BUENOS AIRES
Para Jorge Luis Borges
ruelas que se bifurcam em um único pôr-do-sol
homens com ternos de linho e cigarros e flores nas lapelas
homens morenos cultuando os velhos tempos que não conheceram
trens que margeiam a cidade, coxilhas praticando acrobacias.
luz esquálida e paralelepípedos antigos, esquecidos
portas carcomidas, tez pálida e olhos cúmplices
chimarrão silencioso em mãos grossas, dedos ossudos, oblongos.
verdade que jamais estive por aquelas bandas
nem senti seu cheiro barulhento e de fala rápida
nunca fui Buenos Aires, nunca a serei.
Buenos Aires é mítica, e de mito nada tenho;
é melancólica, e tudo o que trago comigo é um pouco de tristeza.
é a cidade abençoada
que se curva à mesa do café
onde Borges parou para existir.
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João Carlos Dalmagro Júnior.