BUENOS AIRES

Para Jorge Luis Borges

 

ruelas que se bifurcam em um único pôr-do-sol

homens com ternos de linho e cigarros e flores nas lapelas

homens morenos cultuando os velhos tempos que não conheceram

trens que margeiam a cidade, coxilhas praticando acrobacias.

 

luz esquálida e paralelepípedos antigos, esquecidos

portas carcomidas, tez pálida e olhos cúmplices

chimarrão silencioso em mãos grossas, dedos ossudos, oblongos.

 

verdade que jamais estive por aquelas bandas

nem senti seu cheiro barulhento e de fala rápida

nunca fui Buenos Aires, nunca a serei.

 

Buenos Aires é mítica, e de mito nada tenho;

é melancólica, e tudo o que trago comigo é um pouco de tristeza.

é a cidade abençoada

que se curva à mesa do café

onde Borges parou para existir.

 

fechar 

Copyright 2001. Todos os direitos reservados. 

João Carlos Dalmagro Júnior.