Saiba por que terminou o "Jogo Aberto" de Kértesz na TV

Mário Kértesz diz nas suas entrevistas que o fim do programa "Jogo Aberto" da TV, que nos últimos anos foi por ele apresentado, foi um mero acaso dos diretores da TV Bandeirantes em Salvador. Mas ele mesmo sabe que foi uma encrenca que tirou o programa televisivo do ar (e que servia como uma espécie de propaganda para a rádio do ex-prefeito, Metrópole FM).

Essa encrenca consiste num fato político pouco alardeado, mas publicado na revista VEJA em meio aos escândalos de Jader Barbalho, então senador pelo PMDB amazonense. Na edição de número 1687, de 14 de fevereiro de 2001, VEJA publicou uma reportagem sobre a compra de deputados de outros partidos para se afiliarem ao PMDB de Jader e Geddel Vieira Lima, líder do PMDB na Câmara dos Deputados. A reportagem, antes de sair na revista, foi publicada por antecipação no Correio da Bahia do dia 10 de fevereiro. O Correio da Bahia, de Antônio Carlos Magalhães, publicou em primeira mão a reportagem de VEJA porque seu proprietário e hoje (2002) candidato novamente ao Senado, é ferrenho rival político de Jader Barbalho.

Segue o trecho que complicou a presença de Kértesz na TV Bandeirantes e que tirou mais um sonho do ex-prefeito de Salvador, o de se tornar sócio da afiliada baiana da RedeBand. No trecho, um dos políticos "comprados" pelo PMDB, Jonival Lucas (ex-PFL), insatisfeito com o não-pagamento de dinheiro com a adesão ao PMDB, negociava com Kértesz para que este fizesse comentários contra Geddel ou supostas denúncias contra este parlamentar baiano.

Numa conversa, Jonival Lucas, o pai, combina com seu amigo, Mário Kértesz, ex-prefeito de Salvador, uma forma de alfinetar Geddel em público, de modo a sinalizar que a turma (ver nota *) não está satisfeita. Ele pede a Kértesz, apresentador de um programa matinal diário, chamado Jogo Aberto, na TV Bandeirantes, para dar "outra puxadinha no Geddel". Kértesz acha que a melhor forma é receber um fax de alguém, que ele pode ler no ar e, a partir daí, acrescentar outras críticas. "Solto o cacete", diz ele. A primeira "puxadinha no Geddel" fora ao ar duas semanas antes, quando Kértesz denuncia uma "concorrência fajuta" no Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), um órgão do Ministério dos Transportes. Segundo disse no ar, uma empreiteira, a Top Engenharia, teve de pagar 20% de comissão para "pessoas locais" e "autoridades do PMDB em Brasília" para pegar serviço de restauração de rodovias na Bahia.

Com a denúncia, Mário saiu do programa para ficar só com a rádio. Já havia perdido jornal (Jornal da Bahia), rádio (Itaparica FM) e carreira política (seria governador da Bahia nas eleições de 1990), com cada descoberta de sua corrupção. Saindo da TV Bandeirantes (que ele queria adquirir em breve), a Metrópole FM não teve o mesmo Ibope de antes (ainda que na verdade nunca tenha sido líder de audiência, mas com o programa de tevê a rádio conseguia pelo menos algum lugar, o terceiro ou quarto, no pódio das rádios baianas). E o Jogo Aberto chegou a ser apresentado por um jornalista competente, Oscar Paris, que no entanto parecia meio inseguro com o estilo denuncista do programa. Oscar até tentou melhorar, mas foi crucificado por uma mídia que parecia mais delirar com a demagogia bem articulada de Mário Kértesz e o programa, que teve Raimundo Varela como primeiro apresentador, saiu do ar ainda em 2001. O horário, das sete às oito da manhã, é costurado por um programa rural e um programa religioso arrendado.

 

(*) dos políticos "comprados" pelo PMDB.

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