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Poetisa
Maria Zelia Nicolodi
Maria Zelia Nicolodi

Nasci em Setembro, no dia da Independência do Brasil, em uma cidadezinha de interior, Irati, no Paraná.
Desde muito cedo, fui  um espírito rebelde e inconformado com o mundo que me rodeava.
Nunca me encaixei, tive grandes dificuldades em aceitar os conceitos que me impingiram.
Talvez, por isso, tenha esse espírito que não se atrela, nem se submete à nenhum pensamento, que fuja do que realmente acredito.
Na poesia, encontrei uma ponte entre os meus sonhos e a realidade. A maneira de expressar as alegrias e os tormentos, através das palavras.
Enquanto construo poesia minha alma canta, sem censura, versos que vão desfilando emoções, que de outra maneira, continuariam mudas dentro de mim.

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Recanto das Letras

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ESTRANGEIRA

Sou estrangeira, nesse mundo não me acho
com esse jeito de viver, só pra ganhar!
Eu não entendo, não aceito, não me encaixo
nessa maneira tão estranha sem se dar!

Não sou tão boa, não sou anjo, mas, percebo!
Tanta intriga, desamor e desconsolo...
A inocência que abandona tão mais cedo
o ser precoce que se torna logo um tolo...

Não há mais sonhos, nem enfeites coloridos!
Apenas, restos, sentimentos doloridos.
Seguindo em frente, insensíveis se contraem...

Também recolho meus retalhos tão puídos,
dissolvo em sombras, este sonho construído...
Uma a uma, minhas palavras se retraem!

Maria Zelia Nicolodi


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TEÇO VERSOS

Teço meus versos nos fios dourados
dos  pensamentos, que são só você!
De sonhos brilhantemente ornados
como finas vestes de paetês...

Em notas bem  sutis vou desfiando
esse canto que é pra ninguém ouvir.
Falo do sentimento, às vezes brando,
que a certas horas busca explodir!

Povoados de insondáveis mistérios,
se alternando sempre, risos e dores,
construindo em mim oscilante império...

Teço meus versos ao passar das horas
tingindo as letras de diversas cores...
Na noite escura, até o chegar da aurora!

Maria Zelia Nicolodi


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VENHO DE LONGE

Venho de longe, venho de outras vidas...
Irmã do vento, do sol e da lua!
Do tempo em que a terra achava-se nua,
venho de eras já quase esquecidas...

De um tempo sem tempo, em que ainda mudo
encontrava-se o verbo, e a luz não brilhava...
E o caos liberto e tão solto imperava
na eterna noite de negro veludo!

Trago em mim, das estrelas, a poeira
de um universo sem dualidades,
na liberdade tão pura e sem nome!

Venho de longe, dum tempo sem fome,
sem caridades e tão sem maldades
de um Universo vasto e sem fronteiras!

Maria Zelia Nicolodi


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