AS CURVAS DA ESTRADA

 

Quando a última persiana fora fechada

E o sol negligenciado

Pela montanha verdejante de Portugal

 

Não houve então mais água em nosso riacho

Apenas silêncio

Um silêncio azul-claro com manchas levemente alvas

Não houve movimento de pálpebras, joaninhas ou sapatos

Do seu cume, a antena de TV assistiu a tudo com olhos esbugalhados

 

Foi aí que resolvi não dizer palavra alguma

Tinha Hemingway e algum manual às costas

Uma mente confusa e um longo caminho pela frente

 

Dei-me ao trabalho de apenas erguer o dedo

Sentindo o bafo quente de uma nuvem sobrevoando meu sonho

Ali, quieto

À sombra inocente de uma árvore

Em algum lugar da América Central.

 

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João Carlos Dalmagro Júnior.