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11º. Circuito
de Petrópolis em 20 de julho de 1968:
As mortes
pararam essa corrida.
Por Júlio César e Caíque Fellows - Fotos de Paulo André, Caíque Fellows e
Paulo Scali
Revisão de Bob Sharp e Luiz Carlos Salomão
Eram 12 horas
de sábado, 20 de julho de 1968, quando os concorrentes iniciaram a prova de
classificação das “Três Horas de velocidade de Petrópolis”.

O
Bino MK-I no. 22 de Bird Clemente ...
Os pilotos da
terra, acostumados com o circuito, que este ano foi invertido, andavam mais
quentes. Henrique Kraischer cortava todo mundo com sua Alfa GTA, quando
perdeu o controle na curva da Catedral. Bateu no meio-fio, subiu e chocou-se
contra uma árvore e um poste.

|
O piloto
deitou-se no banco rapidamente, e por pouco não foi degolado. Escapou com
ferimentos leves no braço esquerdo. Depois chegou a vez de Sérgio
Cardoso. Largou às 13h45 na Alfa Giulia Ti Super e ao iniciar a
segunda volta entrou forte na curva da Rua Floriano Peixoto.

O carro
derrapou na sujeira junto ao meio-fio, bateu com a traseira em um poste,
desgovernou-se, subiu e atingiu outro poste, voando metro e meio acima do
nível da rua, atingindo aonde o piloto estava. Sérgio foi retirado das
ferragens e durante dez horas lutou contra a morte no hospital. Por três
vezes seu coração parou. Com traumatismo encefalocraniano, esmagamento do
tórax e vários cortes no corpo, Sérgio não resistiu e morreu às 3 horas de
domingo.

Sérgio
Cardoso: morte prematura de um excelente piloto da Equipe Colégio Arte e
Instrução
Sete horas depois tinha
início a prova. Antes da largada os concorrentes fazem um minuto de
silêncio pelo colega morto. A tensão emocional é visível entre o público e
os concorrentes.

Chico Landi correndo de BMW na curva da
Catedral
Os
carros largam e durante as duas primeiras voltas tudo corre normalmente.
Luiz Pereira Bueno, com o Bino, lidera a prova seguido de perto por Ubaldo
Lolli, com o BMW no. 2. A velocidade é muito grande, o público
vibra, mas a comoção pela morte do Piloto Sérgio Cardoso pairava no
ar. |

Luizinho Pereira Bueno subindo com o Bino Mark - II a Rua
Albeto Torres, depois da Rua Floriano
Peixoto - a reta da Rodoviária - para descer a Avenida
Ipiranga, passando pela Curva da Matriz, pelo Museu e
chegando na grande reta da Avenida 15 de Novembro - hoje Rua
do Imperador - fechando o
"Circuito de Petrópolis".
E na terceira
volta, na mesma curva que vitimou Sérgio, Carol Figueiredo perde o controle do
Mark I no. 21, o carro sobe nos sacos de areia, bate no paredão,
atinge um poste, volta, rodopia e voa até se chocar com outro poste.

O
Mark I, depois de bater no paredão, continua pela pista, largando pedaços
até ser seguro por
Wilson Fittipaldi. Observe a grande quantidade de público em cima das
marquises...
Wilson
Fittipaldi Júnior, que se recusara a correr, é o primeiro a socorrer o colega e,
com a ajuda de populares, tira o piloto do carro. O público invade a pista,
enquanto os carros passam em disparada.

Com
fratura na coluna vertebral, Carol Figueiredo é socorrido pelos colegas.
Pouco depois, Cacaio seria atropelado
!

|
O exato momento de outro
ângulo, tirada pelo historiador Paulo Scali -- na época adolescente -- que
assistia à corrida de cima da marquise. Observe o Paulo
André -- fotógrafo da Quatro Rodas -- à direita,
tirando as fotos que seriam
publicadas na revista. |
Cacaio
(Joaquim Carlos Telles de Matos, sobrinho do Marinho), também piloto, que tinha
ido a Petrópolis só para assistir à corrida mas acabou ajudando como
bandeirinha, atravessa a rua junto com Wilsinho Fittipaldi para sinalizar. Nisso
ele vê um caminhão de bombeiros se aproximando do local e rapidamente deduz que
não daria para nenhum carro passar por aquele ponto. Era preciso avisar os
ponteiros. Ele corre desesperadamente.e bem próximo da área onde estavam os
boxes e começa a sinalizar com os braços -- para o líder Luiz Pereira Bueno, que
completava a quarta volta. Luizinho vinha pela esquerda para se defender de
Lolli e nesse momento Cacaio estava bem à sua frente.

A
confusão após o acidente, com o público invadindo a pista e o caminhão da Equipe
Willys.
|
Bueno
tenta frear mas é tarde: Cacaio é atingido mais fortemente pelo pára-brisa
do carro (mais precisamente pelo espelho retrovisor que ficava no topo) e
jogado para bem alto. Cai, e fica imóvel. A violência do impacto o deixa
praticamente nu, com enorme lesão no abdômen à mostra..Um policial chega e
cobre seu corpo. Maurício Chulam se aproxima e ajuda a levá-lo para a
ambulância.
A
corrida é suspensa e encerrada pelo diretor da prova Amadeu Girão, e os
carros vão parando. Luizinho chega ao boxe. Seu rosto está ensangüentado e
ele desce do carro quase gritando:
- Peguei
o Cacaio! Peguei o Cacaio !!!!!
No
hospital Santa Teresa, Cacaio é operado: fratura dupla na bacia,
perfurações na bexiga e intestino e fratura exposta da perna esquerda.
Carol é internado no mesmo hospital com a coluna vertebral fraturada na
região cervical. Os dois pilotos escaparam por pouco, mas não Cacaio: ele
veio a falecer, no hospital, dez dias depois. Seu tio Marinho ficou ao seu
lado o tempo todo.

Joaquim Carlos Telles de Mattos Filho -
Cacaio (28/01/1944 - 28/08/1968).
Teria Cacaio salvo a
vida de Luizinho? Muitos acreditam que sim, pois a curva que saía da reta
principal (Av. do Imperador) à esquerda para a Rua Alberto Torres, era
relativamente rápida. Chegar e dar de cara com um caminhão de bombeiros
seria acidente na certa. Após o atropelamento Bueno tirou o pé do
acelerador, como é natural, e contornou a curva mais lentamente, o mesmo
ocorrendo com os carros de trás.
Trinta
carros largaram para o 11º. Circuito de Petrópolis. Cerca de 50.000
pessoas assistiram à corrida nos 4.100 metros de ruas e avenidas de
paralelepípedo. Não fosse a morte de Sérgio Cardoso, a corrida poderia
prosseguir. Mas o clima emocional criado com a perda do piloto e os dois
acidentes de domingo foram a gota d´água, com as autoridades de Petrópolis
declarando que aquela era a última corrida em sua
cidade. |