ODE AO OCEANO

 

Agora, sentado frente à imensidão do mar

Calado perante sua abissal superioridade

Percebo que, talvez, nem tudo que  almejo será atingido

Não conseguirei ler todos os livros

Visitar todos os países

Falar todas as línguas

Contemplar todo o pôr-do-sol

Mas, ainda assim, alegro-me em viver  

Por saber que existe o oceano

Ah, oceano

Calado na tua infinitude

Perfeito em  teus gestos, tuas ondas

Profundo em tua cor

Violento quando necessário

E pacífico quando te convém

Não há razão

Não há por que questionar-se quanto à tua existência

Resta-nos contemplar-te

Sentir-te através da tua brisa

Teu cheiro

Teu silêncio

E, então,

Quando o mundo transformar-se apenas em mágoa

(o que não está muito longe de acontecer)

Mergulharmos em tuas águas geladas

Como um navegador intrépido certa vez lançou-se

Quebrando barreiras da época

E esbarrando em terras desconhecidas

Ah, oceano

Tantas confissões perante tua espuma

Tantas estrelas sobre a areia que te circunda e te protege

Tantos amores revelados, tantos juramentos selados

A História te deve tantos anos de glória

Tantas batalhas travadas

Tanto sangue derramado

Invasões, descobertas

Deturpam tua trajetória

Lar dos náufragos e marujos

Solitários e demais pensadores

Sempre que te contemplo

Calo-me

Leio tuas ondas, torno-me ébrio com teu aroma

E, silenciosamente,

Rogo para que eu morra envolto em tuas doces oscilações.  

 

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João Carlos Dalmagro Júnior.