NA MINHA RUA

 

Férias 

São oito, nove horas da manhã de uma sexta-feira

Acordo e pego o jornal

Algumas folhas rasgadas

Mas tudo bem

Abro a caixa do correio

Contas & contas

 

O porteiro sonolento comenta algo sobre uma mulher que nunca vi

Vou até a porta do prédio

Sinto o verão me agredindo

O vento quente me dizendo que o tempo passa logo

 

Talvez hoje à noite não estaremos mais aqui

Há bares por todas as partes

E cigarros acesos, garrafas abertas

Todos desfilando suas nádegas preguiçosas pelas calçadas

 

As luzes tentam me expulsar para uma volta noturna

Mas eu sei que vai chover

Enquanto todos correm para debaixo de toldos, e marquises, e árvores

Eu fico em minha cama, dormindo

Não noto a chuva, nem os raios, nem a água nas persianas

Sinto o burburinho dos pequenos animais noturnos

E, entre o acordar e o adormecer,

Escrevo, a lápis, em um pedaço de papel:

“Dormir com silêncio é bom”

 

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João Carlos Dalmagro Júnior.