmente fácil - O ano de que planeta é mais curto que seu dia? "Merkuro? Ne. Venuso" - mas quando se trata de responder às críticas, os esperantistas reunidos em Ipswich estão em terreno conhecido. O que eles dizem quando as pessoas argumentam que o esperanto é sem propósito porque não tem cultura? Roy Simmons vira a mesa: "Esse é na verdade um argumento contra a disseminação do Inglês americano", diz ele. "Porque vem com uma cultura, não é neutro. É impossível aceitar a linguagem americana isoladamente, o que uma das causas do problema no Oriente Médio. E, de qualquer maneira, o que é cultura? Se você está falando sobre literatura, o Esperanto tem uma vasta literatura tanto de textos originais quanto de traduções."

Mas, neutro ou não, com certeza o Inglês está tão disseminado que não há necessidade - nem espaço - para uma língua internacional separada? Angela Tellier, uma professora qualificada de Francês que educou suas três crianças em casa e ensinou a elas o Esperanto "porque eu queria dar a elas o melhor", fica horrorizada com o pensamento. "Inglês é Inglês", diz ela. "Ele se deturpará caso se torne uma língua universal."

Pergunte a eles quantos falantes de Esperanto existem pelo mundo e eles se acautelarão contra as estimativas mais arrojadas encontradas na internet. "É na verdade difícil contar", diz Simmons. "Como definir um falante? Todos lhe dirão que são absolutamente iniciantes, e então sentarão com você e conversarão por horas em Esperanto indefectível. Mas há mais falantes agora do que em qualquer época do passado. Deve haver uns dois milhões de nós pelo mundo."

E a próxima questão - bem, é difícil colocar e palavras com tato. Esses dois milhões, eles são de algum tipo? Seriam todos eles, digamos, de classe média? "Certamente não", diz Simmons. "Se você fosse para a Europa oriental, você constataria que são as pessoas comuns que falam Esperanto."


Em países ex-comunistas, diz ele, o Esperanto era um caminho para fora. E há [pockets] da língua por todo o mundo por razões diferentes. "No Brasil, o espiritualismo é muito grande. Um médium famoso nos anos 40 escreveu muitos livros em Esperanto, e milhares de Brasileiros aprenderão esperanto para poder ler eles no original. Vá para Ivory Coast e você encontrará grandes grupos de esperanto por causa da sua linguagem anticolonial. Ele é muito grande na China e no Japão, porque eles acham o Inglês muito difícil.
E na Bélgica flandrenses que não querem seus filhos aprendendo francês ensinam Esperanto como uma segunda língua para manter a sua cultura flandrense."

E em Ilford ou Ipswich, ou em qualquer lugar na Federação Oriental de Esperanto - porque as pessoas aqui aprendem Esperanto? "Alguns de nós entram por causa do ideal pacífico, outros pela beleza da língua", diz Tellier. "E alguns querem viajar". A possibilidade de conversar livremente e em termos iguais com pessoas de outros países é claramente uma grande vantagem. "Nós podemos conversar com pessoas comuns na rua", ela diz. "Nós não temos que ler os jornais para descobrir o que está acontecendo na Hungria ou no Chile. Nós podemos na verdade contatar as pessoas na internet. Nós podemos escrever para elas. Esperanto é o Latim das pessoas comuns. É verdade. Ele é de fato".

Quando o questionário acaba e as contas são feitas, diversos esperantistas relembram suas aventuras. Um homem que fez turismo no bloco oriental nos anos 70 e 80 e que parecia conhecer tantas pessoas que os guias russos invariavelmente suspeitavam, produz fotografias que são prova além de qualquer dúvida de que uma grande proporção dos falantes de esperanto por aquelas paragens tinham, e talvez ainda tenham, nos seus 20 anos, e freqüentemente são mulheres. Outros contam de haverem voltado de uma discussão com um delegado estrangeiro em um congresso e percebido que não tinham uma pista sobre a nacionalidade da pessoa com quem a recém estavam falando. "O que acontece", eles dizem, "é que isso na verdade não importa mais".

Como destruidor de chauvinismos culturais, o Esperanto claramente funciona. Vejamos por exemplo os dois Roys, Simmons e Threadgold. O fazendeiro Roy tem um sotaque de Essex que se agrava quando ele explica como ele inventou uma tradução para "silagem". "Ela me escapou por anos, mas a solução era cegantemente óbvia: "sil" significa "silo", "aj" quer dizer "substância", "o" é um substantivo, então só poderia ser "silajo", que você pode caracterizá-la como grama ou milho..."

"Eu poderia conhecê-lo por eras", diz o professor Roy, "mas porque as pessoas tendem a falar na língua em que se conheceram, nós sempre falamos em Esperanto. Então, um dia, nós tivemos um visitante anglófono num encontro da federação e o Roy conversou com eles. Eu percebi pela primeira vez que ele tinha um pesado sotaque de Essex. "Meu Deus", eu pensei, "eu nunca havia ouvido ele falar Inglês em todo esse tempo que nos conhecemos." "Pode não ser a paz mundial, mas é o tipo de resultado pelo qual Ludovic Zamenhof devia ter esperança."


Para links e aprendizado, visite a Associação Britânica de Esperanto em
<http://www.esperanto-gb.org>