POEMA CAÓTICO
Uma
Ode a Jack Kerouac
Pelas esquinas, nas paredes decadentes,
Tomba
a América de Ginsberg
Dos
escombros surge a brisa que te agasalha
Calmamente
sorvendo teu sorvete de baunilha
Especulando
sobre ineptas questões mundanas.
Pneus
no asfalto molhado, um gole de cerveja
Na
ininteligível noite de uma cidadezinha qualquer
Poeira
presumivelmente barata nos acompanha em mais viagem
Eu
mantenho meus olhos grudados nas entrelinhas
Só
tu sentes o vento frio do Maine
Cruzando
planícies na febril mente, mergulhando em rios insípidos
Misantropia
rodopiando em um jardim primaveril.
O
segredo do percurso sempre esteve em não olhar para trás
Esquecer
as pedras, espinhos, não se sentir cansado
E
apenas jogar a mochila por cima do ombro
Mas
é difícil não se dar conta
Meus
sapatos também são rotos e desamarrados
Aceitam
sapatos assim no Reino dos Céus?
De
qualquer forma
Continuo
pintando minha casa nos Domingos
Pela
manhã
Rego
as flores e a grama, sempre seca
Enquanto
o sol se encarrega de queimar-me a pele.
Pausa
para uma mijada
Enquanto
o poema aguarda para ser expelido
Como
vômito proveniente de uma noite etílica
Saxofonista
amador aqui ao lado
Seguindo
as pegadas de Charlie Parker
Em
um bebop contagiante.
As
palavras surgem tímidas, como a sombra fresca de uma árvore
Férteis
como o sonho de um garoto
O
sonho de um garoto.
Mas
agora
Já
são três da madrugada...
Vai
andando
Dizem
que Dean anda por aí
Caroneiro
esperto nas estradas vociferantes e famintas
Esperando
seu irmão siamês
Com
o velho baú embaixo do braço
E
o dedão arrebentado
Pulsando
de tesão pela estrada
Não
sei, Jack, mas me parece que isso soaria bem como uma introdução a On
The Road
Uma
débil imitação dos sons do teu assobio despreocupado, das tuas curvas, das
curvas da tua estrada.
Louca,
breve, devastada.
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João Carlos Dalmagro Júnior.