Família Paroni


Itália e Brasil, un grande amore e niente più


Senhores do rio Pó, poderosos e respeitados, os Paroni notabilizaram-se, no passado, pelo serviço de transporte de pessoas e mercadorias entre os portos fluviais de Ferrara e Francolino e a soberba Veneza. Essa atividade, que não se sabe exatamente quando começou, já era considerada "bastante antiga" no fim do século XV. O serviço, executado com uma frota própria de barcos, iniciava a jornada partindo de Ferrara e Francolino e, pelo leito do rio Pó, chegava à foz, junto ao Adriático. Dali, a viagem prosseguia até Veneza, costeando o continente. A atividade, denominada "L'Arte collegiata dei Paroni", de tão importante, foi disciplinada, em 1489, pelo duque Hércules D'Este, com a criação de um estatuto próprio. Por volta de 1592, um conflito de interesses entre as famílias Paroni, de Ferrara, e Paroni, de Francolino (pequena cidade distante cerca de 6 km da primeira), assumiu proporções tão graves que o papa Clemente VIII viu-se forçado a intervir pessoalmente para acalmar os ânimos. Por sua decisão, cada família ficou, então, encarregada de transportar passageiros e mercadorias por uma determinada rota. No mesmo ano - 1592 - uma Ordem Ducal organizou a casa, estabelecendo que "os Paroni, sejam de Ferrara, Veneza, Mântova, Ravena ou Francolino não deviam intrometer-se um nos portos dos outros, nem diretamente, nem indiretamente". Anos mais tarde, em 17 de março de 1689, um decreto do cardeal Acciaioli ordenou que "aos Estatutos dos Paroni de Ferrara deveriam ficar subordinados também os Paroni de Francolino, não obstante seus privilégios". Tempos depois, por ordem do cardeal Serra, o prefeito de Francolino ficaria responsável pela inspeção, a cada dois meses, das embarcações. Além de retirado de circulação e apreendido, cada barco irregular ficava sujeito à multa de 25 escudos.
O livro "Cenas Históricas de Francolino", editado em 1926, de autoria do monsenhor Giovanni Stegani e principal fonte de nossa história, revela ainda que a família Paroni tinha, em Francolino, seu oratório particular, onde celebrava missas e outros ofícios religiosos.

Derivado da palavra "patrone" (do latim patronus), o nome Paroni, forma dialetal de "patrone" (singular) ou "patroni" (plural), significa patrão, proprietário. Em certas regiões, indicava o dono ou o comandante de navios e embarcações (Dicionário dos Sobrenomes Italianos, volume I, autor Ciro Mioranza, edição 1997).
O fato de o sobrenome estar grafado quase sempre no plural demonstra o processo pelo qual ele foi passado de uma geração a outra. Este sobrenome, sem qualquer dúvida, deriva de uma ocupação profissional. Especificamente nesse caso, significa que os progenitores possuíam negócio próprio ou administravam o de outrem, mas sempre chefiando empregados e operários. Nos últimos dois ou três séculos, quando a pesca em toda a região costeira italiana tornou-se importante, as palavras "padrone" e "parone" assumiram um significado muito particular, indicando o patrão ou comandante de um barco de pesca. Na Idade Média, os sobrenomes italianos derivavam sempre do lado paterno e o nome do pai era a referência mais usada para identificação. Antes do surgimento de um sistema estrutural de sobrenomes, um homem era comumente identificado pela profissão que tinha, pelo mister que exercia. A forma "padrone" vem da palavra latina "patronus", que tem o mesmo significado, e esta, por sua vez, origina-se de "pater", que significa "pai".

São muitas as variações do nome Paroni, mas a Enciclopédia Histórica da Nobreza Italiana, que reúne o elenco dos nobres italianos, cita o nome "Patroni" como a variante mais próxima. A Família Paroni, à qual se refere a Enciclopédia, é uma antiga família originária da cidade de Trani, que se transferiu para Nápoles no século l6. Trata-se, claro, de um outro ramo dos Paroni, considerando-se que, antes de 1500, registros históricos já davam conta da presença dos Paroni na província de Ferrara. Com base nessas informações, deduz-se facilmente que os Paroni, já naquela época, formavam uma família numerosa, com ramificações que atingiam, além das cidades e regiões citadas, a província de Verona, onde também navegavam com suas barcas pelo rio Ádige, bem como outras localidades.

POR UMA NOVA VIDA

Em 1894, Antônio Paroni, então com 37 anos, e sua mulher, Clotilde Gennari Paroni, emigraram para o Brasil, a bordo do navio Charles Martel, com seus oito filhos, o mais novo com apenas um ano de vida. Estabeleceram-se em Amparo, interior de São Paulo, onde exerceram atividades ligadas à compra e venda de rebanhos bovinos e suínos, bem como a comercialização de carne, fumo em corda e cereais.
No início dos anos 30, deixaram Amparo com destino a São Paulo, concentrando-se principalmente no Brás. Hoje, os Paroni brasileiros estão espalhados por vários bairros da Capital (Santana, Tremembé, Vila Guilherme, Ipiranga, Tatuapé, Morumbi, Aclimação, Pinheiros, Moema, Saúde, Mooca, Brás etc.) e também por outras cidades [Brasília, Campo Grande, Mairiporã, Campinas, Monte Mor, Salto de Pirapora, Alphaville (Barueri)]. Os que ficaram na Itália vivem sobretudo nas províncias do Norte e Nordeste (regiões da Emília-Romanha,Vêneto, Lombardia e Toscana) e também em Roma.


De acordo com depoimentos orais transmitidos no melhor estilo de pai para filho, o patriarca Antônio resolveu deixar Francolino, abalado financeiramente pelas terríveis enchentes do Pó, o mesmo rio que, no passado, dera poder e fortuna aos seus ancestrais. Lá, na pequena Francolino, ganhava a vida como comerciante. Segundo consta nas certidões de nascimento de alguns filhos, Antônio era um pizzicagnolo, ou seja, vendedor de queijos e salames. Assim, com a mulher Clotilde, embarcou no navio Charles Martel com destino ao Brasil. Com ele, oito filhos:

Tancredi (l6 anos)
Umberto (l4 anos)
Constantino (l3 anos)
Elvira (11 anos)
Giuseppina (ou Carolina - 8 anos)
Augusto (5 anos)
Pietro (2 anos)
Ottimo (1 ano)
A mais nova, Teresa (Gina) nasceria no Brasil.

Antes de embarcar, possivelmente no porto de Gênova, Antônio, a mulher e os filhos ficaram hospedados na casa dos pais de Clotilde, em Paviole, município de Canaro, província de Rovigo, para onde ele sempre ia quando Clotilde estava para dar à luz.

No dia 27 de agosto de 1894, a família Paroni desembarcava no porto de Santos, rumando, como tantos outros imigrantes, para a Hospedaria fundada pelo Visconde de Parnaíba, no Brás. A chegada está devidamente registrada no Livro 043, página 228.

Terra nova, vida idem. Muitos sonhos, esperanças renovadas. Na mente do patriarca e daquelas crianças, a Itália, a querida Itália, começava a ser uma doce lembrança. Ferrara, Francolino, Canaro, o rio Pó e tantos outros lugares percorridos a cavalo, de barco, de carroça ou simplesmente a pé, aos poucos, foram ficando para trás. Restavam apenas as imagens armazenadas na memória do patriarca e da família. Anos mais tarde, ele teria a felicidade de rever todos aqueles cenários tão queridos, testemunhos mudos, mas reais, da primeira, fase de sua vida, que durara exatos 37 anos e 7 meses em solo italiano.

Homem de fibra, inteligente, acostumado a lutar, não se intimidou com a nova terra e seus desafios. Ao contrário, o País de gente diferente daquela com quem convivera até há bem pouco tempo, o imenso País de outros hábitos e costumes, reacendera-lhe as esperanças. Da Hospedaria dos Imigrantes, a família foi para Amparo, então próspera cidade da Mogiana, cujo café fino criara uma nova casta social - a dos barões do café.

Ao descer na estação ferroviária de Amparo, construída anos antes (1875) com o dinheiro do café - o ouro verde - então o maior produto brasileiro de exportação e também o maior gerador de divisas para o País, Antônio se surpreendeu com o movimento. Carroças e mais carroças carregadas de café aproximavam-se das plataformas a todo instante, para descarga e posterior embarque da mercadoria. Bares apinhados de pessoas que não queriam, por nada deste mundo, perder a chegada do trem. O Largo da Estação tornava-se pequeno para tanta gente. Era uma festa, porque o trem não trazia somente mercadorias e passageiros. Com ele vinham os jornais da Capital, as cartas, as novidades. A chegada do trem era, realmente, um importante acontecimento para a gente daquela florescente cidade.

De repente, no meio daquela confusão causada pelo movimento, Constantino, o terceiro filho, então com l3 anos, corre desesperado em direção ao pai e o abraça firmemente. No seu rosto, uma expressão de medo e espanto.
-Babbo, un nêgar! (Pai, um negro!), gritou, assustado, no mais puro dialeto ferrarese.
Pela primeira vez em sua vida, Constantino via um negro, no caso, um rapaz, daí o espanto.
Depois de acalmar o filho, Antônio explicou-lhe ser bastante comum, no Brasil, a presença de gente daquela cor, que tinha vindo da África, muitas décadas antes, para o trabalho como escravo na lavoura.
Esse jovem - Candinho - tornou-se, mais tarde, um dos maiores amigos de Constantino e de toda a família. Quando foi visto pela última vez, em 1957, tinha mais de 80 anos e estava acompanhando o enterro de Elvira Paroni, em Amparo, onde sempre viveu, ligado à família (Elvira era viúva de Alberto Caleffi e morava em Amparo). Ao reconhecer Nenê (nome familiar de Antônio, único filho de Constantino e Rosa Otolini Paroni), perguntou pelo amigo Constantino, que já havia falecido. Ao perceber que Candinho de nada sabia, Nenê apenas respondeu que ele "estava bem". Não quis, evidentemente, magoar o velho e querido amigo da família., com a triste notícia de que seu amigo Constantino, aquele mesmo que sentira medo dele, quando acabava de pisar, pela primeira vez, o chão de Amparo, falecera 6 anos antes, em 1951.

Antônio, o patriarca, nasceu em Francolino no dia 11 de janeiro de 1857, filho de Giovanni Paroni e Teresa Rossi Paroni. Era o mais velho dos seus outros sete irmãos - Maria, Vittorio, Carlota, Emma, Alessandrina, Andrea e Giuseppe. Ao que tudo indica, ele conheceu Clotilde - a inseparável companheira - na pequena Paviole, no município de Canaro, já em terras vênetas. Filha de Ângelo Gennari e Rosa Baldi Gennari, ela nasceu em Canaro, no dia 2 de dezembro de 1857. Os longos cabelos negros e os olhos verdes, brilhando como esmeraldas no belo rosto, faziam de Clotilde uma bela mulher. E a tanta beleza junta não resistiu o jovem e esbelto comerciante de Francolino. O amor, tão forte e tão grande, ignoraria distâncias, venceria obstáculos e seria consolidado do outro lado do mundo, para onde Antônio e Clotilde levaram as raízes, os frutos, a dignidade e a vontade de vencer. O casamento no civil só foi registrado no Cartório de Canaro muito tempo depois, em 17 de agosto de 1893, um ano antes da viagem para o Brasil.

A VOLTA PARA CASA

Umberto, o segundo filho do casal Antônio-Clotilde, nascido em Canaro, no dia 5 de março de 1879, casou-se em primeiras núpcias com Marina Manfrinati, resultando dessa união dois filhos: Atílio e Rino. O casamento durou pouco, pois Marina morreu quatro anos depois. Viúvo, jovem, bem de vida, mas com o encargo de criar dois filhos, ele não suportou a solidão, embora vivesse rodeado por familiares. Seus pais, felizmente, ainda estavam vivos e cheios de saúde, havia seus irmãos, as cunhadas e alguns sobrinhos. Mas Umberto desejava reconstruir sua vida, profundamente abalada pela morte da mulher. E foi graças à sua atividade profissional que ficaria conhecendo a segunda mulher. Dedicado ao comércio de fumo em corda, ele viajava muito. Naqueles tempos, os cigarros de palha (assim chamados por serem feitos com fumo em corda, picados com canivete e depois enrolados em um pedaço de palha de milho), eram largamente consumidos. O produto de melhor qualidade, e bastante afamado, vinha de Poço Fundo e Ubá, cidades situadas em Minas Gerais, para onde Umberto viajava sempre que necessário. Além da Capital, sua clientela espalhava-se pelo interior paulista. Não foi em terras mineiras que ele encontraria aquela que seria sua companheira pelo resto da vida.
Delfina Poltronieri, linda jovem de olhos claros e cabelos castanhos que tocavam a cintura, pertencente também a uma família de imigrantes italianos, morava em Jaguari (atual Jaguariúna), cidade que seu pai ajudou a fundar. O coração do jovem viúvo bateu mais forte ao conhecer Delfina. Encantado, sucumbiu à beleza e elegância da jovem "italianinha". Ela, por sua vez, também se sentiu atraída por aquele italiano bonitão, comerciante bem sucedido e respeitado em toda a região. Nascia, aí, uma união fortemente estruturada em amor e dedicação, que duraria anos.
Se com a primeira mulher Umberto teve dois filhos, com Delfina a família cresceu. Desse casamento nasceram: Zaíra, Alfredo, Breno, Lucila, Dirce, Ada e Nelson, o caçula. Somando com Atílio e Rino, frutos da primeira união, eram 9 filhos.
As vendas de fumo em corda cresciam cada vez mais e, em pouco tempo, Umberto tornou-se um dos mais importantes comerciantes do ramo na região de Amparo - uma cidade florescente, economicamente movida pelo café, cuja exportação engordava os cofres dos ''barões"da República - os fazendeiros. Depois de tanta luta, incontáveis sacrifícios e muita economia, Umberto e Delfina resolveram voltar à Itália, de onde ele saíra havia 26 anos, quando ainda era um adolescente de 15. Agora, aos 41, pretendia iniciar uma nova vida na terra de origem, contando para isso com o conhecimento que tinha no comércio de fumo em corda, um bom dinheiro e muita vontade de trabalhar. Com a mulher e os filhos, à exceção de Rino, que preferiu ficar, viajou para a Europa, de primeira classe, como convinha a um homem de posses. O filho Nelson, praticamente recém-nascido, também estava a bordo, sequer imaginando que fazia, naquele momento, a sua primeira grande viagem internacional.
Era o ano de l920. Recém saída da Primeira Guerra Mundial, a Europa estava mergulhada em profunda crise e a Itália não era exceção. Não foi nada fácil, para Umberto, mulher e filhos, enfrentar os problemas. No começo, até que a vida não foi má. Com o dinheiro que levara, pensava estabelecer-se em terras italianas, trabalhando no comércio de fumo, ramo no qual era um mestre. O que ninguém sabia era que o governo italiano detinha o monopólio do produto, frustrando os planos de Umberto. Para piorar, a ascenção de Mussolini ao poder, em 1922, instituindo o fascismo, enfraquecia ainda mais a já debilitada autoridade do rei Vittorio Emmanuele III e ameaçava as instituições democráticas. A Itália mergulhava em grave crise. Não havia trabalho para todos. Pressionado pelas circunstâncias, a Umberto não restou outra alternativa senão hipotecar a propriedade que comprara em Ferrara. Tratava-se de um palacete que pertencera a nobres italianos. Acabou perdendo tudo. Sem dinheiro, sem trabalho e passando por sérias privações, resolveu regressar ao Brasil, o que se deu por volta de 1926. Desembarcou com a família no porto de Santos, dessa vez em situação nada favorável, e rumou para São Paulo. Na Capital paulista, ele, mulher e filhos puderam sentir a força do sangue Paroni: Carolina, sua irmã, mulher de fibra, dona de uma coragem sem limites, já havia providenciado tudo, inclusive uma casa para abrigar a família. Na Rua seu irmão não ficaria; fome a família não passaria, custasse o que custasse. Ela garantiria tudo, até que as coisas melhorassem para Umberto. Seu gesto era um ato de amor, do amor mais puro, do amor solidário e compreensivo, daquele amor que brota, naturalmente, das profundezas da alma. Um amor nobre, que não necessita de armas ou brasões para ser exibido ou explicado. Simplesmente amor.

Cuore benedetto! Cuore grato! Cuore...Paroni!
Com o apoio de parentes e amigos, Umberto foi à luta. Uma ajuda importante foi a que recebeu dos sócios da firma Baldi & Baldi, de Ubá, Minas, que lhe deram apoio e toda a orientação necessária. Com isso, Umberto voltou a fazer o que sempre fizera: vender fumo em corda. E foi na Rua Santa Rosa, perto de onde hoje está o elegante Mercado Municipal de São Paulo (obra do ilustre arquiteto Ramos de Azevedo) que ele montou seu comércio. O fumo haveria de lhe dar, como deu, o sustento de sua família e a fama de ser um dos mais fortes comerciantes do produto na praça de São Paulo. Umberto venceu, mais uma vez. Essa atividade, com o tempo, passou de pai para filho e foi habilmente exercida pelo caçula Nelson, que manteve a tradição, até alcançar a merecida aposentadoria.

A família de Umberto viveu cerca de 5 anos na Itália, infelizmente numa época nada favorável, não só para o país, mas também para toda a Europa. A Primeira Grande Guerra deixara horríveis feridas, muitas de difícil cicatrização. Um quadro desses, é claro, não pode deixar boas lembranças. Por isso, são poucas as fotos que registram a vida da família na Itália. Julieta Gaia Paroni, esposa de Nelson, recorda que sua sogra considerava os cinco anos que viveu na Itália como os piores de sua vida. "A única boa imagem que ela dizia gostar de recordar era o renascimento das flores que, com suas cores e seus perfumes, anunciavam o início da primavera e o fim do gelado inverno. Ela contava, também, que chegava a chorar toda vez que via uma bandeira do Brasil, tão grande era a saudade. Ao desembarcar em Santos, na viagem de volta, por estar muito magra e abatida, quase não foi reconhecida pelo pai", conta Julieta. Aos 60 anos de idade, no dia 7 de abril de 1939, Umberto partiu para sempre.

Dos filhos do primeiro casamento, Atílio faleceu solteiro e Rino, cujo nome completo era Plínio Rino Paroni, casou-se com a amparense Norma Trentini, após viver uma sublime história de amor, marcada por renúncias, resignação, fidelidade e respeito. Depois de um namoro prolongado, aconteceu o casamento. A felicidade, entretanto, não duraria muito. No dia 1 de dezembro de 1956, Rino faleceu, sem deixar filhos. Era o final de uma linda história de amor. Norma Trentini, que esperara a vida toda para casar-se com Rino, viveu apenas quatro anos ao lado do amado e permaneceu viúva até morrer. Seu amor era um só.
Zaíra casou-se com José Veronesi e teve três filhos: Teresinha, Rosana e Lucilo. Teresinha casou-se com Carlos Alberto de Campos e tem duas filhas: Suzana, casada com Marzagão Barbuto (que tem dois filhos) e Cecília, mãe de Carlos Alberto de Campos Filho, solteiro. Rosana casou-se com Jamil Lima e tem um filho, Francisco; Lucilo foi casado com Zuleika Veronesi e deixou três filhos: Carlos, José e Luís.
Alfredo e Breno faleceram solteiros.
Lucila casou-se com José Fracarolli, ambos falecidos, e deixaram dois filhos: Sérgio (falecido) e Cleide, casada com Paulo Sérgio Vilanova. Ricardo, Renata, Roberta e Rosana são os filhos do casal.
Dirce casou-se com Basílio de Nicola (ambos falecidos) e tiveram um filho, Moacir, casado com Ismênia de Nicola.
Ada morreu solteira.
Nelson casou-se com Julieta Gaia Paroni e tem três filhos: Nelson (casado com Marta Bruno), pai de Stephanie e Juliana; Nilson (casado com Angélica Cinda Paroni) é pai de Giovanna e Marcela, e Nilton (casado com Wania de Cássia Agnani ), pai de Humberto.

NOME, O MAIOR PATRIMÔNIO

Constantino, o terceiro filho do casal Antônio-Clotilde, nasceu em Paviole, bairro de Canaro, no dia 28 de junho de 1880, na casa dos seus avós maternos, como todos os outros irmãos. Embora Canaro pertença ao Vêneto e Francolino, onde a família Paroni residia, à Emília-Romanha, a distância não chegava a assustar o patriarca Antônio, que não hesitava em levar sua mulher à casa da sogra todas as vezes (e não foram poucas) que se aproximava a hora do parto. Paviole fica do outro lado do rio Pó, ao norte de Francolino. Para ir à casa dos pais de Clotilde, Antônio, ao que tudo indica, usava barco para fazer a travessia e, uma vez lá, prosseguia a viagem de carRuagem.
Pelo Livro de Registro de Nascimento da Comuna de Canaro, os pais de Clotilde moravam na casa de número 60 em Paviole. O documento traz, ainda, uma informação curiosa e preciosa, ao mesmo tempo. Com toda a autoridade que lhe conferia o cargo, o oficial do Registro Civil, Giuseppe Gramagna, dispensou Antônio de levar o menino recém-nascido ao cartório, devido à dificuldade de locomoção, considerando-se a distância entre Paviole e o centro de Canaro. E "usando das atribuições que lhe conferia a lei", fez questão de deixar o detalhe devidamente registrado na certidão de nascimento.
A vida na nova terra não era fácil e exigia que todos trabalhassem. Assim, desde cedo, os irmãos mais velhos partiram para a luta, ajudando no sustento da família, que já era grande e ficou maior ainda com o nascimento de Teresa (Gina, para os familiares), a única brasileirinha do casal Antônio-Clotilde.
Aos 20 anos, quando se casou com a adolescente de 16 anos, Rosa Otolini (de família oriunda da Toscana), no dia 11 de outubro de 1900, Constantino tinha uma carroça (o veículo utilitário daquela época) e com ela ganhava a vida transportando café das fazendas e dos sítios à estação de Amparo. Assim, por uma caprichosa coincidência da vida, o transporte de mercadorias, como atividade profissional, reaparecia entre os Paroni, só que dessa vez por terra e num país bem distante do rio Pó e de Ferrara. Sempre trabalhando por conta própria, outra marca registrada da família, e com as economias feitas à custa de muitos sacrifícios, Constantino montou um açougue no Largo da Estação, em Amparo. Ele e Rosa levantavam de madrugada e trabalhavam duro até o anoitecer. A faina do dia-a-dia não se limitava, porém, à venda de carne no açougue. De quando em quando, Constantino viajava ao sul de Minas, onde comprava bois e porcos para a engorda em Amparo e posterior abate no matadouro local.
Depois de 6 anos de casamento, nascia seu primeiro e único filho, registrado com o mesmo nome do patriarca Antônio, mas que toda a família, mais tarde, conheceria por Nenê. E como Nenê parece ser um apelido que acompanha seu portador pela vida afora, muitos da família jamais souberam o seu verdadeiro nome. Era Nenê e ponto final. Aliás, nomes e apelidos sempre causaram uma certa confusão na família. Constantino, por exemplo, era conhecido por Constante - nome que constava em todos os seus documentos brasileiros. Hoje, a situação está regularizada pela retificação feita com base nos documentos originais da Itália. Portanto, Constantino é o nome que vale.
Confusões à parte, Constantino, com seu temperamento alegre e extrovertido - características que o acompanhariam por toda a vida - tornou-se uma das pessoas mais populares e estimadas de Amparo, tanto pelos italianos e outros imigrantes, como pelos orgulhosos barões do café e suas famílias. Além de querido, fez da honestidade a bandeira de sua vida.

"Numa tarde ensolarada - é Nenê quem conta - enquanto jogava bola de meia, na rua, com meus amigos, desceu na estação de Amparo, trazido pela barulhenta maria fumaça, um rico fazendeiro de Minas, amigo do meu pai, com quem fazia negócios. Contrariando a sua habitual calma, o homem estava apressado. Queria aproveitar o mesmo trem para ir a Socorro encontrar-se com um fazendeiro local. Ao saber que meu pai não estava, virou-se para mim, com um embrulho quadrado, feito de jornal, e pediu:
-Nenê, entregue isso ao seu pai, peça para ele guardar, enquanto prossigo viagem. Na volta, dentro de uns quinze dias, passo novamente por aqui para buscar o pacote. Muito obrigado. Subiu no trem e partiu, sem dizer mais nada.
Mais interessado em continuar jogando bola do que em outra coisa no momento, entrei apressadamente no quarto, abri o guarda-roupa e lá coloquei o embrulho. Quando voltou e ficou sabendo do acontecido, desconfiado de que se tratava de algo muito importante, meu pai foi imediatamente ao quarto e tratou logo de abrir o pacote. Embrulhadas no jornal, muito bem arrumadinhas, lá estavam dezenas de cédulas de mil-réis. Nunca vira tanto dinheiro junto. Foi uma visão fantástica, uma imagem que ficou gravada para sempre nas minhas lembranças. Ali, bem ali, debaixo dos nossos olhos, havia uma verdadeira fortuna em dinheiro vivo que, segundo calculou meu pai, daria para comprar uma boa fazenda de café na região. Na viagem de volta, o fazendeiro mineiro passou pela nossa casa. Ao devolver-lhe o pacote com o dinheiro, ouviu a bronca do meu pai:
- Onde você está com a cabeça? Deixar uma fortuna dessas nas mãos de um menino, sem avisar nada? E a minha responsabilidade? Isso não se faz!
Sem perder a calma e talvez até se divertindo com o desespero do meu pai, o fazendeiro mineiro respondeu:
-Sei o que estou fazendo e com quem estou lidando.
Agradeceu, despediu-se, entrou no trem e partiu".

Foi uma inesquecível lição de vida para Nenê.

Comerciante bem-sucedido no ramo de carnes, Constantino comprou um sítio enorme, "com três nascentes de água", no distrito de Coqueiros (atual Arcadas), município de Amparo. Numa época em que pouquíssimas pessoas tinham automóvel, a grande novidade e até hoje símbolo de status para muitos, ele comprou um Ford e deu de presente ao filho, a essas alturas um rapaz bonitão e elegante, considerado um bom partido (como se dizia então) pelas moçoilas casadoiras. Tudo corria às mil maravilhas, até que estourou a grande crise mundial de 1929. "Conheci muitos fazendeiros que dormiram ricos e acordaram pobres", costumava dizer Nenê, quando se referia aos efeitos do episódio. "Conosco não foi diferente, também perdemos tudo e tivemos de recomeçar do zero", contava.

A crise pegou todo mundo desprevenido, não havia dinheiro. A queda do preço do café no Exterior arrastara consigo fazendas e fazendeiros. As propriedades, rurais ou urbanas, não tinham valor. Quando vendidas, geralmente para pagar as dívidas contraídas pelo seu dono, alcançavam "preço de banana". A propósito, quem viveu a crise de 29 não hesita em eleger a banana como a fruta "salvadora da pátria"; por se tratar de um produto farto e barato, chegou a ser a base da alimentação de muitas famílias. Obrigatoriamente, fazia parte do minguado cardápio da crise. Os italianos e descendentes defendiam-se também com a tradicional polenta, prato de origem campesina. E foi graças a essa dupla - banana e polenta - que conseguiram vencer a fome.
Esse quadro trágico e desesperador não foi suficiente para desanimar Constantino. Não pensou duas vezes em se desfazer de todo seu patrimônio, ainda que a "preço de banana", para pagar dívidas, algumas contraídas por familiares. "O mais importante é que o nome Paroni permaneceu limpo", avaliava, todo orgulhoso. "Perdemos tudo, mas não ficamos devendo nada".
O nome - o maior patrimônio da família - estava salvo!

No começo dos anos 30, Constantino resolveu trocar Amparo por São Paulo, seguindo os passos de muitos irmãos, e deixando o filho, já casado, com um armazém de secos e molhados em Coqueiros. Na Capital, o destino não poderia ser outro: Brás, o bairro que concentrava grande número de imigrantes italianos e também onde moravam muitos dos seus irmãos. Abriu um açougue na Rua Bresser, 373/377, defronte à Rua Maria Joaquina, e deu início a uma nova fase de sua vida. Seu admirável temperamento brincalhão possibilitou que fizesse amizade com todos - desde moradores, comerciantes, pequenos industriais, operários das Indústrias Matarazzo e da Metalúrgica Fracalanza, até os motorneiros e cobradores do bonde "Bresser", que circulava nos dois sentidos, sempre apinhado de gente. Constanino não era só um brincalhão. Solidário e participante, integrado no espírito comunitário, contribuiu, durante muitos anos, para a construção da Igreja de Santa Rita, que estava sendo erguida no Pari.
Amante de uma pescaria, sempre que podia, Constantino ia pescar, com o amigo Sebastião, no Tietê, lá pelos lados do Pari, no final da atual Av. Carlos de Campos. Além das varas, anzóis e minhocas, completavam seu equipamento de pesca uma garrafa de vinho, pão e salame. Atraída pelas guloseimas, a molecada vizinha, que morava nas casas humildes da Bresser, Maria Joaquina e Souza Caldas, acompanhava a dupla com a certeza de garantir o lanche da tarde. E a pescaria virava uma festa à beira do Tietê. Às vezes, Constantino pegava no sono, vencido pelo cansaço e pelos eflúvios do vinho, esquecendo-se da vara, do anzol e do peixe. Numa dessas ocasiões, acordou com a gritaria da molecada, que ficava atenta a qualquer movimento da linha, por menor que fosse:
-Seu Paroni, rápido, tem peixe fisgando a isca!
Constantino acordou na hora e mais do que depressa, tratou de puxar a vara. Para sua alegria, fisgara uma baita traíra, que levou para o açougue como um precioso troféu. Em poucos minutos, o Brás inteiro já estava sabendo da grande façanha do pescador. Com ele, tudo virava festa!

Sua outra paixão era o Palestra Itália, atual Palmeiras, situado no outro lado da cidade, na Zona Oeste, vizinho ao Parque Antártica, área de lazer criada pela cervejaria na Av. Água Branca, atual Francisco Matarazzo. Toda vez que ia ao Tendal da Lapa encomendar a carne para o dia seguinte, dava um jeito de passar pelo Palestra para bater um papo sobre as virtudes de Pepe, Gogliardo e Serafini, a lendária "linha média" da equipe, ou então sobre os dribles e os gols de Romeu Pellicciari, Lara, Heitor e outros craques dos anos 30, mais tarde substituídos por Oberdan, Junqueira, Fiume, Lima, Pipi e outros. Quando o Palestra Itália foi obrigado a mudar de nome, forçado pela politicalha da ditadura Vargas, fato ocorrido em 1942, Constantino ficou desgostoso e deixou de ser sócio. Mas não de torcer. No dia 23 de novembro de 1951, vítima de um derrame que o deixara acamado por dois anos, Constantino faleceu. O Céu estava precisando de gente alegre e extrovertida. E Deus o convocou.
Foi num baile no Grêmio de Amparo (Grêmio Recreativo, Cultural e Artístico), clube dos italianos e descendentes, que Nenê conheceu e se rendeu aos encantos de Maria Piva, uma linda jovem moradora e nascida na cidade vizinha de Pedreira, cujos pais tinham vindo do Vêneto (ele de Verona, ela de Mântova), no fim do século 19. Foi paixão à primeira vista, fulminante, daquelas que vem para ficar. Ao som dos violinos e embalados pelas valsas românticas, nascia naquela noite uma história de amor e respeito. O namoro, depois noivado, foi consolidado por uma união que duraria de 19 de outubro de 1927, data em que se casaram na Igreja de Sant'Ana, ainda em fase de construção, em Pedreira, até 14 de julho de 1959, em São Paulo, quando Maria partiu para sempre.

Desse casamento nasceram quatro filhos: Leilah (casada com José Alberto Medeiros, mãe de Regina Maris e José Alberto e avó de Luís Fernando, Leandro e Stella Maris, filhos do casamento de Regina com Luís Mastelin), Lenny (casada com Wilson Panzuto e mãe de Maria da Graça), Laudo (casado com Dirce Galastri, pai de Maria Cláudia (casada com Alexandre Magalhães Terras pais de Leonardo Paroni Terras) e de Laudo Júnior (casado com Deusa Karlla Almeida e pai de Bruna, Rodrigo e André) e Liris (casada com Ezequias Ramos e mãe de Rachel e Israel). Do casamento em segundas núpcias com Yvone Rahme, nasceu Lúcia Helena (mãe de Beatriz e Antônio).

AMOR ÀS RAÍZES

Em 1944, Nenê Paroni, depois de ficar 3 anos em Espírito Santo do Pinhal, foi designado para trabalhar como Fiscal de Rendas no Posto Fiscal de Amparo. A transferência representou para ele, como bom amparense, um prêmio. Afinal, voltar para a terra natal, a sua tão amada Amparo, significava um presente dos céus. Era gratificante voltar àquele pedaço de chão que o viu nascer, crescer e estudar no Colégio São Benedito, onde aprendeu francês, inglês e até um pouco de alemão. Depois de empossado no cargo, Clóvis, o chefe do Posto Fiscal, recomendou a Nenê tomar, imediatamente, duas providências: frequentar o Clube 8 de Setembro, tradicional reduto da elite amparense de então, e torcer pelo Atlético de Amparo, arqui-rival, no futebol, do Floresta - outro time da cidade. A adoção dessa medida, na opinião de Clóvis, seria a receita "social e politicamente correta" para Nenê "se dar bem na cidade".
A reação não demorou: fiel às suas raízes de filho e neto de imigrantes, ele fez exatamente o contrário do que recomendara o colega. Ingressou como sócio no Grêmio (clube fundado por italianos) e liderou um movimento para a reabertura do Floresta, que estava desativado por problemas financeiros. Nessa época, Nenê morava na Rua Prudente de Morais, em frente ao Jardim Público de Amparo, nas proximidades da Vila Afonso Celso, local onde o Floresta tinha seu campo de futebol. E não perdia um jogo sequer do time de seu coração, até ser transferido para a Capital, em julho de 1948.
Anos mais tarde, em conversa com os filhos, Nenê justificava sua "rebeldia" alegando que jamais seria capaz de trair suas raízes.
Naquela época, existia em Amparo um certo preconceito contra os italianos e descendentes, por parte de alguns ricaços da cidade, herdeiros dos barões do café. Esse anti-italianismo aumentou - e muito - durante a Segunda Guerra Mundial (1939/1945), quando o Brasil, que permanecera neutro até então, decidiu apoiar os Aliados na luta contra as nações que compunham o chamado "eixo", formado pela Alemanha, Itália e pelo Japão. Embora os imigrantes (não só italianos, mas também alemães e japoneses) nada tivessem com isso - muitos estavam vivendo aqui desde fins do século 19 - sofreram perseguições de toda ordem, incluindo até mesmo o confisco de bens. Em Amparo, não se chegou a tanto, mas os italianos e descendentes passaram por algumas humilhações. Frequentar o Clube Oito, por exemplo, era sinal de status, porque o Grêmio era dos "italianinhos" Nos "footings" do fim de semana, por exemplo, os torcedores do Floresta, em sua maioria descendentes de italianos, circulavam somente de um lado da Rua Treze de Maio, enquanto os do Atlético ficavam no lado oposto. Invadir o domínio do outro, era briga na certa. Coisas do futebol, esse esporte apaixonante que separa as pessoas em vez de uni-las. Coisas da cruel propaganda de guerra, que gerou ódios e transformou em vítimas difamadores e difamados.
Hoje, felizmente, os tempos são outros e as diferenças ficaram no passado. O Floresta abandonou o futebol e transformou-se em clube estritamente social. Com isso, o Atlético tornou-se o único representante da cidade nos campeonatos da III Divisão da Federação Paulista de Futebol e ganhou o apoio de toda a população.

MULHER MARAVILHA DESAFIOU A MORTE

Era quase final de tarde quando Carolina apareceu na casa de Nenê e Maria, na Rua das Olarias, 44, no Pari, com uma torta milagrosamente ainda quentinha, como se tivesse acabado de sair do forno. A distância entre sua casa, na Av. Celso Garcia, proximidades da Rua Bresser, e a do filho do seu irmão Constantino, embora considerável, não foi suficiente para esfriar a guloseima. Hiperativa de corpo e mente, ela gostava de andar longos percursos a pé, deixando para trás até os mais jovens e bem preparados.
Torta entregue e inteirada das novidades no bate-papo que sempre mantinha com Maria, dispôs-se a voltar para casa, no Brás. E, claro, a pé. Preocupada que algo lhe pudesse acontecer, porque já tinha uma certa idade, Maria pediu à filha Leilah, sem que Carolina soubesse, acompanhasse a tia-avó pelo menos até o início da Bresser. Com a desculpa de que também teria de ir até o Brás, Leilah ofereceu-se para acompanhá-la. Quando chegaram à Rua Silva Telles, Carolina virou-se para ela e disse:
-Obrigada pela companhia, viu bela? Deixe que sigo sozinha. Não precisa ficar preocupada. Ciao!
E para mostrar que estava em plena forma, deu dois pulinhos, entrou numa loja por uma porta, saiu pela outra e partiu rapidamente rumo à Celso Garcia. Para espanto de Leilah e de alguns transeuntes, que viram a cena sem nada entender.
Carolina, quinta filha de Antônio Paroni e Clotilde Gennari Paroni, também nasceu em Canaro, Província de Rovigo, região do Vêneto, no dia 23 de setembro de 1885. Documento emitido pela Prefeitura de Ferrara revela seu verdadeiro nome - Giuseppa. Não se sabe se Carolina era seu segundo nome ou se ela o adotou por não gostar do primeiro. Hipóteses à parte, devemos ficar, em nossa narrativa, com o nome Carolina, que a acompanhou vida afora e, sem dúvida, é mais bonito que Giuseppa. Vamos respeitar, portanto, a preferência da nossa mulher-maravilha.
Depois de desembarcar com a família em Santos e de ficar um tempo na Hospedaria dos Imigrantes, Carolina seguiu para Amparo, onde os Paroni se dedicaram ao trabalho do campo e, logo após, ao comércio. Seu neto, o médico Nelson Egea, conta que, segundo lhe relatou a própria avó, Carolina iniciou a vida em Amparo fazendo e vendendo doces nas festas da padroeira, no Largo da Matriz (hoje Praça Monsenhor João Batista Lisboa), no Largo do Rosário e, às vezes, em Monte Alegre do Sul, na época, distrito de Amparo. Seus doces eram tão afamados que entre os fregueses estava o jovem Francisco Prestes Maia - chamado por ela de "Mainha"- que no futuro seria o grande Prefeito de São Paulo.
Nelson Egea lembra um episódio que aconteceu na época de Getúlio Vargas, quando Prestes Maia era o prefeito da Capital:
"- As autoridades eram respeitadas, algumas até temidas, pela população. O prefeito não fugia à regra. Era um ser todo-poderoso e inacessível à grande maioria. Mas não para Carolina. Quando ela tinha de resolver qualquer problema com seus imóveis (o que era bastante comum), ia pessoalmente ao Gabinete do Prefeito. Para falar com Prestes Maia, anunciava-se com o "a italiana de Amparo", sem se preocupar em marcar audiência. E era recebida de braços abertos pelo ilustre Prefeito, habitualmente um homem sério e pouco dado a conversa. Tive a felicidade de participar de um desses encontros. Sou testemunha ocular do acontecimento".
Carolina casou-se em Amparo com Felício Bordonalli (italiano de Treviso), no dia 19 de setembro de 1903 e tiveram quatro filhos: Jenny, Angélica, Áureo e Olympia. Na década de 20, mudaram-se para São Paulo, onde abriram um restaurante no Largo da Concórdia, no Brás, mais tarde transferido para sua filha Angélica, que se casara com Gines Egea Andrés, em 1927. Em seguida, estabeleceram-se com uma loja na Av. Rangel Pestana, na praça em frente à Estação do Norte (hoje Estação Roosevelt), por onde circulavam os trens da Central do Brasil. Nelson diz que se tratava de um estabelecimento comercial grande, que vendia de tudo, desde armarinhos, roupas, sapatos, e material de caça e pesca até armas de fogo. "Seria, hoje, considerada uma boa loja de departamentos", comenta ele, acrescentando que o local funcionou durante as décadas de 30 e 40, sempre com grande movimento.
Na década de 50, Carolina passou a residir em um sobrado de sua propriedade, situado na Av. Celso Garcia, bem em frente ao tradicional Cine Universo - o único no Brasil a ter um teto móvel, que era aberto em noites quentes e estreladas. "Foi a primeira vez que ela morou em uma casa própria, embora fosse dona de vários imóveis. Minha avó considerava mais negócio morar de aluguel do que imobilizar capital na compra de um imóvel para esse fim. Preferia investir o dinheiro no comércio", revela Nelson. Carolina acumulou um patrimônio imobiliário invejável, considerado do tipo classe média alta. Entretanto, a morte do casal Carolina/Felício e a deterioração dos imóveis contribuíram para desvalorizar o pé-de-meia. A partilha dos bens atingiu cifras apenas razoáveis.
Para Nelson, Carolina foi uma mulher de personalidade forte, uma guerreira por natureza. ''Ela tinha um coração de ouro, era solidária e jamais negou auxílio aos irmãos e filhos. Sempre presente nos momentos mais difíceis, inteligentíssima, viva e enérgica, mas bondosa, minha avó era dotada de um senso comercial fora do comum e extraordinário amor pelo trabalho. Já Felício, seu marido, era um "bon vivant" e passou toda a sua vida à procura de trabalho...", brinca. "Além de excelente comerciante, minha avó era cozinheira de mão cheia. Fazia como ninguém macarrão, linguiça e até a deliciosa "pancetta". Também sabia costurar muito bem".
Estava sempre com pressa e uma de suas "marcas registradas" era o birote na nuca, que prendia seus longos e bastos cabelos grisalhos.


DURA NA QUEDA

Carolina faleceu no início de 1960, mas não entregou os pontos facilmente. Sua tenacidade desafiou a própria morte, fazendo-a vencer a primeira batalha. Mas, como ninguém é eterno, perdeu a guerra. Nelson Egea conta, com detalhes, como isso aconteceu:
"Ela era cardíaca, mas rebelde ao tratamento. Nunca se cuidou como devia, por isso seu estado piorou e ela teve uma parada cardíaca. Um médico, meu colega, a atendeu e constatou seu falecimento. Como ele não tinha, no momento, a folha para fazer o atestado de óbito, saiu para buscá-la. Voltou e começou a preencher o laudo médico. De repente, para surpresa dele e de todos os presentes - inclusive eu, médico também - Carolina voltou a respirar. Voltou à vida com força total. Até hoje não sei definir corretamente o que aconteceu, se ela ressuscitou ou não. Importante: depois de alguns dias, desceu a escadaria do sobrado onde morava e foi negociar a renovação do contrato de locação com um inquilino. Ganhou um televisor novinho a título de luvas..."
Coisas de mulher-maravilha!
Nelson Egea conclui sua narrativa acrescentando que Carolina faleceu - desta vez "definitivamente" - dias mais tarde.
O Céu não podia esperar mais.
A união entre Carolina Paroni e Felício Bordonalli resultou no nascimento de quatro filhos. Jenny, a primeira, casou-se com Domingos Dias Hernandez e teve três filhos: Dionísia (Nizinha), casada com Armando Pereira e mãe de Armando Pereira Filho, nora de Sônia Bresser Pereira (primeiro casamento) e avó de Talita, Tatiana e Taciana; do segundo casamento com Sônia Gonzalez Pereira, nasceu seu neto, Armando Pereira Neto. Nizinha e Armando tiveram outro filho, Miguel, que faleceu. Armando Hernandez, o segundo filho de Jenny, casou-se com Medina e teve uma filha, Rosely Hernandez de Abreu, mãe de Daniel Henrique, Leonardo Augusto e Luís Felipe; Fausto, o terceiro, casou-se com Rosa e é pai de Elisabete, Fábio e Fausto Filho, este pai de Itamar e Lívia Hernandez.
Angélica, a segunda filha de Carolina e Felício, casou-se com Gines Egea Andrés. Desse casamento nasceram Nelson e Milton Egea. Nelson casou-se com Clara Redorat e é pai de Mauro Redorat Egea (casado com Sueli Micelli e pai de Débora e Florence) e de Pérsio Redorat Egea, solteiro. Milton casou-se com Maria Cecília Galvão, que são pais de Fernando, Eduardo e Roberto Galvão Egea.
Olympia Bordonalli, a terceira filha de Carolina/Felício, casou-se com Alberto Piovesan e teve uma única filha, Neusa Olímpia, casada com Valdir da Silva, mãe de Luís Carlos e Cibele e avó de Camila, filha de Luís Carlos.
O quarto filho, Áureo, conhecido por Néio, não tem descendentes.
A união entre Carolina e Felício resultou em 4 filhos, 6 netos, 13 bisnetos e 12 trinetos, totalizando 35 descendentes. A família tem 6 engenheiros, 2 médicos, uma médica-veterinária, um biomédico, dois professores, um advogado, uma dentista e um engenheiro e advogado.

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Laudo Paroni

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

FERRARA

Cidade da Itália, na Emília-Romanha; 160.000 habitantes. Centro comercial e industrial (indústrias mecânicas, petroquímicas, de conservas e de calçados).
__História: Tendo entrado para o patrimônio da Igreja no século VIII, Ferrara pertenceu ao exarcado de Ravena (921) e foi dotada com uma organização comunal, embora permanecendo sob a suserania da Igreja. Disputada, nos séculos XII e XIII, entre as famílias dos Adelardi (guelfos) e dos Torelli (gibelinos), caiu, em 1240, sob o domínio da casa D'Este, dela fazendo a capital de uma poderosa senhoria e um brilhante centro do Renascimento. Após a morte, sem herdeiros, do duque Afonso II, foi reunida aos Estados da Igreja pela convenção de Faenza (1598). Ocupada pelos franceses em 1798, integrada ao reino da Itália (1801-1814), foi ocupada pelos austríacos antes de ser anexada à Itália em 1860.
__Arquitetura: Catedral, iniciada em 1135, com ampla fachada romano-gótica. Castelo D'Este, iniciado em 1385. Palácio Schifanoia (Museu Cívico), Palácio Ludovico Sforza (Museu Arqueológico Nacional) e Palácio dos Diamantes (Pinacoteca).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Duque Hércules I
(1431-1505)

Membro da casa D'Este, família originária da Toscana que reinou sobre os ducados de Ferrara, Módena e Reggio. A família D'Este fez de Ferrara um dos centros mais brilhantes do Renascimento. Hércules D'Este se casou com Eleonora de Aragão em 1473, e tiveram três filhos: Isabel (se casou com Francisco Gonzaga); Beatriz (se casou com Ludovico ``o mouro`` Sforza) e Afonso I, que se casou com Lucrécia Bórgia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Papa Clemente VIII


Ippolito Aldobrandini - (Fano, 1536 - Roma, 1605). Papa de 1592 a 1605. Editou a Vulgata (1592).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Fotografia do navio Charles Martel


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Antiga fotografia de Paviole


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fotografia de Canaro


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rovigo

Vêneto

Cidade da Itália, no Vêneto, na baixa planície do rio Ádige; 55.000 habitantes. Possui monumentos de grande valor arquitetônico, como a igreja octogonal, construída no século XVI.


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Emília-Romanha

Região da Itália, ao sul do Pó, banhada pelo mar Adrático; 22.124 km2; 3.970.000 habitantes; capital: Bolonha. Oito províncias a constituem: Bolonha, Ferrara, Forli, Módena, Parma, Piacenza, Ravena e Reggio nell'Emilia. As planícies ocupam a metade de sua superfície, que forma um triângulo entre o Pó, os Apeninos e o litoral. Grande produtora de trigo, vinho, frutas e legumes; são também muito desenvolvidas as criações de bovinos e suínos. A indústria liga-se parcialmente à agricultura, embora tenha se diversificado. O turismo anima o litoral e as cidades históricas do interior (Bolonha, Ferrara, Parma, Ravena). Altamente urbanizada, a Emília pertence à parte setentrional, desenvolvida, da Itália.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VÊNETO

Região do norte da Itália que engloba as províncias de Belluno, Pádua, Rovigo, Treviso, Veneza, Verona e Vicenza; 18.364 km2; 4.366.000 habitantes; Capital: Veneza.
Situada entre o lago de Garda, o Pó, os Alpes e o Adriático, a região se estende pelos Alpes e pelas colinas e planícies do Pó. As atividades agrícolas diversificadas se associam à insdústrias, tradicionais e modernas, além do turismo balneário e cultural (Veneza, Verona, Pádua, Vicenza).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Lombardia

Região do norte da Itália; 23.850 km2; 8.900.000 habitantes (a mais populosa do país); dividida em nove províncias (Bérgamo, Bréscia, Como, Cremona, Mântua, Milão, Pavia, Sondrio e Varese); Capital: Milão.
Limita-se a oeste e ao sul com o Piemonte e com a Emília; a leste com o Vêneto e ao norte com a Suíça. É a principal região econômica da Itália, especialmente no setor industrial. O setor terciário é também bastante desenvolvido, assim como a agricultura e a pecuária.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

TOSCANA

Região da Itália central; 23.000 km2; 3.585.000 habitantes; Capital: Florença. A região é constituída por nove províncias: Arezzo, Florença, Grosseto, Livorno, Lucca, Massa & Carrara, Pisa, Pistóia e Siena.
Estendendo-se dos Apeninos ao mar Tirreno, a Toscana apresenta paisagens variadas em que dominam colinas e montanhas de altitude média. Região intermediária entre o norte do país, industrializado, e o Mezzogiorno, menos desenvolvido, a Toscana apresenta uma agricultura especializada (vinhas, legumes, flores, frutas) e uma indústria diversificada. A indústria está presente tanto nos pequenos centros quanto nas grandes cidades. O turismo constitui atividade importante na região: balneário no litoral e cultural no interior (Florença, Lucca, Pisa, Siena).

_História: A Toscana corresponde à antiga Etrúria. Conquistada pelos Lombardos no século VI, passou para o domínio carolíngio (774), que criou o condado de Lucca. A última herdeira, a condessa Matilde, legou seus domínios ao papado (1115). Os imperadores germânicos contestaram seu testamento, entraram em conflito com os papas, e as cidades toscanas disso se aproveitaram para emancipar-se (séculos XII-XIV). Com a ascensão dos Medici ao poder em Florença (1434), a região encontrou certa coesão política, transformando-se em um verdadeiro Estado. Apósa extinção da dinastia (1737), a Toscana passou para Francisco da Lorena, que, como seus sucessores, governou como um déspota esclarecido. Após o intermédio napoleônico (1799-1814), a dinastia recuperou a Toscana. Uma efêmera República governou em 1849. O grão-duque Leopoldo II, por algum tempo refugiado, recuperou o poder. A insurreição de 1859 terminou com a anexação da Toscana ao Piemonte, após referendo (1860).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Hospedaria dos Imigrantes

Sob o patrocínio da Sociedade Protetora da Imigração, instituição formada por grandes cafeicultores interessados na captação de força de trabalho imigrante, foi iniciada em 1886, a construção do grandioso prédio da "Hospedaria dos Imigrantes". O novo edifício viria a substituir o anterior, localizado no bairro do Bom Retiro, pois o mesmo se tornara obsoleto.
O novo e majestoso edifício ocupava quase um quarteirão; foi inaugurado em 1887, situava-se na Rua Visconde de Parnaíba, nº 236, ao lado da SP Railway no Brás, e tinha a capacidade para abrigar por volta de 4 mil imigrantes/dia. Para facilitar o acesso, a seu lado foi construída uma estação ferroviária para desembarcar os passageiros vindos do porto de Santos.

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A M P A R O

Cidade localizada no interior do estado de São Paulo, distante cerca de 120 km da capital, possui aproximadamente 52.000 habitantes.
Cidade com grande potencial turístico, devido aos recursos hídricos, agradável clima e rico acervo arquitetônico.
Estância balneária, é a porta de entrada para o chamado Circuíto das Águas, no estado de São Paulo.

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PALESTRA ITÁLIA

Agremiação esportiva fundada em São Paulo no ano de 1914.
Em virtude dos acontecimentos da Segunda Grande Guerra, no ano de 1942, adotou a denominação de Sociedade Esportiva Palmeiras.
No futebol, possui vários títulos nacionais e internacionais.
Dispõe do Estádio Palestra Itália, com capacidade para 35 mil espectadores.

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